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Três horas. As notícias com Matilde Malva Sabino.

Começamos com o conflito no Médio Oriente. O aeroporto em Teerão está em chamas depois de um ataque israelita, enquanto Donald Trump sublinha que só há acordo de paz com rendição incondicional. Depois de Israel anunciar uma nova vaga de ataques em larga escala contra a capital iraniana, é possível ver a esta hora chamas a surgir do aeroporto de Mehrabad. De acordo com a CNN Internacional, Donald Trump afirma que não haverá acordo com o Irão até que haja uma rendição incondicional. São as palavras do presidente dos Estados Unidos numa publicação feita na rede Truth Social. E poderá Donald Trump estar interessado também em colocar tropas no terreno no conflito no Médio Oriente. É o que avança a NBC News, que cita uma fonte próxima do presidente norte-americano. A ideia terá sido levantada e discutida estes últimos dias com conselheiros e republicanos fora da Casa Branca. O objetivo é criar no Irão um regime semelhante ao da Venezuela, onde a liderança colabora com Washington na exploração e extração de petróleo. A Rússia estará a apoiar o Irão na guerra com informações sobre as bases norte-americanas e israelitas. A notícia é avançada pelo The Washington Post, que cita três responsáveis norte-americanos com conhecimento dos relatórios das secretas. Os serviços de informação norte-americanos acreditam que Moscou está desde o primeiro dia do conflito a transmitir informações das secretas ao Irão. Esta participação indireta russa no conflito tem facilitado os ataques do regime de Teerão às forças dos Estados Unidos. As informações transmitidas incluem a localização e movimentações das forças norte-americanas no Médio Oriente, incluindo tropas, meios aéreos e navais. Por agora, a Rússia é o único ator estatal que se sabe estar a apoiar o esforço de guerra iraniano, mas as secretas norte-americanas acreditam que também a China pode estar prestes a entrar na guerra ao lado de Teerão. É o que avança a CNN Internacional. Os Estados Unidos dizem não estar preocupados com a participação da Rússia no conflito no Médio Oriente. Em entrevista à CBS, o secretário da Defesa garante que estão a acompanhar tudo e que tudo está a ser incorporado nos planos de batalha. Pete Hegseth rejeita a possibilidade de a ajuda russa estar a colocar os Estados Unidos em risco no conflito e refere que são os norte-americanos que estão a colocar os outros em risco. O secretário-geral do PS defende um plano de mitigação dos efeitos da guerra no Irão na economia portuguesa. Em declarações aos jornalistas, José Luís Carneiro apela ao governo para antecipar os efeitos e não andar a correr atrás do prejuízo.

O governo anunciou uma medida de redução do ISP, que me parece uma medida escassa nos seus efeitos, e aquilo que eu quero dizer é que o governo deve preparar um plano de mitigação dos efeitos desta guerra no Médio Oriente, que não apenas tenha efeitos nos combustíveis, mas também possa ter efeitos na redução dos custos com os bens alimentares e dos custos, nomeadamente, com os empréstimos à habitação. Esse pacote de medidas de mitigação dos efeitos da guerra no Médio Oriente devem ser adotados não apenas pelo governo da República, e também é importante que o governo regional dos Açores prepare um conjunto de medidas, porque aquilo que é expectável é que os efeitos nocivos desta guerra sejam profundos e possam ser mesmo duradouros.

O apelo de José Luís Carneiro à entrada de uma reunião com militantes para a apresentação da recandidatura a líder do PS na Lagoa, ilha de São Miguel, nos Açores. José Luís Carneiro afirma que a redução de três cêntimos do ISP anunciada pelo governo corresponde ao aumento que acabou de fazer em final de dezembro e que, assim sendo, o Executivo liderado por Luís Montenegro tem de deixar claro se quer ou não tomar decisões que tenham efeitos concretos na redução deste imposto. O PCP diz que a direita é cúmplice da guerra e escusa de chorar lágrimas de crocodilo face às consequências. No comício dos 105 anos do Partido Comunista em Lisboa, Paulo Raimundo exige preços regulados para impedir que sejam os portugueses a pagar o conflito. Paulo Raimundo afirma que o Estado português assumiu um posicionamento de submissão face a este conflito, que envergonha o país e afronta a Constituição. O Bloco de Esquerda considera que Paulo Rangel não tem condições para continuar como Ministro dos Negócios Estrangeiros. O coordenador do partido acusa o ministro de ter ocultado informação ao país sobre a utilização da Base das Lajes. Uma situação grave, são as palavras de José Manuel Pureza.

Hoje o dia fica marcado pelo conhecimento que foi dado ao país pela imprensa de referência de que, relativamente à utilização da Base das Lajes por aviões norte-americanos, o governo ocultou dados, ocultou informação ao país. Isso é gravíssimo. O ministro Paulo Rangel indicou que havia condições que passavam pelos aviões que utilizassem a Base das Lajes não serem utilizados para missões ofensivas, e hoje o país fica a saber que pelo menos sete utilizações não tiveram autorização Explícita e não tácita, que a lei obrigava, isto é, que o acordo da Base das Lajes obrigava. O ministro ocultou isto ao país. Não pode ser, é inaceitável.

Esta sexta-feira o PS noticiou que os Estados Unidos fizeram sete voos a partir das Lajes antes do acordo condicional do governo e já com a guerra em curso. Para José Manuel Pureza, só há um resultado possível: a demissão de Paulo Rangel.

Na ânsia de prestar serviço a Donald Trump, nesta sua aventura que rompe completamente com a Carta das Nações Unidas, com todo o direito internacional público, o governo empresta o território nacional para que as coisas sejam feitas e sejam feitas ilegalmente, sejam feitas à socapa, sem o conhecimento do país. A democracia não tolera isto. Este ministro não tem, portanto, condições democráticas para continuar a exercer o seu cargo, na nossa opinião.

É o entendimento do coordenador do Bloco de Esquerda em declarações em Leiria. A Câmara Municipal de Leiria vai pedir um empréstimo de €25 milhões ao governo. O empréstimo tem como objetivo pagar os danos causados pela tempestade Cristine. O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, diz que, ainda assim, o valor não é suficiente face aos prejuízos.

Tanto que o município quer fazer que é muito, não é, mas é um início. Depois havemos de receber dinheiro do seguro, já voltámos a receber mais uma tranche do seguro. Importa dizer que o município tem um seguro de €230 milhões para cobertura de edifícios. Não sabemos qual é o valor final que vamos fechar, mas se não o tivéssemos, hoje estávamos muito pior. Isso também é um desafio que se deixa aos portugueses no futuro, é que o seguro da sua habitação deve ser equacionado como obrigatório, porque não sabemos o dia de amanhã.

Gonçalo Lopes numa visita a duas escolas do concelho, na qual acompanhou o ministro da Educação, que foi verificar os danos nas escolas. A Câmara de Leiria estima que os prejuízos rondam os €800 milhões, sem contabilizar os custos com as infraestruturas municipais e na floresta. O ministro da Agricultura acusa a banca de privilegiar, na concessão de crédito, os lesados pelas intempéries que apresentam menos risco, mais em concreto, por excluir agricultores de maior risco no acesso ao crédito, mesmo com uma garantia de 80% por parte do Estado. O ministro diz que os bancos estão a privilegiar apenas os clientes mais seguros. José Manuel Fernandes classifica a situação como inaceitável e dá como exemplo os suinicultores de Leiria. Mudamos de tema. Têm sido várias as homenagens das mais altas figuras do Estado a António Lobo Antunes, escritor que morreu esta quinta-feira. Entre os presentes no velório, estiveram o presidente da República, membros do governo, políticos, personalidades do campo da cultura, família e amigos. Um dia de despedida ao escritor, que morreu aos 83 anos e que foi acompanhado pelo jornalista António José Soares.

A urna de António Lobo Antunes chegou ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, por volta das 15h. A primeira hora foi apenas para a família do escritor. As portas abriram depois às 16h, para o público em geral. Marcelo Rebelo de Sousa depositou o grande colar da Ordem de Camões junto à urna. O presidente da República disse que gostaria que o escritor fosse para o Panteão Nacional, mas lembrou que a decisão não depende dele.

Não sei o que é que a família pensa, mas a decisão não é minha, eu tenho que respeitar os parlamentares. No Panteão, tal como eu concebo, estaria.

No mesmo sentido, foram as palavras da ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes.

E é, antes de mais, uma decisão da família e da Assembleia da República. O dia de hoje é um dia para recordarmos uma das figuras mais singulares da cultura portuguesa.

Luís Montenegro também foi prestar uma última homenagem a António Lobo Antunes. O primeiro-ministro sublinhou a contribuição do escritor para a língua portuguesa.

Um escritor exímio, alguém que de fato elevou a um patamar elevadíssimo, a patamar máximo, a qualidade e a virtualidade da língua portuguesa.

Já o escritor Daniel Sampaio recordou o amigo de longa data.

O António dizia que a amizade era uma forma de amor. Foi amor que nós tivemos um pelo outro.

Entre os amigos presentes, esteve também o antigo ministro socialista Guilherme Oliveira Martins.

Um homem muito generoso e muito afetivo.

No velório marcaram presença ainda o comentador Daniel Oliveira e o seu irmão José Gusmão, do Bloco de Esquerda, o cantor Vitorino e a deputada do PS, Edite Estrela, entre muitos outros.

Reportagem do jornalista António José Soares, no velório do escritor António Lobo Antunes. As portas do Mosteiro dos Jerónimos reabrem às 10h da manhã deste sábado. A missa de corpo presente está marcada para o meio-dia. O funeral sai depois para o Cemitério de Benfica, em Lisboa. A Federação Portuguesa de Futebol decretou um minuto de silêncio a cumprir nas competições deste sábado, dia de luto nacional. O Sporting visita à tarde o Sporting de Braga, com a expectativa de vencer o jogo. O treinador dos Leões, Rui Borges, diz que o foco da equipa é ganhar, independentemente do clássico de domingo. Isto porque Benfica e Porto medem forças no Estádio da Luz, um dia depois do jogo entre o Sporting e o Braga, a contar para a jornada 25. Rui Borges afirma que a prioridade é fazer uma segunda volta extraordinária e que tudo começa com uma vitória este sábado.

Queremos fazer uma segunda volta melhor do que a primeira, porque a primeira foi boa, mas não chegou. Temos que fazer uma segunda volta extraordinária. Para a fazer, temos que ganhar amanhã. Isso é que eu sei. Mais do que tudo o resto, mais do que o jogo que existe entre os dois rivais. Temos que fazer a nossa parte, depois perceber qual é a consequência de nós ganharmos. Sei que temos é um jogo difícil, volto a dizer, contra uma boa equipa, onde nos vai criar muitas dificuldades e onde temos que estar no nosso máximo, claramente, durante 90 ou 100 minutos, o que for o jogo.

Rui Borges, em conferência de antevisão ao encontro frente ao Braga. Já o treinador Carlos Vicent elogia o adversário, mas admite que o cansaço pode influenciar o resultado. O técnico espanhol diz que ter mais energia pode ser importante devido à intensidade do jogo.

Obviamente, é uma diferença que temos de tentar aproveitar. Vamos estar um bocadinho mais frescos. Os níveis de energia podem estar um pouco mais altos. Temos que aproveitar. Acho que o jogo vai ser intenso porque são duas equipas que tentam impor-se e atacar. Como o jogo vai ser intenso, pode haver momentos em que condição física é um aspeto importante. Pode ser.

Carlos Vicent e Rui Borges, na antevisão do jogo entre Braga e Sporting este sábado, a contar para a jornada 25. O jogo começa às 18h, com relato e comentários em direto aqui na Rádio Observador. Foi a notícia de fecho deste jornal. A informação regressa às 15h30. Até já.