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São três horas. As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira.

Muito boa noite. Sábado de protestos de norte a sul do país contra o aumento do custo de vida e por melhores salários e pensões. A CGTP convocou manifestações para Lisboa, Porto e Coimbra. O secretário-geral da Central Sindical, Tiago Oliveira, antecipa uma grande mobilização nacional de trabalhadores, jovens e reformados sob o mote "Mais salário, melhores pensões e serviços públicos". Os manifestantes contestam a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos alimentos. No Porto e em Coimbra, as manifestações começam às 10h30 da manhã. Na capital, o protesto está marcado para às 14h30 da tarde, com início no Cais do Sodré e fim no Rossio, mas há mais iniciativas previstas para este sábado. No Funchal, está marcada uma manifestação contra o empobrecimento e pelos direitos dos trabalhadores. Também em Faro, vários movimentos e coletivos promovem, ao final da tarde, uma concentração pelo direito à habitação e em solidariedade com os manifestantes que estão acampados no Porto. Na capital, a expectativa de Carlos Moedas é de que os protestos corram bem. O presidente da Câmara de Lisboa considera a causa justa, mas avisa que as pessoas têm de cumprir a lei.

Aquilo que eu pedia era calma, serenidade, para que a causa seja justa e para que a causa possa ter a sua razão sem haver desrespeito pela lei. E isso é muito importante que amanhã aconteça em Lisboa e por isso é aquilo que eu peço. Espero que vá correr bem. Para ter uma ideia, nós temos 700 manifestações por ano em Lisboa. Damos autorização a todas essas, obviamente, elas são notificadas. As manifestações são um direito constitucional e, portanto, é isso que nós fazemos todos os dias na nossa cidade. Amanhã será uma. Esta eu penso que é uma causa justa, que as pessoas têm razão.

Carlos Moedas, a antecipar a manifestação pela habitação agendada para este sábado em Lisboa, no Rossio. Se o cenário for idêntico ao do Porto, com manifestantes a colocarem tendas nas ruas, o autarca diz que não há qualquer problema, desde que, repete, a lei seja respeitada.

As pessoas que se podem manifestar, têm que fazê-lo dentro da lei. E, portanto, essa manifestação vai ser feita. Não sei se as pessoas vão ter tendas ou não. Podem se manifestar com as tendas, obviamente, mas a cidade tem um espaço público, deve ser respeitado. Nós não podemos ter tendas em todos os sítios durante todos os dias, mas podemos ter manifestações em que existem tendas, obviamente, isso não tem qualquer problema.

Declarações de Carlos Moedas, que marcou presença num encontro que reuniu cerca de 400 juízes de quase 80 países para debater os principais desafios da Justiça. O movimento pelo direito à habitação demarca-se das ameaças ao primeiro-ministro. Luís Montenegro diz-se preocupado, em causa o vídeo divulgado pelo gabinete do chefe de governo, em que os manifestantes ameaçam atacar a casa de Luís Montenegro e da família.

A gente precisa, diz quem, descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo. É para acalmar as coisas assim.

Luís Montenegro classificou o vídeo como preocupante. O chefe de governo considera que as imagens apelam à violência e à importação para Portugal de conflitos que decorrem noutros países e fala numa ameaça direta.

É, de facto, preocupante. Tive ocasião já de ver uma primeira vez, e vou agora analisar com mais detalhe, o filme de uma das passagens das intervenções feitas nessas manifestações, onde, entre outras coisas, se faz um apelo direto à violência, se faz um apelo direto à importação de conflitualidade que hoje nós temos assistido, tem ocorrido noutros países, e onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família.

Luís Montenegro rejeita ainda ter acusado os manifestantes de egoísmo.

Em algum momento eu disse que havia egoísmo dos manifestantes. E eu disse isto: em primeiro lugar, eu já tive a ocasião de dizer, na semana passada, na Assembleia da República, que espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm, de facto, respaldo na sociedade portuguesa. Portanto, eu dirigi-me a partidos políticos, a movimentos associativos e a organizações.

Palavras do primeiro-ministro Luís Montenegro no final da reunião do Conselho Europeu desta sexta-feira. Ora, em declarações à Rádio Observador, João Silveira, um dos porta-vozes do grupo, garante que se tratam apenas de palavras de ordem e que não houve qualquer incitamento à violência.

Estavam cá mais de mil pessoas ontem. É verdade que houve pessoal que aplaudiu, mas sobretudo o sentimento e não as ações. Há uns anos também houve várias palavras de ordem aqui no Porto sobre ocupar-se a casa do Rui Moreira. Isso, obviamente, nunca passou à prática. É uma palavra de ordem, é meramente figurativo. Nunca seria para ser levado à prática e mesmo que fosse, chumbaria por unanimidade. Portanto, não é uma ameaça real, é o senhor primeiro-ministro a querer, de facto, armar um espantalho à nossa volta, a querer que nós percamos a nossa integridade, quando a nossa integridade está perfeitamente intacta. Para além de que mais, se fosse preciso invadir uma casa do senhor primeiro-ministro, seria preciso escolher qual das 54.

A acusação de João Silveira, um dos porta-vozes do Movimento pelo Direito à Habitação. Já o advogado Tiago Machado, que representa este grupo, explica que qualquer pessoa pode usar da palavra na manifestação, mas assegura que o movimento não subscreve, de forma alguma, este tipo de comportamentos.

Nós estamos numa manifestação que é pública. O ingresso, digamos assim, à manifestação é livre. Quem começa a falar, nós não sabemos previamente o que vai dizer, até porque não seria correto perguntar o que vais dizer, o que vais falar

É evidente que, quando se diz uma coisa dessas, nós não vamos subscrever. Estando eu ontem a apelar à ordem pública, quer na comunicação social falada, escrita ou qualquer que ela seja, a colocar em ponto de destaque a ordem pública, não vamos naturalmente subscrever isso. Nós somos completamente alheios e não estamos, em nenhum momento, de acordo com esse tipo de declarações.

Tiago Machado, advogado do Movimento pela Habitação, tem estado na Praça Dom João I, em declarações à Rádio Observador. Do lado da oposição, o secretário-geral do PS diz que as prioridades dos socialistas é resolver a crise da habitação e defende um novo ciclo de medidas. José Luís Carneiro esteve em Fafe para participar numa conferência moderada por Marques Mendes sobre a ambição de Portugal. À margem, em declarações aos jornalistas, aponta a habitação como prioridade, defende uma nova ronda de medidas para travar a subida dos preços em três frentes.

Por um lado, uma política de solos. Em segundo lugar, uma política fiscal. Em terceiro lugar, uma política de construção de habitação acessível em todo o país, que mobilize o Estado, as autarquias, as cooperativas, as associações de moradores, para respondermos às 380 mil casas que são necessárias hoje para que as famílias portuguesas, os jovens portugueses, possam emancipar-se o mais cedo possível.

Declarações de José Luís Carneiro, esta sexta-feira, em Fafe. A subida dos preços das casas e do valor das rendas tem gerado grandes protestos no país. O líder socialista acompanha as críticas à ação que o governo tem feito no setor da habitação e, por isso, diz compreender as manifestações que têm acontecido, nomeadamente no Porto. O ministro da Administração Interna diz que o novo secretário-geral do ministério é um exemplo de servidor público, ao contrário do seu antecessor. Declarações que surgem após o ministério ter anunciado que vai avançar com uma queixa-crime contra Ricardo Carrilho por declarações falsas, grotescas e com caráter difamatório, à margem de um encontro internacional de juízes em Lisboa. Luís Neves saiu em defesa do SIRESP aos jornalistas. O governante confirmou a apresentação da queixa-crime contra o antigo secretário-geral do Ministério da Administração Interna, Ricardo Carrilho, e garantiu que irá entregar toda a documentação necessária.

Há locais próprios para esses documentos e instâncias próprias para toda a documentação poder ter acesso e esclarecer, e não da forma como está a suceder. Portanto, como sempre tenho dito, estou muito feliz. Acho que vós ou os vossos colegas estiveram na tomada de posse do novo secretário-geral da Administração Interna, ficou absolutamente claro o que deve ser um servidor público e aquilo que não deve ser um servidor público. E por isso, paulatinamente, estamos a construir a nossa equipa, estamos a reconstruir o SIRESP, que fez um trabalho absolutamente extraordinário este ano.

Declarações de Luís Neves, o ministro da Administração Interna, na sequência do comunicado da tutela. No desporto, Portugal falhou o acesso à final do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins. A Seleção Nacional perdeu com a França por 6x3, após prolongamento nas semifinais da competição, que decorre no Paraguai. A equipa portuguesa chegou a estar a vencer por 3x1, com gols de Gonçalo Alves, Miguel Rocha e Elder Nunes, depois dos franceses se terem adiantado no marcador, mas a França conseguiu empatar a partida a três gols e levou a decisão para o prolongamento. No tempo extra, os franceses marcaram por mais três vezes e garantiram, pela primeira vez, a presença na final de um Campeonato do Mundo. Apesar do resultado, o selecionador nacional, Reinaldo Ventura, garante que a equipa deu tudo.

No momento da derrota, sou exatamente a mesma pessoa e defendo os meus jogadores até o fim. A nível de atitude, deram tudo aquilo que me puderam dar. Fizeram aquilo que eu lhes pedi. Estivemos um pouco a viajar, como eu disse, no momento em que fiz a substituição. A partir daí, tivemos vários momentos que poderiam ter sido diferentes. Bolas paradas, cartões. Portanto, foi tudo aqui um jogo de emoções, como não podia deixar de ser.

Declarações de Reinaldo Ventura, o selecionador nacional de hóquei em patins, na sequência da eliminação da Seleção Nacional do Campeonato do Mundo. Portugal, que soma 16 títulos mundiais, falha assim a final pela segunda edição consecutiva, depois de 2024. A equipa vai agora disputar a medalha de bronze no domingo frente à Espanha ou à Argentina, que se defrontam na outra meia-final. Ponto final nesta edição das 3:00 a.m. O essencial da informação é atualizado às 15h30.