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Quatro horas. As notícias com Maria João Brás.

Boa noite. Marcelo Rebelo de Sousa lembra o Papa Francisco como uma voz corajosa. O presidente da República falou esta noite ao país a propósito da morte do Papa. O chefe de Estado destaca o papel de Francisco no contexto internacional.

Foi talvez a mais corajosa voz de entre os líderes espirituais dos últimos 12 anos na defesa da dignidade humana, da paz, da justiça, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, do diálogo entre culturas e civilizações, da preferência pelos deserdados das periferias, pelos mais pobres, frágeis, sofredores, sacrificados, excluídos e explorados, rejeitados e esquecidos deste tempo de antigos e novos senhores, interesses e egoísmos que combatem os valores pelos quais sempre se pautou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que depois da mensagem ao país, foi até à Sé de Lisboa para assistir à missa em homenagem ao Papa, onde também marcaram presença o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e representantes dos três ramos das Forças Armadas portuguesas. Já foi confirmada a causa da morte de Francisco. O Papa morreu de um AVC, segundo o Vaticano. Numa nota, a Santa Sé explica que o acidente vascular cerebral levou a um coma e a uma falha cardíaca irreversível. O chefe da Igreja Católica morreu às 7h35, aos 88 anos, na residência na Casa de Santa Marta, no Vaticano. Entretanto, o quarto e o escritório do Papa já foram selados pelo cardeal camarengo. A informação foi avançada pela Agência Ecclesia. Esta é uma das responsabilidades do cardeal camarengo, ele que lidera este período de sede vacante. Os aposentos do Papa só podem voltar a ser abertos quando for eleito um novo papa. E precisamente sobre os próximos dias e processo de sucessão, a primeira congregação de cardeais acontece já esta terça-feira. Vão ser decididas as cerimónias fúnebres, sendo que no testamento do Papa já foi revelado que Francisco pediu para ser sepultado na Basílica Papal de Santa Maria Maior, mas de forma simples, sem particular decoração, apenas com a inscrição a dizer Francisco. Relembro que há quatro cardeais portugueses que podem vir a fazer parte do processo de decisão do próximo papa. São eles José Tolentino de Mendonça, Manuel Clemente, António Marto e Américo Aguiar. Mudamos de tema, estamos na terceira semana de debates e o primeiro frente a frente da semana foi entre o PS e o PCP. Os dois partidos lutam pelo eleitorado da esquerda e, por isso, Pedro Nuno Santos insiste no apelo ao voto útil.

Quem quer uma agenda que queira defender, preservar o Serviço Nacional de Saúde, que queira investir na construção pública de habitação, que queira valorizar salários, rendimentos, que não queira dar borlas fiscais a uma minoria de empresas. Para nós termos uma agenda dessas, nós precisamos ter um governo do Partido Socialista e de derrotar a AD. E para nós termos um governo do Partido Socialista, o PS tem de ganhar as eleições à AD. E para ganhar as eleições, é óbvio que não pode haver uma grande dispersão de votos.

Já do lado de Paulo Raimundo, o foco está mais nas convergências, com o secretário-geral do PCP a admitir uma geringonça reeditada.

Nós temos que responder é à viabilidade da vida daqueles que trabalham por turnos, daqueles que trabalham em laboração contínua, das creches, dos lares que faltam, dos meios para o Serviço Nacional de Saúde. A resposta à habitação, é isso que nós temos de responder. Se é para este caminho, contam conosco. Se é para manter o mesmo rumo, ainda que com caminhos diferentes, não vale a pena.

Então há caminho.

Claro, se é para responder ao problema das pessoas, que é isso que importa, há sempre caminho.

Paulo Raimundo e Pedro Nuno Santos em debate na RTP. Esta segunda-feira foi também a vez do Chega e do Bloco de Esquerda trocarem ideias. André Ventura garante que se chegar a primeiro-ministro, vai adotar medidas protecionistas, isto à semelhança do que foi feito por Donald Trump ao ter imposto tarifas alfandegárias. Também Ventura, nesse sentido, considera que há países a invadir Portugal com produtos baratos.

Nós temos os seus amigos da China, da Índia, do Bangladesh, da Tailândia e de outros, a produzirem em massa e a invadirem os mercados da União Europeia. Aqueles agricultores que a Mariana Mortágua não quer saber, aquele setor automóvel que a Mariana Mortágua não quer saber, aquele setor têxtil que a Mariana Mortágua se calhar veste, mas não quer saber, são os mesmos que estão a ser penalizados por esta invasão de produtos baratos, de mão de obra escrava, quase tão escrava como a do Bloco de Esquerda, que depois despediu as grávidas, e agora está aqui na Europa a fazer preços baratos. Nós dizemos não. E eu vou lhe dizer uma coisa, Mariana Mortágua. Se eu for primeiro-ministro português, há uma coisa que lhe digo: se vou ser protecionista nalgumas coisas, vou! Vou proteger a indústria portuguesa, a agricultura portuguesa, a indústria têxtil portuguesa, vou protegê-la até onde não conseguir mais.

Mariana Mortágua, que em resposta usou peças de Lego para explicar a matemática das tarifas a André Ventura, a coordenadora do Bloco de Esquerda recusou esta narrativa do líder do Chega.

75% das importações em Portugal vêm da União Europeia. Isto que aqui está, que é a invasão chinesa. Isto que aqui está são 5%. Isto que aqui está é o Brasil. Isto são as importações dos Estados Unidos da América.

Mas isso é o Lego que a Mariana usa em casa para brincar.

Isto aqui, que é a invasão dos indianos, são as importações da Índia.

Eu estou falando da Europa, eu estou falando da União Europeia.

1% das importações portuguesas. Deixe-me acabar, por favor.

Acabe.

Isto aqui, que é tão pequenino que quase nem se vê, são as importações do Paquistão, 0,2%.

Vocês sabem sobre isso do Paquistão?

Aqui são as importações do Bangladesh, 0,2%.

Mariana Mortágua e André Ventura no debate desta noite na SIC Notícias. Ainda na atualidade nacional, demitiu-se o líder do PS Braga. Vítor Hugo Salgado anunciou que vai deixar o cargo e lamenta a decisão do PS de não apoiar a candidatura à Câmara de Vizela. O autarca está a ser investigado por violência doméstica. Na noite desta segunda-feira, no debate contra o PCP, Pedro Nuno Santos reafirmou a decisão de não apoiar Salgado numa posição defendida, segundo o secretário de Estado do PS, definitivamente. Fechamos com a atualidade internacional. A Rússia lança um ataque massivo em Odessa esta noite. Pelo menos três pessoas ficaram feridas. Os drones atingiram um edifício residencial. Estes ataques acontecem numa altura em que o presidente russo disse a um canal de televisão estar aberto a negociar um cessar-fogo com a Ucrânia. Depois das tréguas temporárias de 30 horas, Zelensky propõe um cessar-fogo de 30 dias, mas ainda sem resposta por parte de Moscovo. É a notícia de fecho deste noticiário. Regressamos às 17h05. Até lá, fique com a primeira parte do Contracorrente. Até já.