O número de pessoas empregadas em Portugal vai diminuir cerca de 1,4 milhão nos próximos 55 anos, de acordo com projeções da Comissão Europeia, divulgadas esta quarta-feira no “Ageing Report 2027”, que analisa as tendências de envelhecimento na União Europeia (UE). Neste momento, trabalham no país cerca de 5,3 milhões de pessoas. Em 2080, segundo projeta a instituição europeia, serão apenas 3,88 milhões.
Já a idade legal da reforma é projetada para Portugal, em 2080, nos 69,7 anos. Só seis países, dos 27 membros da UE — entre eles a Dinamarca com uma idade da reforma prevista de 74 anos daqui a 55 anos — ultrapassam ou igualam a projeção feita para território nacional. Os portugueses ficam assim entre os europeus que, nas próximas décadas, vão trabalhar até mais tarde para conseguir aceder a uma pensão de reforma.
A par com este dado, a Comissão Europeia projeta que a idade média de saída do mercado de trabalho deverá aumentar dois anos e quatro meses, de 65 anos certos, em 2025, para 67 anos e 4 meses em 2080. O estudo pressupõe que não haverá outras mudanças políticas além das reformas previdenciárias já legisladas, sendo que em Portugal é possível aceder a uma pensão de reforma a partir dos 60 anos, desde que sejam atingidos 40 anos de descontos.
“Prevê-se que a participação na força de trabalho aumente, impulsionada pelos trabalhadores mais velhos e pelas mulheres em geral, mas isso apenas compensaria parcialmente o declínio da população em idade ativa”, lê-se no “Ageing Report 2027”.
Projeta-se, assim, que o peso das pessoas dos 65 aos 69 anos entre a população ativa, em toda a UE, passe a ser de 38% em 2080, quase o dobro dos atuais 20%. Espera-se um aumento maior desta proporção nos países que “ajustam as suas idades legais de reforma ao aumento da esperança de vida”. É o caso de Portugal, onde desde 2015 a idade legal de reforma é atualizada anualmente de acordo com a evolução da esperança média de vida aos 65 anos, um indicador divulgado todos os anos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Mesmo com este prolongamento dos mais velhos no mercado de trabalho, a Comissão Europeia antecipa que este “seja insuficiente para compensar o declínio projetado na população em idade ativa”. A força de trabalho da UE deverá diminuir 17% — num total de 36 milhões de pessoas, entre 2025 e 2080, ou 0,3% ao ano.