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Quatro horas. Boa noite, eu sou o Martim Madeira, vamos às notícias na Rádio Observador. Começamos este jornal pelas presidenciais. Numa crítica velada aos adversários, Luís Marques Mendes promete uma liderança firme, mas estável. Foi a ideia mais vincada num jantar-comício na Lousã, no distrito de Coimbra. Luís Marques Mendes pediu desculpa pelo atraso, por ter estado na reunião de Conselho de Estado, e estreou o apelo ao voto para os que vão às urnas no domingo, na votação antecipada. Numa sala com 200 apoiantes, Marques Mendes contou ainda com o apoio de Miguel Pinto Luz, que garante que o governo não anda à procura de apoio na presidência. Miguel Viterbo Dias.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação foi à Lousã assegurar que o governo não anda à procura de amigos.

Quando olho para Cotrim Figueiredo, nos últimos dias, não tem o direito de dizer que é o herdeiro desse legado do PSD, desse legado dos nossos governos. Não tem o direito sequer de dizer que vai ser o presidente mais próximo do governo, o presidente mais amigo do governo, porque nós não queremos um presidente amigo do governo.

Miguel Pinto Luz, que deixou ainda um pedido na leitura das sondagens recentes.

Quem está na pole position para chegar à segunda volta é Luís Marques Mendes. Podem andar a vender o que quiserem. Vendam o que quiserem, mas vocês não empenhem pelos ouvidos.

O ministro da Habitação, que viu Marques Mendes elogiar a vitória política no Parlamento com a aprovação de mais propostas para o setor, numa noite em que o candidato apoiado pela AD atirou a estratégia dos adversários.

Se há aí alguns dos meus candidatos adversários preocupados com casos e com casinhos, eu estou preocupado com as grandes causas que possam mudar, reformar e transformar Portugal.

E para se distanciar, quis mostrar de que forma pretende exercer o cargo.

Eu quero liderar com firmeza, mas com tranquilidade. Nós temos alguns candidatos que são tranquilos, mas não são líderes, mas nós temos outros que podem ter algum tipo de perfil de liderança, mas querem fomentar permanentemente a intranquilidade em Portugal.

Luís Marques Mendes, que aponta aos moderados e aos indecisos e não esquece os que vão às urnas já este domingo.

E por isso, aqui fica uma palavra de apelo à votação e de apelo ao coração por um lado e à razão por outro lado.

Marques Mendes num jantar comício na Lousã, que contou com a presença de mais um membro do governo.

Miguel Viterbo Dias com os destaques da intervenção de Luís Marques Mendes e de Miguel Pinto Luz. Amanhã a comitiva do candidato apoiado pela AD começa o dia em Viana do Castelo. António José Seguro volta a avisar para os riscos de um poder absoluto na direita do poder. O candidato a Belém questiona o adiamento das eleições para o Tribunal Constitucional e para o Conselho de Estado, eleições que foram marcadas apenas para depois das eleições presidenciais. Seguro volta assim a ensaiar um apelo ao voto, baseado nos riscos de uma direita cada vez mais maioritária na Assembleia da República. À candidatura socialista juntou-se Ana Abrunhosa, em Coimbra, para pedir o voto dos eleitores à direita. João Gama.

Foi Ana Abrunhosa a receber António José Seguro na cidade de Coimbra. A autarca encontra um candidato mais magro, que mostra o que vale na rua.

E, portanto, a campanha é para correr rua, é para fazer com amor, é para fazer com o coração, porque as pessoas sentem quando estamos com vontade.

Ana Abrunhosa, antiga ministra de António Costa, diz que Seguro é acima de tudo um homem bom e moderado, capaz de ir buscar votos à esquerda e à direita.

Eu tenho muitos amigos na direita, graças a Deus. E esses amigos da direita, sabe para que servem, António? Eles hoje mandam-lhe muitos cumprimentos, porque vão votar em si, António.

E se Ana Abrunhosa virou à direita, António José Seguro guinou à esquerda, sem esquecer quem diz que está ao centro.

Sim, eu não negociei nenhum apoio. Não fui empurrado por nenhum empresário. Tive a coragem de avançar sozinho. Esta é uma candidatura que nasceu de baixo para cima, do povo trabalhador!

Críticas, sem nunca mencionar o almirante Gouveia e Melo, num comício com sala cheia em Coimbra, com uma novidade no discurso do socialista.

E passado estes meses todos, ainda não tinha conseguido com o novo Parlamento fazer a eleição dos cinco representantes no Conselho de Estado. O mesmo em relação ao Tribunal Constitucional. As eleições foram novamente adiadas. E eu pergunto: por quê? O que está por trás disto, deste novo campo político?

António José Seguro questiona os atrasos nas eleições das altas figuras do Estado com o dedo apontado à direita. Mais uma razão para o ir às urnas.

Acreditam como eu?

Sim!

Mais alto, acreditam como eu?

Sim!

Vamos a isso. É por amor a Portugal que aqui estamos.

O comício desta noite do socialista António José Seguro, narrado na voz do jornalista João Gama. Amanhã a caravana começa em Braga, bem cedo, às 9h, e vai passar por Celorico de Basto, terra de Marcelo Rebelo de Sousa. Gouveia e Melo defende que não tem amarras e alerta que não se vai escolher o comandante da intriga partidária. No jantar com apoiantes em Aveiro, o almirante volta a puxar da atualidade internacional para alertar para o desafio de assumir a presidência. O almirante alerta que escolher agora um presidente é diferente de há uns anos.

Nós não vamos escolher um presidente como escolhemos um presidente há 20 anos, em que a situação internacional estava estabilizada e havia regras. Nós vamos escolher um presidente que vai viver um período muito difícil e que é o comandante supremo das Forças Armadas. E as pessoas esquecem-se disso. Parece que o presidente só é o comandante da intriga político-partidária.

Destaques do discurso de Gouveia e Melo esta noite em Aveiro. O almirante volta também a defender que é preciso renovar o Estado com um perfil diferente de presidente. António Filipe responde a Rui Tavares e garante que a política do costume foi precisamente o que o levou a candidatar-se à Presidência da República. O porta-voz do LIVRE lamentou esta semana que os candidatos de esquerda tenham escolhido a política do costume, em vez de tentar chegar a uma solução para defender a democracia. O candidato António Filipe não reconhece a crítica.

Ontem ouvimos um interveniente na campanha eleitoral criticar os candidatos da esquerda, portanto, presumo que estava a falar de mim , dizer que os candidatos da esquerda defendiam a política do costume. Bom, então vamos ver o que é a política do costume. A política do costume é esta de que eu tenho estado a falar. É a política neoliberal que tem conduzido a esta situação e é contra essa política do costume que eu me candidato a presidente da República.

Na resposta a Rui Tavares, António Filipe sublinha também que lidera uma candidatura de convergência da esquerda e que as presidenciais são mais do que um concurso de ideias giras. Tirando o foco da corrida a Belém, o presidente da República assegura que já conversou com Luís Montenegro sobre as mortes ocorridas sem que tenha chegado socorro nos últimos dias. Sublinha Marcelo Rebelo de Sousa que o governo está consciente da importância do problema.

Falo com o senhor ministro todos os dias. Então, sobre estas matérias, como imagina, falámos ontem. Estava consciente da importância do problema e daquilo que é perturbador na vida das pessoas e, sobretudo, na maneira como elas encaram aquilo que se passa em situações críticas de saúde.

Marcelo Rebelo de Sousa reiterou ainda o apelo para que sejam prestados esclarecimentos sobre estes casos para dar confiança aos portugueses. O presidente da República prestou ainda declarações sobre a reunião do Conselho de Estado desta sexta-feira. Diz que é preciso ter atenção à forma como a Europa se relaciona com os Estados Unidos para ajudar a Ucrânia e que é essencial acompanhar os portugueses que estão na Venezuela. E do outro lado do Atlântico, no panorama internacional, Donald Trump diz que os Estados Unidos estão a recuperar o que lhes foi tirado pela Venezuela, no que diz respeito ao petróleo. O presidente dos Estados Unidos acusa a Venezuela de Maduro de roubar a indústria petrolífera e assegura que os Estados Unidos vão explorar petróleo de forma indefinida até recuperarem o que Trump diz ter sido tirado de forma injusta. O líder norte-americano vai ainda mais longe, diz que a Venezuela já aceitou as imposições americanas e que já começou o processo de refinação e venda de até 50 milhões de barris de petróleo.

Estamos a recuperar o que nos foi tirado. Eles roubaram a nossa indústria petrolífera. Nós construímos toda essa indústria, que começou há muito tempo, mas eles roubaram-na e foram muito ingratos para com este país, mas agora estão a ser muito simpáticos. As empresas americanas terão a oportunidade de reconstruir a infraestrutura energética decadente da Venezuela e, eventualmente, aumentar a produção de petróleo para níveis nunca antes vistos.

Donald Trump diz ainda que os Estados Unidos se anteciparam à China, à Rússia, para tomar conta da indústria petrolífera venezuelana. O presidente norte-americano falou ainda sobre a questão da Gronelândia. Assegura que algo vai ser feito, quer a Europa goste ou não. Ainda assim, Trump não entrou em detalhes sobre o que pode estar em cima da mesa. São declarações citadas pela Associated Press, onde o presidente norte-americano diz que se os Estados Unidos não agirem, será a China ou a Rússia a agir sobre a Gronelândia. Ponto final neste noticiário das 04:00. A informação fica por aqui, mas regressa daqui a pouco, às 05:00, com a síntese de notícias. Até lá, fique com a primeira parte do episódio desta sexta-feira de "Contra Corrente".