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As notícias com Matilde Malva Sabino.

Sem acordo, a última reunião entre o governo e a concertação social terminou sem consenso. O Executivo culpa a UGT. A central sindical alerta que não foi apresentado nada de novo para que a posição se alterasse. E, por isso, é um não à reforma laboral. A UGT acusa o governo de ter minado a confiança com constantes avanços e recuos. A reunião durou pouco mais de uma hora e nada mudou. Miguel Gato.

A reunião de concertação social terminou sem acordo entre governo, patrões e sindicatos. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, acusa a UGT de ter rejeitado negociar, apesar dos esforços do governo.

O governo esteve sempre de boa-fé nesta negociação, tentou ao máximo levá-la a bom porto, fez inúmeras cedências. Infelizmente, um dos parceiros revelou-se absolutamente intransigente.

A mesma crítica fazem os patrões na voz de Armindo Monteiro, da CIP.

Isto que hoje aconteceu foi mais uma vez a demonstração que a UGT não estava minimamente interessada em acordo nenhum. Nós podíamos ceder em todas as linhas, que não havia nenhuma possibilidade de acordo.

Em resposta, Mário Mourão, secretário-geral da UGT, acusa o governo e a CIP de não terem apresentado nada de novo nesta reunião.

Uma vez que não havia nenhuma proposta em cima da mesa hoje diferente, considerou a UGT que a decisão do seu secretariado era aquela que tinha transmitido ao governo.

Mário Mourão acrescenta ainda que a UGT está para decidir se adere ou não à greve geral marcada para o dia 3 de junho. Precisamente sobre esse tema, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, faz um apelo aos trabalhadores.

Perante o ataque que está em curso, perante aquilo que é a resposta e a afirmação dos trabalhadores ao longo de todo este período, perante aquilo que é votado e a rejeição dos trabalhadores relativamente ao pacote laboral, só há um caminho a seguir. É o caminho da luta.

Do lado das confederações do comércio, turismo e agricultura, um apelo ao governo para que não desista da reforma laboral. A ministra do Trabalho prometeu hoje avançar para o Parlamento com poucas alterações face ao projeto inicial.

O jornalista da Rádio Observador, Miguel Gato, que esteve a acompanhar a reunião que terminou sem acordo. As alterações à lei vão agora ser discutidas no Parlamento. Esta sexta-feira, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, vai estar no Sob Escuta, aqui na Rádio Observador, depois do jornal das 09h. Na reação à falta de consenso, a oposição aponta o dedo sobretudo ao governo, à exceção do próprio PSD e do Chega. Há os partidos que reiteram que as alterações propostas não interessam aos trabalhadores e os que defendem que a culpa é dos sindicatos. Marta Caramelo Nobre.

Começamos com o líder parlamentar do PSD. Hugo Soares diz que o governo tentou até à última.

Mas sobra, sobretudo, o exemplo demonstrado de um governo que levou até ao limite do possível a capacidade de diálogo com a concertação social.

Opinião contrária tem o deputado do PS, Miguel Cabrita.

E o governo nunca entendeu, geriu este processo mal e com enorme inflexibilidade do primeiro ao último dia. O governo, na verdade, desistiu do diálogo social.

Do lado do Chega, André Ventura diz que já esperava um desfecho que resolve atribuir ao PS.

Nada que me surpreenda. Como já tinha dito, o PS não tinha interesse desde o início em aprovar esta legislação. É sabido que o Partido Socialista tem uma grande influência na UGT.

Já Mariana Leitão insiste na vontade dos liberais.

Já tínhamos inclusivamente pedido ao governo que parasse de ser teimoso e de insistir numa negociação que já se sabia à partida que não ia dar em nada e que trouxesse o projeto à Assembleia da República.

Pelo Livre, Isabel Mendes Lopes sublinha que a proposta não é do interesse de quem trabalha.

E, portanto, se o governo insiste em trazer ao Parlamento uma legislação laboral que não serve os trabalhadores e que claramente tem um nível de oposição no país, mas também aqui no Parlamento tão grande, assim que houver uma maioria em que seja possível reverter quaisquer alterações que sejam feitas neste âmbito, essas alterações serão revertidas. Isto não interessa a ninguém.

Paula Santos, do PCP, rejeita a utilidade da discussão da proposta. Já o PAN lamenta que não tenha sido possível alcançar um acordo em concertação social.

A jornalista Marta Caramelo Nobre, com a reação dos partidos ao último encontro em sede de concertação social, terminou sem consenso. O presidente da República reage com profunda tristeza à morte de Carlos Brito, histórico dirigente do Partido Comunista Português. Morreu esta quinta-feira, aos 93 anos. A notícia foi avançada pelo jornal Público e confirmada pelo Observador. António José Seguro diz que Carlos Brito se preparou para servir um Portugal democrático, que ajudou a construir. Numa nota oficial, o chefe de Estado recorda ainda um homem de convicções firmes e coragem cívica. A jornalista Diana Rosa lembra os pontos essenciais do percurso do antigo dirigente.Foi o candidato apoiado pelos comunistas às eleições presidenciais de 1980. Aos 17 anos, Carlos Brito iniciou-se na política como opositor ao Estado Novo, integrando o movimento Unidade Democrática Juvenil, em Lisboa. Depois, esteve oito anos preso durante a ditadura. Saiu em liberdade em 1966 e até ao 25 de abril esteve entre o exílio em França e a clandestinidade em Portugal. Em 1980 foi candidato às presidenciais, desistiu a poucos dias da eleição a favor da recondução do general Ramalho Eanes. Carlos Brito morreu em casa, esta quinta-feira, no Conselho de Alcoutim, depois de ter estado recentemente internado no Hospital de Faro. Tinha 93 anos. A jornalista Diana Rosa a lembrar o percurso de vida de Carlos Brito. Em comunicado, o PCP recorda o percurso antifascista do antigo dirigente e a contribuição na Revolução de Abril, apesar das conhecidas diferenças e distanciamento político. Reação também de José Luís Carneiro. O secretário-geral do PS frisa que a morte de Carlos Brito é motivo de grande tristeza. Lembra uma figura incontornável da vida política portuguesa das primeiras cinco décadas da democracia e acrescenta que se trata de uma referência de seriedade e cidadania. Aqui na Rádio Observador, ouvimos algumas reações à morte de Carlos Brito. Arménio Carlos, antigo dirigente do PCP, recorda o legado de Carlos Brito para a democracia portuguesa.

Um homem que não só se assumiu como antifascista, como lutou contra o regime ditatorial, com todas as consequências que são conhecidas do ponto de vista da privação da sua vida e acima de tudo também dos impactos que isso teve. Mas, por outro lado, foi um homem que teve um papel importante no PCP. A seguir ao 25 de Abril, foi presidente do grupo parlamentar.

Arménio Carlos lembra que, apesar de se ter tornado uma voz crítica do Partido Comunista, Carlos Brito sempre defendeu a democracia e as políticas de esquerda. Também à Rádio Observador, José Jorge Letria, escritor que pertenceu à plataforma de esquerda e atual presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, recorda um amigo que nunca perdeu os valores fundamentais.

Fomos amigos durante muitos anos, conversámos muito. Era uma pessoa que eu admirava intelectualmente e politicamente. Depois os nossos caminhos afastaram-se. Eu segui o meu caminho, ele continuou o dele, sempre com sanidade, com coerência e com profundidade. Eu acho que o legado que ele nos deixa é o da inteligência, da tolerância e da capacidade de viver com os outros, a construção de uma sociedade mais justa, mais tolerante, mais aberta e mais virada para o futuro.

José Jorge Letria lembra que foi o gosto pela escrita que permitiu a Carlos Brito resistir a momentos como o da ditadura. Mais uma noite de ataques entre os Estados Unidos e o Irão. As autoridades iranianas dizem que foram ouvidas explosões em zonas residenciais, principalmente a sul do país. Teerão acusa Washington de violar o cessar-fogo ao atacar um petroleiro iraniano perto do estreito de Ormuz. O Irão promete uma resposta esmagadora a qualquer agressão dos Estados Unidos. Já o Comando Central Norte-Americano garante que se trata de uma ação de autodefesa. O CENTCOM afirma que as forças dos Estados Unidos interceptaram ataques iranianos não provocados com mísseis, drones e pequenas embarcações no estreito de Ormuz. Donald Trump relativiza a troca de agressões e diz que são pancadinhas de amor. Em declarações à ABC News, o presidente norte-americano assegura que o cessar-fogo continua em vigor, mas nas redes sociais volta a ameaçar. O líder americano escreve que os Estados Unidos vão derrotar o Irão com muito mais força e violência, caso o país não assine o acordo de paz rapidamente. Vamos ainda à Liga Europa. Caiu por terra o sonho do Sporting Braga de chegar à final da competição, depois de ter perdido com o Friburgo por 3x1. O Braga até chegou com vantagem à segunda mão das meias-finais, mas o Friburgo não deu tréguas em casa contra os bracarenses. Na reação à partida, o técnico do Braga, Carlos Vicent, não esconde o orgulho na equipa.

Estou orgulhoso da eliminatória que fizemos. Claramente, merecíamos estar na final, mas às vezes o que se passa no futebol é o que se passa na vida. Temos de aceitar que por vezes não conseguimos lá chegar e temos de aceitar. Tenho de dar os parabéns ao Friburgo, que também lutou, mas não podia estar mais orgulhoso da minha equipa, tanto na primeira mão como na segunda.

Carlos Vicent no final do jogo. O Braga está fora. A final da Liga Europa vai ser jogada entre o Friburgo e o Aston Villa a 20 de maio. Foi o notícia de fecho deste jornal. A informação volta às 17h05. Até já.