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São seis horas. As notícias com Carlos Pedro.

Bom dia. Começamos este jornal das seis pela política. Marcelo Rebelo de Sousa lembra o legado deixado por Mário Soares para reforçar a importância da soberania popular. O presidente da República esteve ontem presente na sessão de lançamento de um livro a propósito do centenário de Mário Soares e numa altura em que o almirante Gouveia e Melo continua a ser apontado como favorito na corrida a Belém, Marcelo lembra que Mário Soares esteve na linha da frente para a eleição do primeiro presidente civil do país. O chefe de Estado alerta ainda para o perigo de messianismos e inspirações providenciais.

A soberania popular não é apenas uma inscrição na Constituição. Mário Soares foi o exemplo de quem acreditou nisso e viveu isso toda a vida. É o povo quem mais ordena. Não é uma inspiração providencial, não é um messianismo vindo do mesmo ou de outro planeta. Não! Tem de ter legitimidade popular. Daí a luta de Mário Soares, depois da ditadura, que durou até à primeira revisão da Constituição e prosseguiu depois até à eleição do primeiro presidente da República civil.

Esta não foi a única ideia transmitida por Marcelo e reforçada com o exemplo de Mário Soares. O presidente da República recordou ainda o fundador do PS para sublinhar o perigo do desgaste dos partidos e do Parlamento.

Mário Soares respeitava o papel do Parlamento. Isso é muito importante, porque em democracia há erros e os partidos cometem erros e desgastam-se pelos erros que cometem. Mas a solução não é suprimir os partidos, diminuir os partidos ou reduzir o papel dos parlamentos. É, pelo contrário, reformá-los. E esse é um desafio de Mário Soares hoje, amanhã, depois de amanhã, nos próximos dias, semanas, meses e anos. Corrigir para não deixar criar vazios.

Declarações de Marcelo Rebelo de Sousa no lançamento do livro "Mário Soares: Cem Anos", da autoria de Clara Ferreira Alves, Alfredo Cunha e Rui Ochoa. O livro reúne fotografias inéditas da vida do fundador do Partido Socialista, como nos conta a jornalista Maria João Brás.

Depois da morte da Maria de Jesus, começou a morrer devagarinho. Nunca aceitou que ela o tivesse deixado primeiro. Sempre achou que seria ao contrário.

Na voz da filha, Isabel Soares, Clara Ferreira Alves escreve sobre os pais. Maria Barroso e Mário Soares estão eternizados, não só em fotografias, como também num texto que Clara Ferreira Alves diz ser uma forma de rever o passado.

É disso que eu tenho hoje saudades, de conversar, de perguntar: "O que você acha disto? E o que você acha daquilo? Vamos falar disto, vamos falar daquilo". Portanto, este livro foi um prazer, foi um grande prazer. É uma maneira de voltar atrás no tempo.

"Mário Soares: Cem Anos" é o nome do livro que reúne fotografias inéditas do fundador do Partido Socialista Português. Imagens tiradas por Alfredo Cunha, fotojornalista de Soares, enquanto este foi presidente da República.

Fui contratado para a Presidência da República por motivos estranhos, por ter feito um cartaz do Freitas do Amaral. E quando ele viu o cartaz para a Frente Portugal, disse: "Eu quero que aqueles tipos me façam a campanha". E foi assim que tudo começou. Tornámo-nos amigos e viajámos pelo mundo.

Também o fotógrafo Rui Ochoa deixa o seu contributo neste livro, que o fotojornalista garante não ser só mais uma obra sobre Soares.

Ocorremos a todos a ideia, mas incentivados pelo senhor presidente, de ir fotografar a casa do doutor Mário Soares, que está incólume. E foi daí que este livro me parece ser um livro diferente.

"Mário Soares: Cem Anos" foi apresentado este sábado na Academia das Ciências de Lisboa e contou com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa.

A jornalista do Observador, Maria João Brás, que esteve a acompanhar o lançamento do livro "Mário Soares: Cem Anos". Uma cerimônia que contou com a presença do presidente da República, mas também de Mário Centeno, governador do Banco de Portugal e um dos nomes mais sondados para uma eventual candidatura a Belém. Ainda na política, olhamos agora para o Congresso do PCP, que encerra hoje. Foi eleito ontem o novo Comitê Central do Partido Comunista Português. Trata-se de uma nova direção, eleita com seis votos contra e oito abstenções. O novo Comitê Central dos Comunistas conta agora com 125 membros, menos três face ao anterior, e ainda com 25 caras novas. No final da reunião, que decorreu à porta fechada, José Capucho garantiu que esta eleição demonstra a unidade do partido.

O novo Comitê Central corresponde à identidade e características do PCP e à necessidade globais do partido, e capaz de assumir a responsabilidade para dirigir o partido até ao próximo congresso. O resultado desta eleição é mais uma demonstração da unidade e coesão do Partido Comunista Português em torno da sua direção

José Capucho, membro do Secretariado do Comité Central, que anunciou os resultados numa declaração sem direito a perguntas. A nova direção do partido mantém nomes como o Jerónimo de Sousa, o eurodeputado João Oliveira e ainda o antigo candidato presidencial João Ferreira. A dirigente mais jovem é líder da Juventude Comunista, tem 23 anos. Na atualidade internacional, mais de 60 ataques israelitas atingiram ontem, em poucas horas, locais militares por toda a Síria. É o que indica o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, quase uma semana depois da queda do regime de Bashar al-Assad. Esta ONG, com sede no Reino Unido e uma vasta rede de contactos na Síria, referiu que esta vaga de bombardeamentos fez aumentar para quase 450 o número total de ataques aéreos desde o passado domingo. Acrescenta que Israel continua a intensificar os ataques contra o território sírio com o objetivo de destruir por completo os túneis militares que estão sob montanhas. Entretanto, o líder das Forças de Defesa de Israel assegura que o país não pretende interferir no que está a acontecer na Síria. Justifica os ataques com a necessidade de garantir a segurança de Israel. Ainda na Síria, o país vai reabrir nas próximas horas o espaço aéreo. A confirmação foi dada pelo ministro dos Transportes do governo interino, cita o portal Al Jazeera. O ministro Aldin Sharma acrescenta ainda que a data para a reabertura dos aeroportos internacionais nas cidades de Damasco e Alepo vai ser anunciada nos próximos dias. Olhamos agora para o futebol. O Benfica mede forças hoje com o AVS e Bruno Lage espera um duelo interessante. Os encarnados viajam até à Vila das Aves numa altura em que estão a cinco pontos da liderança, mas com menos dois jogos do que o líder Sporting. Na antevisão ao encontro, Bruno Lage elogiou o adversário, que considera difícil.

Tem um treinador novo, treinador muito experiente, cujo trabalho eu admiro muito, o do Daniel. Por isso, realmente vai ser um jogo muito interessante. Com certeza que é uma equipa que está em construção neste novo sistema que tem jogado com cinco defesas, com jogadores também experientes de Primeira Liga, em particular o ponta de lança. Por isso, um jogo difícil, mas que nos obriga a estar muito bem preparados para vencer o jogo, que é o nosso grande objetivo.

Do lado do AVS, Daniel Ramos fala numa oportunidade para a equipa se mostrar.

Claro que nestes jogos existem algumas nuances do ponto de vista tático, que podem fazer com que a equipa não esteja tão confortável em determinados momentos. Agora, competência a defender e competência a atacar tem que estar presente, independentemente do tempo que o vamos fazer. Portanto, é essa equipa que eu espero ter. Procurarmos ao máximo fazer a nossa melhor prestação, a nossa melhor performance coletiva, performance individual, é um desafio para nós, é uma oportunidade de nos mostrarmos e de mostrarmos aquilo que temos vindo a trabalhar.

As antevisões de Bruno Lage e Daniel Ramos ao encontro da jornada 14 da Primeira Liga de futebol. O AVS-Benfica está marcado para às 18h de hoje e vai contar com relato e análise aqui na Rádio Observador. Ontem foi dia de pontapé na crise leonina. O Sporting venceu em Alvalade o Boavista por 3 x 2. Foi a primeira vitória da turma leonina no campeonato desde a saída de Rúben Amorim. Gyokeres e Francisco Trincão, que bisou, marcaram para os leões. Bozenik e Bruno Onyemaeshi fizeram os gols dos axadrezados. No final da partida, João Pereira admitiu o alívio pelo fim do registo negativo da equipa e deixou elogios aos jogadores.

O mais importante era mesmo os três pontos, sair desta fase negativa de derrotas. Voltámos a entrar bem no jogo outra vez, a fazer gol, muitas oportunidades de gol, fomos para o intervalo, o resultado podia estar mais avolumado para o nosso lado, claramente. Sofremos um gol, voltámos a reagir, sofremos, voltámos a reagir. E um trabalho fantástico destes jogadores que jogam de três em três dias, de quatro em quatro dias, muitos com muitos minutos nas pernas, com cansaço, que notou-se a partir dos 70, 75 minutos, algum cansaço, e eles sem nunca desistirem, tenho que lhes tirar o chapéu.

Do outro lado, o técnico italiano Cristiano Bacci mostrou orgulho pela identidade demonstrada pela equipa, mas lamentou o resultado final.

Aquilo que nós queremos são pontos. Infelizmente, não conseguimos levar para casa. Foi um jogo bem disputado. Normal que Sporting tem grande qualidade, pode resolver o jogo em qualquer momento. Mas nós fomos bem no campo, estou orgulhoso do que os meus jogadores mostraram.

As leituras dos treinadores ao Sporting 3, Boavista 2. Os leões permanecem líderes à condição. Foi notícia de fecho deste jornal. A informação regressa pela 06:30 da manhã. Até já e continuem na companhia da Rádio Observador.