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Seis horas. As notícias com Miguel Gato.

Continuam hoje as negociações para o Orçamento do Estado do próximo ano. O ministro das Finanças e o ministro dos Assuntos Parlamentares recebem, esta terça-feira, os partidos que compõem o governo, PSD e CDS, mas também Livre, PCP e Bloco de Esquerda. No arranque das reuniões com os grupos parlamentares, ontem o governo recebeu o Chega e também o Partido Socialista. Ambos os partidos mostraram descontentamento com as linhas gerais apresentadas pelo executivo. Depois da reunião, o líder da bancada parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, lamenta a falta de medidas do governo da AD para fazer face à inflação.

O governo prevê menos crescimento nominal, em particular da receita, o que faz antever que não dispõe de nenhum mecanismo, de nenhum instrumento de apoio às pessoas, em particular para o aumento dos combustíveis e para o aumento do custo do cabaz alimentar, que são hoje duas preocupações centrais dos portugueses. E, por isso, de alguma forma, ficamos surpreendidos que, desta forma, o governo não apresente um instrumento de apoio, mesmo que seja um instrumento cautelar construído a partir de uma outra taxa de inflação.

A surpresa do líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, sobre a proposta do governo, as linhas gerais que foram apresentadas ontem na reunião com o Partido Socialista. Já o Chega também deixa críticas ao executivo. Depois da reunião, o líder parlamentar Pedro Pinto critica a AD por não querer mexer no ISP, nem no IVA dos combustíveis no próximo ano.

As pessoas estão num período difícil, numa crise grande, numa crise grave. Não baixar, quer o IVA dos combustíveis, quer o IVA do cabaz alimentar, que também já foi dito pelo governo que não irá baixar, é deveras preocupante. Aquilo que percebemos nesta conversa de hoje é que este é um governo que continua a ser insensível aos grandes problemas das pessoas em Portugal. E com um governo insensível, é um orçamento também insensível, é um orçamento sem nada de novo, segundo aquilo que percebemos, que será apresentado no dia 9 ou no dia 10 de outubro do próximo mês.

O líder da bancada parlamentar do Chega, Pedro Pinto, a acusar o governo de insensibilidade depois da reunião sobre o Orçamento do Estado para 2027, ontem. O governo recebe hoje então PSD, CDS, Livre, PCP e Bloco de Esquerda. Amanhã termina esta primeira ronda de negociações para o Orçamento do Estado, com reuniões do governo, com a iniciativa liberal e também com o JPP. O ministro da Administração Interna reúne-se hoje com os sindicatos da PSP e com as associações da GNR para discutir a reestruturação dos suplementos e a revisão do estatuto profissional de polícias e guardas. Um encontro que acontece no dia seguinte à primeira manifestação de um conjunto de protestos previstos para várias cidades do país. Por exemplo, no Porto, saíram ontem à rua da Invicta cerca de 200 polícias e guardas. E na antevisão esta ronda com o Luís Neves, o líder da Associação Sindical de Polícias, Paulo Santos acusa o ministro da Administração Interna de fazer pouco pelos polícias.

O senhor ministro da Administração Interna, e temos dito também várias vezes, não é necessário só ter experiência, não é necessário só ter sensibilidade. É preciso ter respaldo político do governo no seu todo para que possa dar passos. E isso não tem acontecido. Aliás, já o disse ao senhor ministro, é importante que ele tivesse aqui condições políticas para aplicar aquilo que são as ideias.

Condições políticas que o líder da Associação Sindical de Polícias, Paulo Santos, crê que Luís Neves não tem para continuar como ministro da Administração Interna. Em cima da mesa, hoje, na reunião, vai estar a apresentação dos objetivos orientadores para a revisão do estatuto profissional e do sistema remuneratório e a discussão da proposta da revisão dos suplementos dos polícias e guardas. Olhamos também para o caso das gémeas. Foram conhecidas ontem as acusações do Ministério Público e Marcelo Rebelo de Sousa diz que o caso tem sido doloroso para ele há pelo menos três anos. O antigo presidente da República tinha dito ao início da tarde, ontem, que todos são iguais perante a justiça, até o próprio filho, Nuno Rebelo de Sousa, que está envolvido no caso. Ora, ontem à noite, em Tabuaço, em declarações à RTP, Marcelo admite que o caso é doloroso há vários anos, mas que isso não invalida que a justiça tenha mesmo de ser aplicada a todos.

Como sabe, estamos esperando fatos que reportam a 2019 e em 2023, que passou a ser doloroso, no que me toca, pela noção que tive da realidade.

Tem sofrido muito por causa disso.

Que não tinha conhecido antes. Portanto, é evidente. É evidente, mas isso é um problema pessoal meu. Como cidadão, como antes, quando era presidente da República, eu tenho a mesma posição de princípio. Seja o A, seja o B, seja o C, seja o D. Seja quem exerce funções, as mais importantes na sociedade portuguesa, não está acima da justiça

Marcello Rebelo de Sousa a responder às acusações do Ministério Público ao filho Nuno Rebelo de Sousa, mas o caso também envolve a mãe das duas crianças, o ex-diretor clínico do Hospital de Santa Maria e ainda o antigo secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales. Em comunicado, a defesa do antigo secretário de Estado diz que os factos que surgem na acusação são inconclusivos ou merecedores de outras conclusões. O comunicado acrescenta ainda que Lacerda Sales recebeu esta acusação com enorme surpresa e que continua a acreditar que se pode fazer justiça neste caso. A defesa do antigo secretário de Estado diz que vai analisar o processo para decidir se vai pedir a abertura de instrução. Foram encontrados os corpos dos dois trabalhadores que estavam soterrados numa obra de um hotel em Porto Covo. Tinham 28 e 26 anos e nacionalidade estrangeira. À Agência Lusa, o comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral adianta que o corpo do segundo trabalhador foi encontrado por volta das 23h15. O primeiro foi ainda à tarde. O autarca de Sines, Álvaro Beijinha, afirma também à Lusa que o acidente foi provocado por um aluimento de terras, este acidente de trabalho. Os trabalhadores estavam a uma profundidade entre cinco e seis metros quando se deu o desabamento. As causas do acidente ainda estão a ser apuradas. Em Espanha e com os protestos contra a crise da habitação como pano de fundo, o Conselho de Ministros de Madrid reúne-se hoje com o objetivo de aprovar um decreto que proteja os inquilinos de despejos e aumentos descontrolados de rendas. Os protestos por causa da crise na habitação e a dificuldade crescente de acesso a uma casa têm marcado a última semana em várias cidades de Espanha, com especial dimensão em Madrid, depois do despejo pela polícia de uma idosa, Mari Carmen, de 87 anos, do apartamento no centro da capital espanhola. A situação levou inclusive a que centenas de pessoas acampassem em protesto contra este caso. Entretanto, o fundo imobiliário detentor da habitação recua na decisão de despejar a idosa. Mari Carmen vai poder regressar à casa onde viveu por mais de sete décadas. Hoje, o Conselho de Ministros espanhol, liderado por Pedro Sánchez, vai reunir-se para trabalhar em contrarrelógio, é o que diz Pedro Sánchez, para levar ao Conselho de Ministros este decreto com medidas para a habitação. Na análise ao caso e na história do dia desta manhã, o colunista do Observador, Gonçalo Dourteia Sevada, aponta para um aproveitamento político por parte do primeiro-ministro espanhol.

Casos como o de Mari Carmen não são isolados. Desde 2018, ou seja, desde que Pedro Sánchez está no poder, há uma média de cerca de 90 despejos em Espanha por dia. E há regiões, como por exemplo, na Catalunha, onde governa o Partido Socialista, onde vemos que há o triplo de despejos do que, por exemplo, em Madrid. O que eu quero dizer com isto? Quero dizer que há um evidente aproveitamento político, parece-me a mim, pelo menos, por parte do governo de Pedro Sánchez, para utilizar este caso de Mari Carmen como uma espécie de alegada superioridade moral na defesa dos mais indefesos, dos mais desprotegidos, etc. E isso não é verdade, porque o ponto é que Pedro Sánchez está no poder há oito anos. Nos primeiros quatro tinha uma maioria de esquerda, na altura com o Podemos, que podia ter perfeitamente alterado estas leis, não o fez.

Análise de Gonçalo Dourteia Sevada na história do dia de hoje, já disponível em podcast e que passa em antena depois das 06h30.