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As notícias das 19h, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. O segundo comandante nacional da Proteção Civil assume que houve erros no planeamento do combate aos incêndios da última semana.
Mário Silvestre é o responsável máximo pela gestão operacional no terreno. Em entrevista à Rádio Observador, não esconde o estresse e o peso da responsabilidade e admite que houve falhas no planeamento dos últimos dias, sobretudo devido à morte de bombeiros. O jornalista Vasco Maldonado Correia esteve a acompanhar os trabalhos do Centro Tático de Comando da Proteção Civil, em Travanca. É o posto de comando que gere as frentes de incêndio de Águeda, Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis e Sever do Vouga.
Posto de Comando Frente 2 aqui, Posto de Comando Diretor, informo que esses meios já vão em trânsito pra esse posto de comando.
No Centro Tático de Comando da Proteção Civil, as chamas não ardem e o fogo não queima, mas o peso da responsabilidade é sentido de qualquer maneira, especialmente quando tem de se lidar com mortes de colegas de profissão. É o que assume o segundo comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, responsável máximo desta operação.
Para mim, o mais estressante sempre é tomar uma decisão e quando estou a tomar essa decisão, estou a movimentar, no caso deste estado de operações, 1389 operacionais. E se morrer um deles, como infelizmente já aconteceu, não vale a pena explicar muito mais.
Os operacionais aqui presentes lidam há vários anos com este tipo de incêndios. Há responsáveis pra logística, para as operações e para o planeamento. Nesse último ponto, sublinhe-se, é sempre avisado estar pronto para o falhanço.
Aquilo que se vive no terreno é estressante, mas é operacional, é prático, é fazer. Aqui vive-se a ansiedade de: aquilo que eu planeei vai funcionar ou não vai funcionar?
Não funciona.
Fazemos de novo?
De hora a hora, esta equipa tem de dirigir inúmeras ocorrências e lidar com desenvolvimentos novos em cada local.
Ainda não chegou.
É de um pra frente três e outro pra outra frente. Se calhar, metíamos estes dois na frente três, que é a frente maior de todas. Estes dois?
Ainda não chegou.
Pronto. Por mim.
E às vezes é preciso tomar decisões de que as populações não gostam.
Vamos correr o risco. Como o Morgan estava a dizer, é de estarmos a avisar e depois não ser preciso. E as pessoas dizerem: "Afinal, não foi preciso. Vem aqui chatear". É preferível.
Com três dias de fogos, o posto de comando espera agora pela chuva para pôr fim à tragédia.
Do ponto de vista daquilo que serão as condições meteorológicas, assim indicam. E, portanto, a expectativa é exatamente isso. E vamos, de alguma forma, acreditar que vai acontecer e que isso vai fazer com que o resto do país tenha a serenidade.
E assim passou uma noite mais calma do que o habitual, num dos principais postos de comando da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Com cada vez mais frentes a entrarem em fase de resolução, a equipa acredita que a situação possa começar a acalmar muito em breve.
Posto de Comando Frente 2 aqui, Posto de Comando Diretor. Terminado.
Reportagem de Vasco Maldonado Correia, em conjunto com o fotojornalista João Porfírio. Eles estiveram na sala de planeamento, onde tudo é decidido pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, numa altura em que o número de incêndios ativos está a diminuir. Muitos dos fogos que mais têm preocupado nos últimos dias estão agora em fase de resolução.
E o combate às chamas evoluiu de forma favorável durante a noite. A Proteção Civil espera que os incêndios em Castro Daire e Arouca possam estar dominados ainda hoje.
O balanço foi feito há instantes à Rádio Observador. O comandante Pedro Araújo explica que neste momento há nove incêndios de grande dimensão em curso.
Durante o final do dia de ontem e a madrugada de hoje, foi possível evoluir favoravelmente no combate às chamas nos vários incêndios que temos em curso, ou seja, ainda não dominados, na região Norte e Centro-Norte do país, totalizando, a esta hora da madrugada, nove incêndios em curso, nomeadamente nos concelhos de Chaves, Vila Pouca de Aguiar, Arouca, Sever do Vouga, Cinfães, Amarante, Nelas e Castro Daire.
A evolução positiva no combate às chamas esta noite. Neste momento, os incêndios que estão a ser acompanhados pelas autoridades com mais preocupação são os de Castro Daire e de Arouca. Durante a noite, os bombeiros tiveram de defender habitações nestes concelhos. Ainda assim, o comandante Pedro Araújo espera que os incêndios possam ser dados como controlados ainda hoje.
Temos um maior número de meios empenhados e a obrigar a um maior esforço de empenhamento de meios e de trabalhos para o seu domínio, são os incêndios que ocorrem no concelho de Castro Daire e no concelho de Arouca.
Prematuro ainda saber quando é que estes incêndios de Castro Daire e Arouca podem estar dominados.
Queremos acreditar que os trabalhos decorrerão e continuarão a decorrer favoravelmente e que durante o dia de hoje, uma parte significativa destes incêndios fique dominada.
As expectativas de Pedro Araújo, comandante da Proteção Civil, entrevistado há instantes pelo jornalista João Gama. Não há registro de vítimas causadas pelos fogos durante esta noite.
E Portugal continua a receber um reforço de meios internacionais. Para hoje, está prevista a chegada de mais uma equipa de bombeiros espanhóis.
Nas últimas horas chegaram centenas de bombeiros espanhóis. Hoje, o país recebe mais uma brigada de 17 operacionais com um helicóptero. Foi o que deu conta, no último ponto de situação, André Fernandes, o comandante nacional da Proteção Civil.
Em termos daquilo que foi o reforço operacional, mantemos ainda um reforço com meios espanhóis, portanto, juntaram-se mais 130 militares da UME, vão chegar nas próximas horas, engrossando aquilo que foi de duas companhias, passou a três companhias de combate a incêndio da Unidade Militar de Emergência de Espanha, a UME. Receber durante o dia de amanhã uma brigada com helicóptero, portanto, com capacidade helitransportada de 17 operacionais, também vinda de Espanha.
O comandante nacional da Proteção Civil avisa que as próximas horas vão continuar a ser muito difíceis e muito complexas. André Fernandes elogia ainda o trabalho das autarquias no combate a estes incêndios.
E vamos agora até ao terreno. Como dissemos, Carla, no início, Arouca é uma das situações que mais preocupa as autoridades.
E lá que está o jornalista Miguel Cordeiro. Miguel, ontem o dia foi muito complicado. A situação mantém-se assim agora neste início de manhã?
A situação nesta altura em Arouca é bastante mais calma do que ontem de manhã. Ontem de manhã foi a situação mais preocupante. O vento acabou por fazer alastrar esse incêndio que começou em Castro Daire e trouxe até estas encostas do rio Paiva, bem perto de Arouca, nas aldeias em redor de Arouca. Ainda durante a noite, o ponto de situação feito pelo comandante dos bombeiros, José Gonçalves, à Rádio Observador, dizia que este incêndio teria duas frentes ativas, uma muito controlada, essa era a descrição do comandante dos bombeiros, outra mais preocupante, que avançava junto de Ponte de Telho, uma aldeia onde passámos o dia de ontem, onde estivemos durante a tarde e também durante a noite. Essa frente mais ativa ardia numa zona de floresta, apenas pinhal, eucaliptal a arder, mas muito próximo de habitação. E a preocupação dos bombeiros era evitar que as chamas, neste caso, atravessassem o rio Paivó e pudessem chegar bem perto de habitações. As chamas estavam a 50 metros das habitações separadas pelo rio e essa era a grande preocupação, evitar que o fogo atravessasse o rio e pudesse levar as chamas até junto das casas. O combate foi feito mais nessa zona durante a noite. O contingente diminuiu desde as 22h de ontem em cerca de 100 operacionais, sendo que dizia também o comandante que a partir da meia-noite iria começar a fazer rendições, porque os bombeiros estavam há 24 horas a combater as chamas, sem descanso, todos os operacionais estavam no terreno. Essas rendições começaram. Dizer apenas que nesta manhã o fumo que cobre esta região confunde-se com o nevoeiro e isso é bom também para o combate ao incêndio. A temperatura diminuiu e a humidade aumentou. Humidade já acima dos 50% para o dia de hoje, sendo que à noite chega mesmo aos 80% e isso é bom para o combate aos incêndios. Para a próxima madrugada espera-se até já chuva nesta região e, portanto, situação mais calma em Arouca.
Há uma diferença muito grande na descrição que fazes agora, Miguel Cordeiro, do que fazias ontem em Arouca. É um dos incêndios que ainda assim mais preocupa neste momento as autoridades.
Há dois anos, o verão ficou marcado por um grande incêndio na região Centro, com muita área ardida na Serra da Estrela, e por isso motivo para fazermos hoje um balanço.
Em agosto de 2022, o incêndio passou por dois distritos, Castelo Branco e Guarda, por seis concelhos, consumiu mais de 20 mil hectares de terreno. Temos agora ao telefone o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, a quem agradeço a disponibilidade para estar conosco. Sérgio Costa, bom dia. Ainda este verão o senhor chamava a atenção para os atrasos no plano de recuperação da Serra da Estrela. Agora há novo risco. O que espera que seja diferente desta vez?
Bom dia. Em primeiro lugar, devo prestar a minha solidariedade para com as populações, para com os meus colegas autarcas de todos os concelhos que estão a ser fustigados pelas chamas e, naturalmente, prestar as minhas condolências às famílias das pessoas, dos bombeiros e outras pessoas que padeceram perante este flagelo dos incêndios. Bom, passado estes dois anos, aquilo que me apraz dizer, naturalmente que, em primeiro lugar, e parafraseando aquilo que já algumas pessoas foram dizendo, tem que haver mão pesada, de uma vez por todas, para com aquelas pessoas que ano após ano teimam em querer semear este pânico, este flagelo, este inferno nos nossos concelhos. Estas pessoas têm que ser verdadeiramente perseguidas e as nossas autoridades têm que, efetivamente, ter uma mão muito pesada para com estas pessoas.
O que significa mão pesada? É agravar a pena?
Claro, mais do que sim.
Mudar a legislação agravando a pena.
Então, se morrem pessoas sistematicamente por esta situação, e para além de todos os prejuízos materiais que existem, é agravar as penas de uma vez por todas, mas haver ainda outras ações mais musculadas, se necessário for, para que estas pessoas, de uma vez por todas, sejam efetivamente bem penalizadas perante aquele caos, perante este inferno, que ano após ano teimam em semear. Mas há outra questão onde nós temos que trabalhar. Temos que trabalhar cada vez mais na prevenção. A prevenção é absolutamente fundamental. É preferível nós gastarmos mil milhões de euros, eu estou a falar números em abstrato, em prevenção, do que qualquer cêntimo no combate. Eu estou a falar muito em tese, em abstrato, mas é aí que nós devemos caminhar. Eu falo um exemplo da Câmara da Guarda. E mesmo assim, aconteceu o que aconteceu há dois anos e nós reforçámos, naturalmente, muitas verbas. Nós anualmente, Câmara da Guarda, só em prevenção contra incêndios, seja na limpeza das faixas de gestão combustível das estradas municipais, que são centenas e centenas de quilómetros, seja na manutenção das equipas de intervenção permanente Que nós temos 40 bombeiros nas equipes de intervenção, pelo menos neste momento, 40 bombeiros profissionais no nosso concelho. Seja no apoio às equipes de sapadores florestais, seja noutros apoios que nós damos às populações. Enfim, bem acima de 1 milhão de euros anual que nós investimos todos os anos na prevenção contra incêndios. E mesmo assim, por vezes acontece o que acontece. Já tivemos alguns focos de incêndio também. A prevenção é absolutamente fundamental. E este investimento que a Câmara da Guarda faz não recebe um cêntimo do Estado central. Aliás, devo dizer que os municípios não recebem um cêntimo na área da proteção civil do Estado central, sai tudo da sua tesouraria. E todo este sistema pode e deve ser repensado no seu todo no país. A prevenção é fundamental. É a limpeza das faixas de gestão, seja nas estradas, seja na envolvente às populações, seja na envolvente às habitações, porque as leis existem e têm que ser cumpridas. E, naturalmente, uma palavra de apreço às autoridades que muito fazem para se sinalizar tudo isto. Ainda ontem ouvia, no caso concreto, a GNR, a sua preocupação perante tudo isto, a preocupação dos bombeiros, a preocupação do governo. E, de facto, nós temos que ter aqui medidas musculadas para o futuro. Temos que fazer um ponto de ordem à mesa, permitam-me a expressão, para que nós possamos modificar o modus operandi, seja na penalização efetiva daqueles que prevaricam toda esta situação e que fazem sofrer as populações, e que as autarquias, os meus colegas autarcas, com os quais me solidarizo e me refiro uma vez mais, que fazem das tripas coração, falando assim desta forma, para poder salvaguardar as suas populações. Mas também temos que atuar muito na prevenção dos incêndios, porque é antes que nós devemos atuar muito, porque nós, perante essas alterações climáticas que todos nós estamos a vivenciar dia após dia, temos que adaptar o nosso modus operandi para que nós possamos fazer face a esta realidade num futuro próximo.
São estas duas linhas de preocupação que ficam aqui sublinhadas. Muito obrigada, Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda, a insistir que é na prevenção que é preciso investir e não na reação quando os incêndios já estão no terreno, defendendo também, o autarca da Guarda, uma maior penalização dos autores de fogo posto. A Polícia Judiciária revela que os jovens detidos ontem na Ponte 25 de Abril são violentos e bastante organizados.
A circulação na ponte esteve cortada para que a PSP e a PJ detivessem três jovens que tinham assaltado uma ourivesaria em Fátima. De acordo com a informação apurada pelo Observador, a Polícia Judiciária seguia este grupo desde o dia 28 de agosto, altura em que os jovens levaram a cabo outro assalto do mesmo tipo. Fonte da PJ refere que os três suspeitos fazem parte de um grupo bastante organizado e violento. Pelo menos dois dos jovens têm histórico de assalto à mão armada. Já estiveram presos. Os três homens, suspeitos agora de crimes de roubo, vão hoje ser presentes a um juiz para primeiro interrogatório no Tribunal de Santarém, onde vão ficar depois a conhecer as medidas de coação.
E este é um artigo em destaque a esta hora no site do Observador, é assinado pela jornalista Rita Pereira Carvalho. O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que o governo está a analisar o caso do navio com madeira portuguesa suspeito de transportar armamento com destino a Israel. Paulo Rangel fala de uma situação jurídica complexa.
O ministro insiste que o navio não se dirige para Israel, mas sim para dois portos, um na Eslovénia, outro no Montenegro. O material que transporta segue depois para três países, um deles Israel, sim, mas por outros barcos ou por terra, sendo que o material em causa é de duplo uso, ou seja, pode ser utilizado para armamento, mas pode também servir para construção em obras públicas, túneis ou pedreiras. As explicações de Paulo Rangel foram feitas numa entrevista ao jornal Público. O ministro entende que até o momento não há razão jurídica para retirar a bandeira portuguesa ao navio em causa.
São agora 19h16, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de quinta-feira?
O aluno de 12 anos que esfaqueou seis colegas na Escola Básica da Azambuja vai ser transferido para outro estabelecimento de ensino, uma decisão do Ministério Público. Além da transferência, que está para breve, o jovem está para já impedido de ir às aulas. Esta quarta-feira, a direção da escola reafirmou que não tinha qualquer indício de que esta ou qualquer outra criança pudesse ter um comportamento de risco. É hoje conhecida a decisão do Supremo Tribunal de Justiça a propósito da ação interposta por várias associações ambientalistas contra o Estado português. A Quercus e a Associação Último Recurso acusam o Estado de não cumprir com a Lei de Bases do Clima. Dizem que é o primeiro caso de litigância climática em Portugal. Os ambientalistas acusam o Estado de falhar a implementação de medidas, como os orçamentos de carbono para reduzir a emissão de gases de estufa até 2030. Pelo menos 20 pessoas morreram e mais de 450 ficaram feridas em Beirute com a explosão de walkie-talkies. Isto acontece depois de ter acontecido o mesmo na terça-feira, mas com pagers usados por membros do Hezbollah. 12 pessoas morreram. Os dois ataques com recurso a estes equipamentos de telecomunicações estão a ser atribuídos a Israel, que não confirma oficialmente qualquer envolvimento. Ainda ao futebol, o Benfica estreia-se hoje na nova Liga dos Campeões, vai jogar na Sérvia, em casa do Estrela Vermelha. O Estrela Vermelha-Benfica joga-se às 17h45 e vai ter relato em direto aqui na Rádio Observador.
Carla Jorge Carvalho, Jornal das 7, na Rádio Observador. Quando forem 19h30, voltamos a atualizar as notícias.