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Viseu, bom dia, Viseu.

As notícias das 7:00 na Rádio Observador, com Carlos Jorge Carvalho. Dez anos depois da queda do Grupo Espírito Santo, arranca hoje o julgamento do caso BES. É um dos maiores processos de sempre da Justiça portuguesa.

A primeira sessão do julgamento, cujo coletivo de juízes é presidido pela magistrada Helena Suzanne, está marcada para às 9h30 da manhã. É uma sessão reservada apenas para os advogados darem as primeiras explicações. O mesmo vai voltar a acontecer amanhã. É um caso com 18 arguidos, sendo que Miguel Gato, o principal, é o antigo dono do império.

Falamos de Ricardo Salgado, o homem que esteve 20 anos à frente do BES e que é considerado pelo Ministério Público o big boss de todos os esquemas que aconteceram dentro do Grupo Espírito Santo. No início deste mês, o juiz do Central Criminal de Lisboa declarou a prescrição de 11 crimes do arguido. Ainda assim, Ricardo Salgado vai responder em tribunal por 62 ilícitos criminais, entre eles associação criminosa, burla qualificada, corrupção ativa, branqueamento e falsificação de documentos. Há ainda 15 pessoas arguidas no processo e 13 empresas, a Rioforte, a Eurofin e o Grupo Espírito Santo Internacional.

E Miguel, este é o maior processo judicial da democracia portuguesa.

Reúne queixas de mais de 300 pessoas e o julgamento vai contar ainda com a presença em tribunal de cerca de 700 testemunhas. No Campus de Justiça, em Lisboa, vão estar presentes 17 réus individuais, sete coletivos, mais de 60 advogados, três procuradores da equipe especial do Ministério Público e três juízes. Além disso, haverá cinco lugares para a comunicação social dentro da sala de julgamento, que serão sorteados ao longo dos dias das sessões.

E além da sala de julgamento, que foi reforçada com mais lugares, vai ter também este processo e este julgamento uma tecnologia inovadora.

Foi precisamente desenvolvida uma plataforma informática que permite a digitalização de todas as provas que o Ministério Público utilizou para escrever a acusação, que tem mais de quatro mil páginas. Todos os artigos têm a prova indexada, o que facilita a respectiva apresentação nos vários monitores espalhados pela sala de audiência. E além disso, e tendo em conta que vários arguidos e testemunhas morreram desde 2014, ano em que precisamente caiu o Grupo Espírito Santo, vão ser transmitidas as gravações desses depoimentos prestados durante a fase de investigação. O primeiro será o de António Ricciardi, antigo líder da família Espírito Santo.

Miguel Gato, com os pormenores do julgamento do caso BES, além do processo que começa esta manhã, Ricardo Salgado ficou também ontem a saber que vai ser julgado no âmbito de um outro processo, que investigou o último aumento de capital do Banco Espírito Santo. Ricardo Salgado, mas também Milcar Pires, Rui Silveira e Isabel Almeida estavam acusados da coautoria dos crimes de manipulação do mercado e de burla qualificada. De acordo com o despacho de pronúncia a que o Observador teve acesso, o tribunal validou toda a acusação do Ministério Público.

E o início do julgamento vai ser marcado por uma manifestação à porta, manifestação dos lesados do BES.

São quase dois mil lesados que entregaram ao antigo Banco Espírito Santo uma média de €200 mil em investimentos. As duas associações que representam as vítimas estimam que o total dos investimentos e poupanças perdidos rondem os €240 milhões. Alguns destes lesados recuperaram parcialmente os investimentos, isto através do Fundo de Recuperação de Créditos. No entanto, estas pessoas pedem ainda indenizações por danos morais. Este caso tem já uma década, também aqui algumas destas vítimas, entretanto, já morreram. É por isso que estas associações pretendem, com esta manifestação, simbolizar aqueles que não vão poder recuperar o patrimônio e as poupanças.

O primeiro-ministro diz estar focado na responsabilidade de liderar o governo e volta a recusar responder às acusações de André Ventura.

Foi ontem à noite, no Palácio de São Bento, questionado sobre as acusações do líder do Chega de que lhe teria sido oferecido um acordo para viabilizar este orçamento. Luís Montenegro responde assim:

Eu estou integralmente empenhado em agir a favor do povo português e do seu bem-estar e da sua qualidade de vida. E, portanto, focado naquilo que é a minha responsabilidade como líder do Executivo, um Executivo que está a cumprir aquilo que está plasmado e escrito no programa do Governo e a cumprir o compromisso que estabeleceu com o povo português nas últimas eleições legislativas.

E quanto ao orçamento do Estado e ao aumento da receita do ISP, o primeiro-ministro reitera a posição do governo: os impostos não vão subir com este orçamento do Estado.

O orçamento do Estado que deu entrada na Assembleia da República no passado dia 10 é o primeiro, em muitos anos, que não tem um único aumento de impostos. Não há nenhum imposto que tenha sido aumentado na proposta do orçamento do Estado.

Garantia deixada por Luís Montenegro no final de um encontro com Xanana Gusmão. Um encontro que terminou com o anúncio de um acordo de cooperação entre Portugal e Timor Leste para os próximos quatro anos, o que vai implicar um apoio dos cofres do Estado português de €75 milhões.

Luís Montenegro não responde, mas o governo desmente André Ventura. O ministro dos Assuntos Parlamentares diz que o suposto acordo é uma alucinação.

Pedro Duarte desvaloriza a discussão sobre as reuniões entre Luís Montenegro e André Ventura. O ministro dos Assuntos Parlamentares esteve ontem à noite no canal NOW, falou de fait divers e de assuntos laterais. Reitera que houve apenas duas reuniões entre o primeiro-ministro e o presidente do Chega e que nenhuma delas acabou com a proposta de um acordo.

O primeiro-ministro teve, de facto, já reuniões. Neste caso concreto, foram duas, não foram mais do que duas. Há afirmações que são manifestamente falsas e que são uma espécie de alucinações, porque, de facto, não têm nada a ver com a realidade

Pedro Duarte em declarações ao Canal Nau, a desmentir as garantias deixadas por André Ventura. O presidente do Chega tem hoje uma conferência de imprensa ao final da manhã. Até agora já afirmou ter tido cinco reuniões e um acordo na mesa proposto pelo primeiro-ministro para viabilizar o orçamento.

A Iniciativa Liberal rejeita ser a guarda pretoriana do Governo na troca de acusações com o Chega. Ainda assim, Rui Rocha volta a exigir a André Ventura que apresente provas do alegado acordo.

Até há um relógio a contar. O partido de Rui Rocha tem publicado um countdown em que contabiliza os dias, as horas, os minutos e os segundos desde que André Ventura assegurou que podia provar os encontros com Luís Montenegro em São Bento e não o fez. Em entrevista à CNN Portugal, Rui Rocha falou de uma obrigação cívica de questionar as declarações de André Ventura.

Por um lado, porque André Ventura faz depender essa existência de um acordo da existência de reuniões. Ora, a existência de reuniões, sejam elas quantas forem, e parece que também aí há uma divergência entre o governo e o número apontado por André Ventura, mas seja como for, as reuniões não implicam a existência de um acordo. Por outro lado, nas reuniões que eu tive com o primeiro-ministro, aquilo que me foi comunicado é que a questão da linha vermelha do não é não, era uma questão permanente e irrevogável, esta sim, irrevogável, na visão do primeiro-ministro. E, portanto, eu tenho uma obrigação, é uma obrigação cívica, vai para lá daquilo que é o exercício da política, de preservar, também como líder político, as instituições.

É uma obrigação cívica. O presidente da Iniciativa Liberal rejeita que o partido se tenha transformado numa guarda pretoriana da AD, como o acusou este fim de semana Pedro Nuno Santos. Já sobre o orçamento do Estado, Rui Rocha reitera que é seguro que a Iniciativa Liberal vai votar contra o documento.

Ainda na política, José Luís Carneiro assegura que não sente a liberdade limitada no Partido Socialista. Isto depois de Pedro Nuno Santos pedir ao partido que fale a uma só voz.

Com um recado aos socialistas que têm espaço de comentário nos meios de comunicação, como é o caso de José Luís Carneiro, o antigo ministro da Administração Interna e que enfrentou Pedro Nuno Santos nas internas pela liderança do partido, rejeita que se sinta limitado por essas declarações.

O PS é um partido de homens e mulheres livres e também responsáveis. E por isso é que estamos numa fase em que é natural que os militantes partilhem os seus pontos de vista nos diferentes espaços onde intervêm, seja no grupo parlamentar, seja nos espaços de comentário, seja nas entrevistas. É mesmo importante que esta riqueza, esta diversidade, esta pluralidade seja expressa. Devemos evitar uma linguagem de enquistamento e é evidente que uma linguagem que apele às bases do partido, a um sentimento de alguma revolta contra aqueles que têm funções de representação cívica ou representação política nos diferentes espaços da sociedade, é evidente que é algo que se deve evitar, porque isso pode criar alguma acrimónia.

José Luís Carneiro ontem à noite, no espaço de comentário que o socialista tem na CNN Portugal. O pedido de Pedro Nuno Santos para que o partido fale a uma só voz, isto a propósito do orçamento de Estado, tem sido muito criticado internamente por antigos ministros como José Vieira da Silva ou Correia de Campos.

E mudamos de tema. Em Lisboa, arranca hoje a Semana da Mama, uma iniciativa do Instituto da Gulbenkian para a Medicina Molecular, com o objetivo de sensibilizar para a necessidade de realizar um diagnóstico precoce do cancro da mama.

É na Alameda da Universidade, começa hoje, decorre até ao dia 19. Trata-se de um programa que vai ter recolhas de dádivas de sangue para investigação científica e também para sensibilizar para o cancro da mama, com debates, conversas, workshops de uma aula aberta de ginástica. Maria Manuel Mota, cientista e CEO do GIM, o Instituto da Gulbenkian para a Medicina Molecular, explica como se pode encontrar este espaço.

Está junto da Alameda Universitária e no fundo são duas tendas em forma de mama onde as pessoas podem ir e têm realmente com o objetivo internacional de criar o conhecimento, no fundo, fornecer às pessoas informação sobre este tipo de cancro para estarem informadas, mesmo para pessoas que não estão com cancro, ou seja, podem ter pessoas conhecidas, podem vir ou não a sofrer no futuro, mas preferimos que a sociedade esteja toda informada.

O objetivo é recolher as dádivas de sangue, mas é sobretudo partilhar informação sobre este cancro.

Sabemos que as pessoas podem abrir o seu computador ou o seu telemóvel e têm imensa informação à mão, mas às vezes é difícil distinguir o que é informação fidedigna e real e baseada em conhecimento científico, daquela que é mais dúbia. E, portanto, esta semana também serve para isso, para nós estabelecermos um contacto com a sociedade, saberem que estamos cá e que simplesmente é deste algo que nós começamos a criar uma certa confiança, e uma confiança que é muito importante para nós, para que as pessoas possam ter acesso a informação que seja realmente fidedigna.

Maria Manuel Mota, do Instituto da Gulbenkian para a Semana da Mama, que decorre até ao próximo dia 19, na Alameda da Universidade, em Lisboa.

São agora 07h11. Carla, que outras notícias marcam esta manhã?

Nove distritos de Portugal continental vão estar hoje sob aviso laranja devido à previsão de chuva e de trovoada. Em causa estão os distritos de Lisboa e Setúbal, também Évora, Faro, Santarém, Leiria e Beja e mais tarde Portalegre e Castelo Branco. A primeira campanha de vacinação gratuita contra o vírus sincicial respiratório arranca hoje em todas as maternidades dos setores público, privado e social. De acordo com o Ministério da Saúde, vai abranger cerca de 62 mil crianças. As autoridades admitem alargar a vacinação a outros grupos etários. A Seleção Nacional de Futebol pode garantir já hoje o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações de futebol. Na quarta jornada do grupo A1, Portugal joga em Glasgow com a Escócia, quando faltarem 15 minutos para as 08:00 da noite. Nunca a seleção venceu a equipa escocesa em competições oficiais. Conta a vida de Vera Lagoa e é a nova série que faz parte dos Podcast Plus do Observador. Já estreou o terceiro episódio de A Grande Provocadora.

Centra-se na vida de Maria Armanda Falcão, ainda antes de assumir o pseudónimo Vera Lagoa e de começar a ser incômoda para os mais ricos e poderosos do país.

Rebelde e irreverente, Maria Armanda chegou a ser a primeira locutora das emissões experimentais da RTP, mas acabaria por ser despedida por ir contra as orientações da altura.

Durante um mês, a nova locutora da RTP atravessa a feira popular todas as noites rodeada de admiradores. Sente-se uma celebridade. No fim de cada programa, Domingos Mascarenhas, chefe dos serviços de produção da RTP, põe-lhe o papel à frente com uma ordem. A locutora deve despedir-se dos telespectadores com uma frase: "Até amanhã, se Deus quiser". Ela lê, vira o papel e com um sorriso fecha a emissão com um simples: "Boa noite, até amanhã". Tinha desrespeitado a ordem. Quando terminam as emissões experimentais da RTP e começam as emissões regulares, Maria Armanda já não é uma estrela da televisão. Foi despedida por excesso de personalidade.

A Grande Provocadora é uma série narrada pelo ator José Mata, com banda sonora original de Moullinex.

E há um novo episódio todas as terças no site do Observador, nas plataformas de podcast e, claro, no YouTube, se for assinante. Tem acesso antecipado a todos os episódios no nosso site.