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Sete na cidade de Faro. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O Observatório da Fundação para a Saúde não aprova a estratégia do governo para o Serviço Nacional de Saúde. O relatório anual indica que, até agora, o Executivo fez apenas três transformações no SNS, face ao governo de António Costa. A ação do Ministério da Saúde é vista como negativa pelo Observatório da Fundação para a Saúde, um organismo composto por nomes como Constantino Sakellarides, antigo diretor-geral de Saúde, ou a ex-ministra da Saúde, Maria de Belém. O relatório, que já foi enviado à atual ministra e que é hoje apresentado, indica que os portugueses têm razões para estar preocupados com o estado do Serviço Nacional de Saúde. O Observatório aponta para uma reforma estrutural no SNS e alerta para o problema da falta de recursos humanos. E Miguel Gato, este relatório anual indica que o atual governo fez apenas três transformações no serviço público de saúde, face ao anterior Executivo.
E são elas a criação de 20 Unidades de Saúde Familiar, modelo C, no setor privado e social, o estabelecimento de centros de atendimento clínico, públicos e privados, em Lisboa e no Porto, e também a implementação das consultas de cuidados de saúde primários no Hospital de Cascais, o único em Portugal em parceria público-privada. O relatório da Fundação para a Saúde critica a passagem do plano de emergência do SNS do anterior governo para o plano de emergência e transformação da saúde aplicado pela AD acusa a Aliança Democrática de querer transformar a natureza do sistema de saúde em Portugal, ao invés de querer melhorar o serviço público.
Isto porque, Miguel, o estudo entende que o governo está a promover soluções nos privados antes de investir no SNS.
A Fundação para a Saúde defende neste relatório que o setor público e privado se devem complementar e nunca ser concorrenciais. O relatório destaca a ausência de qualquer desenho estratégico no plano de emergência do governo, diz que não é minimamente fundamentado. No entanto, apesar destas críticas, os autores do estudo sublinham como positivas as medidas contra as listas de espera das cirurgias, sobretudo em oncologia, e a nova componente obstétrica da linha de atendimento da SNS 24.
E o relatório destaca também o velho problema da falta de profissionais.
Indica que é evidente que há uma crise de acesso no Serviço Nacional de Saúde, muito causada pela incapacidade de atrair e reter profissionais de saúde, com mais uma crítica ao plano do governo. O estudo indica que o ministério não dá qualquer relevo à prioridade de tomar medidas urgentes para resolver este problema e destaca negativamente a abertura equivocada de concursos, os atrasos nas contratações e também as negociações sindicais insuficientes. Fatores que, indica a Fundação para a Saúde, podem tornar o Serviço Nacional de Saúde ainda mais anémico.
Miguel Gato, e as conclusões do primeiro relatório anual do Observatório da Fundação para a Saúde. O estudo indica que nos últimos anos houve um maior investimento nos orçamentos para o setor, mas que, no entender da fundação, não tem permitido realizar as reformas necessárias para melhorar o SNS. E com a chegada do frio, os tempos de espera nas urgências de alguns hospitais estão a aumentar, a começar na Grande Lisboa. Na última hora, o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, tinha, com uma pulseira amarela, tempos de espera de 10h30. É a situação mais grave a esta hora, mas também no Amadora-Sintra, os tempos de espera para situações urgentes são de sete horas. Na margem sul, o Garcia de Orta, em Almada, tem uma espera de cerca de quatro horas. Nas urgências do Hospital de Leiria, esperam-se oito horas para o atendimento de uma situação urgente. São estas as unidades hospitalares com os tempos de espera mais longos esta manhã. A partir de hoje, o Hospital de São João, no Porto, testa um novo projeto que pretende retirar das urgências os casos menos graves. Há um telefone à entrada das urgências a motivar os utentes, que não o fizeram antes, a ligar para a linha SNS 24, de forma a serem depois canalizados para os centros de saúde. E na política, Rui Rocha vai recandidatar-se à liderança da Iniciativa Liberal. O atual presidente dos Liberais vai candidatar-se a mais dois anos de mandato, promete estabilidade no partido e fala na honra de um compromisso. O anúncio foi feito ontem à noite pelo próprio Rui Rocha numa entrevista à SIC Notícias.
Sou candidato. Eu assumi há dois anos, precisamente por esta altura, um compromisso com os membros da Iniciativa Liberal, de me apresentar a dois mandatos. E, portanto, uma primeira parte da justificação para ser candidato é o compromisso que assumi. A segunda parte da justificação para afirmar a minha candidatura a um segundo mandato é a necessidade de desenvolver uma solução política que traga mudança efetiva a Portugal. Portanto, são estes dois grandes motores desta minha vontade de me apresentar a um segundo mandato como presidente da Iniciativa Liberal.
As eleições internas da Iniciativa Liberal realizam-se na próxima convenção nacional do partido, a 1 e 2 de fevereiro do próximo ano. Rui Rocha é assim o primeiro candidato declarado à liderança do partido, isto depois de Tiago Maia Gonçalves sair da corrida por causa da polêmica em torno da falsificação de assinaturas na Junta de Freguesia que presidia no Porto. Ainda na política, Carlos Zorrinho é o candidato do PS à Câmara de Évora. O nome foi aprovado por unanimidade na reunião da Comissão Política Concelhia de Évora do PS. Num vídeo publicado na rede social X, o ex-eurodeputado explica que aceitou este desafio por considerar que a cidade e Conselho de Évora estagnaram.
Todos sentimos que é preciso um novo impulso e que a Câmara Municipal é fundamental para o protagonizar. Recebi de militantes e simpatizantes do PS e de muitos independentes ou próximos de outras forças políticas, palavras de estímulo, palavras de incentivo para uma nova missão: liderar uma candidatura e um projeto para o nosso Conselho. Depois de ter defendido a nossa terra em múltiplas missões regionais, nacionais e internacionais. Com o apoio da Comissão Política do PS, que recebi Serei candidato à presidência da Câmara de Évora. Com um impulso forte, com um plano focado na solução dos problemas das pessoas.
Carlos Zorrinho promete ouvir e falar com todos para a construção do programa para as autárquicas do próximo ano e adianta que a meta é reconquistar a confiança dos habitantes de Évora no futuro do conselho e das freguesias. Tempo agora para a atualidade internacional e com destaque para a Síria. A cidade de Damasco continua a ser alvo de bombardeamentos israelitas. Pelo menos duas pessoas morreram nas últimas horas. São dados do Observatório Sírio para os Direitos Humanos. Esta ONG adianta que, desde a queda de Bashar al-Assad, Israel lançou 250 bombardeamentos contra Damasco. Nas últimas horas voltaram a ser sentidas várias explosões na capital da Síria. De acordo também com as autoridades sírias, as tropas israelitas têm atacado portos marítimos, aeroportos, depósitos de armas e munições e também centros de investigação militar. As Nações Unidas estimam 1 milhão de deslocados desde que os rebeldes lançaram a ofensiva contra o regime, ou seja, no final de novembro. As Nações Unidas falam numa situação preocupante e alertam que mulheres e raparigas compõem a maior parte dos deslocados. Entretanto, milhares de refugiados tentam voltar a casa depois da queda de Bashar al-Assad. Muitos começaram logo no domingo a atravessar a fronteira com o Líbano. Os rebeldes prometem que estes cidadãos vão ter condições para um ambiente seguro e estável. Ao mesmo tempo, há vários países europeus a anunciar a suspensão dos processos de pedidos de asilo de refugiados sírios. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados apela à paciência e vigilância. É este o mote para a conversa com Bruno Neto, especialista em assuntos humanitários, que está agora em direto ao telefone. Já trabalhou em dezenas de países, conhece bem a região do Medio Oriente. Muito bom dia, Bruno Neto. É inevitável que os refugiados comecem a regressar e a querer regressar à Síria, mas a questão é se já há condições para que isso possa acontecer em segurança?
Olá, muito bom dia. Antes de mais, muito obrigado pelo convite. Eu conheço bem a Síria, trabalhei lá, continuo a ter bastantes contactos e tenho feito estes contactos para tentar perceber melhor a situação do ponto de vista de lá.
Sim.
Oficialmente, a Síria tem quase sete milhões de refugiados noutros países, sobretudo na Turquia, na Jordânia, no Líbano, e é natural que haja a vontade de regressar a um país que teve, durante mais de 50 anos, uma situação muito complexa em termos de quem governou e da opressão de quem governou. É uma situação muito complicada, porque neste momento há filas e filas de pessoas junto a quase todas as fronteiras terrestres. A situação na Síria está tudo menos estabilizada, ou seja, não há apenas um grupo que está neste momento no poder ou a querer estar no poder, mas também há a situação dos curdos, na parte do Curdistão, que neste momento não há uma estrutura que se possa dizer que está organizada. As Nações Unidas, através das várias agências e sobretudo o ACNUR, está neste momento a organizar-se, estão a pedir fundos para ajudar esta situação, porque não era esperado que esta situação acontecesse. Além de haver, neste momento, muito poucos fundos disponíveis para esta situação, neste momento, a única coisa que está a ajudar a que estas pessoas que estão a retornar, as pessoas que vêm de fora da Síria, a retornar para a Síria, e aquelas que internamente se deslocaram durante todo este processo, que são mais de 1 milhão de pessoas, têm sido os próprios sírios. Têm sido as famílias, familiares, que têm estado a ajudar e neste momento toda a comunidade internacional, organizações internacionais, organizações nacionais, Nações Unidas, estão na fase de organização e tentar perceber como é que podem ajudar, porque nem sabem neste momento bem onde é que serão as maiores concentrações, para além de Damasco, onde é que será a maior concentração.
Claro, ainda estamos nessa fase muito inicial do processo, mas mesmo assim, Bruno Neto, nesta altura, já estamos a assistir na Europa a vários países mostrarem menos disponibilidade para continuar a acolher cidadãos da Síria. Esse movimento também se nota?
Sim, e há aqui duas questões. Há a questão dos processos de residência ou processos de atribuição do estatuto de refugiado. E há aqui também, e há aqui quem fale na comunidade internacional, aquilo que aconteceu há relativamente pouco tempo com alguns refugiados que tinham o estatuto de refugiado legalmente no Reino Unido e que foram enviados para o Ruanda, que retorquiam sob a lei internacional. Isso não deveria acontecer, é contra a lei internacional de 1951, mas é uma situação que se prevê que possa acontecer em vários países. Estamos a falar de pessoas que já têm o estatuto de refugiado. Aqueles que estão no processo, agora vai ser muito difícil. Quando se está a apelar para o visto com base numa perseguição política, e essa perseguição política já não existe tão diretamente, tem aqui uma questão. Neste momento, as únicas pessoas que ainda poderão ter alguma proteção são os curdos. Portanto, os sírios que saíram da Síria, da região do Curdistão Que estão fora continuam a não ser protegidos na Síria, continua a haver um grande problema político para as pessoas curdas na Síria, porque continua a haver uma grande discriminação e isso também vai ser um dos grandes focos de desestabilização e da não imediata resolução da situação política na Síria, é toda a parte onde vive a população curda.
Vamos ter de perceber como evolui a situação. Bruno Neto, muito obrigada por ter estado conosco em direto numa altura em que países como Suécia, Dinamarca, Noruega, o Reino Unido, já anunciaram a suspensão da análise dos pedidos de asilo a refugiados sírios. A Rádio Observador falou com um casal de refugiados que abriu um restaurante em Lisboa, não esconde a felicidade de, ao longe, assistir à queda do regime de Bashar al-Assad. Ramia e o marido são os gerentes do Taybeh, é o primeiro restaurante de comida síria em Portugal. O casal chegou há vários anos a Portugal com dois filhos, fugiram da guerra. A Inês Batista conta que agora ganham uma nova esperança de um dia poder voltar a casa.
Muito felizes. Eu, o meu marido, família, todas as famílias na Síria, amigas, todos.
Uma vida sem justiça, sem dores e sem Bashar al-Assad. É o que deseja Ramia Abdulghani, sentada no restaurante Taybeh, que abriu em Moscavide. O projeto, que gere com o marido, nasceu perante as dificuldades de ambos em encontrarem emprego em Portugal, depois de terem chegado ao país com dois filhos em 2016. Conta que a notícia da queda do regime do presidente deposto da Síria, para além de felicidade, traz também a esperança, por exemplo, de poder levar os filhos a conhecer o país de origem, onde nasceram e do qual já não têm memória.
Nós falamos sobre a Síria com eles, mas eles não imaginam como é a Síria, como as pessoas ali. Acho esta uma boa oportunidade para eles visitarem a Síria e conhecerem a cultura e as pessoas e todas as famílias também, cara a cara, não no telemóvel.
Sobre o que deseja agora para o futuro do país onde nasceu, Ramia Abdulghani diz que o próximo chefe de Estado poderia ser, por exemplo, como o presidente que visitou o restaurante em 2019, Marcelo Rebelo de Sousa, ou seja, com quem se possa falar sem medo.
Nós esperamos agora para presidente da Síria, uma pessoa normal, não termos medo para falar com ele, para falar a verdade, para obter o nosso direito. Acho que todas as coisas os sírios esperamos que aconteçam na Síria agora.
É a esperança dos sírios. A Inês Batista esteve no restaurante Taybeh, em Moscavide, onde se testemunhou a felicidade e a esperança para o futuro, logo despertada depois da queda de Bashar al-Assad. São agora 19h15, Carla, que outras notícias marcam esta manhã? Começa hoje a visita de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa aos Países Baixos. É uma visita que acontece a convite dos reis. Até quarta-feira, o Presidente da República vai passar por Amsterdão, Haifa e Delft, onde vai estar acompanhado pelo ministro da Economia, Pedro Reis. A visita de Estado começa oficialmente com a receção de boas-vindas no Palácio Real, seguida de um almoço privado com os reis. Pedro Santana Lopes vai hoje marcar presença nas jornadas do Chega em Coimbra. O antigo líder do PSD é convidado num debate sobre corrupção. O autarca de Figueira da Foz vai participar assim no último painel das jornadas, ao lado do antigo ministro do governo que liderou, Rui Gomes da Silva, e também com André Ventura. Foi desconvocada a greve parcial do Metro de Lisboa, que estava marcada para hoje. A decisão foi tomada pela maioria dos trabalhadores depois de aceitarem a proposta da empresa para satisfazer as reivindicações dos profissionais. O Sporting tenta hoje regressar às vitórias. Os Leões jogam na Bélgica frente ao Clube Brugge, na Liga dos Campeões. O jogo está marcado para as 20h30. Tem relato e comentários aqui na Rádio Observador. E não sei se algum de vocês faz coleção de moedas. Tenho algumas. Não é propriamente uma coleção. Não acrescentas, mas tens um espólio. Tenho, tenho algumas. Tens um espólio. Espondilose também. Também tens espondilose. É porque tenho uma moeda que podia ser interessante para juntar ao espólio do Bruno Viegas. Uma moeda romana muito rara. Romanas, não. Não tenho nenhuma, para já. Imagina, tens uma com o Brutus, que foi vendida e não foi por qualquer coisa.
Ah, pois, imagine com o Brutus.
Foi por dois milhões de euros. Do Popeye, não é? Do próprio. Ainda bruto.
Dois milhões?!
Dois milhões de euros. Foi vendida em Genebra. Tem a imagem do homem traidor. Do Brutus. É em ouro e foi vendida a quem? A um colecionador europeu, portanto, vou presumir que não pode ser qualquer um de vós. Pode ser o Bruno, inclusive. Não, dessa vez não fui eu. Você é que quinta e sexta não vem.
Ah!
Dessa vez não fui eu.
Ficou explicado. Vai usar o Brutus.
Vou lá buscar o Brutus. E o Popeye.