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Jornal das 7 na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Começamos com o debate entre os 11 candidatos à Presidência da República. Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes voltaram a trocar acusações sobre o passado profissional do candidato apoiado pela AD, no frente a frente em que Jorge Pinto admitiu desistir para apoiar António José Seguro.
Henrique Gouveia e Melo esteve ao ataque e voltou a acusar Luís Marques Mendes de ser um facilitador de negócios, uma acusação rejeitada pelo candidato apoiado pela AD. As eventuais desistências de candidaturas à esquerda também estiveram em cima da mesa neste debate a 11 na RTP, com Jorge Pinto a confirmar uma notícia que já tinha sido avançada pelo Observador. O resumo do frente a frente destas duas horas e meia é feito pelo Miguel Viterbo Dias.
O debate com todos voltou a marcar fricções entre dois candidatos.
A empresa JMF, empresa ACA e outras empresas que estão relacionadas com influências. Por exemplo, os painéis solares na Madeira, como é que foram?
São tudo insinuações.
Henrique Gouveia e Melo a lançar acusações a Marques Mendes, que aproveitou para responder.
Eu nunca fui facilitador de negócios. Eu sou uma pessoa íntegra e, por isso, manifesto aqui a minha indignação perante alguém que se especializou em atirar lama. A ordina isso.
O candidato apoiado pela AD a afirmar que nunca facilitou negócios e a ir mais longe na resposta ao almirante. No meio de tudo isto, António José Seguro acrescentou apenas.
Eu estou nesta campanha para elevar o debate.
O candidato apoiado pelo PS, que pode contar com o apoio adicional.
No que de mim depender, não será por mim que António José Seguro não será presidente da República de Portugal.
Mas apesar da intenção de Jorge Pinto, já adiantada pelo Observador, António Filipe garante que vai até o fim.
A minha candidatura é para levar até o fim. Ponto final, parágrafo. Porque a minha candidatura não é uma candidatura satélite.
E Catarina Martins desconfia das intenções.
Se Jorge Pinto queria concertar alguma posição, podia-me ter telefonado.
Se António José Seguro pode vir a ter apoio à esquerda, isso não é suficiente para escapar aos ataques de Gouveia e Melo.
Disse que o PS era um partido invisível de interesses no tempo do doutor António Costa e agora recuperou todos os costistas.
O almirante a recordar o passado partidário num debate em que esteve ao ataque. À direita, João Cotrim Figueiredo e André Ventura continuam a atirar a Marques Mendes.
Nós não precisamos de mais conversa de pactos, nem precisamos de um presidente que seja, com todo o respeito, uma marioneta de Luís Montenegro.
Enquanto Cotrim Figueiredo reclama legados.
Eu não reclamei de herdeiro de ninguém. Revejo muito mais naquele exemplo que Francisco Sá Carneiro nos deu e, já agora, na coragem política de Passos Coelho também.
O debate a 11 na RTP, com acusações políticas entre praticamente todos os candidatos, mas com consenso final pela voz de Manuel João Vieira.
Gostei muito de estar aqui.
Miguel Viterbo Dias, com os destaques das acusações políticas no debate entre os 11 candidatos presidenciais, que foi transmitido pela RTP ontem à noite. A situação na Venezuela também esteve em destaque, entre condenações da agressão norte-americana e aplausos ao fim de uma ditadura. Os candidatos partilharam preocupações com o futuro. E Carla, entramos no quarto dia de campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro. Hoje os candidatos vão dar por oito distritos, com várias iniciativas, com visitas a instituições e contactos com a população.
Henrique Gouveia e Melo é o candidato que começa o dia mais cedo, ruma ao distrito do Porto, onde visita de manhã o Porto de Leixões e o mercado de Matosinhos. À tarde vai visitar a Faculdade de Medicina e o Hospital de São João e também uma empresa agrícola de produção de leite em Vila do Conde. António José Seguro começa o dia de campanha em Lisboa, onde tem uma iniciativa sobre clima e ambiente, seguindo depois para Santarém para um comício à noite. Também por Santarém vai andar André Ventura, participa numa arruada em Samora Correia, antes do habitual comício, que hoje decorre em Leiria.
Já João Cotrim Figueiredo também escolheu Leiria para o quarto dia de campanha.
O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal passa por Pedrógão Grande, vai visitar uma academia cultural e social. Mais a sul vai estar Luís Marques Mendes, que esta manhã visita o mercado municipal de Setúbal, almoça nas bifanas de Vendas Novas e durante a tarde passa por Vila Viçosa e Évora. António Filipe vai andar pelos distritos de Setúbal e Beja neste quarto dia de campanha. Catarina Martins começa o dia em Lisboa, vai depois para a Figueira da Foz, enquanto Jorge Pinto vai estar de manhã em Lisboa numa sessão na Ordem dos Advogados. Termina esta quarta-feira no Montijo.
E arrancam hoje as audições da Comissão Parlamentar de Inquérito às eventuais falhas no INEM. Rui Lázaro, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, é o primeiro a ser ouvido pelos deputados.
E será o primeiro de muitos. Os deputados vão ouvir os depoimentos de cerca de 100 entidades, entre trabalhadores e responsáveis do INEM, familiares das pessoas que morreram durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar e também responsáveis políticos. Esta comissão parlamentar de inquérito foi proposta pela Iniciativa Liberal, pretende apurar responsabilidades técnicas e políticas da greve no final de 2024. Na altura, recorde-se, registaram-se três mortes relacionadas com atrasos ou falhas no socorro, situação que levou a ministra da Saúde a assumir pessoalmente a refundação do INEM.
Esta comissão tem 90 dias para finalizar os trabalhos, mas admite-se que o prazo seja prolongado precisamente por causa do número de audições previstas.
E também pelo objetivo desta comissão, que pretende ir além da greve e centrar-se na gestão do INEM ao longo dos últimos quatro governos. Os deputados pretendem, por isso, questionar os atuais e ex-responsáveis políticos. Na lista está a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, mas também Manuel Pizarro e Marta Temido. Deve ser ouvida a atual secretária de Estado da Saúde, Ana Polvo, e os anteriores, nomeadamente António Lacerda Sales. Está prevista também a audição presencial do atual ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e da Defesa, Nuno Melo, e ainda os antecessores Fernando Medina, João Leão, João Gomes Cravinho e Helena Traveiras. Está à vista mais uma clivagem entre PS e PSD em temas como a gestão financeira do INEM nos últimos anos e a gestão política da greve dos trabalhadores de emergência médica.
E vamos agora à atualidade internacional e com destaque para a tensão entre Estados Unidos e Venezuela. Depois das ameaças de Donald Trump, tanto a Venezuela como a Gronelândia rejeitam ceder às intenções dos Estados Unidos.
A Casa Branca mantém a intenção de governar o país da América Latina e de comprar o território autónomo da Dinamarca, sendo que a administração norte-americana não descarta uma ação militar na Gronelândia, caso seja necessário. Miguel Gato, vamos às últimas reações às ameaças feitas por Donald Trump.
E começamos com a mais recente declaração de Delcy Rodríguez, a presidente interina da Venezuela. Trump prometeu que a líder iria pagar um preço mais alto do que Nicolás Maduro, caso não colaborasse com as intenções dos Estados Unidos. Em resposta, Delcy Rodríguez rejeita que Caracas seja, a partir de agora, governada a partir de Washington.
Não há agente externo que governe a Venezuela. É Venezuela.
A presidente interina da Venezuela rejeita agentes externos a comandarem o país e diz ainda que o futuro de Caracas pertence a Deus e ao povo venezuelano, que não se rende a ninguém.
O povo venezuelano somos um povo que não nos entregamos, que não nos rendemos.
A verdade é que Donald Trump anunciou ontem que as autoridades interinas da Venezuela vão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade aos Estados Unidos. Numa publicação na rede social Truth, o presidente norte-americano diz que esse dinheiro vai ser controlado por ele, para garantir que seja utilizado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos, sendo que de ontem surge também a informação de que o ataque norte-americano em Caracas terá feito entre 70 e 80 feridos, isto segundo a imprensa norte-americana e também as várias agências de comunicação por todo o mundo.
Miguel, já da parte da Gronelândia, surge um apelo da ministra dos Negócios Estrangeiros.
Que pede, juntamente com a Dinamarca, uma reunião com os Estados Unidos para discutir as mais recentes declarações de Trump sobre a eventual aquisição do território autónomo. Numa publicação no Facebook, Viviene Motzfeldt solicita um encontro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Na mesma publicação pode ler-se que este não é o primeiro pedido feito para uma reunião deste gênero, ao nível dos negócios estrangeiros dos países, encontro que não foi possível no ano de 2025, apesar dos esforços da Gronelândia para que esse encontro acontecesse. Da noite de ontem surgiram mais declarações da administração Trump sobre este tema, que tem gerado polêmica e que já levou os países europeus a defenderem o território europeu, a Gronelândia, que também pertence à NATO. A mais recente é a de Marco Rubio, que admite aos congressistas norte-americanos que Trump pretende comprar e não invadir a Gronelândia. Mas horas antes, a porta-voz da Casa Branca disse à CNN que o presidente dos Estados Unidos não descarta a via militar, caso seja necessário.
Miguel Gato, com as intenções e as declarações de Washington sobre a Gronelândia e a situação na Venezuela. E na análise aos mais recentes desenvolvimentos, o historiador Bruno Cardoso Reis acredita que só com uma mobilização militar europeia é que é possível demover Donald Trump das ambições na Gronelândia. Bruno Cardoso Reis afirma que este é um momento-chave para a Europa mostrar aos Estados Unidos do que é capaz.
Parece-me que era importante que os europeus não se ficassem só pelas palavras, ou seja, que houvesse aqui uma presença naval reforçada, não só da Dinamarca, mas de outros países europeus. Obviamente não para uma batalha naval com os Estados Unidos, mas para, por um lado, permitir responder aos Estados Unidos. Não é verdade que não haja capacidade de resposta a eventuais ameaças e, por outro, também implicitamente deixar aqui um sinal de que se houver algum tipo de ação hostil americana, não seria apenas a Dinamarca a ser alvo disso, mas os outros países europeus também estariam solidários.
Análise de Bruno Cardoso Reis no Gabinete de Guerra da Rádio Observador de ontem à noite.
E há uma nova edição hoje, daqui a pouco, quando forem 7h20, com a análise do especialista em Direito Internacional, Francisco Pereira Coutinho. No futebol, Carla, já é conhecido o primeiro finalista da edição deste ano da Taça da Liga, o Vitória Sport Clube de Guimarães venceu o Sporting por 2x1 e chega assim à final da competição pela primeira vez.
O Sporting esteve a ganhar em Leiria durante quase todo o jogo, com um gol de Luís Soares, marcado aos 13 minutos, mas o Vitória deu a volta para lá do minuto 90. No final do jogo, o treinador do Sporting, Rui Borges, mostrou-se desiludido com o resultado.
Sim, um jogo competitivo, um jogo difícil de início ao fim, um jogo onde o Vitória acreditou até o final, acabou por conseguir ser feliz nesse sentido, onde na segunda parte poderíamos ter feito 2x0, não fizemos, também por mérito do guarda-redes do Vitória, em alguns momentos. Depois foi o acreditar do adversário, é dar os parabéns ao adversário e seguir em frente. Triste, porque realmente às vezes parece que é um caso de estudo, o Sporting. Saímos daqui com mais duas lesões e isso deixa-me bastante triste.
Rui Borges triste. Já Luís Pinto, o técnico vimaranense, destaca o feito da equipa que está pela primeira vez na final da Taça da Liga.
A forma como sempre quisemos estar a disputar o jogo com coragem e era algo que nós tínhamos que conseguir para ter um resultado positivo contra um adversário com esta qualidade e capacidade. E desde o primeiro ao último minuto conseguimos isso. Na segunda parte, pelo menos por sensação, até conseguimos mais alto no campo, não tivemos que correr tantas vezes para trás como na primeira. Por isso, além de tudo o resto, da organização, a alma vitoriana esteve presente e é algo que nos deixa felizes.
A final da Taça da Liga é no sábado. O Vitória Sport Clube vai ficar a conhecer o adversário no jogo desta noite entre Benfica e Braga, na outra partida da Final Four.
Jogo em Leiria, que começa às 20h e tem relato e comentários aqui, em direto, na Rádio Observador. São 7h12, Carla, que outras notícias estão em destaque?
Um homem morreu ontem no Seixal depois de quase três horas à espera do socorro do INEM. A informação acaba de ser avançada pela Agência Lusa, que cita o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. A vítima, um homem de 78 anos, ligou pela primeira vez a pedir socorro ao INEM pelas 11h20 da manhã, depois de ter sofrido uma queda. Só foi enviada uma viatura médica já depois das 14h, quando a vítima estava em paragem cardiorrespiratória. Acabou por morrer. É um assunto que vamos desenvolver nos próximos jornais. Líderes da Ucrânia, Estados Unidos e dos países da chamada Coligação das Vontades assinaram na última noite a chamada Declaração de Paris. É um documento que prevê garantias de segurança para a Ucrânia num cenário de cessar-fogo com a Rússia e que conta, pela primeira vez, com o apoio dos Estados Unidos. O acordo inclui também a possibilidade de uma força multinacional em território ucraniano após o fim da guerra. Os líderes europeus dizem que as medidas pretendem evitar qualquer acordo que represente uma rendição de Kiev ou uma nova ameaça russa. Cardeais de todo o mundo, incluindo quatro portugueses, são chamados a partir de hoje a Roma para um consistório extraordinário convocado por Leão XIV. É o primeiro do gênero convocado pelo novo papa. De acordo com o comunicado da Santa Sé, o encontro terá a duração de dois dias. Vai servir para refletir sobre os caminhos de mudança da Igreja, incluindo questões causadoras de divisão, como o papel da mulher ou o celibato dos sacerdotes. O português suspeito de matar dois estudantes da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, e um loureiro, professor do MIT, planeava o ataque há pelo menos seis semestres. A revelação foi feita numa série de curtos vídeos que Cláudio Valente terá gravado depois dos dois ataques e antes de ter se suicidado. Os vídeos foram agora tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Tenho um desafio para vocês agora. Passar 24 horas sem mexer no telemóvel. Alinham?
Impossível. Não.
Com os grupos que temos de trabalho, é difícil.
Claro, alinhavo em dias bem concretos. No fim de semana, por exemplo.
Então é essa a proposta. Vem aí a proposta de um detox digital.
Isso é maravilhoso.
A ideia é, de facto, organizar atividades sem telemóvel. É uma iniciativa que vai decorrer em vários países em simultâneo, incluindo Portugal, e a ideia é, tomem nota, entre as 21h de sábado e as 21h de domingo, não mexer no telemóvel.
Na boa.
Ou em qualquer aparelho digital.
Na boa.
É mais fácil para quem trabalha segunda-feira cedinho.
Não, mas temos o tablet e o computador.
Não, sem mexer no telemóvel ou qualquer aparelho digital.
Televisão fá-la ou não?
Não.
Se diz tu agora.
A ideia é desligar os ecrãs todos.
Ok. Parece-me bem.
Jogos de tabuleiros.
Olha, eu ia ao cinema e que era grande, acho que esse devia contar.
Jogos de tabuleiros.
Esse é capaz de contar.
Falar uns com os outros.
Conversar, cantar cantigas.
E depois quando as histórias chegamos cá às 05h, o que aconteceu? O que se passou na noite? Ainda mais ternos para lá.
Mas é um bom desafio.
É, sem dúvida.