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Muito bom dia, notícias às 19h na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. Devem ser hoje presentes a tribunal os detidos no âmbito da Operação Emergente, que levou a buscas na sede do PS e as Juntas de Freguesia ligadas ao partido. O procurador-geral da República nega qualquer motivação política nesta operação do Ministério Público. Amadeu Guerra foi questionado pelos deputados da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias. Foi Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, a perguntar diretamente ao procurador-geral sobre se o momento político e as sondagens favoráveis ao PS podiam explicar a operação. Amadeu Guerra recusa taticismos.
Se há timings políticos, eu nunca tive timings políticos, nunca. Agora, eu lembro-me do tempo da Comissão de Proteção de Dados, em que uma vez dei uma deliberação sobre a utilização de dados em campanhas eleitorais e por acaso o processo acabou uns dias antes da campanha eleitoral e nós demos a decisão à mesma. Penso que não teve influência absolutamente nenhuma, mas também nós não somos taticistas. Eu o que vos queria pedir e às pessoas é que estejam tranquilas. Nós não temos situação absolutamente nenhuma de timings políticos.
O procurador-geral da República a garantir que não liga a sondagens, nem a timings políticos. Esta noite, o socialista e antigo ministro João Soares escreveu no Facebook que esta operação não cheira nada bem e parece ter claramente uma orientação política. João Soares afirma que o partido não é um bando de malfeitores e questiona a que título buscas na sede de um partido contra o qual não há acusações. Nesta operação foram constituídos 37 arguidos e levou também à detenção de cinco pessoas. Uma já foi entretanto libertada. Filipa Laborinho, a ex-vereadora socialista de Oeiras, foi detida por posse de arma proibida, mas foi libertada ao final da tarde de ontem. Há quatro detidos, resultado das operações que envolveram centenas de agentes. Laura Figueiredo.
Ao que apurou o Observador, os elementos da PJ que estiveram na sede do PS levaram pen drives e a documentação do departamento financeiro do partido. As buscas no Largo do Rato terminaram por volta das 16h e incidiram também no gabinete onde trabalha um dos detidos, Duarte Mural, que divide a sala com os outros assessores. O gabinete está no mesmo piso do gabinete de José Luís Carneiro, mas os inspetores da PJ e o procurador do Ministério Público não entraram no gabinete do líder socialista.
Entre os dois suspeitos estão homens muito fortes da máquina socialista, Duarte Mural e Miguel Coelho.
Sim, são dois veteranos, ainda que tenham seguido por caminhos muito diferentes. Duarte Mural, ex-jornalista, assessor histórico de António Costa, recuperado recentemente por José Luís Carneiro para o núcleo duro do Largo do Rato. Miguel Coelho, autarca de longa data em Santa Maria Maior, histórico do PS Lisboa, que foi durante anos um dos homens fortes da concelhia da capital e também um elemento importante no apoio a Carneiro no PS. No caso de Duarte Mural, o foco está nos contratos por ajuste direto. No caso de Miguel Coelho, centra-se na forma como exerceu o poder autárquico e sobre decisões de contratação tomadas no cargo.
Laura, e então o que o Ministério Público procurava?
No centro da investigação está a forma como os dirigentes e militantes do PS terão alegadamente manipulado as regras dos contratos públicos para prestação de serviços, de forma a beneficiarem outros socialistas. Em causa estarão cerca de € 2 milhões de fundos públicos e crimes diversificados como participação econômica em negócio, peculato, abuso de poder, mas também ilícitos criminais como burla qualificada e fraude fiscal qualificada.
Laura Figueiredo, com os detalhes da Operação Iminente, que ontem fez buscas na sede do PS e também em várias juntas de freguesia ligadas ao partido. E o primeiro-ministro volta a dizer que as investigações da Polícia Judiciária nesta Operação Iminente revelam o bom funcionamento das instituições. Reforça assim a ideia que já tinha transmitido ao início da tarde, mal se soube da operação.
A única coisa que é importante registrar é que as instituições estão a funcionar e, portanto, temos que aguardar o seu trabalho e, naturalmente, ter um país e uma democracia cada vez mais transparentes e imunes à prevaricação e à irregularidade.
Luís Montenegro, em declarações em Ansião, no distrito de Leiria, à entrada para uma ação de campanha às eleições diretas do PSD. O primeiro-ministro, que anunciou também ontem que o governo aprovou hoje em Conselho de Ministros a Prestação Social Única. É uma medida que pretende juntar debaixo das mesmas condições de acesso 13 prestações sociais, incluindo o rendimento social de inserção. Uma dessas condições será a obrigatoriedade de pôr os beneficiários a realizar trabalho social, sem ainda ser conhecido a que tipo de trabalho se refere o governo. De acordo com o semanário Expresso, que cita uma fonte do Executivo, esta obrigatoriedade não se aplica a pensionistas nem a crianças. Luís Montenegro diz que a Prestação Social Única vai dar o que falar e envia já recados à oposição.
Vamos aprovar no Conselho de Ministros a Prestação Social Única. Já vai dar o que falar nas próximas semanas, como deram nas semanas anteriores todas as decisões que tomamos. Nós estamos a decidir, nós estamos a cumprir a nossa obrigação. Assim, as forças com representação parlamentar também tenham esse espírito e se sujeitem àquilo que nós nos vamos sujeitar, que é no fim do mandato, apresentamos e julguem-nos. Se acharem que estamos mal, mandam-nos para casa. Se acharem que estamos bem, reforçam a nossa posição e valorizam o trabalho que estamos a fazer conjuntamente. A democracia é isto. E eu devo aqui dizer uma coisa aos partidos da oposição, em particular aos mais representativos, eles também estão sob avaliação
Os recados de Luís Montenegro a anunciar a aprovação da medida que já estava inscrita no plano de recuperação e resiliência, isto ainda na altura do governo de António Costa.
Dois anos depois da implementação do plano de emergência da saúde, 40% das medidas ainda estão por concretizar. O grupo de acompanhamento criado pelo governo não reúne há um ano.
Esta foi uma das iniciativas estruturantes na área da saúde dos governos da AD. O plano de emergência e transformação da saúde foi apresentado em maio de 2024, no início do primeiro executivo liderado por Luís Montenegro. 24 meses depois, Martim Madeira, estão ainda 21 de 53 medidas por concretizar.
Sendo que 13 delas são consideradas urgentes e, por isso, deveriam ter sido implementadas durante o ano de 2024, segundo o calendário definido pelo próprio governo. Entre as medidas prioritárias estarão, por exemplo, o reforço da resposta de médicos de família em parceria com o setor social ou privado, a criação de linha de atendimento para utentes que necessitem de acesso a médico no dia, a libertação de camas indevidamente ocupadas dos hospitais ou ainda a atribuição de incentivos financeiros para aumentar a capacidade de realização de partos. A execução do plano de emergência do governo para a saúde pode ser acompanhada no site do SNS.
E Martim, há dois anos, o governo criou um grupo de acompanhamento para seguir a implementação das medidas, mas esta estrutura não se reúne com o ministro da Saúde há mais de um ano.
É o que adianta ao Observador o coordenador deste grupo, o pneumologista Carlos Robalo Cordeiro, que acusa a tutela de inércia por não fornecer dados ao grupo de trabalho desde abril de 2025. O último relatório produzido pelo grupo de trabalho foi precisamente nesse mês. Segundo o coordenador do grupo de acompanhamento, o Ministério da Saúde não substituiu o responsável que tinha a pasta do plano de emergência, o médico Pedro Melo Lopes, que foi adjunto da ministra da Saúde até maio do ano passado. Há um ano que não existe qualquer interlocutor no governo com quem o grupo de acompanhamento deste plano de emergência possa reunir.
E então, o que é que dizem as várias associações do setor da saúde?
Criticam a própria implementação das medidas no terreno. Por exemplo, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares lamenta que haja medidas importantes que ainda não foram implementadas e outras que foram, não tiveram o impacto esperado. Destaca o caso da recuperação das listas de espera cirúrgicas. A Ordem dos Médicos indica que o SNS está pior do que há dois anos, apesar da implementação deste plano de emergência para a saúde. A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar lamenta que o plano do governo não tenha incidido sobre o principal problema na saúde em Portugal, a falta de médicos.
Martim Madeira, com o plano de emergência para a saúde do governo, um plano que viu até o momento apenas 40% das medidas a serem concretizadas. O Observador questionou o Ministério da Saúde sobre a falta de articulação com o grupo de trabalho e sobre como avalia a implementação deste plano de emergência até agora, mas não obteve resposta.
Este é um artigo em destaque no site do Observador. O aeroporto de Lisboa vai ser reforçado a partir de hoje com agentes da PSP e com mais postos de controle de documentos para agilizar a passagem de fronteiras.
O anúncio foi feito pelo Ministério da Administração Interna na sequência das demoras que se têm registado há várias semanas no controle de passageiros. O Aeroporto Humberto Delgado vai ser reforçado com 48 polícias, vai também passar a ter 34 postos de controle de documentos nas chegadas e 18 nas partidas. Na fronteira automática, o aeroporto passa a ter 31 portas eletrónicas nas chegadas e 18 nas partidas. O Ministério da Administração Interna explica ainda que durante os meses de junho e julho, está também previsto o reforço da capacidade de controle de fronteira nos aeroportos de Faro e do Porto. De lembrar que a partir de julho, e numa perspectiva nacional, está também previsto um novo reforço da segurança aeroportuária, com 360 novos agentes que hão de ser mobilizados para a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras. Vão ser repartidos pelos diferentes aeroportos do país.
E no desporto, depois de vencer a Taça de Portugal frente ao Sporting, o Torriense falhou o acesso à Primeira Liga. Vai ser a primeira equipa portuguesa de sempre a jogar ao mesmo tempo a Segunda Divisão e competições europeias.
A equipa de Torres Vedras perdeu ontem à noite frente ao Casa Pia por 2x0, na segunda mão do playoff de acesso à Primeira Liga. Viu deitada por terra o sonho de regressar ao escalão principal do futebol português, depois do domingo de sonho que teve no Estádio do Jamor com a conquista da Taça de Portugal frente ao Sporting. O treinador Luís Tralhão enaltece os feitos do Torriense esta temporada, mas lamenta este objetivo falhado.
Tínhamos o objetivo e a ilusão de poder subir de divisão, esse era o nosso objetivo prioritário. Nós não fomos hoje suficientemente competentes para levar vencida a equipa do Casa Pia, apesar de eu achar que fomos melhor que eles. Relativamente ao meu grupo, eu quero dar-lhe aqui uma palavra. É um grupo fantástico, espetacular. Tenho muita sorte de ter trabalhado com eles estes meses. Fizemos coisas fantásticas, espetaculares. Vencedores da Taça de Portugal, uma segunda volta brutal na Liga 2. Chegámos ao playoff quando muitas pessoas achavam que jamais chegaríamos.
O Torriense, que vai jogar na Segunda Liga na próxima temporada com jogos da Liga Europa durante a semana. Recorde-se que a equipa de Torres Vedras conseguiu o acesso direto à competição europeia com a conquista da Taça de Portugal. Quem teve ontem motivos para festejar foi, por isso, o Casa Pia. O técnico Paulo Pinto diz que a permanência na Primeira Liga é merecida.
É um momento muito merecido, é um momento de festa, é um momento de superação, é um momento de persistência e, sobretudo, é um momento de união. Quando as coisas estão bem, é muito fácil agarrarmos uns aos outros, darmos apoio, mas quando as coisas correm menos bem, normalmente tendemos a agarrar a desculpas, a apontar o dedo, e isso nunca aconteceu neste grupo. Este grupo foi fantástico do início ao fim e foi um grupo que mereceu muito isto. Esta festa é merecida, vem tarde, peca por tarde, na minha opinião, merecíamos antes, mas merecíamos ficar na Primeira Liga acima de tudo.
As declarações dos treinadores à Sport TV no final do jogo. O Casa Pia mantém-se na primeira divisão, o Torreense na segunda.
São agora 7h12, Carla, que outras notícias há a destacar a esta hora? O Irão fez esta madrugada disparos de advertência contra navios infratores no estreito de Ormuz. Estes quatro navios terão tentado passar o estreito, mas foram ameaçados pelas forças iranianas. Um episódio que surge no momento em que cresce a incerteza em torno das negociações de paz com os Estados Unidos. De acordo com a agência Reuters, Washington e Teerão chegaram ontem a um acordo para prolongar o cessar-fogo e levantar as restrições de circulação em Ormuz. Um drone russo colidiu esta noite com um prédio na Romênia e fez pelo menos dois feridos. A informação é avançada pelo Ministério Romeno da Defesa. A colisão do drone num país aliado da NATO causou uma explosão e um incêndio. Este incidente terá ocorrido durante um ataque russo a alvos civis na Ucrânia, perto da fronteira com a Romênia. E está ainda de regresso ao futebol e ao desporto. Está confirmada a saída de Jorge Jesus do Al-Nassr. O anúncio foi feito ontem à noite pelo clube saudita. Jesus despede-se do Al-Nassr com 40 vitórias em 49 jogos e também com a conquista do título de campeão da Arábia Saudita. E hoje estreia um podcast especial d'O Observador que nos vai levar até ao caso Saltillo e à participação portuguesa no Mundial de Futebol de 1986.
Eu acho que tu devias ler isto tudo, Carla, que é narrou o podcast e agora vais estar aqui a dividir a antena.
Está bom, mas a narração podia ter sido mais engraçada.
Está um pouco fraquinha.
Mas vocês percebam só uma coisa: isto foi há 40 anos.
Isso não significa que seja bom.
Let that sink in.
O podcast chama-se "O Escândalo que Destruiu a Seleção" e vai recordar todas as polémicas que envolveram a equipe nacional.
E é que foram mesmo várias. O primeiro episódio recorda como, mesmo antes de partirem para o México, os jogadores já estavam insatisfeitos com o valor dos prêmios de jogo, das diárias e dos acordos publicitários, mas não só. Os jogadores consideram que o valor pago pela federação é pouco. Querem aumentos nas diárias, aumento nos prêmios de jogo e uma maior fatia dos acordos publicitários que estão a ser feitos. A federação não concorda e empurra a discussão para outra altura. Nada se resolve. Nesta fase, a poucos meses do mundial, também se discute intensamente outro problema.
Vamos supor que Portugal iria até à final do Campeonato do Mundo. Como é que se colocava gente com 30 anos, 20 e tal anos, todos juntos durante aquele tempo, sem, por exemplo, a atividade sexual, sem uma relação sexual, criando, naturalmente, a possibilidade e a oportunidade, a ideia quase obsessiva de fugir do quarto, de ir à procura noutros lados.
O jornalista Vítor Serpa, do jornal A Bola, escreve vários artigos sobre este assunto que todos discutem na praça pública. Os jogadores devem ou não ter acompanhamento da família durante o estágio no México. José Carlos Freitas, do jornal O Jogo, recorda que a imprensa confrontou a federação com estas dúvidas.
Houve um caso em que são chamados à sede da Federação, na antiga Praça da Alegria, os jornalistas que iam ao Campeonato do Mundo para eles explicarem como é que era o plano de trabalho, os treinos, essas coisas todas. E quando dizem que é um mês antes do Campeonato do Mundo, alguém pergunta se os jogadores estão autorizados a levar as mulheres, a família, o que quer que seja. Era um mês longe de casa e eles disseram que não, nem pensar nisso.
Este é o excerto do primeiro episódio, "Um Passaporte Envenenado". O guião é do Miguel Cordeiro, a sonoplastia do Rafael Peco.
E este podcast é narrado por ti, Carla. Para quem não reparou.
Especialista a partir de agora em Saltillo.
Já era.
Já tinhas umas ideias sobre aquilo que se tinha passado.
A Carla que se vai juntar ao Miguel Cordeiro e também ao Augusto Inácio, que esteve no México.
Esteve lá.
No epicentro. Tenho algumas coisas para lhe perguntar.
Sim, vão estar conosco mais à frente no Explicador, a seguir ao Jornal das Nove. O primeiro episódio, como disse a Carla, estreia hoje às 15h e já está disponível nas plataformas habituais d'O Observador.