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São 7 horas. Bom dia, são 7 da manhã, está na hora de utilizar toda a informação aqui na Rádio Observador. Eu sou o Martim Madeira e começamos este jornal das 7 com Mário Centeno, que acusa o primeiro-ministro de governar sob o discurso do medo, sem dar explicações ao país. Em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena Um e do Jornal de Negócios, o antigo ministro das Finanças reage às declarações de Luís Montenegro, que disse que não quer ser o pai da austeridade, nem fazer com que Portugal regresse a tempos de tragédia, numa referência à Troika. Mário Centeno desafia o governo a esclarecer estas declarações.
Eu acho que não é de ânimo leve que um primeiro-ministro diz aquilo que o primeiro-ministro Luís Montenegro disse na semana passada. O que temos que pedir a seguir, e ele tem que estar disposto a conceder-nos, é saber o que está por trás daquela frase. Eu acho que temos que respeitar aquilo que o primeiro-ministro nos deu a ouvir, ficar preocupados, não entrar em depressão, que foi uma das questões que eu não percebi muito bem, porque os primeiros-ministros normalmente tendem a ter discursos mais mobilizadores. Governar sob o medo é péssimo. E quando o primeiro-ministro nos mete medo, nós havemos de nos perguntar o que é que ele sabe que nós não sabemos.
Mário Centeno diz ainda que as contas públicas enfrentam um déficit profundo. Acredita que ainda que se Bruxelas não redefinir as metas orçamentais impostas a Portugal, o Estado terá de efetuar um corte de 12 bilhões de euros nos próximos dois anos. Falamos agora do Orçamento de Estado. O Livre acusa o governo de falta de respeito institucional por dizer que a margem negociada é muito limitada, ainda antes de reunir com os restantes partidos. Os encontros para apresentar as linhas gerais de proposta orçamental com os partidos arrancam esta semana na antevisão. A co-porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, acusa o executivo de estar já a condicionar o debate do Orçamento de Estado.
Parece-me que é até falta de respeito institucional para com o Parlamento e para com o país, condicionar, à partida, todo o debate orçamental, sabendo que poderia haver uma folga, até por causa destas medidas, para ser discutida efetivamente no Parlamento.
A também líder parlamentar do partido relembra que o governo é minoritário e que tem obrigação de negociar.
O governo governa em minoria, não tem o apoio alargado do Parlamento e ainda tem uma obrigatoriedade maior, porque foi esse o resultado das eleições, de discutir com o Parlamento este tipo de medidas estruturais, principalmente numa altura de crise como a que estamos a viver.
Declarações de Isabel Mendes Lopes na Feira da Luz, em Lisboa. Já o PCP está com expectativas zero acerca da proposta que o governo vai apresentar para o Orçamento de Estado. Em antecipação ao debate, o secretário-geral comunista apela ao executivo que tenha uma política de ferro e fogo contra o aumento do custo de vida, mas Paulo Raimundo não antecipa para já qual o voto dos comunistas.
Com rigor e com coerência, não posso dizer que vamos votar contra. Uma coisa nós não conhecemos. Agora, há uma coisa que sabemos, é que se o Orçamento de Estado for mais um instrumento para dar andamento à política que está em curso, nós não nos podemos apoiar nisso. Não podemos apoiar uma política que seja contra o serviço nacional de saúde. Não podemos apoiar uma política que seja pelo aumento das rendas, pelo aumento do custo de vida, pelo aumento da habitação, pelo aumento dos bens alimentares, pelo aumento dos combustíveis. Conosco não.
Declarações de Paulo Raimundo, também na Feira da Luz, em Lisboa. A votação final do Orçamento de Estado para 2027 está marcada para o dia 24 de novembro. Antes decorre a discussão na generalidade, marcada para os dias 27 e 28 de outubro. André Ventura espera que a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Ministro da Administração Interna possa iniciar trabalhos já nos próximos dias. O líder do CHEGA considera ainda que esta é a comissão parlamentar de inquérito mais importante da história do país.
O presidente da Assembleia da República não nos solicitou ainda a entrega dos nomes constituintes da comissão de inquérito. Foi dado até, se não me engano, dia 28 deste mês para se constituírem as diligências de sustentação da comissão. Penso que em relação à outra comissão de inquérito, isso sim, já estão a ser pedidos os nomes. Espero que na segunda-feira possa resolver essa questão juntamente com a liderança de bancada. Sobre o Luís Neves, a minha esperança é que a comissão de inquérito possa iniciar-se nos próximos dias e consigamos, ainda antes do Orçamento do Estado, começar a fazer algum trabalho em relação a esta matéria.
O líder do CHEGA deixa também críticas a Donald Trump em relação à guerra contra o Irão. André Ventura, que já demonstrou várias vezes simpatia pelas políticas do líder norte-americano, desta vez critica Trump pela crise que a guerra no Irão está a causar no custo dos combustíveis e na economia mundial. André Ventura diz que o presidente norte-americano cometeu muitos erros no último mês.
Acredito que o presidente Trump cometeu muitos erros no último mês. Mesmo a guerra no Irão, creio que está a afetar toda a economia global. Gostaria que essa guerra não existisse, especialmente por causa de Portugal, Espanha, França e Itália. Estamos a pagar mais pelo preço desta guerra do que os próprios Estados Unidos. Não é justo que um país comece uma guerra e outros paguem o preço.
Declarações de André Ventura feitas à margem de um encontro de partidos europeus de extrema-direita Este sábado, na Ericeira. E por falar no Irão, confirma que está ciente que os Estados Unidos não gostaram da proposta para reabrir o estreito de Ormuz dentro de sete dias. Ontem, Donald Trump anunciou que rejeitou o plano apresentado por Teerão. Agora o chefe da diplomacia iraniana admite que ainda aguardam uma posição definitiva. Abbas Araqchi explica nas redes sociais que ainda não receberam nada dos mediadores. E os Estados Unidos enviaram emissários por todo o mundo a exigir medidas para isolar economicamente Teerão. A informação foi avançada pelo secretário do Tesouro norte-americano na rede social X, que diz que esses esforços estão a dar frutos. Scott Bessent dá como exemplos a suspensão dos voos de uma companhia privada iraniana pela Turquia e pelo Omã, além da interrupção de todos os voos das companhias iranianas através dos Emirados Árabes Unidos. O responsável destaca ainda as medidas contra os bancos iranianos. No desporto, Jorge Jesus diz que não tem medo da Noruega e que a seleção portuguesa vai jogar ao ataque. Portugal entra em campo hoje em Oslo para a segunda jornada da Liga das Nações. Na conferência de imprensa da divisão à partida, o selecionador nacional reconhece a qualidade no ataque norueguês, mas garante que Portugal também tem essa mesma qualidade de ataque.
Apesar de termos pouco tempo de trabalhar comigo, acredito muito naquilo que vamos fazer amanhã. Uma coisa de certeza absoluta, não vou ter medo nenhum da Noruega. Zero. E vou lançar uma equipa que eu olho mais para ela até ofensivamente do que defensivamente. Não vou olhar para o jogo e fazer uma escolha de jogadores, porque a equipa da Noruega é muito forte ofensivamente. Vou olhar o contrário. Ela é forte ofensivamente, eu também quero ser.
Jorge Jesus também pede tempo e compreensão aos adeptos da seleção nacional.
Os jogos vão ser a minha base. Não foi só eu, os selecionadores todos que entraram. De todos que entraram, já fui procurar quem ganhou. Só eu e o treinador da França é que ganhou, mais nenhum ganhou no primeiro jogo de estreia. Mas estes jogos, é aqui que eu, com a equipa, vou refletir, vamos analisar aquilo que fizemos bem, não fizemos bem, mas estamos a trabalhar em cima de jogo que é sério, não é pré-época, não houve uma base.
Jorge Jesus na conferência da televisão à partida frente à Noruega. Portugal joga este domingo, joga hoje em Oslo, a partir das 19h45. Um jogo que conta com relato e análise aqui em direto na Rádio Observador. Notícia de fecho deste jornal das 07h. A informação está de regresso às 19h30 com a síntese de notícias. Até já.