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As notícias com Carlos Pedro. Bom dia, Jornal das 7 na Rádio Observador. O empresário César Boaventura apresentou uma participação criminal contra quem cedeu ao Ministério da Administração Interna a viatura que lhe tinha sido apreendida pela PJ. A notícia é da CNN Portugal. A viatura apreendida foi requisitada pela Polícia Judiciária para ser usada em investigações, mas fez apenas 38 km nesta polícia. Os restantes 141 mil km foram percorridos ao serviço dos gabinetes de sucessivos ministros da Administração Interna, desde José Luís Carneiro até Luís Neves. O empresário de jogadores de futebol foi condenado já este ano a três anos de pena suspensa por um crime de fraude fiscal e dois de falsificação de documentos, além de ser obrigado a entregar €36 mil ao Estado. Esteve antes dois anos em prisão domiciliar e nesse período César Boaventura viu, conta a CNN Portugal, várias vezes na televisão um carro muito semelhante àquele que a PJ lhe tinha apreendido há poucas semanas. O Tribunal Judicial da Comarca do Porto deu ordens para que lhe fosse devolvido o veículo. Dias após a PJ lhe devolver o carro, César Boaventura foi parado pela GNR e recebeu uma multa por falta de inspeção. O empresário alega que a viatura lhe foi entregue sem o limitador de velocidade e com vários danos. Diz agora que vai exigir €50 mil de compensação ao Estado pelo uso do BMW. Seguimos neste jornal com o caso das gêmeas luso-brasileiras. A mãe das gêmeas nega qualquer irregularidade no processo, diz que tinha direito a tudo que recebeu do Estado português no tratamento das duas crianças. Daniela Martins assegura que não cometeu nenhuma ilegalidade e que tudo o que recebeu para as filhas estava dentro das normas e do processo habitual numa situação como esta. Em entrevista ontem à RTP, a mãe das gêmeas luso-brasileiras admite que pediu tudo o que tinha direito, mas sem qualquer tipo de favorecimento. Explica que foi sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das crianças.

Eu tinha um gasto muito alto, porque são duas crianças e eu estava a me organizar a viver em Portugal. Então tudo que eu conseguisse que fosse direito das meninas através do governo, eu pedi, eu fui atrás. Mostrei os documentos e o que foi me concebido foi tudo com documentos que eu mostrei. Então, nada do que eu pedi foi a mais do que eu tinha direito, do que as meninas tinham direito.

A mãe das gêmeas luso-brasileiras é acusada pelo Ministério Público de burla, devido às cadeiras de rodas que foram atribuídas às gêmeas. Uma acusação que Daniela Martins considera ser mentira. Explica que os equipamentos que pediu estavam dentro das normas da saúde em Portugal para casos como o das filhas.

Eu pedia tudo que as meninas poderiam se beneficiar. Eu pedi uma cadeira de transporte inicial, que é onde eu ia às consultas. Antes disso, elas não tinham uma cadeira para crianças com necessidades especiais. Elas ganharam uma cadeira de crianças com necessidades especiais e depois eu pedi ainda a motorizada, porque na altura elas já estavam quase em idade escolar e elas precisavam criar uma independência.

As explicações de Daniela Martins, a mãe das gêmeas luso-brasileiras, que garante que vai contestar a acusação do Ministério Público português, fala numa situação desgastante, apesar do tempo que já passou, diz que fez o que qualquer mãe teria feito numa situação semelhante. O Ministério Público abriu inquérito para apurar a legalidade do uso da Base das Lages nos Açores pelos Estados Unidos. O inquérito foi aberto após uma queixa do Bloco de Esquerda. Numa resposta à Agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República confirma o inquérito e confirma também que foi aberto devido à denúncia do partido. A queixa dos bloquistas foi apresentada em abril. Pedia à PGR para apurar se a utilização da Base das Lages pelos Estados Unidos da América cumpria a lei. Na altura, o coordenador do Bloco, José Manuel Pureza, insistiu que se tratava de uma violação grosseira do direito internacional e do direito português. Nas redes sociais, Fabian Figueiredo saúda esta decisão, acrescenta que a guerra de Donald Trump e de Netanyahu contra o Irão é ilegal. Falamos ainda da Operação Influencer. A PGR esclarece que António Costa não pode consultar o processo porque a lei não o permite. O esclarecimento surge depois do semanário Expresso ter noticiado que o Ministério Público já recusou por seis vezes pedidos do antigo primeiro-ministro para consultar os documentos que fazem parte do inquérito, no qual é apenas suspeito e não arguido. A Procuradoria insiste, por isso, que António Costa não pode consultar o processo por não ser um interveniente formal. André Ventura, o líder do Chega, recusa que António Costa seja uma vítima neste caso. Diz que há uma clara teia de prevaricação à volta do processo e que António Costa está longe de ser uma vítima.

Quem olhar para este processo, o doutor António Costa é aqui uma vítima. Não, o doutor António Costa, objetivamente, esteve, está envolvido numa teia que venha ou não a demonstrar-se que ele próprio é culpado. Acho que já ficou mais do que evidente que houve uma teia de prevaricação à volta dos negócios do lítio e do hidrogênio.

São as críticas do líder do Chega, que se estendem também ao tema do Orçamento do Estado, em causa a viabilização do documento pelos socialistas, que José Luís Carneiro deverá propor ao partido antes de conhecer o orçamento na íntegra. Ventura pede aos eleitores do PS para questionarem a responsabilidade do partido.

O Chega apresentará o trabalho para o qual foi eleito, para o qual os seus deputados foram eleitos, que é olhar para o orçamento, trabalhar as propostas e melhorá-las na saúde, na educação, nos combustíveis, na habitação, na imigração, etc. A pergunta tem que ser posta ao Partido Socialista. Se quis viabilizar um documento sem o conhecer Pergunto aos eleitores e pergunto ao Dr. José Luís Carnacho se isso é ser responsável.

André Ventura à entrada para uma sessão promovida pela distrital do Chega sobre os temas da economia e da reforma do Estado. Olhamos agora para a atualidade internacional. As associações de inquilinos de Espanha convocaram para hoje manifestações em mais de 50 cidades do país. Em causa está o fato de o Parlamento Nacional ter rejeitado dois decretos do governo com medidas para a habitação na sexta-feira. Em paralelo, prosseguem os acampamentos de protesto pela crise na habitação em várias localidades espanholas. O maior deles continua instalado na Praça Puerta del Sol, no centro de Madri. Espanha pode estar mesmo à beira de eleições. O primeiro-ministro Pedro Sánchez abriu um período de análise e reflexão. Vai debater nos próximos dias com o núcleo duro a possibilidade de convocar eleições antecipadas em Espanha. As eleições presidenciais no Brasil realizam-se já amanhã. Em Portugal, mais de 134 mil cidadãos brasileiros estão habilitados a votar e são esperados nas mesas de voto. 79 mil eleitores em Lisboa, no Porto são mais de 47 mil, em Faro, perto de 9 mil. Um voto que é obrigatório para todos os cidadãos alfabetizados dos 18 aos 70 anos, mesmo que estejam emigrados. As mesas de voto disponíveis em Portugal estarão abertas das 08h às 17h. As autoridades brasileiras explicam que quem não puder votar deve justificar a ausência no site do Tribunal Superior Eleitoral. Isto numa altura em que as sondagens dão uma ligeira vantagem ao atual presidente Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro. O mais certo é um cenário de empate, como dá conta a Rádio Observador, João Gabriel de Lima, jornalista e escritor brasileiro.

Ao que tudo indica, não se resolve nesse domingo. Existem outros candidatos, então é muito difícil que um candidato consiga metade mais um dos votos para poder definir a eleição já no primeiro turno. O que está praticamente definido é que os dois candidatos que deverão ir pro segundo turno serão mesmo Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, porque nenhum dos outros candidatos tem mais de 5% dos votos.

Análise do jornalista e escritor brasileiro João Gabriel de Lima, que não tem grandes dúvidas quanto à necessidade de uma segunda volta nestas eleições presidenciais no Brasil. As mesas de voto disponíveis em Portugal estarão abertas das 08h às 17h. Amanhã é dia de eleições presidenciais no Brasil. Fica por aqui este jornal das 19h na Rádio Observador. A informação regressa com a síntese da meia hora. Até já.