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Muito bom dia, Jornal das 8, com Carla Jorge Carvalho. A situação de seca meteorológica piorou no sul do país. Os dados conhecidos esta manhã, relativos ao mês de dezembro, destacam os distritos de Setúbal, Beja e Faro.
Os três distritos estão na classe de seca moderada, é o que adianta o boletim climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Há um aumento da área e da intensidade da seca meteorológica na região Sul. No fim do mês passado, 38% do território estava em situação de seca, pior do que em novembro, quando este valor estava abaixo dos 20%. No entanto, subiu a área de Portugal continental em situação de chuva fraca, de 7% para 17%, mas diminuiu a área em situação de chuva moderada ou severa. Quanto à porcentagem de água no solo, aumentou no Norte e Centro, mas no Baixo Alentejo e no Algarve, algumas regiões estavam com valores entre os 20% e os 40%.
O presidente da Câmara de Albufeira critica a falta de ação dos sucessivos governos para evitar a situação de seca na região do Algarve. José Rolo pede que o tema esteja no centro das preocupações dos partidos na campanha eleitoral.
O governo anunciou ontem cortes para o consumo de água no setor agrícola no Algarve de 25% e de 15% para o setor urbano. O ministro Duarte Cordeiro disse que as medidas eram necessárias para evitar que faltasse água para abastecimento público até o final do ano. Albufeira é um dos concelhos afetados. O presidente da Câmara alerta que os cortes no consumo da água vão ter que ser acompanhados de apoios do Estado. Ouvido aqui na Rádio Observador, o socialista José Rolo critica a falta de ação dos vários governos e pede que até março os partidos falem menos e façam mais.
Não só este governo, que teve oito anos, mas também os outros governos anteriores, igualmente. Também não se fez nada em termos de transvases do norte ao sul, não se fez nada em termos de transvases do Alqueva pro sistema do Algarve, não se fez nada na construção das barragens, conforme de vez em quando vemos nos jornais a porcentagem de perda d'água em cada município e ficamos assustados e, no entanto, não tem sido feito nada durante vários anos. Portanto, é legítimo falar nisso, mas neste momento temos que o foco tem que ser a principal atualidade. E depois, a seguir, como disse, os partidos têm todo o sentido de trabalhar no passado, mas também determinando aquilo que se vai e pro futuro e tentar não falar muito, mas fazer mais.
É o apelo deixado pelo presidente da Câmara de Albufeira, que deseja que tivessem sido tomadas medidas que tivessem impedido os cortes no consumo da água, acusando os sucessivos governos de não terem o combate à seca no centro das prioridades.
E os regantes do Sotavente Algarvio alertam para a subida do preço de alguns bens alimentares, isto por causa dos cortes no abastecimento de água.
O presidente da Associação dos Beneficiários do Plano de Rega do Sotavento do Algarve critica as medidas e alerta para o impacto no preço de frutas e legumes.
Vai ter impactos grandes, porque nós, com metade da água, não conseguimos produzir o mesmo tipo de alimentos e no mesmo calibre, na mesma qualidade. Isso é uma dificuldade considerável. E os apoios que estão anunciados são bem-vindos, mas nós queremos, sobretudo, apoios ao aumento do armazenamento d'água. Deveriam ter feito menção às coisas que não foram decididas. Ou seja, há sete ou oito anos, devia ter arrancado com a barragem da Fopana, devia ter arrancado há muitos anos com a barragem do Alto Portelo. Esta ideia da dessalinizadora pode ser interessante, mas enquanto chover água doce, deveria ser prioritário aproveitar, e isso não está a ser feito.
O presidente da Associação dos Beneficiários do Plano de Rega do Sotavento do Algarve, Macário Correia, avisa assim que alimentos como laranjas, abacates ou ameixas vão ficar mais caros por causa dos cortes de água na região.
E o presidente da associação ambientalista Zero não concorda com o uso de fundos coletivos para a rega da agricultura.
Foi uma das 46 medidas anunciadas ontem pelo governo, o uso da água subterrânea para a rega agrícola. Francisco Ferreira diz que não concorda com esta medida e que pode mesmo ser dramática.
O Algarve tinha aquíferos bastante produtivos que foram abandonados por causa da poluição causada pela agricultura e por causa da sua salinização, devido ao excesso de água que se tirou. E, portanto, esta transição pra água subterrânea, que pode dar alguma folga, se for abusiva, é verdadeiramente dramática. E é isso que nós achamos que é um dos riscos grandes desta mudança.
O presidente da Zero lembra ainda que a situação de seca é de emergência, sim, mas não é uma novidade. As medidas anunciadas ontem ainda vão ter que ser aprovadas em Conselho de Ministros.
E o eixo que vai ligar Lisboa a Valença, na linha ferroviária de alta velocidade, que acaba na Galiza, vai custar € 7 a 8 mil milhões.
Contas feitas pelo governo, o secretário de Estado das Infraestruturas estima que cada troço posto a concurso vai custar sempre € 2 mil milhões. Frederico Francisco explica, em entrevista à Agência Lusa, que o investimento pode custar até € 8 mil milhões a Portugal e que falta ainda esperar por Espanha.
O tempo de viagem entre a fronteira de Espanha e Madrid vai ficar ainda entre as três e as quatro horas. O investimento que fica a faltar do lado de Espanha pra completar essa ligação é bastante menor do que aquele que fica a faltar do lado de Portugal. Aquele que fica a faltar do lado de Portugal é essencialmente resolver o problema da travessia do Tejo para poupar cerca de meia hora ou encontrar outra solução qualquer que consiga poupar meia hora Mas o investimento global entre Lisboa e Valença, se incluirmos a segunda fase da ligação Porto-Valença, deverá andar pelos €7 mi, €7 mi, €8 mi.
O ainda secretário de Estado das Infraestruturas acrescenta que Portugal vai tentar captar mais fundos europeus para financiar esta primeira linha de alta velocidade. Isto além dos €729 milhões já alocados.
E está a agravar-se a crise no Médio Oriente. Depois de Gaza, da Líbia e do Iémen, as atenções viram-se para os confrontos entre Irão e Paquistão. O primeiro-ministro paquistanês acaba de encurtar a participação no Fórum de Davos, evento que só termina amanhã na cidade suíça, mas que o chefe do governo paquistanês decidiu abandonar mais cedo perante esta crise. Pelo menos sete pessoas morreram no Irão, na sequência de ataques levados a cabo pelas forças aéreas do Paquistão. São números avançados pela imprensa estatal iraniana. Os ataques são uma aparente retaliação a uma ofensiva levada a cabo há dois dias por Teerão. O Paquistão, Teresa Borges, já tinha prometido consequências sérias.
E a resposta chegou já durante a madrugada. É a primeira vez que o Paquistão responde com uma ação militar mais abrangente contra o Irão. Fontes em Islamabad, citadas pelo jornal The Guardian, dizem que a decisão foi tomada após uma forte pressão política e militar sobre a liderança do exército. Isto para mostrar força contra o Teerão. Em comunicado, o Ministério paquistanês dos Negócios Estrangeiros descreve os ataques como coordenados e direcionados contra esconderijos terroristas em solo iraniano e também à luz do que Islamabad diz serem informações credíveis sobre atividades terroristas iminentes em grande escala. De resto, as últimas semanas têm sido de retaliação de parte a parte. Há muito que o Irão acusa o Paquistão de permitir que terroristas separatistas se escondam na região fronteiriça do Baluchistão. Esta semana, essa mesma região foi alvo de ataques iranianos. Ataques que já tinham sido também uma resposta a um atentado suicida perpetrado pelo ISIS-K, o braço afegão do Estado Islâmico.
E esta troca de ataques levanta preocupações sobre uma escalada nas tensões na região, que já é palco de outros confrontos.
E não só. Confrontos ligados ao conflito entre Israel e o Hamas. Recentemente, o Irão realizou também ataques contra a Síria, o Iraque e o Curdistão. Já no Iémen, os combates continuam também a ganhar intensidade. Esta madrugada, pela quarta vez, os Estados Unidos atacaram posições houthis no Iémen. O objectivo foi proteger os navios comerciais e a marinha norte-americana no Mar Vermelho. Os houthis já garantiram também que vão continuar a atacar os navios nesta região.
Teresa Borges, com esta noite de ataques no Médio Oriente. Entretanto, na Faixa de Gaza, pelo menos 16 pessoas morreram em Rafah, na sequência de um bombardeamento israelita. Al Jazeera dá também conta de ataques junto ao hospital Al Nasser, na cidade de Khan Yunis, e ainda de rusgas na Cisjordânia.
São 08h08, Carla, antes do Três Toques, que outras notícias marcam esta manhã?
O Estado faz uma nova injeção de capital na TAP. Aumenta para €2.894 mi o total do dinheiro colocado na companhia aérea. Este foi o penúltimo cheque dos contribuintes portugueses para a transportadora. O jornal Eco diz que foi comunicado aos investidores no início do ano e corresponde à segunda tranche de €980 mi, aprovada no final de 2022. Fica a faltar um último cheque de €343 mi, que deve entrar no final do ano. A Rússia acusa a Ucrânia de ter tentado atacar um terminal petrolífero russo no Báltico, na cidade de São Petersburgo. De acordo com a agência Reuters, o ataque aconteceu esta madrugada. O drone foi abatido. Já esta noite, as forças russas tinham revelado que abateram um outro drone ucraniano que se dirigia para Moscovo. Não há registo de vítimas ou de danos. O tenista português Nuno Borges acaba de fazer história. Está pela primeira vez na terceira ronda do Open da Austrália. Nuno Borges é o número 69 do ranking mundial e acaba de vencer o espanhol Davidovich Fokina. Com este resultado, consegue um salto no ranking ATP e aguarda agora pelo adversário da próxima ronda.