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As notícias com Carla Jorge Carvalho. O governo pretende declarar luto nacional em homenagem a Francisco Pinto Balsemão no dia das cerimônias fúnebres. O antigo líder do PSD, ex-primeiro-ministro e fundador do Expresso e da SIC, morreu ontem aos 88 anos.

A notícia da morte foi transmitida por Luís Montenegro durante o Conselho Nacional do PSD. O primeiro-ministro e presidente social-democrata fala numa notícia triste e adianta que o luto nacional deve ser aprovado na reunião do Conselho de Ministros de hoje.

Temos uma reunião do Conselho de Ministros e a nossa predisposição, já tive ocasião de falar com alguns membros do governo, será decretar luto nacional no dia em que se vão realizar as cerimônias fúnebres relativamente ao doutor Francisco Pinto Balsemão.

Neste momento ainda não há informações sobre a data, nem circunstâncias das cerimônias fúnebres. Luís Montenegro lembra a importância do ex-primeiro-ministro para a democracia em Portugal.

Francisco Pinto Balsemão, com Magalhães Mota e Francisco Sá Carneiro, patrocinaram e fomentaram o ato de constituição do PPD na altura, o ex-PSD, estruturando a sua matriz ideológica. Fomos sempre muito inspirados nesse ato fundador e é, de facto, uma notícia muito triste, de alguém que foi sempre muito próximo, que foi sempre muito presente até o fim.

Em comunicado, o PSD descreve, entretanto, Francisco Pinto Balsemão como uma das figuras maiores da democracia portuguesa.

Para além de político, foi jornalista e empresário, fundou o Expresso e a SIC. O grupo Impresa classifica, por isso, Pinto Balsemão como figura maior da defesa da liberdade de imprensa e de expressão.

Uma missão que o acompanhou durante toda a vida, Miguel Gato.

Militante número um do PSD, foi primeiro-ministro à frente do governo da Aliança Democrática, depois da queda do avião que vitimou Francisco Sá Carneiro, em dezembro de 1980. Ficou na liderança do governo de Portugal durante quase três anos. Ao longo da vida, Francisco Pinto Balsemão desempenhou vários cargos na política. Foi também deputado na Assembleia Nacional durante a Primavera Marcelista, em nome da Ala Liberal, e deputado na Assembleia da República já depois do 25 de Abril. Teve um papel muito importante na construção do regime democrático português, mas foi na comunicação social, primeiro como jornalista e depois como empresário, que Pinto Balsemão viria a deixar a marca mais forte.

A causa em que mais me tenho empenhado é a da luta pela liberdade de expressão e pela liberdade de informação. A liberdade foi sendo conquistada a cada página de jornal sem censura.

Pinto Balsemão lançou o semanário Expresso em 1973, a um ano da chegada da democracia, e atravessou na direção deste jornal o conturbado período que se seguiu à revolução do 25 de Abril. Mais tarde, como empresário, fez crescer o grupo Impresa. A SIC vai pro ar em outubro de 1992. No livro de memórias, a autobiografia que escreve para a Porto Editora, Francisco Pinto Balsemão recorda que a vida que levou não se limitou a Portugal.

Faz parte da minha vida e faz parte deste livro, o contacto que tive com pessoas, os ex-presidentes americanos Bill Clinton e Ronald Reagan, Angela Merkel ou ainda Margaret Thatcher. E claro, em lugar cimeiro, os papas João Paulo II e Francisco.

Pinto Balsemão manteve uma forte ligação ao grupo Bilderberg, organização internacional que se dedicava a juntar todos os anos vários membros da elite política e econômica. Manteve igualmente uma carreira acadêmica como professor associado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova até 2002. Morreu aos 88 anos.

Miguel Gato, com a vida e obra de Francisco Pinto Balsemão, antigo líder do PSD, ex-primeiro-ministro, fundador do Expresso e da SIC.

O presidente da República recorda Pinto Balsemão como um visionário social-democrata e diz que Portugal lhe deve muito.

Trabalharam os dois no Expresso e iniciaram também a carreira política juntos. Era conhecida também uma certa rivalidade entre os dois. Em declarações à SIC Notícias, Marcelo Rebelo de Sousa garante que o país não o vai esquecer.

Portugal deve-lhe imenso. Foi das figuras mais marcantes dos últimos 70 anos. Foi marcante na política. Recordemos, foi deputado na Ala Liberal, foi coautor de projetos de mudança da Constituição, de lei de imprensa, de lei de reunião, de lei de associação, de lei de liberdade religiosa, para mudar o Portugal ditatorial em Portugal democrático. Depois do 25 de Abril, foi fundador e era o número um do PPD, hoje PSD. Foi vice-presidente da Assembleia Constituinte, foi parlamentar, foi governante, foi presidente do partido, foi primeiro-ministro.

Marcelo Rebelo de Sousa, que adianta que vai estar na reunião do Conselho de Ministros de hoje, onde deverá ser aprovado o luto nacional. Agora, em direto neste jornal, está o socialista João Soares, a quem agradeço a presença. Muito bom dia, João Soares.

Muito bom dia. Obrigado por me convidarem.

Obrigada nós por estar conosco. A primeira pergunta é aquela que se faz quando uma figura desta dimensão desaparece. Como é que ficará para a história Francisco Pinto Balsemão?

Ele fica seguramente, como disse, salvo erro, o presidente da República e outras pessoas que têm estado a referir, como uma das figuras mais marcantes do último século português. É, de facto, um grande combatente pela liberdade, um homem com uma obra notável, que deixa uma marca, que é incontornável na vida democrática portuguesa e antes da vida democrática portuguesa também, na defesa, sobretudo, da liberdade de imprensa. Foi um grande praticante da liberdade de imprensa, primeiro no Diário Popular, que era, salvo erro, de um familiar próximo dele, um tio.

Um tio, creio que sim.

Teve um papel muito importante na promoção daquele que foi um dos grandes Jornais vespertinos em Portugal. Nós tínhamos na altura quatro jornais vespertinos com tiragens imensas, que eram distribuídos em Lisboa, que eram distribuídos em todo o país, e ele esteve à frente do "Diário Popular", que deu uma grande projeção numa perspectiva que foi a do respeito pelo trabalho dos jornalistas. Há uma coisa que é uma dominante naquilo que foi o trabalho dele, primeiro no "Diário Popular", depois no "Expresso", depois de o ter fundado e até o fim, e nos outros dois órgãos de comunicação social, por cuja criação foi o responsável, a SIC e a SIC Notícias. Foi a liberdade dos jornalistas para exercerem o seu métier enquanto escritores e enquanto coordenadores, no caso da televisão, de outra forma, e sobretudo com respeito muito grande pela liberdade de cada um deles. E no "Diário Popular", ele teve um alforre de jornalistas das mais diversas origens ideológicas. Teve pessoas republicanas, monárquicas, teve esquerdistas, comunistas, das várias sensibilidades comunistas, anarquistas e democratas liberais tradicionais.

E deixa, de facto, uma marca enorme no jornalismo e a nível político, Francisco Pinto Balsemão optou por ter uma carreira mais curta a esse nível. Não vê assim.

Não creio que a expressão adequada seja optar. Foi obrigado a. Não fugiu às suas responsabilidades. Quando o doutor Francisco Sá Carneiro faleceu, nas condições que são conhecidas, na tragédia deste acidente em Camarat, ele sucedeu a Francisco Sá Carneiro na liderança do PSD e também na liderança do Governo. E esteve três anos na liderança do Governo e nesse quadro também, uma das revisões constitucionais mais importantes de Salgueiro foi feita nessa altura com o acordo que foi feito com o PS e com a liderança do PS, que era assegurada nessa altura pelo meu pai, Mário Soares, e por Francisco Salganzeia, que eram os dois primos inter pares do PS. Ele também funcionou um pouco nessa base com Francisco Sá Carneiro no PSD, foram os dois primos inter pares do PSD, por isso é que ele se manteve como o militante número um do PSD. Ele teve muito boas relações com meu pai, Mário Soares, isso tem que ser sublinhado também. Desde antes do 25 de abril, eles foram ambos objeto de uma armadilha que lhes foi montada pelo PIDE. Escreveu uma carta a Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão, como se se tratasse do meu pai. Eles fizeram isso falando um com o outro e percebendo que se tratava de uma armadilha que tinha sido montada pelo PIDE, que até os divertiu e sobre a qual eles fizeram comentários sempre ao longo da sua vida, de uma forma muito interessante também. Além do mais, e isto também para fazer a ligação com o papel que o meu pai Mário Soares teve também, ele é alguém que deixa uma biografia, que é uma biografia sobre a sua vida e o seu trabalho enquanto grande homem da imprensa e da liberdade da imprensa, e grande combatente político, que é uma coisa muito semelhante, em termos de dimensão, com o "Portugal: a herdança" do meu pai antes do 25 de Abril. É um livro escrito por um protagonista que faz a história, viveu e que foi protagonista de uma forma isenta e absolutamente incontornável pra quem quiser fazer a história dos últimos 50 ou 60 anos.

Claro que sim, nada como ter essas memórias. No entanto, o João Soares dizia que não foi uma opção de Francisco Pinto Balsemão sair da política ativa.

Ele teve que enfrentar muitas dificuldades dentro do seu próprio partido. Isso, nessa matéria, também não podemos esquecer. Ele não saiu por ter decidido sair. Ele saiu porque foi obrigado a sair. E a vida política da nossa terra e por todo lado também tem isso. Quer dizer, há aquilo que as pessoas gostam de fazer e querem fazer e provar o que sabem fazer bem. E depois há também as dificuldades que resultam de não os deixarem fazer aquilo que eles querem fazer.

Dentro do próprio partido.

Dentro do próprio partido, sobretudo, no que diz respeito ao doutor Pinto Balsemão. Agora, era um homem também extremamente atual. Eu não tinha nenhuma relação de intimidade, mas ele tratou-me sempre muitíssimo bem. Chegámos a assinar um acordo, eu enquanto autarca de Lisboa, no final já do meu segundo mandato como autarca de Lisboa, com o Grupo do Expresso, para a relocalização do Grupo Impresa, antes de ele ter ido para Oeiras, onde estava agora. Aliás, em instalações magníficas, pra que eles ficassem em Lisboa, já próximo da zona oriental da cidade, depois isso não foi pra frente, porque eu perdi as eleições.

E não conseguiu dar essas condições. João Soares, muito obrigada por ter estado conosco em direto neste jornal.

Obrigado, Miguel.

Um bom dia, João Soares, antigo ministro da Cultura, antigo presidente da Câmara de Lisboa, aqui recordado a lembrar Francisco Pinto Balsemão. Há outras reações, obviamente, a surgirem. Aníbal Cavaco Silva elogia o contributo de Francisco Pinto Balsemão para a democracia. Luís Marques Mendes fala numa referência. José Luís Carneiro diz que é uma figura incontornável.

No Jornal das Nove recebemos Ricardo Costa, do Grupo Impresa, e no Explicador são nossos convidados António Rodrigues, do PSD, e Pedro Delgado Alves, do PS. Agora são 08h13, Carla, que outras notícias marcam esta manhã de quarta-feira.

O agente da PSP acusado de matar Odair Muniz começa hoje a ser julgado. Está acusado de homicídio. Em causa está uma pena entre os oito e os 16 anos de prisão. O julgamento começa às 09h15 da manhã de hoje no Tribunal Central Criminal de Sintra. O PSD está a tentar fechar acordos com o Chega em autarquias onde foi a votos com a Iniciativa Liberal, mas os liberais recusam e avisam que estão dispostos a abdicar de vereadores eleitos. É uma posição do partido defendida numa reunião da Comissão Executiva. Os liberais avisam que vão abandonar os entendimentos e abdicar dos vereadores se os acordos avançarem. A nova proposta da Lei da Nacionalidade começa hoje a ser discutida em comissão parlamentar, isto depois do PS ter pedido um adiamento de uma primeira discussão. Entretanto, Iniciativa Liberal e o Livre apresentaram alterações à proposta. O governo pretende manter a possibilidade da perda de cidadania portuguesa para quem cometer crimes graves, mas retira a retroatividade que estava na primeira versão.