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Observador, 8 horas. O governador do Banco de Portugal recusa entrar numa troca de palavras com Mário Centeno. Em entrevista ao Observador, Álvaro Santos Pereira diz ainda que gostaria de ver o regresso da discussão sobre a reforma laboral.

A proposta do ministério liderado por Maria do Rosário Palma Ramalho caiu por terra, não passou na concertação social nem no Parlamento. O governador do Banco de Portugal diz que seria importante regressar à discussão, sendo que Álvaro Santos Pereira entende que se deviam tentar consensos em reformas também noutros setores.

O que eu gostaria que nós voltássemos é exatamente pensar a nível global e com o maior consenso possível, quais são as reformas que nos poderão tornar mais competitivos. Isso vai nos ajudar a melhorar a produtividade. Perguntam-me na questão laboral. Eu já há muitos anos que defendo isso e, aliás, a OCDE faz a mesma coisa e vários bancos centrais falam sobre essa matéria. Eu defendo um modelo de flexissegurança, ou seja, eu defendo que tem que haver maior flexibilidade, mas protegendo mais o trabalhador. Ou seja, dá-se mais flexibilidade no posto de trabalho, mas protege-se mais o trabalhador.

No entanto, o governador do Banco de Portugal não comenta se a reforma laboral proposta pela AD, aquela que chumbou no Parlamento, vai ou não ao encontro deste modelo que defende de flexissegurança. Pede apenas o regresso da discussão sobre as alterações ao Código do Trabalho. Ora, nesta entrevista ao Observador, Álvaro Santos Pereira comentou também as palavras recentes do ex-governador Mário Centeno, que questionou a poupança de 35 milhões de euros na nova sede do Banco de Portugal e criticou diretamente o atual governador por ter revelado o custo final previsto para o edifício. Álvaro Santos Pereira recusa entrar no que fala de bate-boca.

Primeiro, eu não vou entrar em duelos de palavras com ex-governadores. É uma questão de decoro e é uma questão institucional. Eu sou muito institucional. Como disse, o projeto evoluiu e não vou entrar em jogos de palavras com ex-governadores. Segundo, eu sei o que é que defendo para mim próprio e para o Conselho de Administração atual e tenciono haver essas mudanças de regras. Sobre o passado, é o passado e eu não vou estar a comentar.

Não comentaste declarações recentes de Mário Centeno, entrevista do Governador do Banco de Portugal ao Observador.

E já pode ouvir o Sob Escuta com Álvaro Santos Pereira em podcast e também em formato vídeo no YouTube. Terminou ontem o prazo para a correção dos exames nacionais. No entanto, a Missão Escola Pública garante conhecer relatos de professores que receberam ontem à noite itens para classificar e que estão ainda esta manhã a corrigir provas.

É uma denúncia feita à agência Lusa por uma fonte deste movimento que reúne professores. As maiores dificuldades na correção prendem-se com os exames de português e de matemática. A Missão Escola Pública diz também que se mantêm problemas já identificados anteriormente, como a ausência de folhas de continuação ou folhas com caligrafia diferente. Até o momento, o Ministério da Educação ainda não confirmou se a totalidade dos exames está, de facto, classificada. A Rádio Observador está a tentar perceber junto do governo se as provas já estão ou não corrigidas. Ontem de manhã, o ministro Fernando Alexandre garantia que já estavam corrigidos 99% dos exames. As pautas com as notas devem ser afixadas nas escolas amanhã, dia em que o ministro da Educação é chamado ao Parlamento para um debate de urgência.

E caso os prazos não se cumpram, o secretário-geral do PS admite avançar para uma comissão parlamentar de inquérito.

Declarações de José Luís Carneiro ontem à noite na CNN Portugal, que admite que podem ser precisos mais esclarecimentos, além do debate de urgência.

Se na sexta-feira houver falhas e se mantenham as falhas, é muito provável que a nossa decisão, vou ouvir os órgãos do Partido Socialista, vou ouvi-los, aliás, no decurso das próximas horas, quer o Secretariado Nacional, quer a Comissão Política Nacional, é provável que o PS venha a acompanhar a iniciativa de uma comissão de inquérito.

José Luís Carneiro diz que tem recebido muitas queixas de professores e que vai ser preciso apurar o que correu mal no processo. O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, sai em defesa do ministro da Educação, garante que a maioria dos professores está a favor desta mudança, tal como já tinha dito o primeiro-ministro Luís Montenegro.

Quando se faz uma transformação desta monta, deste tamanho, há sempre dificuldades. Sim, nem tudo correu bem. Sim, estamos a mudar para melhor. Eu tenho dito, quero aqui repetir. Ouça, se fosse para deixar tudo na mesma, deixem governar o Partido Socialista, são ótimos nisso. Nós viemos mesmo para mudar. As mudanças têm resistências, como disse o senhor primeiro-ministro. Claro que têm. Trazem dificuldades? Trazem. Eu ainda não vi ninguém dizer no espaço público que esta mudança é para pior.

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, em entrevista à Sic Notícias, a admitir dificuldades, mas a dizer também que fazem parte do processo de reformar o país.

E no dia em que se realiza o debate do Estado da Nação, há outro caso a colocar este governo sobre pressão: as obras na casa do ministro da Administração Interna.

Luís Neves divulgou ontem ao Observador as faturas, mas continua sem mostrar os comprovativos de pagamento. Ora, na entrevista que o secretário-geral do PSD deu à CNN Portugal, diz que o ministro continua a dever explicações aos portugueses.

Ele, mais do que qualquer outra pessoa, sabe da importância do escrutínio democrático para quem desempenha funções de natureza política e da importância que tem esclarecer todas as questões que há a esclarecer. É isso que eu espero que ele venha a fazer.

José Luís Carneiro nesta entrevista à CNN. Ontem também o líder do Chega remeteu eventuais ações contra o governo e o ministro Luís Neves para depois do debate sobre o Estado da Nação.

Que começa às 15h30 e que pode acompanhar em direto aqui na Rádio Observador. Esta manhã há também um explicador especial com representantes dos principais partidos. É para ouvir logo a seguir ao Jornal das Nove. Depois de Pedro Passos Coelho, há um outro antigo líder do PSD a dizer que o governo de Luís Montenegro não tem coragem nem vontade de fazer reformas. Rui Rio critica a AD e toda a classe política por não mexer nos interesses instalados.

Declarações do ex-presidente do PSD em Bragança, à margem de uma conferência sobre a reforma do regime democrático português.

Muito difícil fazer reformas e a própria classe política, chamemos assim, não gosto muito de dizer desta maneira, mas enfim, não tem tido a vontade e a coragem de as fazer. Não tem tido coragem, porque tem medo também de fazer essas reformas e de mexer com interesses instalados. Porque quando se mexe com interesses instalados, obviamente que há tumultos e há problemas, porque os benefícios de uma reforma aparecem uns anos depois, mas a contestação aparece logo no momento. A verdade é que as coisas se vão desatualizando.

O antigo presidente do PSD volta também a criticar o Ministério Público e a Polícia Judiciária e diz que não estão a fazer o suficiente para combater a corrupção no país.

São 8:08, Carla Santos Mendes de Glória, que outras notícias marcam esta manhã?

Pela quinta noite consecutiva, continuaram os ataques entre Estados Unidos e Irão. A Casa Branca afirma que a prioridade é manter aberto o Estreito de Ormuz. O Irão retaliou atacando bases militares norte-americanas no Koweit e na Jordânia. A Argentina é a segunda finalista do Mundial de Futebol. Ontem venceu a Inglaterra por 2x1. Vai encontrar Espanha na final do próximo domingo. O jogo que define o terceiro lugar do Mundial é no sábado, será Inglaterra-França.