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Com Martim Madeira. Começamos o Jornal das 8 com Mário Centeno, que criticou ontem as propostas do PS e do Chega sobre o IVA zero nos bens alimentares.

Em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena 1 e do Jornal de Negócios, Mário Centeno explica que há outras medidas que fazem mais sentido, como por exemplo, alargar o valor do abono de família para um determinado grupo de famílias.

Não acho que seja uma boa medida, mas há boas medidas que se podem dar para não estar sempre do contra. Medidas que usam a proteção social muito profunda que existe em Portugal. Por exemplo, o abono de família para as tais famílias que têm filhos, que têm que os levar à escola, porque é a forma de compatibilizar o trabalho dos pais, que trabalhamos muitas horas em Portugal, muito mais do que na média europeia, e a escola dos miúdos. Esse era um apoio absolutamente óbvio num momento destes.

Mário Centeno acusa ainda, nesta mesma entrevista, o primeiro-ministro de governar sob o discurso do medo, sem dar explicações ao país. O primeiro-ministro disse que não queria ser o pai da austeridade, nem fazer com que Portugal regressasse aos tempos da tragédia, numa referência à Troika. E em reação a estas declarações, Mário Centeno desafia o governo a esclarecer.

Eu acho que não é de ânimo leve que um primeiro-ministro diz aquilo que o primeiro-ministro Luís Montenegro disse na semana passada. O que temos que pedir a seguir, e ele tem que estar disposto a conceder-nos, é saber o que está por trás daquela frase. E, portanto, eu acho que temos que respeitar aquilo que o primeiro-ministro nos deu a ouvir, ficar preocupados, não entrar em depressão, foi uma das questões que eu não percebi muito bem, porque os primeiros-ministros normalmente tendem a ter discursos mais mobilizadores. Governar sob o medo é péssimo. E, portanto, quando o primeiro-ministro nos mete medo, nós devemos perguntar a nós próprios o que é que ele sabe que nós não sabemos.

Centeno diz ainda que as contas públicas enfrentam um déficit profundo. Acredita também que se Bruxelas não redefinir as metas orçamentais impostas a Portugal, o Estado terá de efetuar um corte de 12 bilhões de euros nos próximos dois anos.

André Ventura espera que a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Ministro da Administração Interna possa iniciar trabalhos nos próximos dias.

O líder do Chega considera ainda que esta é a comissão parlamentar de inquérito mais importante da história do país.

O presidente da Assembleia da República não me solicitou ainda a entrega dos nomes constituintes da comissão de inquérito. Foi dado até, se não me engano, dia 28 deste mês para se constituírem as diligências de sustentação da comissão. Penso que em relação à outra comissão de inquérito, isso sim, já estão a ser pedidos os nomes. Espero que na segunda-feira possa resolver essa questão, juntamente com a liderança de bancada. Sobre o Luís Neves, a minha esperança é que a comissão de inquérito possa iniciar-se nos próximos dias e que consigamos, ainda antes do orçamento do Estado, começar a fazer algum trabalho em relação a esta matéria.

Declarações de André Ventura feitas à margem do encontro de partidos europeus de extrema-direita este sábado na Ericeira.

Vamos agora ao orçamento do Estado. O Livre acusa o governo de falta de respeito institucional por dizer que a margem negocial é muito limitada, mas antes de reunir com os restantes partidos.

Os encontros para apresentar as linhas gerais da proposta orçamental com os partidos arrancam esta semana. Na antevisão, a co-porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, acusa o executivo de estar já a condicionar o debate orçamental.

Parece-me que é até falta de respeito institucional para com o Parlamento e para com o país, condicionar, à partida, todo o debate orçamental, sabendo que poderia haver uma folga, por causa destas medidas, para ser discutida efetivamente no Parlamento.

A também líder parlamentar do partido relembra que o governo é minoritário e que, portanto, tem a obrigação de negociar.

O governo governa em minoria, não tem o apoio alargado do Parlamento e, portanto, ainda tem uma obrigatoriedade maior, porque foi esse o resultado das eleições, de discutir com o Parlamento este tipo de medidas estruturais, principalmente numa altura de crise como a que estamos a viver.

Declarações de Isabel Mendes Lopes na Feira da Luz, em Lisboa.

Já o PCP está com expectativas zero acerca dessa proposta que o governo vai apresentar para o orçamento do Estado.

Em antecipação ao debate, o secretário-geral comunista apela ao executivo que tenha uma política de ferro e fogo contra o aumento do custo de vida, mas Paulo Raimundo não antecipa para já o voto dos comunistas.

Com rigor e com coerência, não posso dizer que vamos votar contra, uma coisa nós não conhecemos. Agora, uma coisa que sabemos é que se o orçamento do Estado for mais um instrumento para dar andamento à política que está em curso, nós não nos podemos apoiar nisso. Não podemos apoiar uma política que seja contra o serviço nacional de saúde. Não podemos apoiar uma política que seja pelo aumento das rendas, pelo aumento do custo de vida, pelo aumento da habitação, pelo aumento dos bens alimentares, pelo aumento dos combustíveis. Conosco não.

Declarações de Paulo Raimundo também na Feira da Luz, em Lisboa. A votação final do orçamento do Estado para 2027 está marcada para o dia 24 de novembro, antes decorre a discussão na generalidade, marcada para os dias 27 e 28 de outubro.

Regressamos ao líder do Chega. André Ventura deixou críticas a Donald Trump em relação à guerra contra o Irão.

Ventura, que já demonstrou simpatia por políticas e também pelo líder norte-americano, desta vez critica Trump pela crise que a guerra está a causar no custo dos combustíveis e na economia mundial. André Ventura diz que o presidente norte-americano cometeu muitos erros no último mês.

Acredito que o presidente Trump cometeu muitos erros no último mês. Mesmo a guerra no Irão, creio que está a afetar toda a economia global

Gostaria que essa guerra não existisse, especialmente por causa de Portugal, Espanha, França e Itália. Estamos a pagar mais pelo preço desta guerra do que os próprios Estados Unidos. Não é justo que um país comece uma guerra e outros paguem o preço.

Declarações de André Ventura feitas à margem de um encontro de partidos europeus de extrema-direita, este sábado, também na Ericeira.

Vamos ao Médio Oriente. O Irão confirma que está ciente que os Estados Unidos não gostaram da proposta para reabrir o Estreito de Ormuz dentro de sete dias.

Ontem, Donald Trump anunciou que rejeitou o plano apresentado por Teerão. Agora, o chefe da diplomacia do Irão admite que ainda aguarda uma posição definitiva. Abbas Araqchi explica nas redes sociais que ainda não receberam nada dos medivas.

E os Estados Unidos enviaram emissários por todo o mundo a exigir medidas para isolar economicamente Teerão.

A informação foi avançada pelo secretário do Tesouro norte-americano na rede social X, que diz que esses esforços estão a dar frutos. Scott Bessent dá como exemplo a suspensão dos voos de uma companhia privada iraniana pela Turquia e pelo Omã, além da interrupção de todos os voos das companhias iranianas através dos Emirados Árabes Unidos. O responsável destaca ainda as medidas contra os bancos iranianos.

Falamos de inteligência artificial. Agentes da OpenAI infiltraram-se de forma autónoma em plataformas do governo dos Estados Unidos.

A Bloomberg avança que os modelos de inteligência artificial conseguiram interagir com o Departamento do Comércio e com o Departamento de Educação norte-americanos. Ainda assim, a gigante tecnológica OpenAI garante que nenhum dos incidentes configurou uma intrusão ilícita com fuga de dados. Maria Miguel Marques.

A empresa diz ter descoberto estes episódios recentemente durante uma auditoria. O New York Times relata que, no caso do Departamento de Educação, a tecnologia da OpenAI tentou piratear o site para recolher dados do Gabinete de Direitos Civis da instituição, sem sucesso. A inteligência artificial conseguiu também extrair dados da página do Gabinete de Estatísticas norte-americano, integrado no Departamento do Comércio. Em paralelo, os agentes da OpenAI partilharam num fórum online dados públicos retirados do site da SEC. Este novo acesso junta-se a outro episódio, conhecido esta semana, de um agente da OpenAI que se infiltrou no site do governo australiano em junho. A OpenAI garante que os governos podem estar entre dezenas de entidades que em todo o mundo podem ser infiltradas pelos modelos de inteligência artificial. O CEO Sam Altman já tinha pedido, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que os governos desempenhassem um maior papel na regulamentação da inteligência artificial, numa altura em que a OpenAI está a realizar uma revisão abrangente da atividade desalinhada dos modelos e a notificar as organizações quando identificam impactos potenciais nos sistemas. E apesar da resistência de vários países em abrandar a inteligência artificial, nomeadamente os Estados Unidos e a China, a OpenAI sublinha, em comunicado, que a nível internacional, isto exige cooperação.

A jornalista Maria Miguel Marques a dar conta dos mais recentes episódios de acesso de inteligência artificial a ficheiros do governo norte-americano.

Vamos ao desporto. O Jorge Jesus diz que não tem medo da Noruega e que a seleção portuguesa vai jogar ao ataque.

Portugal entra em campo hoje em Oslo para a segunda jornada da Liga das Nações e na conferência de imprensa da divisão à partida, o selecionador nacional reconhece qualidade no ataque norueguês, mas garante que Portugal também tem essa mesma qualidade.

Apesar de termos pouco tempo de trabalhar comigo, quer dizer muito naquilo que vamos fazer amanhã. Uma coisa de certeza absoluta, não vou ter medo nenhum da Noruega. Zero. E vou lançar uma equipa que eu olhe mais para ela até ofensivamente do que defensivamente. Não vou olhar para o jogo em fazer uma escolha de jogadores, porque a equipa da Noruega é muito forte ofensivamente. Vou olhar o contrário. Ela é forte ofensivamente, eu também quero ser.

Jorge Jesus pede também tempo e compreensão aos adeptos da Seleção Nacional.

Os jogos vão ser a minha base. Não fui só eu, os selecionadores todos que entraram. De todos que entraram, já fui procurar quem ganhou. Só eu e o treinador da França é que ganhou, mais nenhum ganhou no primeiro jogo de estreia. Mas estes jogos, é aqui que eu, com a equipa, vou refletir, vamos analisar aquilo que fizemos bem, não fizemos bem, mas estamos a trabalhar em cima de jogo. É sério, não é pré-época. Não houve uma base.

Jorge Jesus na conferência de antevisão à partida frente à Noruega.

Portugal joga hoje em Oslo, 19h45, jogo com relato e análise aqui na Rádio Observador. Mais notícias com o Martim Madeira às 20h30.