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São 8:01. O governo continua hoje a receber os partidos na primeira ronda de negociações para o Orçamento do Estado. PS e Chega foram os primeiros a ser ouvidos ontem e deixaram críticas às linhas gerais do documento.

Isto depois dos encontros de ontem à tarde com o ministro das Finanças e com o ministro dos Assuntos Parlamentares. À saída das reuniões, Chega e PS revelaram que o Executivo volta a prever um excedente das contas públicas para o próximo ano, na ordem dos 0,2% do PIB. Mas no entender dos dois partidos, Miguel Gato, o governo falha nas medidas de apoio à crise provocada pela subida de preços.

Sim, por isso o Chega e PS mostram-se descontentes depois da reunião que tiveram com o ministro das Finanças e também com o ministro dos Assuntos Parlamentares. O líder da bancada parlamentar socialista fez as contas e Eurico Brilhante Dias diz que os números apresentados pelo governo mostram que o Executivo não tem mais ideias nem medidas para ajudar a mitigar o aumento do custo de vida.

O governo prevê menos crescimento nominal, em particular da receita, o que faz antever que não dispõe de nenhum mecanismo, de nenhum instrumento de apoio às pessoas, em particular para o aumento dos combustíveis e para o aumento do custo do cabaz alimentar, que são hoje duas preocupações centrais dos portugueses.

O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, afirma que a economia vai crescer menos do que aquilo que foi prometido pelo governo. O valor deve ficar, segundo as perspectivas do Executivo, em cerca de 2%. Também o Chega deixa críticas depois desta reunião. O líder parlamentar Pedro Pinto critica o governo liderado por Luís Montenegro por não querer baixar impostos.

Não baixar, quer o IVA dos combustíveis, quer o IVA do cabaz alimentar, que também já foi dito pelo governo que não irá baixar, é deveras preocupante. Aquilo que percebemos nesta conversa de hoje é que este é um governo que continua a ser insensível aos grandes problemas das pessoas em Portugal e com um governo insensível, é um orçamento também insensível.

A opinião de Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega. Tanto o partido de André Ventura como o Partido Socialista levaram a votos na semana passada propostas para a redução do IVA dos combustíveis e para o IVA zero no cabaz alimentar. Foram chumbadas. Questionado sobre o assunto, a delegação socialista não explica se vai avançar com as mesmas propostas no âmbito da negociação do orçamento. O Chega diz que espera voltar a ser ouvido pelo governo ainda antes da apresentação do documento.

Miguel Gato, com as principais ou as primeiras reações às linhas gerais do Orçamento do Estado para 2027. Hoje o governo recebe vários partidos. Os que suportam o Executivo, PSD e CDS, são ainda recebidos, o Livre, PCP e Bloco de Esquerda. Amanhã termina esta primeira ronda de negociações com a Iniciativa Liberal e com o JPP. O orçamento tem de ser entregue no Parlamento até o dia 10 de outubro.

Marcelo Rebelo de Sousa admite que o caso das gêmeas tem sido doloroso, mas reforça que a Justiça tem que ser igual para todos. É a reação do ex-presidente da República depois do filho ser acusado.

Nuno Rebelo de Sousa está indiciado por um crime de prevaricação na acusação do Ministério Público, conhecida ontem. Marcelo Rebelo de Sousa já tinha dito ao início da tarde que todos têm de ser iguais perante a Justiça. Já à noite, voltou a falar para admitir que tem sofrido com este caso.

Estamos esperando fatos que reportam a 2019 e em 2023, que passou a ser doloroso, no que me toca, pela noção que tive da realidade.

Tem sofrido muito por causa disso.

Que não tinha conhecido antes. Portanto, é evidente. É evidente, mas isso é um problema pessoal meu.

Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à RTP, reagir à acusação ao filho feita pelo Ministério Público. Além de Nuno Rebelo de Sousa, foram ainda acusados António Lacerda Sales, ex-secretário de Estado da Saúde, Luís Pinheiro, ex-diretor clínico do Hospital de Santa Maria e a mãe das gêmeas, Daniela Martins.

Este é um dos temas em destaque a esta hora no site do Observador. Em Espanha, Mari Carmen, a idosa de 87 anos que se tornou o rosto das manifestações contra a crise na habitação, vai poder voltar a casa. O fundo proprietário do apartamento recuou na decisão do despacho.

O acordo foi alcançado ontem, depois de uma negociação mediada pela Câmara de Madrid. Foi acordado um novo contrato de arrendamento. Falta Mari Carmen dar a luz verde ao entendimento para poder voltar à casa onde vivia desde 1956. O presidente do governo espanhol garante que está a trabalhar em contrarrelógio para evitar mais casos como este e hoje vai aprovar um decreto para dar resposta à crise. Na análise, o colunista do Observador, Gonçalo Troteira Sejada, questiona o momento escolhido pelo governo do PSOE para agir.

Há um evidente aproveitamento político, parece-me a mim, pelo menos, por parte do governo de Pedro Sánchez, para utilizar este caso de Mari Carmen como uma espécie de alegada superioridade moral na defesa dos mais indefesos, dos mais desprotegidos, etc. E isso não é verdade, porque o ponto é que Pedro Sánchez está no poder há oito anos. Nos primeiros quatro, tinha uma maioria de esquerda, na altura com o Podemos, que podia ter perfeitamente alterado estas leis, não o fez.

Análise de Gonçalo Troteira Sejada, colunista do Observador, na história do dia de hoje. O caso gerou uma forte mobilização social e institucional em Espanha e levou a protestos de rua. Centenas de pessoas acamparam em Madrid nos últimos cinco dias.

Este vai ser também o tema do Explicador de hoje, depois das 09:00, com Gonçalo Lage, do PSD, e Marina Gonçalves, do PS. São 08h07, Carla. Aqui outras notícias que estão em destaque nesta manhã de terça-feira e antes dos Momentos de Glória.

O número de crimes de ofensas corporais e de armas nas escolas foi o maior dos últimos cinco anos. De acordo com a PSP, foram detectadas 60 armas nas escolas, três delas armas de fogo, mais uma do que no ano anterior. A informação é revelada pela PSP, que diz também ter aumentado o número de ofensas sexuais e o tráfico de droga. O ministro da Administração Interna reúne-se hoje com os sindicatos da PSP, com as associações da GNR. O objetivo é discutir a melhoria das condições de trabalho das forças de segurança. As negociações acontecem num clima de manifestações e protestos. Ontem, cerca de 200 polícias e guardas saíram à rua no Porto. Foi a primeira de várias manifestações que estão a ser organizadas. Oito distritos de Portugal continental estão hoje sob aviso amarelo por causa da chuva. Amanhã o número sobe para nove, é o que indica o IPMA, que prevê uma semana de chuva e de vento. Ani Silva Pais, filha do último diretor da PIDE, que abandonou tudo para se juntar à revolução cubana, está no centro do novo podcast Plus do Observador.

É uma história que se passa em Portugal e em Cuba e que atravessa várias décadas do século XX.

Quando reapareceu em Havana depois de dois meses, em parte incerta, Ani instalou-se numa casa do regime cubano.

Tem uma fotografia do pai, eu lembro perfeitamente, numa espécie de um aparadorzinho à entrada.

Há outras fotografias no apartamento. Algumas são dos pais e numa das paredes da sala está uma grande moldura onde se vê Che Guevara e Fidel Castro a andarem por um corredor. Pela casa, Ani tem ainda uma foto da Virgem de Fátima, um galo de Barcelos e uma matriosca russa. Mora ali, na companhia de dois cães, e leva uma vida simples.

Um excerto do terceiro episódio de "Os Escândalos de uma Revolucionária", que já está disponível.

Esta é uma série narrada pela atriz Bárbara Branco, com música original de Frankie Chaves. A investigação e os guiões são da jornalista do Observador, a Inês André Figueiredo.