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Porção nove um. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Já vamos às reações ao reconhecimento do Estado da Palestina por Portugal, mas primeiro, o incêndio que está a atingir a região do Algarve. O número de meios no terreno está a aumentar depois das chamas chegarem a Lagos. Estão no terreno a esta hora 520 operacionais, 180 viaturas e oito meios aéreos. O incêndio começou ontem à hora de almoço em Aljezur. À noite já tinha alastrado para Lagos, o que obrigou à evacuação de várias habitações por precaução. Num ponto de situação feito esta manhã, a Proteção Civil afirmou que não há, para já, vítimas nem habitações em perigo. Neste jornal em direto temos agora o presidente da Câmara de Lagos, Hugo Pereira. Muito bom dia, Hugo Pereira.

Bom dia.

Pode ajudar-nos a descrever o ponto de situação neste momento? O vento ainda continua a dificultar os trabalhos?

Bom dia. Foi uma noite de muito trabalho. Os homens e as mulheres andaram pela mata a contrariar, e aproveitando a baixa temperatura, o nível da humidade a aumentar e o vento que acalmou, e andaram a bater toda a mata e a reduzir ao máximo o incêndio. Agora de parte da manhã entraram mais meios, acima de tudo entraram os meios aéreos. O vento está a voltar, esperamos que não venha com a mesma intensidade. E hoje posso dizer que com o trabalho da noite, as coisas estão mais calmas. Ainda não se pode dizer que está 100% controlado, mas está muito mais controlado depois do que foi ontem. O final da tarde e início da noite, a aflição que tivemos ao ver o fogo atravessar toda a mata de Barão e quase chegar mesmo à aldeia de Barão de São João. Acho que hoje a situação está bem mais calma, mas não podemos ainda dar como concluído, nem perto, porque as condições atmosféricas se hoje forem iguais a ontem, ainda há muito por fazer e, acima de tudo, ainda há muito risco.

Claro, ainda não se pode respirar de alívio. Se bem que ontem já demos notícia de que houve várias pessoas que tiveram ser retiradas de casa. Ainda não se pode excluir essa hipótese? Ou para já as chamas não estão perto de habitações e esse cenário não é muito provável neste momento?

Sim, houve a necessidade de retirar pessoas nas zonas por onde o fogo passava. Toda aquela zona que liga Aljezur a Lagos, aquela zona de Barão, acaba por ter sempre muita povoação dispersa e houve essa necessidade. E depois também houve a necessidade na aproximação do fogo à aldeia de Barão de São João e começando o fogo a atravessar a mata de Barão de São João e chegando muito forte até ao perímetro em que acaba a mata e começa a povoação, também sentimos essa necessidade por precaução. E felizmente tudo correu bem e as pessoas entretanto acabaram por ir regressando aos poucos novamente às suas habitações, porque o fogo foi travado. Mas de qualquer maneira, hoje, se continuarmos a conseguir controlá-lo, a princípio essa situação não se irá novamente ter que colocar, mas acaba sempre por haver todas essas zonas, acaba por ter pontualmente uma ou outra, ou nalguns sítios mais do que uma outra habitação. E tal como ontem houve essa necessidade, hoje espero que não, mas estamos preparados também para isso. O engenheiro está no local para fazer esse trabalho.

Se for necessário, assim farão, obviamente. Há alguma expectativa para quanto tempo mais durará o combate ao fogo?

Entre o combate ao fogo e o rescaldo, e acima de tudo, a área ardida é muito grande. Há ali muito trabalho ainda para muitos dias, mas espero que a partir de hoje, tudo puder ser só para rescaldo e início da limpeza da mata, mas se hoje conseguíssemos dar como dominado era muito bom. Mas de qualquer maneira, as condições atmosféricas é que vão determinar se vamos conseguir dar hoje como terminado o fogo ou ainda não.

Até porque nos disse que o vento está a voltar. Hugo Pereira, uma última questão. As temperaturas baixaram nos últimos dias. Já têm ideia, alguma suspeita da origem do incêndio?

Isso vamos deixar para as autoridades. Fala-se na possibilidade de ter sido por trabalhos agrícolas que acabaram por ser a ignição, mas de qualquer maneira vamos deixar. Neste momento, é importante é salvar pessoas, salvar bens e acabarmos com este fogo. Depois as autoridades irão se encarregar de saber a situação e de fazer essa sua parte.

Muito bem. Para já, de fato, o objetivo é controlar o incêndio e extingui-lo. Muito obrigada, Hugo Pereira, presidente da Câmara de Lagos.

De nada.

A dar-nos conta da situação, do combate às chamas depois de uma noite muito difícil, de um incêndio que começou em Aljezur e que alastrou já para Lagos. E agora sim, o reconhecimento do Estado da Palestina. Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, fala num toque a reunir por parte da comunidade internacional e reforça que esta é a melhor forma de avançar com a solução de dois Estados e levar Israel para a mesa das negociações. Portugal reconheceu oficialmente o Estado da Palestina antes da conferência da ONU. O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros num discurso em Nova York. Nessa declaração, Paulo Rangel sublinhou que esta é uma decisão a favor da paz e não contra Israel. Em entrevista à CNN Portugal, o chefe da diplomacia portuguesa reforça a importância desta decisão. A ideia é contribuir para a paz no Médio Oriente.

Nós não podemos desistir da função dos dois Estados. Esta é que é a questão. E perante os desenvolvimentos no terreno, que são extremamente inquietantes, por um lado, pela situação humanitária em Gaza e até pela vontade da deslocação forçada daquelas populações. Por outro lado, com o aumento dos colonatos na Cisjordânia, é verdade que isso dificulta imenso, no futuro, a implementação dos dois Estados. E, portanto, era fundamental que a comunidade internacional fizesse uma espécie de toque a reunir, é isso que foi esta alta conferência, para justamente deixar isto muito claro.

O ministro dos Negócios Estrangeiros acredita também que esta é uma forma de pressionar Israel a sentar-se à mesa das negociações.

Eu julgo que com esta disposição da comunidade internacional, com este acordo, nós teremos condições para, num futuro próximo ou mais ou menos próximo, trazermos Israel para a mesa das negociações para ter esta solução, que é a única que vai permitir dar paz a esta região.

Paulo Rangel, numa entrevista à CNN Portugal depois de formalizar o reconhecimento do Estado da Palestina. O PS concorda com a decisão e fala no caminho correto. O CDS discorda da decisão do governo do qual faz parte. Começamos pelo PS. O eurodeputado Francisco Assis fala numa derrota para os extremistas e também reforma que esta é a melhor forma de avançar com a solução de dois Estados.

Quando reconhecemos a Palestina, estamos também a salientar a necessidade da solução dos dois Estados. Portanto, isto é uma derrota de todos os extremistas. Dos extremistas israelitas, que querem uma grande Israel e que excluem a possibilidade de criação do Estado da Palestina, como é uma derrota dos extremistas palestinianos, em particular do Hamas e dos fundamentalistas islâmicos que lhes estão associados, que não reconhecem o direito à existência do Estado de Israel. Isso tem que ficar bem claro. É uma vitória de quem aposta numa solução de dois Estados, é uma derrota daqueles que de um lado e do outro não aceitam a criação desses mesmos dois Estados.

Francisco Assis, eurodeputado socialista, numa declaração feita a partir da sede do PS Porto e depois do ministro dos Negócios Estrangeiros anunciar a decisão. O CDS discorda. Num comunicado divulgado no sábado, o partido alertou que este reconhecimento não é oportuno nem consequente e defende que só deveria acontecer no quadro de um processo institucional de paz. Na análise, o historiador Bruno Cardoso Reis explica que houve consenso entre os países que avançaram para o reconhecimento. Ainda assim, sublinha que estes países não cumpriram com as condições que prometeram para que tal acontecesse.

Por um lado, esta ideia de que era preciso fazer alguma coisa para tentar travar um governo israelita que realmente parece completamente surdo a qualquer apelo para um cessar-fogo e para evitar uma nova escalada no conflito e na situação humanitária, parece ter sido, sobretudo, esta ideia de haver um certo consenso entre os aliados de Portugal no mesmo sentido. Agora, nem todas as condições foram cumpridas, ou seja, o Hamas continua ativo, os reféns também continuam por libertar e não há sequer um consenso total na União Europeia. Poderia ser um argumento de peso adicional.

O historiador Bruno Cardoso Reis, que esteve esta manhã no Gabinete de Guerra. Hoje corre a conferência da ONU sobre a Palestina e a solução de dois Estados em Nova York. Marcelo Rebelo de Sousa vai participar e tem também previsto um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O reconhecimento do Estado da Palestina vai ser também o tema do Explicador. Para ouvir a seguir a este jornal, junta-se a nós João Almeida, do CDS. PS e PSD concordam que é preciso mais polícias na cidade do Porto, mas divergem nas medidas apresentadas. A segurança foi tema em destaque no debate entre os candidatos à Câmara Municipal da Cidade Invicta. Foi o primeiro debate na televisão ontem à noite, na SIC Notícias. Houve referências a José Sócrates nos ataques entre candidatos e discutiram-se temas como segurança, habitação e mobilidade. Miguel Gato.

O tema da segurança foi mais uma vez discutido entre a perceção e a realidade. No programa do PS, há mais de 10 medidas sobre este tópico. Os socialistas querem colocar todos os recursos na rua e aumentar a videovigilância na cidade do Porto.

Em muitas zonas do Porto, a pequena criminalidade, no essencial, associada ao tráfico e ao consumo de droga, transformou a vida das pessoas num inferno.

Mais PSP e Polícia Municipal na voz de Manuel Pizarro, uma medida com a qual Pedro Duarte concorda.

A segurança será uma prioridade absoluta. Propomos, desde logo, um recrutamento especial de mais 100 polícias para a Polícia Municipal.

Se para a CDU, a segurança é carta fora do programa, a candidata Diana Ferreira entende que para combater as perceções, é preciso mais polícia de proximidade.

Atratividade, desde logo, na carreira da PSP, com a valorização dos profissionais. Esse policiamento de proximidade às populações desapareceu.

Para Sérgio Aires, candidato do Bloco de Esquerda, a insegurança na cidade do Porto é apenas uma perceção.

Nós, em 2012, tínhamos 68,5 crimes por mil habitantes. Temos agora 59,9. Estamos a assustar as pessoas, elas estão a abandonar o espaço público.

A segurança é tema-chave em todas as campanhas do Chega e Miguel Cordial quer separar tarefas na PSP.

Nós hoje temos agentes que são da PSP que estão a fazer tarefas administrativas e, portanto, podemos tirá-los dessas tarefas administrativas e pô-los na rua, pô-los no patrulhamento.

Também em debates, teve o tema da habitação, um dos maiores problemas da cidade, reconhecido por todos os candidatos. Manuel Pizarro quer uma renda à moda do Porto, que varie entre os €400 e os €700 e que conte com uma comparticipação do governo. Já Pedro Duarte defende a reabilitação de habitações devolutas. Diz que há mais de 20 mil casas desabitadas que precisam ser postas no mercado. Este foi um frente a frente que teve também momentos quentes, nomeadamente quando Pedro Duarte confronta Manuel Pizarro com José Sócrates.

Sugeri talvez ao candidato do Partido Socialista que não traga à colação as suas provas dadas no que diz respeito à gestão de dinheiros públicos, porque senão teremos de lembrar que ele integrou de forma acerrimamente convicta, até ao último minuto, o governo de José Sócrates.

Depois desse governo Sócrates, já passaram 15 anos e passaram governos socialistas que até conseguiram os primeiros superávits orçamentais da democracia portuguesa.

Os candidatos à Câmara Municipal do Porto estiveram frente a frente na SIC Notícias, num debate para o qual Filipe Araújo não foi convidado.

Miguel Gato, com os destaques do debate entre candidatos à Câmara Municipal do Porto. Ainda sobre o tema mobilidade, todos consideram que o Metrobus, na Avenida da Boavista, foi um projeto mal idealizado. A Deco venceu uma ação judicial contra a MEO, Nos e Novo, que poderá levar à adoção de 40 milhões de euros a clientes. Em causa estão montantes cobrados indevidamente, na sequência de uma alteração de preços que o tribunal considerou ilegal. A decisão da Justiça surge depois de uma ação popular avançada pela Deco, que recebeu várias reclamações de clientes lesados. Em causa estão cerca de 40 milhões de euros no total, distribuídos por 1,6 milhão clientes. Ouvido pela Rádio Observador, Paulo Fonseca, assessor estratégico em relações institucionais da Deco, explica que a prioridade é garantir que os consumidores são reembolsados.

E aquilo que queremos garantir é que os consumidores recebam esse dinheiro. Mas uma nota importante é que esta sentença vem trazer também uma mensagem de pôr fim à impunidade que se manteve nas operadoras durante muito tempo, muito relacionada com o período de fidelização. E, portanto, também não podemos esquecer que estamos a falar de cerca de 40 milhões que têm estado nas mãos dos operadores de forma ilegal e que agora têm que ser transferidos para os consumidores.

Paula Fonseca, da DECO. As operadoras MEO, NOS e Novo vão ter de devolver aos clientes o valor cobrado indevidamente durante o aumento tarifário nos finais de 2016. A decisão é ainda passível de recurso. São 9:15, já a seguir o explicador sobre o reconhecimento do Estado da Palestina, mas primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora. A associação ambientalista Zero e a associação de moradores de Santa Maria Maior lançaram uma petição para que só circulem no centro de Lisboa veículos elétricos. As únicas exceções seriam para residentes ou para veículos de emergência. A associação Zero quer, assim, criar a primeira zona zero emissões, sobretudo na baixa de Lisboa. O presidente da República elogia o crescimento econômico e o equilíbrio financeiro de Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa fala também num país seguro e estável. Declarações em Nova Iorque, durante o encontro com representantes da comunidade portuguesa e funcionários portugueses da ONU. Mais de 100 mil pessoas participaram no funeral de Charlie Kirk. A cerimônia de homenagem decorreu num estádio no Arizona, teve lotação esgotada, decorreu sob fortes medidas de segurança. Donald Trump fez um discurso de encerramento e descreveu o ativista conservador como um mártir da liberdade nos Estados Unidos. E já está disponível para os indecisos, e não só, o votômetro do Porto. Sim. Agora já podem descobrir os ouvintes e eleitores do Observador com que candidato se identificam mais na corrida à autarquia da Invicta. Exatamente. É uma ferramenta interativa do Observador, que o Observador, de facto, já habituou sempre que há um ato eleitoral em Portugal e permite descobrir o resultado em minutos. São 14 perguntas, vários temas, habitação, mobilidade, imigração. No final, todos os candidatos aparecem organizados por porcentagem para identificar o nível de preferência. E depois, porque também é engraçado, é possível partilhar os resultados.

E não precisamos ser eleitores do Porto para fazer o votômetro.

Não, aliás, ainda é melhor. É curiosidade, não é? Em quem votaríamos se pudéssemos votar no Porto.

Exatamente.