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Edição das 9 com Carla Jorge Carvalho. O ministro da Administração Interna recusa falar numa cultura instalada de violência na PSP, mas assume que tenha havido um pacto de silêncio no caso das alegadas torturas na esquadra do Largo do Rato, em Lisboa.
Luís Neves não aceita que se fale de uma cultura instalada que favoreça este tipo de práticas. Em entrevista à CNN Portugal, depois da detenção de mais 15 polícias, o ministro assume que pode ter havido, no entanto, facilitismo a lidar com estes casos.
Tudo leva a crer que houve aqui um facilitismo e uma aceitação de comportamentos desviantes e que são comportamentos particularmente graves. A ofensa à dignidade da pessoa, do ser humano, é particularmente grave, que tem a ver com agressões, com agressões bárbaras e com humilhações, e depois a aceitação e o silêncio, um pacto de silêncio na não divulgação desses mesmos factos e, por isso, é grave.
Mas isso tem a ver com um sentimento de impunidade, tem a ver com uma cultura instalada nas polícias, tem a ver com o quê?
Não, não há esta cultura instalada nas polícias. Nós estamos a falar de casos isolados.
Luís Neves, ministro da Administração Interna, em entrevista à CNN Portugal, depois de um dia que levou à detenção de 15 agentes da PSP por suspeitas de envolvimento nos casos de tortura na esquadra do Rato, explica também Luís Neves que só vai ser possível tirar todas as conclusões mais para o fim das investigações.
O total de detidos deve ficar nas esquadras do Comando Metropolitana da PSP de Lisboa até serem presentes aos juízes de instrução para primeiro interrogatório e depois para aplicação das medidas de coação.
O que poderá acontecer só no final desta semana é pelo menos o que admite ao Observador uma fonte conhecedora do processo. Além dos agentes da PSP, ontem foi detido também um civil. A CNN Portugal diz que se trata de um segurança de uma discoteca. O envolvimento no caso ainda estará a ser investigado. Carlos Pedro, importa saber o que está em causa aqui neste processo.
Sabe-se que as investigações terão começado pelo menos em maio de 2024, portanto, há dois anos. Já as detenções começaram em julho do ano passado. Os vídeos com conteúdos violentos, agressões praticadas no interior das próprias esquadras circularam pelo menos durante um ano entre grupos de WhatsApp, no qual chegavam a estar largas dezenas de agentes da PSP. É uma fonte da Polícia de Segurança Pública que explica ao Observador como esta rede social se transformou, nestes casos, numa plataforma de partilha e visualização de violações, atos de humilhação e agressões físicas. Os alvos são, na sua maioria, imigrantes e pessoas em situação vulnerável. É notório também que os comunicados oficiais da PSP sobre o caso seguem sempre a mesma linha. Referem-se a diversos crimes, incluindo tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas.
Já aqui dissemos que há, no total destas investigações, 25 detidos, 24 são agentes da polícia. Dentro desse leque, Carlos, destaca-se um nome, qual é?
Mário Vaz Maia é polícia e irmão do cantor Nini Vaz Maia, ao que apurou o Observador terá contribuído na partilha dos vídeos, mas não terá gravado nenhum dos conteúdos. Entre os 15 agentes detidos ontem, estará também um chefe da PSP e uma polícia que cumpria serviço no Aeroporto Lisboa, onde foi precisamente interceptado pelos colegas responsáveis pelo caso. Há também a certeza de que uma significativa maioria passou pela esquadra do Rato ou do Bairro Alto, em Lisboa, onde se centraram as primeiras buscas.
Carlos Pedro, com os detalhes da investigação aos alegados casos de tortura na esquadra do Rato. Estas 25 detenções ocorreram em três períodos distintos, de julho do ano passado a ontem. Nove polícias estão, neste momento, em prisão preventiva. Dezesseis aguardam agora o primeiro interrogatório judicial, que deve ficar concluído até o final desta semana.
Este é o tema que vai estar em destaque já a seguir no Explicador. A UGT não vai levar novas propostas à reunião de amanhã da Concertação Social. Os patrões fazem hoje um último apelo à Central Sindical para que aprove a proposta do governo.
O Observador sabe que o secretário-geral da UGT já reuniu com o Secretariado Executivo e decidiu não levar novas propostas para o encontro de amanhã da Concertação Social. A Central Sindical dá assim uma resposta negativa à ministra do Trabalho, que queria que a UGT levasse à reunião uma nova versão que considerasse viável para negociar e para que o documento seguisse para o Parlamento com uma rede de suporte maior. Na véspera dessa reunião, a CIP tem marcada uma conferência de imprensa para esta manhã em que vai insistir na ideia de que o pacote laboral é também do interesse dos trabalhadores. Vai detalhar ponto por ponto as razões porque considera benéficas um acordo em torno da proposta do governo.
Absurda, irrealista e populista. É assim que Pedro Passos Coelho olha para a proposta do Chega de baixar a idade da reforma.
Uma medida que foi apresentada por André Ventura como condição para que o Chega aprove o pacote laboral no Parlamento. Ora, Passos Coelho diz que nem os socialistas teriam a coragem de avançar com essa proposta. As críticas foram deixadas pelo antigo primeiro-ministro numa intervenção à porta fechada com estudantes da Nova SBE. O social-democrata lamenta que o governo esteja sozinho neste processo de revisão laboral, aponta a tentativa de reforma da Lei do Trabalho como uma exceção à falta de resultados apresentados pelo executivo de Luís Montenegro.
A África do Sul confirma dois casos positivos de hantavírus. Entretanto, o navio de cruzeiro, suspeito ser o foco do vírus, vai atracar em Tenerife dentro de dois ou três dias.
A informação foi avançada pelo jornal El Español, que cita o Ministério da Saúde de Espanha, que considera ter uma obrigação moral e legal de auxiliar estas pessoas. Entretanto, a Organização Mundial de Saúde confirmou que está a coordenar com as autoridades espanholas a chegada do navio às Ilhas Canárias. Neste momento, o navio está no arquipélago de Cabo Verde, onde foram retirados dois tripulantes doentes e também um caso de contacto. O navio holandês deve partir em direção a Tenerife nas próximas horas.
Menos de dois dias depois ter começado, está suspenso o Projeto Liberdade. Donald Trump anunciou uma pausa na iniciativa pensada para ajudar os navios retidos a sair do Estreito de Hormuz.
Uma pausa por um curto período para que possa ser finalizado e assinado um acordo com o Irão. A decisão terá sido motivada com base no pedido do Paquistão e de outros países e também no fato de terem sido registrados grandes progressos no sentido de um acordo definitivo com o Irão. É pelo menos o que escreve Donald Trump na rede Truth Social. Na análise esta manhã, o historiador Bruno Cardoso Reis explica que este caso mostra como os Estados Unidos são cada vez mais um fator de instabilidade global.
Isto mostra que temos de ter sempre grandes cuidados sobre grandes certezas ou sobre a duração da postura da atual administração americana, porque realmente as coisas podem mudar de um momento para o outro. Aqui a única certeza que nós podemos ter é que, nesta questão do Irão, como aliás, em geral, cada vez mais os Estados Unidos costumavam ser, digamos, um pilar da estabilidade e da previsibilidade, um garante da ordem internacional vigente, na verdade, são cada vez mais um fator de instabilidade, de incerteza, de imprevisibilidade, enfim, com grandes implicações, inclusive também não só na área da segurança e defesa, mas também na área económica.
A análise do historiador Bruno Cardoso Reis no Gabinete de Guerra desta manhã. Entretanto, o presidente do Irão diz que é impossível aceitar as exigências dos Estados Unidos com vista a um acordo de paz.
São agora 9h09, Carla, antes do Explicador, que outras notícias estão em destaque?
Uma promessa de Carlos Moedas, Lisboa vai mais do que duplicar o número de câmaras de videovigilância. Vão ser instaladas mais de 110 novas câmaras em cinco zonas da capital, Martim Moniz, Avenida Almeida Reis, Castelo, Amoreiras e Saldanha. É o que conta Carlos Moedas ao Diário de Notícias, que explica também que vão ser necessários 18 milhões de euros para implementar este reforço das câmaras de videovigilância na capital. A Galp confirma a descarga de uma antiga refinaria em Matosinhos. A empresa energética diz ter detectado uma ocorrência numa infraestrutura desativada em Leça de Palmeira. À Agência Lusa, a Galp adianta que a antiga refinaria está em fase de mitigação e sem risco para a saúde pública e que estão no terreno vários operacionais a realizar trabalhos de contenção e limpeza. A empresa Meta está agora com uma novidade que vai implementar. É uma forma de detectar a idade dos utilizadores para garantir que os menores de 18 anos não usam as redes sociais.
Boa sorte.
Exato.
Boa sorte, Meta. Mas como?
Talvez, porque este sistema vai analisar a estrutura óssea dos utilizadores. Se calhar, não dá para mentir assim. Portanto, a ideia é determinar a idade do utilizador em função da análise de fotos e de vídeos, que permitam, com a ajuda de inteligência artificial, através da estrutura óssea e altura das pessoas, estimar a idade aproximada de utilizadores.
E depois de verificar se têm essa idade, o que é que acontece?
A partir daí, a ideia é analisar se desativa a conta ou se adapta a conta à idade correspondente. Boa sorte.
Estou a imaginar os miúdos a tirarem o telemóvel. "Ah, não, pois".
E não, vai haver enganos de sistema a terminar.
Sim, provavelmente. Pois, boa sorte.
"Mas eu tenho 20".
Pareces 13.