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Carla Jorge de Carvalho. Há sob escuta especial na Rádio Observador para ouvir depois deste jornal das 9. José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, é o nosso convidado, entrevistado por Rita Tavares e Miguel Santos Carrapatoso. Mas para já, Carla Jorge Carvalho, parece que subiu o número de mortes em Espanha para 19, devido à entrada ilegal de milhares de pessoas vindas de Marrocos. Isto quando as primeiras estimativas apontavam para 40 mil pessoas a entrar em Ceuta nos últimos dias, e Pedro Sánchez vai visitar o local esta manhã.
Este número, 40 mil, é avançado pelas forças de segurança espanholas. É um número que supera em muito a anterior crise migratória registrada em 2021, quando se estima que entraram em Ceuta cerca de 10 mil pessoas em situação irregular. O caso levou ao colapso dos serviços de acolhimento da cidade. Este movimento em massa dura há já 10 dias, é o que diz a imprensa espanhola. Em Ceuta estão os enviados especiais do Observador, Inês André Figueiredo e João Porfírio. A Inês está agora em direto. Bom dia, Inês, acabaste de chegar. Que cenário é que nos podes descrever?
Bom dia, Carla. Acabamos de chegar a Ceuta. Fizemos a passagem de ferry de Algeciras diretamente aqui para Ceuta. Vimos várias carrinhas da Polícia Nacional nos barcos que vinham para aqui e vários elementos da Guarda Civil. E a chegada aqui a Ceuta é avassaladora. Logo que saímos do porto, vimos um número incontável de pessoas na rua a caminhar, aparentemente sem rumo, pessoas a dormir sentadas no chão, em muros. A imagem que descreve melhor o que estamos a ver é quando termina um grande evento, como um concerto, e há pessoas por todo o lado. Nem sequer é possível ver algumas das estradas. São maioritariamente homens e vêm sem nada, só com as roupas que têm no corpo. Muitos estão descalços, outros de chinelos e de sapatilhas, mas há mesmo muita gente descalça, claramente sem nada, sem bens, sem malas e aparentemente sem destino. E neste momento, a viagem desde o ferry até ao ponto de fronteira entre Marrocos e Espanha, por onde está a entrar mais gente, fizemos de carro, durou cerca de 15 minutos e acabamos de estacionar nesse ponto. Há dezenas de tanques parados na estrada, centenas de pessoas e muita gente a chegar a todo momento. As autoridades estão em cima da areia, só chegar-me aqui um pouco para trás, porque essas autoridades estão a tentar controlar a zona de chegada. E como eu dizia, os polícias que aqui estão, estão a tentar encaminhar as pessoas para que saiam desta praia por onde chegam. O cenário é de pessoas que estão a chegar a todo segundo, muitas com boias, com braçadeiras. Há muita gente a chorar, pessoas que acabam de chegar e que agradecem. Os poucos minutos em que estivemos aqui, já ouvi gente a dizer: "Viva Espanha, I love you, muchas gracias". É o cenário que temos neste momento. São pessoas a chegar, a ajoelhar-se, a rezar no chão e é este cenário que temos para vos descrever neste momento.
Avassalador, como dizias, Inês André Figueiredo, que juntamente com o João Porfírio, acabam de chegar a Ceuta e acabam de registrar estas imagens de pessoas que não param de chegar à praia, vindos a nado, com a roupa no corpo, muitos descalços, a chegar desta forma a Ceuta, quando se espera que hoje mesmo, nas próximas horas, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, se desloque ao local. Ele já disse que está empenhado em dar resposta a esta crise migratória sem precedentes. As estimativas apontam para 40 mil pessoas a entrar em Ceuta só nos últimos dias. Isto significa um aumento de quase 50% da população residente em Ceuta. De acordo com os dados mais recentes, vivem no local 80 mil pessoas. Chegaram nos últimos dias mais 40 mil.
Inês André Figueiredo e João Porfírio em Ceuta. Um trabalho também para ir acompanhando em observador.pt. António José Seguro está preocupado com o impacto que a polêmica em torno de Luís Neves pode ter na Polícia Judiciária. O presidente da República quer salvaguardar a honra das instituições sem pôr em xeque a relação com o primeiro-ministro e deve mesmo falar nos próximos dias.
António José Seguro está em silêncio há duas semanas, mas o Observador sabe que o presidente da República passou os últimos dias a fazer contatos para perceber a real dimensão da polêmica e não terá gostado nada do que ouviu. Seguro poderá reagir de viva voz nos próximos dias e a estratégia já está definida, Rui Casanova.
Vai defender, sobretudo, a importância de preservar a dignidade das instituições, sobretudo da Polícia Judiciária. Uma posição suficientemente forte para sinalizar este desconforto com toda a situação à volta de Luís Neves, mas sem nunca pôr em causa a relação de lealdade institucional com o primeiro-ministro. António José Seguro, isso é certo, não fará com Luís Montenegro o que Marcelo Rebelo de Sousa fez com António Costa, quando, em 2023, exigiu publicamente a demissão de João Galamba. Ora, um dos grandes receios de Seguro neste momento é de que toda esta polêmica possa prejudicar ainda mais a imagem da Polícia Judiciária, e a Comissão Parlamentar de Inquérito, pedida pelo Chega, pode ter esse mesmo efeito. Daí António José Seguro preferir defender neste momento e preservar a dignidade das instituições. De resto, o presidente da República, tal como muitos elementos do núcleo mais próximo de Luís Montenegro, suspeita que as histórias em torno de Luís Neves não ficarão por aqui, algo que pode arrastar o governo e a Polícia Judiciária para um ciclo ainda maior de desgaste político.
Rui Casanova, com as preocupações do presidente da República sobre o caso que envolve o ministro da Administração Interna. Hoje também, esta manhã, reunião da conferência de líderes para decidir se Luís Neves é ou não ouvido numa reunião extraordinária da Comissão Permanente da Assembleia.
Pode ler mais sobre esta notícia no site do Observador. Continuamos a falar deste tema porque o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, nega as críticas feitas por Luís Neves sobre a falta de meios na PJ.
Luís Neves disse, na conferência de imprensa desta semana, que quando chegou à Judiciária, em 2018, encontrou uma instituição profundamente fragilizada, sem meios e instalações dignas. Almeida Rodrigues, diretor nacional da Judiciária que antecedeu Luís Neves, quebra um silêncio de oito anos para repudiar estas declarações. Numa carta a que a Agência Lusa teve acesso, faz uma defesa do mandato e destaca vários investimentos de relevo em plena crise financeira. É o que lembra Almeida Rodrigues, que diz também que estranha as declarações do atual ministro, ao lembrar que, na altura, Luís Neves já fazia parte da direção enquanto líder da Unidade Nacional Contra Terrorismo.
Há um sob escuta especial para uma entrevista com José Luís Carneiro, a ouvir na Rádio Observador já de seguida. Primeiro, ainda há tempo para outras notícias que estão a marcar esta sexta-feira.
Quase mil bombeiros, apoiados por 300 viaturas, combatem a esta hora o incêndio de Vale de Passos. Chegou aos concelhos de Mirandela e Vinhais, no distrito de Bragança. Atenções viradas também para um outro incêndio em Chaves, com uma frente ativa, tem 200 operacionais e 60 viaturas no terreno. Os números de telemóvel, e-mails e moradas do presidente da República, de dois ministros e do líder das secretas estão expostas na internet. A denúncia foi feita por um especialista em cibersegurança ao Centro Nacional de Cibersegurança. A Polícia Judiciária já está a par. A notícia é avançada pelo Expresso. Donald Trump anuncia um acordo para o desarmamento total do Hamas. O presidente norte-americano adianta que o plano será aplicado de forma faseada e que prevê a retirada das forças israelitas da Faixa de Gaza. Na Truth Social, Trump classifica este acordo como histórico.