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As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. Continuam hoje as negociações para o orçamento do Estado do próximo ano. O ministro das Finanças e o ministro dos Assuntos Parlamentares recebem os partidos que compõem o governo, PSD e CDS, mas também o LIVRE, o PCP e o Bloco de Esquerda.

Vão ser recebidos da parte da tarde. Falta apenas a Iniciativa Liberal e o JPP, que serão recebidos amanhã. A primeira ronda de negociações para o orçamento do Estado começou ontem, com o Chega e PS a criticarem as linhas gerais do documento apresentado pelo governo. Miguel Gato.

À saída do encontro, os dois partidos revelaram que o Executivo volta a prever um excedente das contas públicas para o próximo ano, na ordem dos 0,2% do PIB, mas no entender de Chega e Partido Socialista, o governo falha nas medidas de apoio à crise de subida de preços. Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar socialista, diz que os números apresentados pelo Executivo da AD mostram que o governo não tem mais nenhum plano para ajudar os portugueses.

O governo prevê menos crescimento nominal, em particular da receita, o que faz antever que não dispõe de nenhum mecanismo, de nenhum instrumento de apoio às pessoas, em particular para o aumento dos combustíveis e para o aumento do custo do cabaz alimentar, que são hoje duas preocupações centrais dos portugueses.

O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, diz ainda que o governo vai falhar também nas perspectivas de crescimento econômico, que, segundo o Executivo da AD, vão rondar os 2%. Também o Chega deixa críticas ao governo. O líder parlamentar Pedro Pinto critica o Executivo liderado por Luís Montenegro por não querer baixar impostos.

Não baixar, quer o IVA dos combustíveis, quer o IVA do cabaz alimentar, que também já foi dito pelo governo que não irá baixar, é deveras preocupante. Aquilo que percebemos nesta conversa de hoje é que este é um governo que continua a ser insensível aos grandes problemas das pessoas em Portugal. E com um governo insensível, é um orçamento também insensível.

Tanto o Chega como o Partido Socialista levaram a votos na semana passada propostas para a redução do IVA dos combustíveis e para o IVA zero no cabaz alimentar, mas as propostas acabaram por não passar no Parlamento, isto porque o PS chumbou as propostas do Chega e o Chega fez o mesmo. Questionado sobre o assunto, a delegação socialista não explica se vai avançar com as mesmas propostas no âmbito da negociação do orçamento do Estado. Já o partido de André Ventura diz esperar voltar a ser ouvido pelo governo ainda antes da apresentação do documento em outubro.

Miguel Gato, com as primeiras reações às linhas gerais do orçamento do Estado para 2027. Hoje, como dizíamos, o governo recebe os partidos PSD, CDS, LIVRE, PCP e Bloco de Esquerda. Amanhã termina a primeira ronda de negociações com a Iniciativa Liberal e o JPP, sendo que o orçamento tem que ser entregue no Parlamento até o dia 10 de outubro. Na análise, o editor adjunto de política do Observador, Miguel Santos Garrapatoso, diz que José Luís Carneiro errou ao misturar o tema da revisão constitucional com o orçamento do Estado. Sobre o documento para 2027, não espera grandes novidades.

Este orçamento do Estado será, de facto, muito previsível, mas José Luís Carneiro teve esta originalidade de misturar revisão constitucional com orçamento do Estado e agora está muito atrapalhado com o facto de o PSD ter alinhado com o Partido Socialista. E, a meu ver, é uma dedução lógica. Se vocês querem fazer uma revisão constitucional, vocês, Partido Socialista, se essa revisão dura sensivelmente 10 meses, se para vocês é uma condição para viabilizar o orçamento do Estado, então terão de viabilizar o seguinte também.

O editor adjunto de política do Observador, Miguel Santos Garrapatoso, no "E o Vencedor É?", há instantes.

E arranca hoje a primeira edição dos Fóruns do Futuro, da Iniciativa Liberal, com uma sessão dedicada ao tema da saúde. O debate de hoje vai contar com a presença de Adalberto Campos Fernandes.

escolhido pelo presidente da República para coordenar o Pacto Estratégico para a Saúde. O antigo ministro da Saúde do PS será o primeiro convidado a intervir nesta iniciativa organizada pela IL. À Lusa, o líder parlamentar dos liberais, Mário Amorim Lopes, realça que, apesar de socialista, Adalberto Campos Fernandes não tem amarras ideológicas.

Nós convidamos, no caso, Adalberto Campos Fernandes, porque foi ministro do Partido Socialista, é do Partido Socialista, ou seja, não é da nossa área política, e apesar disso, concorda, e está na sua tese do doutoramento, que o sistema de saúde deve contar com a ajuda do setor público, mas também do setor privado, do setor social. Ou seja, mostra como é que dentro do Partido Socialista, e portanto, numa área que não é a nossa, existe gente que não tem amarras ideológicas e que consegue olhar para a saúde, não como um campo de batalha ideológico, mas de uma forma pragmática.

O líder da bancada parlamentar da Iniciativa Liberal explica que o objetivo é contribuir para a reforma do setor da saúde. Prevê também que estes fóruns sejam realizados de três em três meses. A iniciativa pretende abrir o debate à sociedade civil, começa às 16h e termina às 19h30 com a intervenção da presidente do partido, Mariana Leitão.

Destaque agora para o caso Mari Carmen, em Espanha, a idosa de 87 anos que se tornou o rosto das manifestações contra a crise na habitação, vai poder voltar à casa. O fundo proprietário do apartamento recuou na decisão do despejo.

O acordo foi alcançado ontem, depois de uma negociação mediada pela Câmara de Madrid, foi acordado um novo contrato de arrendamento. Falta a própria Mari Carmen dar luz verde. O governo do PSOE garante que está a trabalhar em contrarrelógio para evitar mais casos como este e hoje vai aprovar um decreto para dar resposta à crise na habitação. Na análise, o colunista do Observador, Gonçalo d'Orteia Sevada, questiona o momento escolhido pelo governo do PSOE para anunciar estas medidas.

Há um evidente aproveitamento político, parece-me a mim, pelo menos, por parte do governo de Pedro Sánchez, para utilizar este caso de Mari Carmen como uma espécie de alegada superioridade moral na defesa dos mais indefesos, dos mais desprotegidos, etc. E isso não é verdade, porque o ponto é que Pedro Sánchez está no poder há oito anos. Nos primeiros quatro tinha uma maioria de esquerda, na altura com o Podemos, que podia ter perfeitamente alterado essas leis. Não o fez.

Análise do colunista do Observador, Gonçalo Dorteia Sevada. Na história do dia de hoje, este caso gerou uma forte mobilização social e institucional em Espanha. Levou a protestos de rua com centenas de pessoas a acampar em Madrid nos últimos cinco dias.

Este vai ser o tema do Explicador, já a seguir, com Gonçalo Lage, do PSI, e Marina Gonçalves, do PS. Depois de cerca de três anos de litígio, a FlixBus começou esta manhã a operar no terminal rodoviário de Sete Rios, em Lisboa, mas o conflito com a Rede Expressos, gestora da infraestrutura, mantém-se.

Mantém-se, arrasta-se já desde 2023 e a entrada da empresa alemã em Sete Rios acontece agora na sequência de uma decisão judicial. O diretor das operações da FlixBus em Portugal, Tiago Cavaco Alves, fala numa medida importante para a concorrência no setor.

Com a entrada da FlixBus no terminal Sete Rios, acontece fundamentalmente uma coisa: Lisboa deixa de estar nesta espécie de lista negra de cidades portuguesas onde não existe uma verdadeira concorrência e um acesso equitativo e não discriminatório aos terminais e, no caso de Lisboa, ao principal terminal rodoviário do país.

A empresa vai também continuar a contestar a forma como é distribuída a capacidade do terminal de Sete Rios. Nesta fase, a FlixBus vai atuar em 23 horários. É um número que, segundo Tiago Cavaco Alves, é insuficiente. A ideia é aumentar a oferta em breve.

São agora 9:09. Carla, já a seguir o Explicador sobre o caso Mari Carmen, em Espanha. Primeiro, que outras notícias marcam a atualidade.

Os quatro suspeitos do homicídio de um homem com uma arma de fogo no bairro da Serafina, em Lisboa, ficaram em prisão preventiva. É o que indica a Procuradoria-Geral Regional de Lisboa, depois da conclusão do primeiro interrogatório judicial. Entre os suspeitos, todos familiares, estão dois irmãos com 19 e 25 anos, a mãe de 49 e o pai com 54, em causa terão estado conflitos anteriores relacionados com o tráfico de droga. O número de crimes de ofensas corporais e de armas nas escolas foi maior nos últimos cinco anos. De acordo com a PSP, foram detetadas 60 armas nas escolas no último ano letivo. A informação é revelada pela PSP, que alerta também que aumentou o número de ofensas sexuais e o tráfico de droga nos estabelecimentos escolares. Oito distritos de Portugal continental estão hoje sob aviso amarelo por causa da chuva. Amanhã o número sobe para nove, é o que indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que prevê uma semana de chuva e de vento. Os escândalos de uma revolucionária é o novo podcast Plural do Observador. O terceiro episódio já está disponível.

E narra a história da filha única do último diretor da PIDE, Fernando Silva Pais. Em 1965, Ani, como era conhecida, abandonou tudo, incluindo o marido diplomata, para se juntar à revolução cubana.

Apesar da distância, nunca perdeu o contacto com a família, sempre foi muito próxima do pai, mas a relação com a mãe era consideravelmente mais complicada.

Armanda e Ani não se veem desde que a filha deixou Portugal para rumar a Cuba com Ramon. Estão cheias de saudades. Trocam abraços e sorrisos e choram agarradas uma à outra. Depois destes minutos iniciais, a convivência entre as duas só vai piorar. Ani chega ao aeroporto com Milo Gonzaga, a embaixatriz portuguesa em Havana. A mãe vai ficar instalada na residência dos embaixadores e não em casa da filha. O apartamento é pequeno e a relação entre ambas nunca foi perfeita. E, além disso, está decidido em nível superior.

"Aqui o papá não manda nada" é o título do terceiro episódio do novo podcast Plural do Observador, que já está disponível.

Se for assinante Standard ou Premium, já sabe que tem acesso antecipado à série completa. Esta série é narrada pela atriz Bárbara Branco, conta com música original de Frankie Chaves. A investigação e os guiões são da jornalista do Observador, a Inês André Figueiredo.