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Começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom apareceu. Impressionante.

Apareceu, Maria João. Apareceu. Deus seja louvado, apareceu.

Milagre.

Milagre. O bom, o aparecido, é João Galamba, que finalmente deu sinais de vida ao Parlamento.

Bastou falares dele aqui, não foi?

Não, eu diria que bastou a Ana Suspiro escrever um artigo sobre ele no Observador. Nós também falámos sobre isso na semana passada. Os deputados da Comissão de Economia e Obras Públicas andaram cinco meses à espera que o ex-ministro respondesse a seis singelas perguntas sobre a privatização da ANA. Primeiro foi marcada uma audição presencial, depois de dificuldades em concretizar isso, João Galamba disse que só respondia por escrito. Mesmo assim, o tempo passou e nada. E na última quarta-feira, o Observador publicou um artigo a explicar que isto estava a acontecer e a explicar que o presidente da Comissão de Economia e Obras Públicas já estava em desespero, já tinha arrancado cabelos à procura de uma solução para isto. E o que é que aconteceu? Então não é que, no dia seguinte à publicação desse artigo, João Galamba finalmente respondeu? Ou é milagre ou é magia. Eu não vejo uma terceira possibilidade para isto. Ainda por cima, pelos vistos, não custou nada. As seis perguntas transformaram-se em cinco, porque numa delas o ex-ministro remeteu para a resposta anterior e resolveu o assunto assim, por isso só precisou de dar cinco respostas a seis perguntas. Também é magia, também é milagre, é o milagre da desmultiplicação das respostas, sendo que aqui, por acaso, fazia todo sentido ele não, porque aquilo era um desdobramento, portanto, até esteve muito bem João Galamba. Eu estou só aqui a entusiar-me. Mas então, está reposta a normalidade das instituições democráticas.

Está reposta, queres tu dizer.

Está reposta e podemos todos dormir mais descansados, porque o regime está sólido.

Mas, Miguel, eu acho que isto é claro caso de esquecimento. E quando vi o artigo no Observador: "Ixe, é verdade, esqueci-me de enviar o e-mail para responder ao Parlamento."

Tu queres me ver que eu não respondi a isto. Eu acho que pode ser isso.

Então e quem é o teu mau?

Olha, é Pedro Nuno Santos, que está a ter dificuldades em convencer mesmo os mais próximos da sua nova posição sobre a imigração. Ontem, Alexandra Leitão, que segundo o próprio líder, é a pessoa mais importante do partido depois dele e do presidente do PS, esteve em dois programas de televisão. O primeiro foi o "Isto É Gozar Com Quem Trabalha", onde, já agora, deixa-me dizer, Alexandra Leitão esteve muito bem, ela tem mesmo muita graça. De facto, a candidata à Câmara de Lisboa tem um sentido de humor incrível, conseguiu deixar as pessoas perdidas de riso, aquilo botava toda a gente à gargalhada. Nós quando vamos a programas diferentes temos que nos saber adaptar. E quem aceita ir ao Ricardo Araújo Pereira sabe que tem que pelo menos tentar ter graça e não só tentou, como conseguiu. Foi fantástico.

Ainda te estás a rir. Eu vi.

Acordou com um sorriso na cara.

Para quem não viu, eu recomendo que vá ver, se quiser ter um dia mais animado. Depois Alexandra Leitão esteve no habitual "Princípio da Incerteza", na CNN, onde é comentadora residente. E aí tentou defender também Pedro Nuno Santos, mas afirmou também isto sobre o facto de o líder do PS ter dito que os imigrantes têm de respeitar a nossa cultura. Vou citá-la: "Claro que quando se fala em cultura de uma forma mais genérica e sem densificação com exemplos, pode haver quem entenda que se está a abrir a porta a um conjunto de coisas que são discutíveis. Mas mais uma vez, é um assunto que tem que ser discutido com cuidado para não cairmos nos simplismos e nos populismos." Pedro Nuno Santos esforça-se, mas depois não consegue densificar conceitos e cria equívocos que levam a simplismos e populismos. Alexandra Leitão tem que estar sempre ali do lado de Pedro Nuno Santos para se certificar de que ele densifica aquilo que diz, porque senão é tudo muito levezinho. E eu acho que Pedro Nuno Santos tem que trabalhar muito para convencer o PS.

Pois, até porque olhando para essa defesa feita ontem por Alexandra Leitão, confesso que já vi críticas e ataques mais grandes do que esta defesa, mais eficazes.

Pois. É possível. Admito que não tenha sido assim uma coisa, do ponto de vista de Pedro Nuno Santos, muito tranquilizadora.

Miguel, o teu vilão é um partido com problemas de coerência.

Ainda bem que usas o plural, Maria João, porque de facto não é só um, o vilão é o Bloco de Esquerda. Hoje e amanhã o partido organiza as suas jornadas parlamentares em Coimbra e vai discutir dois temas, e são os dois certeiros: Namusch Um dos temas é a crise da habitação e ao ouvir isto, toda a gente se lembrará do ex-vereador Ricardo Robles, que nos dava lições de moral sobre os problemas da habitação ao mesmo tempo que ganhava dinheiro com aquilo que o partido diz ser especulação imobiliária. E o segundo tema, muito atual, é o dos direitos laborais dos trabalhadores por turnos. E ao ouvir falar em direitos laborais, toda a gente se lembrará que na semana passada se descobriu que o partido dispensou trabalhadoras que estavam ainda a amamentar. E quando o líder parlamentar do Bloco afirmar, como fez por estes dias ao anunciar as jornadas parlamentares, que há trabalhadores, vou citar: "Com dificuldade em conciliar a sua vida profissional com a sua vida privada", penso que as pessoas também se lembrarão que o partido assumiu há dias que contactou uma trabalhadora que estava em licença de maternidade. Eu acho que esta semana, em vez de estar a fazer umas jornadas parlamentares, teria sido preferível o Bloco fechar-se numa sala e não sair de lá.

Provavelmente o tema já estava escolhido.

Claro, hotéis estavam marcados, o catering também estava todo tratado, o vestido de noiva, a banda, estava tudo marcado para as jornadas parlamentares. Não deu para cancelar, eu percebo, mas de facto, é azar.

Vamos ao resumo. O bom desta segunda-feira é João Galamba, o mau é Pedro Nuno Santos e o vilão de hoje é o Bloco de Esquerda. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro.