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Começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão. Olá, Miguel Pinheiro. Bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom criticou Donald Trump.
Sim, André Ventura. Este fim de semana, o líder do Chega criticou o presidente americano por causa das consequências da guerra no Irão. Ele foi bastante claro. Eu vou citá-lo: "Acho que o presidente Trump cometeu muitos erros no último mês." E disse mais: "Não é muito justo que um país inicie uma guerra e os outros tenham de arcar com os custos dessa guerra." E mais ainda: "Gostava que a guerra não existisse, especialmente para Portugal, Espanha, França e Itália. Estamos a pagar mais do que os Estados Unidos pelo custo desta guerra." É importante para André Ventura dizer isto, e foi ainda mais importante ele ter dito isto num encontro internacional, porque as declarações do líder do Chega foram feitas numa iniciativa da Fundação Patriots for Europe, que decorreu na Ericeira, juntou aqui vários partidos europeus da direita radical, e André Ventura percebeu que não está a concorrer a eleições nos Estados Unidos, está a concorrer a eleições em Portugal. E por isso, ao contrário, por exemplo, de José Luís Carneiro, já lá vamos, André Ventura não está a ficar refém de um líder político estrangeiro.
Sem dúvida. Até para se desligar um bocadinho daquele facto de ter ido à tomada de posse ou ter dito que tinha ido à tomada de posse.
Sim, ter passado, ter estado na rua durante a tomada de posse. Acho que foi mais ou menos isso.
Exatamente.
Pois.
Quem é o teu mau, Miguel?
O mau é a esquerda radical. Desde o fim da geringonça, os partidos à esquerda do PS ficaram ligados à máquina, sem a capacidade de arranjarem propostas novas ou líderes entusiasmantes. E perante essa demonstração de ineficácia e de incompetência, é natural que as coisas mexam. E por isso temos agora dois novos partidos. O Trabalhadores Unidos é liderado por Renata Câmara, que se tornou mais ou menos conhecida quando foi candidata do movimento Alternativa Socialista, o MAS, nas legislativas de 2022. Já o Vamos: Democracia Solidária tem dissidentes do PS, do Bloco e do Livre, de que ninguém ouviu falar. Quer dizer que eles não vão de lado nenhum, mas tudo bem, claro, com certeza, força. As pessoas que estão por trás destes novos partidos dizem que está a acontecer à esquerda o mesmo tipo de reorganização que aconteceu à direita em 2019, ou seja, acham que são o Chega e a Iniciativa Liberal da esquerda, e eu percebo que eles queiram ser isso, mas ainda não se vê à esquerda o mesmo talento político que se viu à direita, por isso ainda têm de mostrar muita coisa.
Calma, Miguel, estão agora a começar.
Com certeza, Paulo, e o caminho faz-se andando.
Exatamente.
Claro, não tenho dúvida nenhuma de que vai correr muito bem.
Enquanto houver quilómetro da banda.
Ora, já cá faltava. É isso mesmo.
Miguel, o teu vilão é José Luís Carneiro.
É, o líder do PS decidiu falar sobre habitação e andou de demagogia em demagogia. Primeira demagogia: criticou o novo regime do arrendamento urbano, disse que a legislação tem medidas desumanas e jurou ter recebido várias mensagens de pessoas que vivem nas cidades com medo de que possam vir a ser despejadas. E talvez José Luís Carneiro pudesse explicar a essas pessoas que legitimamente, pelos vistos, estão assustadas, e ao país também, que a nova lei decreta expressamente que só pode haver mudanças nos contratos de pessoas com mais de 65 anos, se elas aceitarem isso. Estão lá exceções para pessoas com mais de 65 anos, pessoas penso que é com mais de 50% de incapacidades, pessoas com rendimentos abaixo de um determinado valor. Enfim, talvez José Luís Carneiro pudesse explicar isso. Segunda demagogia: o líder do PS usou como espantalho o caso de Mari Carmen, a idosa de 87 anos que foi esta semana despejada em Madrid. Segundo José Luís Carneiro, o que aconteceu em Madrid foi resultado da liberalização das rendas levada a cabo, preparem-se, por quem? Pelo governo espanhol do PP. Isto é anedota. O Partido Socialista Espanhol está no poder há oito anos. Nesses oito anos não mudou a lei, mas a culpa, pelos vistos, é do PP. Aliás, os manifestantes em Madrid têm um discurso, obviamente, contra o governo do PSOE, como não podia deixar de ser. A própria Mari Carmen responsabiliza Pedro Sánchez, mas José Luís Carneiro acha que isto foi o Partido Popular, foi a direita que fez isto. Ao contrário de Ventura, que se afastou de Trump, cá está Carneiro a colar-se outra vez a Sánchez. Eu não sei se vocês lembram. O Paulo lembra-se.
Então.
Porque o Paulo é uma pessoa já mais idosa. Lembras-te que em 1900, como eu, em 1982 saiu uma música de Lena d'Água que tinha como refrão: "Demagogia feita à maneira é como queijo numa ratoeira."
Nós a pensar que ias cantar.
Perfeitamente.
Desculpem. Não quis ofuscar o Paulo. Porque era Paulo.
Não, era mesmo isso. Era demagogia feita à maneira, é como queijo numa ratoeira.
Mas não queres dar isso com mais ritmo?
Estava bom assim, acho eu.
Bem, pronto, pelo menos a mensagem passou.
Não vamos espantar os ouvintes.
É segunda-feira.
Ó Paulo, eu já te ouvi cantar, não estejas modesto. Eu já te ouvi cantar.
E por música.
Naquelas sessões de karaoke que fazemos.
Claro. Mas então, aqui o que temos é a demagogia feita à maneira de José Luís Carneiro. Já se percebeu que isto vai estar completamente sem limites. Isto não bate muito certo com a imagem que José Luís Carneiro tem vindo a construir na sua carreira política, mas enfim, é o que há. Quando chega a hora da verdade, a demagogia dá sempre jeito.
E o tema da habitação, sobretudo para assustar pessoas, é muito perverso.
Dá muito jeito, é muito fácil.
Pois dá jeito.
É muito fácil.
É a falsa demagogia.
Ficamos a saber qual é o caminho escolhido por José Luís Carneiro e pela atual liderança do PS.
Vamos ao resumo. O bom desta segunda-feira, André Ventura, o mau é a esquerda radical e o vilão de hoje é José Luís Carneiro. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e que também pode ouvir em podcast.