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Arranca agora mais uma edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Bom dia, Miguel Pinheiro.

Bom dia, Maria João.

Bom dia. Quem é o bom de hoje?

O bom de hoje é Fernando Araújo, o novo CEO do Serviço Nacional de Saúde. Ontem Fernando Araújo fez três coisas a que não estamos muito habituados. A primeira coisa que fez foi decidir. No SNS, decidir já é uma coisa extraordinária. A direção do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, tinha terminado o seu mandato no final do ano passado e estava há quase 12 meses à espera que o Ministério da Saúde decidisse se os mantinha ou se os substituía. Vá lá, 12 meses. Ontem, aliás, já foi anunciado que muito em breve vão ser tomadas decisões sobre as administrações que estão igualmente paralisadas em mais 11 hospitais, e portanto, há já alguém a decidir. A segunda coisa pouco habitual que Fernando Araújo fez foi romper. Em vez de manter a administração do Santa Maria só porque sim, mudou-a. E aqui entra a terceira coisa extraordinária: é que o novo CEO do SNS escolheu para presidente do Santa Maria uma militante do PSD que foi vice-presidente de Rui Rio. Ou seja, não foi verificar se a escolhida tinha um cartão do partido do governo, não foi verificar se a escolhida tinha sido simpática ou antipática para o PS nos últimos anos, escolheu a pessoa que lhe parecia melhor, simplesmente. E no estado em que nós estamos, isto já é uma coisa incrível.

Sem dúvida. É de facto de tirar o chapéu a isto tudo. Não só não foi verificar se tinha cartão, como vendo que tinha cartão de outro partido, o nomeou. É fantástico, de facto.

É verdade. Atenção, só aqui para ficar claro. Isto funciona vice-versa. Se estivéssemos com o governo PSD, escolher alguém competente do PS ou, atenção, até poderemos chegar a um momento extraordinário em que possa ser alguém sem cartão partidário. Já viste, Paulo?

Isso é loucura.

Já viste? O dia em que as pessoas possam ser escolhidas para uma coisa do Estado, mesmo sem terem nenhum cartão partidário. Seria um sonho.

Então e quem é o mau?

O mau é Augusto Santos Silva. Ontem o presidente do Parlamento e eventual candidato a presidente da República pelo PS decidiu falar à Rádio Universidade de Coimbra sobre uma das propostas do PSD para a revisão constitucional. A proposta para a descida da idade de voto para os 16 anos. E eu não vou aqui agora discutir se isso seria bom ou mau, acho que vamos ter tempo para isso. A mim o que me interessou foi ver a forma como Augusto Santos Silva emitiu a sua opinião, porque o presidente do Parlamento disse que está contra a proposta porque ela é, nas palavras dele, paternalista. E eu achei divertido, porque Santos Silva, que usou este argumento do paternalismo, portanto, ele odeia paternalismos, mas depois, de repente, começou a falar com diminutivos. Eu achei aquilo uma coisa até um bocadinho estranha. Ele caricaturou. Eu sabia que quando fosse dizer caricaturou ia enganar. Mas pronto, ele caricaturou a posição, coitadinho de mim. Ele caricaturou a posição do PSD dizendo que o pensamento por trás da proposta é: "Ai, eles não votam, coitadinhos. Vamos baixar a idade da votação para ver se votam mais." Depois argumentou que a participação política dos jovens não é incentivada quando temos disciplinas onde as criancinhas são obrigadas a decorar a diferença entre as Câmaras e as Assembleias Municipais, em vez de aprenderem a importância do debate. E depois usou ainda esta frase, vou citá-lo: "Isto não são os paizinhos a tratar de vocês. Vocês é que têm que agir." Portanto, coitadinhos, criancinhas, paizinhos. Eu acho que já se percebeu qual é a forma como Augusto Santos Silva olha para os jovens de 16 anos. Não são seis anos, nem seis meses, senhor ministro, são 16 anos. Eu a dada altura só achei estranho é que a meio da entrevista Augusto Santos Silva não tenha decidido começar todas as respostas com gu gu, dá dá, ou com o queridinho do papá. Eu vou responder, ó queridinho do papá, vou já responder. Está bem? Quer leitinho? Quer? Mais um bocadinho? Enfim, isto foi... Olha, sabes o que eu te digo, Maria João, Paulo? O que eu vos digo é: meus meninos, o que eu vos digo é: Augustinho Santos Silva à presidência. É o slogan para os próximos anos.

Amigo meu, não sejas mauzinho, vá lá.

Isto será uma anedota, mas agora já estamos um bocadinho atrasados. É como o Júlio, lembra-me noutro dia.

Fica para outro dia. Então vamos ao vilão.

Vou começar a campanha.

Está bem, combinado.

Vamos ao vilão. O vilão é a TAP. Nós já sabíamos que amanhã e na sexta-feira há uma grevezinha dos tripulantes de cabine.

Oi? Como é?

Uma grevezinha. São dois dias, e eles são jovens também, que levou ao cancelamento de 360 voos e agora ficamos a saber que até o fim de janeiro, portanto, no período que inclui o Natal e a passagem de ano, a companhia vai ter mais cinco dias de greve. De um lado, a administração da empresa diz que está disponível para negociar, do outro lado, o sindicato diz que as suas reivindicações não são ouvidas. Nenhum de nós está lá dentro, portanto, não sabemos. O que sabemos é que a TAP já entrou no ciclo infernal das empresas públicas. Temos administrações e sindicatos incapazes de dialogar sem soluções extremas, reuniões de trabalhadores em fúria com o facto de supostamente não serem ouvidos, greves atrás de greves. Portanto, a TAP já está no caminho que a pode levar ao ponto em que se encontra a minha sóflusa Transtejo, que está permanentemente a parar os barcos que fazem a travessia do Tejo e por isso, quanto mais depressa a TAP for privatizada, melhor, porque isto só vai piorar.

Vamos então ao resumo de hoje. O bom desta quarta-feira é Fernando Araújo, o mau Augusto Santos Silva e o vilão de hoje é a TAP. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast.