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Começa agora o Bom, o Mau e o Vilão das Manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Quem é o bom de hoje, Miguel?

O bom de hoje é a empresa espanhola de comboios, a Renfe. Segundo o Público, a Renfe está a preparar a entrada em Portugal e quer explorar as linhas de comboio mais rentáveis, claro, nomeadamente entre Lisboa e Porto, já a partir de 2027. É uma ótima notícia, porque isto quer dizer que finalmente a CP vai ter concorrência. A partir do momento em que isso acontecer, a CP poderá continuar a ter dois meses inteirinhos de greves, como aconteceu este verão, porque os utentes terão uma alternativa. E quando fizer greves, a CP poderá continuar a demorar um tempo infinito a fazer a devolução do dinheiro dos bilhetes, como também aconteceu este verão, porque os utentes terão uma alternativa e perceberão o que é que devem fazer em ocasiões futuras. Esta é uma boa notícia para os utentes de comboios, mas na verdade, também é uma boa notícia para a CP. A concorrência é a única salvação para uma empresa que deixou de se preocupar com as pessoas que precisam dos comboios para fazerem a sua vida. Só mesmo com concorrência é que a CP lá vai.

Olha, Miguel, eu acho que esta é mesmo das melhores notícias que eu li nas últimas semanas.

É verdade. Vamos ver agora, Paulo, se não arranjamos aqui alguma coisa que permita adiar a concorrência. Não sei.

Adiar, atrasar, essas coisas, claro.

Os governos são tão imaginativos. Acho que os utentes de comboios devem estar muito atentos para exigirem que o governo não impeça, de forma nenhuma. Eu já estou mesmo a ver aqueles argumentos: "Vêm aí os espanhóis, temos que proteger os centros de decisão nacionais, temos que proteger as empresas nacionais." Eu já estou mesmo a ver a conversa.

Vamos ao mau então, Miguel.

O mau é Mário Centeno. Algumas notícias recentes vão dando a entender que o ex-ministro das Finanças só quer fazer um mandato como governador do Banco de Portugal e que até tem planos políticos para depois disso. O Expresso escreveu que Mário Centeno juntou 130 pessoas num restaurante para assinalar a passagem de três anos desde que deixou o governo, e o Sol escreveu este fim de semana que há quem olhe no PS para Mário Centeno como possível candidato à Presidência da República. E pelos vistos, Centeno continua a não ter a noção das responsabilidades dos cargos que assume. Quando era Ministro das Finanças, tinha a ambição de ser Governador do Banco de Portugal, e agora que é Governador do Banco de Portugal, tem a ambição, pelos vistos, de fazer política. Ao fazer isso, em cada um desses momentos, põe em causa a independência dos cargos que ocupa e dos cargos que quer vir a ocupar. Por isso, Mário Centeno devia desmentir publicamente os rumores sobre estas suas ambições. Agora, se calhar, não é possível desmentir.

Se esses rumores tiverem uma boa sustentação, é melhor não desmenti-los, sob pena do futuro o desmentir a ele próprio.

É isso. Já ao ficar em silêncio. Mas enfim, o silêncio é muito educativo, de facto.

Miguel, só fica a faltar o vilão.

O vilão é a Ministra da Defesa. Este fim de semana a Helena Carreiras decidiu comentar os números que mostram uma fuga de militares das nossas Forças Armadas, onde há menos 8 mil pessoas do que seria suposto, segundo uma notícia do Expresso. E a ministra disse-nos duas coisas para explicar o que se está a passar. A primeira coisa que nos disse é que nós somos ótimos. Como as nossas Forças Armadas dão a melhor formação do mundo aos seus militares, eles são profissionais muito qualificados e, portanto, recebem propostas de trabalho irresistíveis. Isto foi a primeira coisa: somos ótimos. A segunda coisa que a ministra nos disse é que somos péssimos, porque segundo Helena Carreiras, só foi possível estancar a saída de pessoas quando pudemos usar medidas excepcionais durante a Covid-19. Ou seja, nós só conseguimos impedir a saída em massa de militares se o Estado tiver os poderes excepcionais que lhe são conferidos durante uma pandemia que mandou o planeta inteiro para casa. E nós, depois de termos a saúde sem médicos e a educação sem professores, temos agora as Forças Armadas sem militares. Enfim, é só mais um. Não é nada que preocupe especialmente o governo.

Vamos então ao resumo. O bom desta segunda-feira é a empresa espanhola de comboios, a Renfe, o mau é Mário Centeno e o vilão é a Ministra da Defesa, Helena Carreiras. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast.