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Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Quem é o bom deste 16º dia de junho?
Ora essa, está.
Lá está. Já cá faltava, não é?
Vamos a isto. Mas o bom de hoje, para simplificar, é Montesquieu, que 265 anos depois da sua morte, consegue finalmente entrar nesta rúbrica. Ontem, Mariana Mortágua teve a dúbia distinção de protagonizar mais um exercício de malabarismo do Bloco de Esquerda. Nós já sabíamos que o Bloco tem o hábito de, por exemplo, aprovar os orçamentos do PS para depois passar o ano inteiro a dizer mal deles e ontem teve um comportamento semelhante. O Bloco revelou que é convictamente contra a ida de Mário Centeno para o Banco de Portugal, mas que com a mesma convicção, vai ajudar a que isso aconteça. E o argumento de Mariana Mortágua é este: segundo ela, não há qualquer incompatibilidade, nem conflito de interesses, neste caso, da ida de Mário Centeno ao Banco de Portugal, porque ele sai de um cargo público, de ministro das Finanças, para outro cargo público, o de Governador do Banco de Portugal. E para o Bloco, como ambos os cargos têm a obrigação de defender o interesse público, não é possível, de maneira nenhuma, haver qualquer conflito de interesses. A frase de Mariana Mortágua é esta, vou citar: "Não existe conflito de interesses entre quem defende o interesse público, independentemente do lugar que ocupa." Para o Bloco, no mundo só há conflitos de interesses entre o público e o privado. E eu acho que é uma tese interessante e nós podíamos, por exemplo, aplicá-la à Justiça, que é toda ela pública. A mesma pessoa pode ser polícia, pode ser procurador do Ministério Público e pode assim ser juiz, porque afinal, em qualquer um desses cargos está sempre a defender o interesse público. E até há mais, essa pessoa podia também, já agora, acumular esses três cargos com o de primeiro-ministro, por que não? Porque obviamente, também o primeiro-ministro, sendo um cargo público, só se preocupa com esse sacrossanto interesse público. E é aqui que entra Montesquieu, que há quase 300 anos escreveu umas coisinhas a explicar a importância da separação de poderes. Eu sei que Montesquieu também não é propriamente um Karl Marx, mas talvez o Bloco ganhasse alguma coisa em ler o que ele escreveu.
Pois é.
É ou não é?
Não precisamos de Tribunal Constitucional. Há coisas que me deixam sem palavras, Miguel.
Pensei que o Baltar ia ficar só: "Ah, pois é."
Não, para mim está ótimo.
Para mim também.
Continua.
Para mim também. Vamos ao mau.
O mau é António Costa, que dedicou o seu dia de ontem a defender com todo o empenho a ida de Mário Centeno para o Banco de Portugal. O primeiro-ministro tentou ainda dar algum verniz democrático ao processo de decisão, dizendo que primeiro ia ouvir os partidos, depois ia ouvir o seu novo ministro das Finanças, portanto, é um homem que ouve, mas depois, no fim, deixou escapar a verdade quando disse esta frase: "Eu depois decido e comunico." Portanto, quem manda, decide e depois comunica. E nós obedecemos e aceitamos. Em Portugal é mesmo assim.
E sem conflito de interesses, como é evidente.
Nunca, jamais, em tempo algum.
Vamos ao vilão, é só o que falta.
O vilão de hoje é Rui Rio. O líder do PSD não gostou nada de ser criticado por Marques Mendes no domingo à noite na SIC e por isso ontem partilhou um vídeo feito por um anônimo, onde Marques Mendes é acusado basicamente de ter defendido que o BES era sólido pouco antes de o banco ir ao charco. Rui Rio devia perceber de uma vez por todas que quando um líder político ataca com esta violência um comentador e faz isso só porque não gostou do que ele disse na televisão, está apenas a mostrar publicamente que não tem a menor capacidade de ouvir críticas. E mostra também que está mais preocupado com essas críticas que lhe fazem do que em resolver os problemas do país.
Vamos ao resumo de hoje. O bom é Montesquieu, o mau António Costa e o vilão desta terça-feira é Rui Rio, foram as escolhas do Miguel Pinheiro na edição de hoje de O Bom, o Mau e o Vilão.
Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.