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Está no ar o "O Bom, o Mau e o Vilão", sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o bom de hoje, Miguel?
O bom de hoje é o Diretor Nacional da PSP. Depois de 44 polícias que pertenciam ao mesmo grupo operacional do corpo de intervenção terem pedido baixa em simultâneo no passado domingo, antes de um jogo de futebol. Depois disso, Barros Correia tomou a única decisão que lhe permitiria manter a autoridade: extinguiu imediatamente esse grupo operacional e enquanto decorre o inquérito, já distribuiu os homens pelos restantes grupos. A PSP lembrou que o corpo de intervenção é uma força de reserva à ordem do Diretor Nacional da PSP, que está especialmente preparada pra ser utilizada em ações de manutenção e reposição da ordem pública e pra combate a situações de violência concertada, e que por isso, quem integra este grupo tem deveres especiais. Entre esses deveres especiais está, obviamente, já agora, não haver várias dezenas de agentes a pedirem baixa ao mesmo tempo só pra poderem pressionar o poder político.
Pois, e nestas coisas convém atalhar caminho logo, como é evidente. Independentemente dos inquéritos e já agora de perceber destas 44 baixas, quais são as legítimas, se são todas legítimas ou não, que é importante ver isso também.
Claro, atenção, nós estamos aqui a dizer isto, mas naturalmente que assim à partida eu estou a ver muitas razões para 44 agentes entrarem de baixa ao mesmo tempo, como é evidente.
Claro.
Há muitos motivos legítimos e, portanto, há um alto grau de probabilidade de não haver aqui nada de especial. Mas olha, num simples não, vai cada um pra seu lado.
Claro.
Vai cada um pra seu lado, isto também não é propriamente a turma da primária que tem que estar todos sempre juntinhos.
Claro, obviamente.
Vai cada um pra seu lado.
Obviamente.
Então, o bom é o Diretor Nacional da PSP, Barros Correia. E quem é o mau?
O mau é o Bloco de Esquerda. O Tribunal Constitucional acaba de recusar uma alteração aos estatutos do partido sobre a sanção a aplicar a militantes que concorram a eleições por outro partido. Estas regras tinham sido aprovadas no Congresso do Bloco de Maio do ano passado. Agora o tribunal considerou inadmissível que os estatutos não prevejam prazos pra um processo que pode levar, no final, à expulsão de um militante. E este é realmente um dos mistérios da política portuguesa, como é que vários partidos nem sequer conseguem arranjar estatutos que cumpram as obrigações constitucionais. Não devia ser assim tão difícil.
É verdade. Sim, mas depois isto também acaba por explicar um bocadinho porque é que muitas leis são tão mal feitas.
Ora nem mais, Paulo.
Pronto, começa logo mal.
Cá estás tu sempre pronto a deprimir o povo logo pela manhã.
Conta sempre com o Paulo.
Sempre, Paulo. A alegria da festa.
Exato, aquele incentivo que falta todos os dias de manhã.
É isso.
Ai, ai. Vamos ao vilão.
Vamos, até porque são dois. Hoje há brinde.
Atrevado.
O vilão são Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro. Ambos recusaram fazer debates. Primeiro foi o líder do PS. Em relação aos debates na rádio, que este ano são organizados pela Antena Um, pela Rádio Renascença, pela TSF e também por nós, aqui da Rádio Observador. Em relação a isso, Pedro Nuno Santos aceitou o debate a oito, está fechado, dia 26, mas recusou o frente a frente com Luís Montenegro. É já uma tradição as rádios organizarem também um debate entre os líderes dos dois principais partidos. Pedro Nuno Santos disse que não. Ontem, vários comentadores estavam a lembrar que Pedro Nuno Santos já tinha recusado um debate com José Luís Carneiro nas eleições internas do PS e estavam a perguntar: "Afinal, de que é que ele tem medo pra recusar estes frente a frente?" Isto era o que estava a passar ontem, a meio do dia. E precisamente nesse momento, Luís Montenegro anunciou que pretendia mandar Nuno Melo no seu lugar pra os debates com os líderes do PCP e do Livre. Napoleão tinha uma máxima interessante, ele dizia: "Nunca interrompas o teu adversário quando ele estiver a cometer um erro." Pois bem, então não é que ontem Montenegro interrompeu Pedro Nuno Santos precisamente quando ele estava a cometer o erro de não aceitar um frente a frente e, claro, passou a ser ele o alvo de todas as críticas, toda a gente se esqueceu de Pedro Nuno Santos. Eu acho que o líder do PSD podia aprender assim umas coisas com Napoleão. Não digo propriamente invadir a Rússia, mas aprender assim só duas ou três coisas pra não cometer erros desnecessários.
Sem dúvida. Como é que se comete este erro? Enfim.
Não entendo o que é que lhe passou pela cabeça. Não consigo perceber, porque ainda por cima Luís Montenegro precisa de debates, precisa de aparecer. Apesar de tudo, não é assim uma figura tão conhecida no país. De resto, uma sondagem recente publicada ontem mostra que, por exemplo, André Ventura tem mais notoriedade do que ele, o que é normal.
Do que os dois, do que Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro.
Certo, é líder há mais tempo. Luís Montenegro devia aproveitar cada oportunidade. Ainda por cima o debate com Mariana Mortágua correu-lhe bem, portanto ele até se sai bem em debates.
Exato. Não sei se não terá havido aqui uma tentativa dentro da coligação de dar palco ao número dois da coligação. Mas isso é uma questão deles.
Mas a política não é o manual de boas maneiras.
Exatamente. É lógico. Nem é por cotas de notoriedade entre as coligações.
Seguramente.
Vamos então ao resumo. O bom desta quinta-feira é Barros Correia, o Diretor Nacional da PSP. O mau é o Bloco de Esquerda e o vilão são Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro.