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É hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro no Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Quem é o bom desta segunda-feira?

O bom desta segunda é o regime. Nós estamos sempre a criticar o regime e a dar o regime como moribundo, mas os últimos dias trouxeram duas boas notícias para o regime. A primeira, obviamente, foi a prisão de João Rendeiro. A fuga do banqueiro era tão insustentável para o regime democrático quanto as gargalhadas de Joe Berardo na Assembleia da República. Enquanto Rendeiro não fosse descoberto e preso, haveria uma mancha de incompetência, de fragilidade e de humilhação sobre a Justiça, que contaminava também a política. E agora isso está resolvido ou está a caminho de ser resolvido. E a segunda boa notícia para o regime foi saber-se que o Ministério Público deu ordem para que sejam executados 3,7 milhões de euros a Ricardo Salgado para pagar uma coima imposta pelo Banco de Portugal, que já transitou em julgado. E a Justiça vai agora atrás das contas bancárias, de casas, de obras de arte, até eventualmente de pensões do ex-banqueiro para o levar a pagar isto. A mensagem é muito clara e muito necessária, aquela que sai destas duas notícias, é a mensagem de que quem viola a lei é apanhado, tenha muito dinheiro, pouco ou nenhum, tenha muito poder, pouco ou nenhum, e é uma mensagem de que o regime democrático precisa profundamente. Precisa. Isto é o bom caminho, agora só têm que fazer isto um pouquinho mais depressa, não é? Uma coisa de cada vez. Olha, vamos ter aqui até uma campanha eleitoral. Os partidos vão poder apresentar propostas até na área da Justiça, por isso se calhar era bom falarmos sobre isso. Qual é a linha entre a celeridade da Justiça e as garantias dos arguidos? Vou tomar nota aqui. Toma aí nota. Vai tomando nota aí nesse teu caderninho.

Vou tomando nota. E quem é o mau?

O mau é Rui Tavares. É uma grande personagem da nossa democracia, que este fim de semana voltou a falar muito por causa do Congresso do LIVRE. Rui Tavares diz que o LIVRE não tem líderes, mas põe e dispõe no partido. Rui Tavares acabou de ser eleito vereador na Câmara de Lisboa à boleia do PS. Foi agora mesmo, mas já se está a candidatar a um novo cargo, agora como deputado, mostrando-se prontíssimo para virar as costas aos eleitores lisboetas que, coitados, lhe deram o seu voto, mesmo que involuntariamente, porque na realidade queriam era votar em Fernando Medina e o LIVRE estava ali dentro da barriga de aluguer do PS. Rui Tavares surgiu este fim de semana também a exigir o diálogo à esquerda, mas quando foi com ele, nem sequer conseguiu dialogar com o Bloco, que o elegeu eurodeputado e acabou por deixar o partido. Rui Tavares também apareceu este fim de semana a pregar a união entre partidos de esquerda, mas nem sequer conseguiu manter a união entre o seu próprio partido e a deputada que foi eleita nas últimas legislativas. O mundo muda e gira e avança, como dizia o poeta, mas Rui Tavares está sempre no mesmo sítio, está sempre em frente ao espelho a olhar para o próprio umbigo. A questão aqui é saber se o LIVRE sobrevive ao caso Joacine, mas isso faremos dia 30. Mas 30 de janeiro, Rui Tavares já conseguiu mostrar o seu enorme poder eleitoral ao conseguir ser eleito deputado em Lisboa, apesar da lista que apoiou ter perdido, e agora terá uma nova oportunidade de mostrar aquilo que vale. Aponta mais aí para dia 30 no teu caderninho. Ok, vai mais uma.

Ainda tens espaço?

Tens que me arranjar outro caderno, Paulo. Está feito. Aqui está a começar a estar cheio de anotações.

Prenda para o Natal. Miguel, só fica a faltar o vilão.

O vilão é Rui Rio. Nós já sabíamos que o líder do PSD não gosta do Ministério Público, porque acha que os procuradores passam o seu tempo entretidos a violar o segredo de justiça e quer que os políticos passem a controlar o Conselho Superior do Ministério Público. Também já sabíamos que Rui Rio não gosta de juízes, porque acha que os magistrados ganham demasiado e até deixa assim no ar que o aumento dos seus salários foi uma espécie de tentativa de controle da classe pelo PS através da conta bancária. Só faltava termos notícias mais firmes sobre aquilo que Rui Rio pensa das polícias e este fim de semana, depois da detenção de João Rendeiro, ficámos a saber que Rui Rio também não gosta muito da Polícia Judiciária, que segundo ele, se envolverá em confusões enormes com a política e com os políticos, ou então pelo menos que preferirá aparecer nas notícias em vez de se concentrar em trabalhar. Enfim, foi tudo muito confuso. Mónica Quintela esteve aqui já na Rádio Observador a tentar fazer uma interpretação daquilo que entende que foi o que Rui Rio quis dizer, mas também pelos vistos não falou com o Rui Rio, portanto não sabemos se sabe o que o Rui Rio queria dizer. Enfim, é tudo muito confuso, mas esperemos todos que no programa que o PSD vai apresentar nas legislativas de 30 de janeiro, esteja muito bem explicadinho o que Rui Rio pretende fazer, caso ganhe, ao Ministério Público, aos juízes e à PJ. Não tem que ser em tweets, o programa eleitoral pode ser maior, portanto, podem estar ali os detalhes e assim já não há mais confusões e assim também não teremos surpresas no dia 30 de janeiro. Vou também tomar nota desta aqui, ó Paulo. Ainda bem que já não preciso dizer isso. 30 de janeiro é o dia. Já viste. Pronto. No dia 31 acordamos na Noruega, ou na Dinamarca, com todos os problemas resolvidos. Isso mesmo. Não espero menos do que isso.

Vamos então ao resumo. O bom de hoje é o regime, o mau Rui Tavares e o vilão é Rui Rio. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.

Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.