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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão, sempre com o Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom é o Bloco de Esquerda.

Sim, o Bloco vai chamar ao Parlamento a Secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna. O objetivo é ouvi-la à porta fechada, o que mostra sentido de responsabilidade, para saber o que correu mal no caso da investigação ao Movimento Armilar Lusitano. Foi o próprio primeiro-ministro quem se mostrou surpreendido por ter sabido, apenas pelas notícias que saíram sobre a acusação do Ministério Público, que era um dos alvos deste grupo. E entretanto descobriu-se que a informação nem sequer foi partilhada com todos os órgãos do Estado responsáveis pela segurança. E é claro que estas coisas não podem ser todas tratadas em público, mas também não podem ser tratadas totalmente em segredo. E se o Estado falhou, é preciso garantir que algo está a mudar para que não se repita. Já agora, se puderem dar conta disso.

Apesar de aparentemente ter corrido bem, isto é, parece que os alegados responsáveis estão detidos. Mas não podemos ficar só com esse resultado, que pode ter sido uma caso.

Acho que aqui o ponto é de como a informação não circulou. Acho que aí é que houve uma falha que não se compreende. Aquilo que se ouviu do Ministério Público a dizer que já não era preciso partilhar informação nenhuma, já estava tudo resolvido. Parece-me uma explicação curta para o que aconteceu.

Miguel, o teu mau tem muita ambição.

Muita ambição. Estão a transbordar de ambição. O Livre teve agora as suas jornadas parlamentares. Vai ter muito em breve um congresso eleitivo e tudo isso deve ter entusiasmado excessivamente Rui Tavares. Deve ter tido banhos de multidão nestas jornadas parlamentares, porque ontem o líder do Livre veio garantir que o partido está prontíssimo. Prontíssimo para quê? Para ir para o governo. Eu vou citá-lo. Cá vai: "O papel do Livre neste momento é tornar-se o partido mais bem preparado para governar o país", disse Rui Tavares. Ora, nós já ouvimos estes delírios antes e não correu bem. Em 2018, o Bloco de Esquerda teve uns entusiasmos iguais a estes também num congresso. Na altura, Francisco Louçã disse isto: "Hoje o Bloco prepara ministros". Foi o que Francisco Louçã nos disse. E então, quem eram esses ministros? Eu vou lembrar, para nós percebermos o absurdo, quem é que o Bloco achava que iam ser os próximos ministros. Atenção, eles achavam mesmo isto. Eu estava lá neste congresso, eles estavam mesmo convencidos. Então, candidata a ministra das Finanças era Mariana Mortágua, claro. Candidata a ministra da Educação era Joana Mortágua. Pronto. Candidato a ministro da Saúde, aqui se calhar as pessoas estavam a precisar de alguma dificuldade para identificar o nome, Moisés Ferreira. Candidato a ministro da Energia, Jorge Costa. Candidato a ministro do Ensino Superior, santo Deus, Luís Monteiro. E candidata a ministra do Trabalho, José Soeiro. Ora, toda a gente sabe como é que esta história acabou para o Bloco. Eu só não percebo bem é porque é que Rui Tavares quer repetir a dose. Quer dizer, ele acha que foi uma grande ideia. Que grande ideia que o Bloco de Esquerda teve em 2018. Vou repetir para ver se o resultado é diferente. Está bem.

Temos que começar a perguntar pelos ministros sombra do Livre, não é?

Sombra, não, Paulo. Sombra para já, mas isto está quase.

Ministro sol.

Sim, está quase. Vamos pedir essa lista.

Miguel, o teu vilão não conseguiu manter um segredo.

Não conseguiu, coitadinho do nosso Ministério da Educação. Este ano voltou a haver fugas de informação sobre as provas finais do nono ano, que foram feitas em formato digital. E convém lembrar que o Ministério da Educação tem, desde o ano passado, um plano brilhante. E então o plano brilhante é este: vamos fazer provas de Matemática a alunos do nono ano em todo o país, abrangendo milhares de estudantes, mas vamos conseguir manter o enunciado sempre secreto, para que depois seja mais fácil comparar os resultados ao longo dos anos. Ora, num mundo onde os governos não conseguem manter segredos sobre nada, o nosso Ministério da Educação achava mesmo que ia conseguir travar miúdos do nono ano, que são mais espertalhões do que todos nós juntos. O ministro não deve conhecer miúdos daquela idade. Só pode. Não conhece. Ele não sabe como é que aquelas cabeças funcionam. Aquilo está muito à frente. Mas o ministério achava que eles iam estar ali muito ordeiros, muito obedientes, muito caladinhos, muito atadinhos, coitados, nem sequer conseguem saber que dia é e que não iam resolver o assunto. Ora, há escolas onde os exames digitais foram feitos em tablets e em que não estava bloqueada a opção de fazer printscreens, portanto, era só printscreen à barba Depois houve escolas onde os vigilantes, coitados, nem sabiam bem o que estava em causa e então deixaram que os alunos levassem com eles as folhas de rascunho. Enfim, terá havido dezenas de outras formas de trazer informações cá para fora. Realmente, há quem não faz ideia da imaginação que vai naquelas cabeças. Basta falar cinco minutos com um miúdo destes. E então, tal como no ano passado, o Rey da Matemática, Rey com Y, que é um influencer do TikTok, que agora até é professor de matemática, conseguiu reconstruir a prova toda com a ajuda de inúmeros alunos que o seguem e depois para partilhar aquilo, os miúdos tinham que fazer um like e depois precisavam de mandar uma mensagem só com a palavra exame. Eu fui ver a caixa de comentários, eram milhares de miúdos só a escreverem exame. E então, tal como no ano passado, o Ministério da Educação ficou a parecer um velhinho de 90 anos, sem perceber muito bem: "Como é que será que eles furaram isto? Como é que terá sido isto?"

Estava tudo tão bem montado.

"Mas como é que é possível? Mas se eu disse que era segredo, como é que agora não é segredo? Ó netinhos, como é que isto aconteceu?" O Ministério da Educação limitou-se a dizer que isto é lamentável. No ano passado também disseram a mesma coisa: é lamentável. Nem sequer tiveram a originalidade de mudar a lição. Eu estive a ver a resposta do ano passado e deste e é tirada a papel químico. Eles também acharam que repetiam os testes e acham que repetem as respostas. É só mandar tudo igual. O que realmente é lamentável é que o Ministério da Educação seja incapaz de aprender. Ainda por cima é irónico. Ministério da Educação e não consegue aprender. O que é que se há de fazer? Se calhar tem de ter aulas, como é que se chamam aquelas aulas para se recuperar de aprendizagens? Voltou a ser humilhado pelo Rey da Matemática. Eu só espero que não passe pela cabeça do Ministério da Educação castigar o Rey da Matemática. Se eu fosse o ministro, o que eu fazia-

Chamava o Rey da Matemática.

Não, estou a falar a sério. Chamava o Rey da Matemática e perguntava-lhe: "Olha, explique-me aqui. Primeiro, a cabeça destes miúdos, como é que eles aprendem? Como é que nós podemos melhorar a escola para os miúdos passarem a gostar de matemática? Dê-me aí umas dicas." Era o que eu faria. Mas quem sou eu, não é? Eu espero que não passe pela cabeça de ninguém agora ir atrás do Rey da Matemática com Y.

Já não digo nada, de facto, mas sim, Rey da Matemática a consultor do Ministério da Educação.

Paulo, a sério. Maria João, estou a falar a sério. Acho que ficávamos bem servidos. Acho mesmo.

Vamos ao resumo: o bom de hoje é o Bloco de Esquerda, o mau é o LIVRE e o vilão de hoje é o Ministério da Educação. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs de 360 e que também pode ouvir em podcast.