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Começa agora uma nova edição do "O Bom, O Mau e O Vilão". Olá, Miguel. Bom dia.

Bom dia.

Miguel, hoje tens duas pessoas no teu bom.

Sim, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa. Ontem, durante várias horas, nós estivemos todos na expectativa de saber se o dique do rio Mondego aguentaria a força da água e quando não aguentou, ficamos na expectativa de perceber exatamente quais seriam as consequências. E durante todo esse tempo, o primeiro-ministro, que agora é também ministro da Administração Interna, e o presidente da República estiveram juntos no terreno a ver o que se estava a passar e a perceber o que estava a ser feito. Em condições normais, as autoridades operacionais deveriam estar a trabalhar sem os políticos a respirarem-lhes em cima, mas, infelizmente, as autoridades operacionais não deram provas de confiança quando fomos atingidos pela tempestade Kristin e por isso é necessário uma autoridade política para garantir que as coisas funcionam mesmo, para garantir que se for preciso chamar as Forças Armadas, alguém chame as Forças Armadas, enfim, para garantir que as coisas são feitas.

Pois, o que se passou ali em Coimbra nas últimas 24 ou 48 horas é um bom exemplo de como as coisas deviam funcionar.

Sem dúvida. Esperemos que quando tudo isto passar, que o primeiro-ministro, que até esteve ali a ver tudo, tenha recolhido sabedoria suficiente para mudar a forma como a nossa resposta às tragédias está organizada.

O bom são Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa. E quem é o teu mau?

São os utentes do 112. Ontem foi o Dia Europeu do 112. A PSP divulgou números sobre este serviço e esses números são muito desanimadores. Segundo os dados oficiais, em 2025 foram feitas mais de 5,4 milhões de chamadas para o 112, mas apenas uma em cada três eram emergências a sério. Portanto, 66% dos telefonemas feitos eram aquilo a que se chama chamadas indevidas. E há aqui dois problemas principais. O primeiro, claro, é que sempre que alguém faz uma chamada indevida, está a ocupar a linha e potencialmente a impedir que uma verdadeira emergência seja atendida. O segundo problema é que todos nós pagamos o 112. O serviço precisa ter mais do dobro dos profissionais a trabalharem ali do que seria necessário, só porque algumas pessoas não sabem distinguir uma verdadeira urgência de uma unha encravada ou qualquer coisa assim. Não venham com a coisa de estar a falar em dinheiro em saúde. Vamos antes dizer assim: aquele dinheiro podia estar a ser usado noutro lado, no SNS. Agora, dois terços das chamadas não fazem sentido? Acho que realmente há aqui qualquer coisa que está terrivelmente mal.

Há aqui um trabalho de educação a fazer, sem dúvida.

Mas em 2025, Paulo.

Pois, é verdade. É o quê?

Não é? Mas sim, claramente é preciso qualquer coisa.

Miguel, o teu vilão é André Ventura.

É, porque o líder do Chega estava a construir uma narrativa segundo a qual, de fato, tinha perdido nas presidenciais, em território nacional, em todos os conselhos, menos em dois, e tinha perdido em todos os distritos, sem exceção, mas, dizia a narrativa, ele era esmagador na emigração. E, portanto, a ideia desta narrativa é de que, de alguma forma, os portugueses que vivem lá fora não estariam presos a 50 anos de socialismo e por isso votariam de forma mais esclarecida. Mas ontem fecharam-se mais votações, neste momento só faltam cinco consulados, e as coisas ficaram bem mais equilibradas. Há números interessantes. No total da emigração, André Ventura está à frente, tem 51,14%. Está à frente do total. E não parece que estes cinco consulados vão mudar isso. Mas quando olhamos para o detalhe por região, que é a forma como a CNE divide os resultados, nós vemos que o líder do Chega ganha no continente americano por 50,78%, ganha no continente africano, enquanto Seguro vence na Ásia e Oceania e vence na Europa. Aliás, Seguro fica largamente à frente em países que não têm nada a ver com o socialismo, como a Alemanha, a Áustria ou a Irlanda, em todos bem acima dos 70%, e Seguro até fica muito à frente de André Ventura em países onde a direita radical tem bem mais força do que cá. Seguro tem 83% na Holanda de Geert Wilders, Países Baixos, e tem 86% na Itália da primeira-ministra Giorgia Meloni. Portanto, nem nestes países livres do socialismo e onde a direita radical, a Itália governa e nos Países Baixos teve a influenciar a governação, aí, pelos vistos, não se saiu bem. E só mais uma curiosidade: no dia a seguir às eleições, eu disse aqui que Ventura não lidera a direita, nem aqui nem na China.

Pois foi.

E na altura era uma graça sem grande graça, mas era uma graça. Mas eu depois fui confirmar e é mesmo verdade, porque na China Seguro teve 68,6%, Ventura teve 31,4%, portanto, na China, o líder do Chega teve um resultado pior do que na votação total.

Pois, isto das narrativas, depois cada um compra as que quer.

Certo, claro. Agora, sem dúvida, ganhou no total da imigração, não há dúvida.

Sim, dois pontos à frente, claro.

Mas depois, quando vamos ver detalhadamente, eu até acho, Paulo, que se não me estou a enganar, espera, deixa lá ver aqui só.

Vais ver os resultados?

Não, vou ver aqui. Estava aqui a tentar ver uma coisa que é interessante, que eu já devia ter visto, mas olha, exato, que André Ventura ganha na Venezuela. Já viste? Na Venezuela. 69%. Tem graça. Acho eu.

Tem graça.

Tem uma pequena graça.

Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira são Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa. O mau são os utentes do 112 e o vilão é André Ventura. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.