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Começa agora o Domínio da Guerra da Rádio Observador, sempre com o Major-General José Arnaut Moreira. Bem-vindo!
Olá, muito bom dia a todos.
Bom dia. Lembro que também nos pode acompanhar com imagem nas nossas redes sociais ou pelo site do Observador. Depois de 15 meses de guerra, foi anunciado esta semana que Israel e o Hamas tinham chegado a acordo e que a entrada em vigor do cessar-fogo aconteceria já este domingo. Mas, general, até a última hora tudo parece muito frágil. Por isso pergunto-lhe que ponto de situação podemos fazer, neste momento, sobre todo o processo.
Em dois anos de programa, têm sido poucas as oportunidades para dar boas notícias.
É verdade.
Hoje é um desses dias. Aparentemente, estão reunidas todas as condições para que, quer a reunião do Conselho de Segurança de Israel, quer a reunião que está prevista, julgo que só para amanhã, do governo israelita, que permita dar a formalização da aprovação deste acordo. Portanto, até à última hora, temos que estar cautelosos, mas eu julgo que sim. Estou bastante otimista que tudo se encaminhe nesse sentido. Este acordo irá ter três fases. Na verdade, só a primeira fase é que está detalhada e isto mostra a complexidade e a estratégia que foi seguida para a negociação do acordo. Esta fase um é para todos, talvez, a mais importante, porque ela consagra a cessação, finalmente, destas hostilidades depois de 15 meses de guerra. Ela contempla, por um lado, uma retirada progressiva daquilo que é a ocupação territorial por parte das forças das IDF, das Forças de Defesa de Israel, de um conjunto muito significativo de áreas da Faixa de Gaza. O que vai acontecer é que essas forças vão retirar para zonas de reunião. Não se trata ainda de retirarem de Gaza, mas irão concentrar-se em zonas de reunião. Depois será libertado um conjunto de 33 reféns. Libertados ao longo de 42 dias. Significa que não vão ser libertados todos de uma vez. Vai haver um espaço de 42 dias, ao longo dos quais os 33 serão libertados. Não sabemos se destes 33 estarão todos vivos. E serão trocados simultaneamente por presos palestinianos, uns a cumprirem penas por crimes mais comuns, outros pelos crimes mais complicados. Aparentemente, nenhum daqueles que está preso, condenado pelos ataques do 7 de outubro, será libertado, pelo menos nesta fase. E depois o regresso controlado das populações. O regresso controlado das populações é um regresso que é importante porque as pessoas estão deslocadas há imenso tempo e têm que começar a voltar às suas terras. E depois o incremento da ajuda humanitária.
Humanitária, fundamental, claro.
Tudo aquilo que era fundamental está concentrado, na verdade, nesta primeira fase, e é a fase que está detalhada. Todos os passos seguintes, vamos ver.
E depende muito desta primeira fase.
Vamos ver. Sem dar os primeiros passos desta primeira fase, também não vale a pena especular muito sobre as outras fases seguintes. Depois temos, ao fim de 16 dias da implementação do cessar-fogo, começarão as discussões da segunda fase. A segunda fase não tem nenhumas perspetivas muito otimistas neste momento, porque há uma diferença muito grande entre as partes sobre a quem compete fazer a administração de Gaza depois da retirada daquilo que é a administração militar, que era conduzida pelas Forças de Israel. Vamos ter que procurar soluções, se calhar, também de natureza internacional, entre parceiros que sejam reconhecidos como sendo, por um lado, amigos do povo palestiniano, mas por outro lado também que sejam suficientemente amigos de Israel para que possam servir, já agora, não como mediadores, mas eventualmente como uma solução transitória de administração de Gaza. É tudo muito indefinido e de propósito, que é indefinido, pelas razões que eu explicarei a seguir, porque depois ainda há uma terceira fase, que é a fase do processo de reconstrução.
Ainda vai lá longe.
Ainda vai lá longe. Por que está muito indefinido? Porque se começarmos a definir as fases, não chegamos a acordo nenhum.
Porque não vai haver entendimento.
Porque não vai haver entendimento!
Não houve até aqui, anos e anos.
Não houve até aqui, anos e anos. Há dezenas de anos que andamos nisto. E, portanto, se começarmos a discutir pelo fim, isto é, a solução dos dois Estados, dos três Estados, dos 40 Estados, enfim, dos Estados que for, nós nunca avançaremos, sequer para a primeira fase, para o cessar-fogo. Portanto, nós temos que ter cautela, porque a estratégia negocial foi esta. Vamos anunciar que vamos ter fases posteriores, mas vamos é, para já, cessar as hostilidades e permitir que as pessoas regressem às suas casas, que as tropas terminem uma missão que também foi muito difícil para as Forças de Defesa de Israel e, sobretudo, abrir espaço para a política. Há coisas que as operações militares nunca conseguem resolver, porque uma guerra tem implicações de natureza diplomática, de propaganda, há pessoas que estão no exterior, há redes montadas no exterior de apoio de natureza política De solidariedade institucional, econômica, etc., que não são as operações militares que vão conseguir resolver. Fazem parte do enorme espectro da guerra e, portanto, aquilo que competia às Forças Armadas resolver, que era de alguma maneira degradar a capacidade do Hamas em conduzir ações ofensivas sobre Israel, está praticamente feita neste momento. Portanto, é tempo de retirar as Forças Armadas e de deixar agora abrir o espaço para o diálogo de natureza política. Esta coisa de ir introduzir desde já o final de tudo só vai levantar confusão. Não é um ano, nem dois anos, vai levar muitos anos até conseguirmos encontrar a visualização política de um problema que se arrasta há centenas de anos. A estratégia negocial foi o sucesso para isto. E a estratégia negocial foi, como eu disse, deixar cair o futuro e concentrarmo-nos no presente. Era no presente que encontrávamos as bases sólidas para o entendimento, não era no futuro e, portanto, essa estratégia teve sucesso. Os mediadores foram credíveis e empenhados. Destaco que os Estados Unidos nunca desistiram de encontrar uma solução e estiveram muitas vezes próximos dessa solução, e depois os pormenores, os detalhes de última hora estragaram sempre tudo, mas nunca desistiram.
Exatamente, não se pode negar todo o trabalho.
Anthony Blinken é uma figura impressionante por aquilo que eu chamaria a persistência e a paciência.
A resiliência.
A paciência, a resiliência para aturar todos estes incidentes que foram ocorrendo e perturbando o fim anunciado que nós todos queríamos, que era que fosse obtida uma solução. Não é ainda um processo de paz isto. É parte do processo de paz, mas esse processo de paz só pode avançar com base neste calar das armas, que é aquilo que agora se conseguiu. Anthony Blinken é uma figura. Nestes últimos dias, o enviado da administração Trump, Steven Witcroft, também exerceu uma pressão muito grande: "Atenção, o dia 20 está a chegar! Não se esqueçam que o dia 20 está a chegar, façam o favor lá de acelerar as coisas, porque o dia 20 está a chegar". E portanto, esta pressão também adicional da administração Trump também conseguiu. Eu diria, em resumo, e aqui para repartir um bocadinho os louros, os louros não cabem só numa parte. O plano é de Biden. Este plano é o plano de Biden, mas o timing é o timing de Trump. E, portanto, o que temos aqui é o já tudo dito. O plano é de Biden, mas o timing é o de Trump. Entretanto, tivemos mais uma excelente notícia. Os Houthis acabam de aderir também a este plano. Os Houthis ficaram isolados no meio disto tudo, depois do Hezbollah, do Hamas, etc. Os Houthis agora iam passar a ser a vítima dos bombardeamentos e perceberam em tempo que era altura de recuar antes de passarem a ser eleitos como a vítima privilegiada dos ataques de Israel. Portanto, os Houthis em bom tempo também se juntaram ao acordo.
Estamos a três dias da tomada de posse de Donald Trump. A cerimônia na segunda-feira em Washington vai ser certamente um dos momentos midiáticos mais aguardados do ano e seguramente acompanhada com atenção por muitos milhões de espectadores em todo o mundo. General, arrumare o que é esperado do discurso e também dos primeiros dias de Trump na Casa Branca.
Lá estaremos todos em frente, certamente, da televisão, todos os que se interessam pelos assuntos internacionais.
E vamos acompanhar tudo que é ao toque na Rádio Observador.
Acompanhar tudo isto. Bom, o Trump nasceu em 1946, em Nova York, no bairro de Queens. A mãe era escocesa e o pai era filho de imigrantes alemães. Temos aqui a família Trump, a questão da imigração logo na família Trump. O negócio do pai era o imobiliário. Ele era um tycoon do imobiliário e Donald Trump seguiu as pisadas do pai e distinguiu-se sobretudo pela parte dos negócios imobiliários. Casou três vezes, Donald Trump, tem cinco filhos, e portanto aquele palco onde se normalmente reúnem a família, agora no Capitólio, na cerimônia, estará muito preenchido com a família de Donald Trump. Ele foi o 45º presidente dos Estados Unidos. Agora vai ser o 47º, outra vez. E em 2020 perdeu as eleições contra Joe Biden. Facto que ele nunca aceitou e que levou àqueles lamentáveis acontecimentos da tentativa de invasão do Capitólio. Importa aqui, parece-me a mim também, olhar um bocadinho para o que foi Trump 1.0. O que Trump fez da primeira vez?
O que é que deixou feito? Sim.
Primeiro, apertou todas as leis da imigração durante o seu primeiro mandato e até impediu alguma imigração quando ela era proveniente de países de maiorias muçulmanas. Depois, nomeou juízes para os tribunais superiores nos Estados Unidos, que de alguma maneira desequilibraram também a seu favor tudo aquilo que eram os processos de natureza judicial, onde ele andou envolvido também durante muito tempo e onde acabou condenado recentemente. Foi sempre controverso nas suas declarações.
Isso é a imagem marca.
Aquela imagem de um Trump diplomata nunca existiu. Portanto, ele foi sempre um perturbador no que diz respeito aos seus discursos. Mas os seus eleitores gostaram! E não nos podemos esquecer que quem elegeu Trump foram os americanos Os americanos elegeram Trump para a mudança, e é isso que Trump lhes vai querer oferecer. No final do seu mandato, a questão do Covid dividiu muito o eleitorado, e sobretudo ficou marcado o final do seu mandato por aqueles acontecimentos lamentáveis da tentativa de invasão do Capitólio. Bom, agora temos Trump 2.0. Primeiro vai ser um dia de festa.
Vai ser uma coisa contra o Trump. É tudo à grande.
São esperadas em Washington entre 200 a 250 mil pessoas. Umas para aplaudir, a maioria, mas também nos Estados Unidos haverá muita gente com cartaz a protestar contra Trump logo no primeiro dia. Vai haver paradas, concertos e bailes logo nesta inauguração, mas talvez o momento mais aguardado é certamente o momento da sua tomada de posse, do seu juramento como presidente. Isto terá lugar às 12h locais, aqui é meio da tarde em Portugal continental, em frente ao Capitólio, que é aquele magnífico edifício que é a sede do Senado e da Câmara dos Representantes. Ele vai ler o seguinte texto: "Juro solenemente que executarei com lealdade as funções de presidente dos Estados Unidos da América e que colocarei todas as minhas capacidades para preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos." Eu estou pronto também já.
Agora, se nos apanhou no meio.
Não sei se não fiquei, entretanto, nomeado em antecipação presidente dos Estados Unidos da América.
Se acontecer alguma coisa, já sabemos.
Mas há uma coisa que é importante, é quando ele acaba a última palavra deste texto, que ele se torna efetivamente presidente dos Estados Unidos da América. Portanto, este texto é também simbólico, porque é ele que marca o momento em que ele deixa de ser o presidente eleito e passa a ser o presidente efetivo dos Estados Unidos da América. Também haverá um juramento por parte do seu vice-presidente. E depois teremos o discurso inaugural. Não há muitas pistas sobre o discurso inaugural. Há quem diga, pessoas mais próximas do círculo, que ele não será divisivo. O que seria uma novidade também aqui. Que ele vai procurar aqui um discurso agregador e mobilizador. Mobilizador para quê? Para uma tarefa difícil que é mudar a América. Ele foi eleito para isso, mas há muita resistência também nos Estados Unidos à mudança que Trump quer, que ele propõe. E, portanto, aguardamos esse discurso. Na próxima semana falaremos certamente sobre isso. Depois, isto é antes da hora de almoço, irá almoçar com os líderes do Congresso e depois vai descer a Pennsylvania Avenue, do Capitólio até à Casa Branca, num desfile automóvel, depois seguido de marchas, de bandas. Enfim, vai ser uma festa.
Estou a imaginar o todo inchado.
E depois vai para o seu gabinete assinar decretos para acabar com o legado de Joe Biden. Isto é, prevê-se que ele, no primeiro dia, logo nestas primeiras horas como presidente, que assine mais de 100 autorizações presidenciais em todos os domínios da imigração, das fronteiras, de uma coisa que ele gosta muito, que é o drill, baby, drill, isto é, petróleo e gás. E que procure de alguma maneira marcar com estrondo, à modelo Trump, a sua inauguração como presidente dos Estados Unidos. É também justo falar aqui um bocadinho do legado Biden. A administração Biden iniciou funções de uma forma desastrosa. Aquelas imagens da retirada das últimas forças norte-americanas do aeroporto de Cabul, foi uma imagem de fraqueza dos Estados Unidos e dos seus aliados, que ficou muito colada a toda a administração Biden. Biden pode queixar-se que foi uma espécie de um presente envenenado, porque as negociações com os talibãs tinham sido começadas durante o Trump 1.0. E, portanto, houve aqui talvez um descuido da parte final, de como é que esta transição deveria ter sido feita. Aquilo soou um bocadinho a caótico, a fim do regime, ao fim dos tempos, em que já não há ordem, em que o caos se instalou. Isto não foi bom nem para os Estados Unidos.
E a imagem ficou logo riscada aí, de Joe Biden. Logo no início.
Depois, a inflação no ano seguinte subiu para 9,1% e os americanos nunca mais lhe perdoaram. Não obstante, os esforços na economia terem acabado por produzir depois resultados, estes momentos iniciais da administração de Joe Biden também não foram famosos. E depois envelheceu muito Joe Biden, durante este segundo mandato. Envelheceu de tal maneira que nós estávamos sempre atentos quando ele subia e descia as escadas do rio, quando é que ele tropeçava por ali abaixo, quando é que ele se interrompia nos discursos, nas paragens, falta de memória, etc. Foi constrangedor, era muito difícil, era penoso, às vezes até era penoso ver um político presidente dos Estados Unidos sujeito a todas estas provações deste final de mandato. E isso, portanto, cola muito a imagem de um Joe Biden frágil Vai ser muito difícil dizer depois, em resumo, isto ficará para os historiadores, o que Joe Biden trouxe de novo para os Estados Unidos durante o seu mandato. E eu temo que Joe Biden seja interpretado como um interregno entre Trump 1.0 e Trump 2.0. Vamos ver o que nos traz Trump 2.0 agora.
Hoje trazemos para a nossa cortina de fumo as declarações incendiárias de um dos líderes do Hamas, Alaya, que perante a perspetiva do acordo, foi para a televisão dizer que, e vou citar: "O nosso povo vai expulsar o ocupante das nossas terras e de Jerusalém o mais cedo possível". Ora, general, faço-lhe a pergunta que se impõe: o que está por trás desta cortina de fumo, que mais parece uma declaração de vitória?
É uma coisa absolutamente fora do expectável em quem acaba de assinar um acordo de cessar-fogo. Um acordo de cessar-fogo.
Foi como disse, incendiária, não é, esta declaração?
Incendiário pressupõe que as partes também vão envolver nesse processo e que estão disponíveis para prosseguir aquilo que acordaram. Ora, uma declaração incendiária, que vem para aqui lançar outra vez as questões do orgulho que o Hamas tem em ter executado o 7 de outubro, em que o que vai promover ou o que vai tentar promover no seu discurso é outra vez o ódio a Israel, a expulsão de Israel e a destruição do Estado de Israel. Isto não parece muito próprio de quem acaba de assinar um acordo de cessar-fogo com Israel. Portanto, há aqui também, e esta é esta cortina de fumo, um certo desespero também do Hamas, de que as coisas não correram como o Hamas queria. E não correram como o Hamas queria, porque se olharmos do ponto de vista macro, havia três braços que o Irão tinha. Um desses braços, que eu chamaria o braço continental, era um braço que vinha do Irão, que passava pela Síria, que passava pelo Líbano e que chegava à Faixa de Gaza. Esse braço foi sendo cortado aos bocadinhos. Síria caiu, no Líbano o Hezbollah foi muito degradado e corre também agora desafios de natureza política. Veja-se que o Líbano finalmente conseguiu ter um presidente, uma coisa que estava bloqueada há muito tempo, há dois anos, e depois o Hamas também, sem esta alimentação que vinha por este braço continental do Irão, também do ponto de vista militar, o seu futuro é uma grande incógnita. Por outro lado, o segundo braço, que era o braço da retaliação entre o Irão e Israel, acabou por não acontecer, pelo menos até ao momento. E o terceiro braço, que era o braço através do Mar Vermelho, dos Houthis e dos seus mísseis, falei há bocadinho, também acaba de cair. Portanto, o Hamas não tem aqui grandes motivos para este discurso, que parecia um discurso de vitória. Pelo contrário, o Hamas está em dificuldades. O Hamas tem, no entanto, um motivo para se sentir satisfeito, que é: está convencido que a sua administração vai perdurar na Faixa de Gaza. Não é claro que isso aconteça. Isso é uma questão que vai ter que ser discutida agora na fase dois, mas portanto, isto foi uma espécie de um discurso incendiário para lançar aqui uma enorme cortina de fumo e parecer que todos estes desaires que o Irão e os seus proxies acabaram por sofrer durante esta confrontação por Israel, através de uma estratégia muito errada, mal medida e mal executada, que aparentemente resulta daqui uma enorme vitória quando não é evidente aos olhos de ninguém.
Esta semana focamos o nosso Ponto Mira em Peter Minuit, um ilustre desconhecido para a maioria, general. Por que fomos recuperar aos arquivos da história o diretor-geral da colônia holandesa dos Novos Países Baixos? Por quê?
Ninguém conhece Peter Minuit. Talvez, eventualmente, quem tenha ido a Manhattan tenha encontrado lá uma praça e uma estátua de Peter Minuit.
E depois tenha ido à procura para saber quem é.
E tenha ido à procura para saber quem era Peter Minuit. Ora, Peter Minuit é uma personagem fantástica. Durante o século XVII, as guerras religiosas, sobretudo ali nos Países Baixos, entre aquilo que era o domínio espanhol, e, portanto, católico e os protestantes, atirou muitas comunidades para fora da Europa. Foram à procura de paz. Foram à procura de paz nos Estados Unidos, que era a terra das oportunidades. Uma dessas colônias era exatamente essa, a nova colônia dos Países Baixos, que se estabeleceu naquilo que é hoje em dia a cidade de Nova Iorque. Portanto, a cidade de Nova Iorque começou por ser uma colônia dos colonos dos Países Baixos, que encontraram ali refúgio. Nova Iorque, que não existia na altura, era um território selvagem, tinha um conjunto de populações indígenas, tinha índios na altura. E Peter Minuit, que foi o governador desta colônia, chegou a um acordo com os índios locais para comprar uma ilha que havia ali, que chamava Manhattan. Gastou 60 moedas de ouro, o equivalente hoje em dia a cerca de mil dólares. Hoje em dia, o preço de um apartamento, aqui no "Domínio da Guerra" sabemos tudo, o preço de um apartamento em Nova Iorque é de cerca de 15 mil dólares por metro quadrado. Mas ele comprou a ilha toda por cerca de mil dólares. Isto é, por que eu trago Peter Minuit aqui para uma comparação que é giríssima? Bom, Peter Minuit era alguém ligado também a um projeto de reedificação urbana em Manhattan, portanto, um tycoon dos negócios e que olha para o território também como algo que se pode comprar, como Trump fez com a Gronelândia. Portanto, se eu trago hoje Peter Minuit é para fazer aqui esta comparação, que, na verdade, Donald Trump inspirou-se naquilo que foi o legado de Peter Minuit.
Sempre a aprender. Vá lá, Rumbara, é sempre um gosto. Obrigada por mais um "Domínio da Guerra". Bom fim de semana.
O prazer é meu. Muito obrigado por me receberem a todos. Obrigado.