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Está no ar o Domínio da Guerra e das manhãs 360, sempre com o major-general Armando Moreira. Bom dia.

Olá, bom dia. Bom dia a todos.

Bem-vindo, general. No final de janeiro, tivemos em Abu Dhabi uma primeira ronda trilateral mediada pelos Estados Unidos e com a presença de representantes da Ucrânia e da Federação Russa. Entretanto, esta semana, depois de um novo ataque russo de grandes dimensões ao sistema energético ucraniano, retomaram-se as negociações nos Emirados Árabes Unidos. General, que balanço podemos fazer deste processo negocial tão difícil?

Muito difícil. Terminaram, entretanto, esta ronda. Eu sobre a ronda falaria um pouco depois, porque há aqui quatro aspectos que não tendo necessariamente a ver com as negociações, são importantes e relevantes para perceber o enquadramento destas negociações. O primeiro aspecto tem a ver com o fato de os Estados Unidos estarem, de um ponto de vista bastante mais assertivo, a exercerem e aumentarem a sua pressão sobre a Federação Russa. E o aspecto mais significativo disso tem a ver com uma conversa entre Donald Trump e Modi, primeiro-ministro da Índia, sobre o corte da compra de petróleo russo por parte da Índia e a sua substituição por compra aos Estados Unidos e há quem diga também à Venezuela. Uma vez que os Estados Unidos agora estão a gerir o petróleo e o fluxo do petróleo venezuelano, estão também à procura de compradores e portanto lembraram-se desta ideia de nós vamos retirar mercado à Federação Russa na Índia, e a Índia é um dos maiores importadores de petróleo da Federação Russa, e vamos substituí-lo pelo petróleo venezuelano e norte-americano que nós queremos vender. Isto é uma enorme pressão sobre a Federação Russa, porque o mercado da energia para a Federação Russa é fundamental para continuar a alimentar a sua indústria de guerra. E, por outro lado, a Índia não é um pequeno comprador, é um enorme comprador do petróleo da Federação Russa.

Portanto, o rombo seria grande, não é?

Exatamente, aumentou aqui. Nós não conhecemos os termos, porque isto, como sempre, sabemos de umas conversas telefônicas e de uns posts no Truth Social. Nós não temos os documentos, não conhecemos a escala disto, mas há aqui, claramente da parte dos Estados Unidos, um aumento da pressão sobre a Federação Russa, através da diminuição das suas receitas energéticas. Esse é o primeiro aspecto. O segundo aspecto tem a ver com a visita de Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, a Kyiv. Do ponto de vista das declarações, ouvir Mark Rutte hoje em dia equivale a ouvir Donald Trump. As declarações não têm a mesma simpatia, nem têm a mesma empatia das declarações dos líderes europeus quando vão a Kyiv. Na verdade, ele fala um pouco, ou parece, para agradar a Donald Trump.

E não é dois, não é?

Não, não é dois. Do ponto de vista da empatia, não houve aqui grande coisa, mas havia aqui substância. E a substância tem a ver com um mecanismo que foi inventado o ano passado, quando os Estados Unidos disseram que não iam dar mais equipamento nem munições à Ucrânia. Se quiserem, a NATO que o compre através dos seus parceiros europeus. E então foi inventado aquilo que se chama o mecanismo PRUL. PRUL são as iniciais de Priority Ukrainian Request List, ou seja, é a lista prioritária de necessidades da Ucrânia. Como é que isto funciona? Isto tem vários passos. A Ucrânia diz quais são as suas necessidades do ponto de vista de equipamentos, de munições, de mísseis para os sistemas Patriot, de munições de artilharia, etc. Essa lista tem um conjunto de prioridades, portanto, é ordenada de acordo com as prioridades. Depois há um mecanismo que verifica se os Estados Unidos estão em condições de fornecer aquele tipo de equipamento. Depois é constituído um pacote da ordem dos 500 milhões de euros e os países europeus oferecem-se para financiar cada um desses pacotes. O primeiro pacote, por exemplo, foi a Holanda, pagou-o por inteiro. Noutros pacotes, tem havido participação de vários países. Portugal também já participou num desses pacotes. Portanto, o que é que nós temos aqui? Temos aqui um mecanismo em que os Estados Unidos só entregam equipamento e munições à Ucrânia, desde que seja pago.

Mediante pagamento.

Mediante pagamento. A NATO é aqui o agente, o intermediário entre uma coisa e outra. Reúne as contribuições, vê junto os parceiros europeus quem é que está disponível para participar num determinado pacote de fornecimento, entrega o dinheiro aos Estados Unidos e depois recebe o material e distribui o material à Ucrânia. O que é que se passa aqui no mecanismo? É que este mecanismo é todo voluntário. Não houve acordo da NATO para a divisão, para a repartição dos custos deste financiamento Conclusão: há países que se fartam de financiar, nomeadamente os países nórdicos, e outros que estão a dormir à sombra da bananeira, muito felizes da Ucrânia continuar a receber, mas não estão a contribuir para isso. A continuação do mecanismo depende de uma vontade política entre os vários governos para que não aconteça aquilo que pode acontecer, e já houve sinais disso. É que há países, nomeadamente os países nórdicos, que dizem: "Desculpem lá, com este mecanismo de voluntariado, nós é que estamos a pagar aos Estados Unidos. Há muitos países na Europa que não estão a contribuir com a mesma proporção do seu Produto Interno Bruto para isto". Portanto, o mecanismo é um mecanismo que resolveu uma questão que era imediata, os Estados Unidos não iam fornecer mais equipamento, mas na verdade, tem também aspectos que têm que ser afinados sob o risco de uns estarem a pagar tudo e outros estarem descansados.

O que pode conduzir a atritos também, não é?

Exatamente, há atritos dentro dos países da NATO relativamente a este financiamento. Este era o segundo aspecto. Depois, o terceiro aspecto é o aspecto daquilo que eu chamo de diplomacia telefónica. Esta semana tivemos mais um exemplo de diplomacia telefónica. Donald Trump telefonou a Putin e disse: "Está muito frio em Kiev, vamos lá interromper agora durante uns dias os ataques às infraestruturas energéticas". E o Kremlin disse que sim. Isto foi em diplomacia telefónica, não ficou nada escrito em lado nenhum. Zelensky estava convencido que isto era por espaço de uma semana. Todos nós ficámos também convencidos que isto era no espaço de uma semana. Ao fim de três dias, Putin regressou outra vez em força ao bombardeamento, ao sistema energético. Portanto, isto é a diplomacia telefónica.

E depois Trump vem dizer que sim, que ele cumpriu com a palavra, porque lá está, não sabemos quanto tempo foi.

Palavra foi, não ficou nenhum documento escrito. Trump fez isto com boa intenção, nós temos que ver isto. Mas o problema de Trump não está nas intenções, está nos métodos. O problema é que isto não é acompanhado depois por métodos de natureza formal que deem garantia a que estes processos continuem. Por que o Kremlin disse que sim imediatamente a Trump? Porque isto favoreceu o Kremlin brutalmente. Por quê? Porque lhe permitiu acumular, durante dois ou três dias, mísseis que depois enviou todos de uma vez. Ora, nós sabemos que o sistema ucraniano está dimensionado para uma determinada quantidade de mísseis. Quando o número de mísseis é a acumulação de vários dias em que eles não foram lançados, não tem capacidade de dar resposta a este ataque. Portanto, o Kremlin fez um grande favor a Vladimir Putin e aproveitou isto para fazer um ataque brutal às infraestruturas energéticas sobre as quais Kiev não tinha capacidade de responder pelo volume do ataque.

Foram umas cinco horas consecutivas.

Foi uma coisa brutal. Julgo que foram 71 mísseis, de vários balísticos e de cruzeiro, e 450 drones. Portanto, foi uma coisa brutal. O que acontece é que dos 71 mísseis, só para termos uma ideia, a Ucrânia só conseguiu interceptar 38. Há aqui uma porcentagem enorme de mísseis que não foi interceptada. Por quê? Por causa do volume. Isto é, a diplomacia telefónica tinha uma boa intenção, mas no final, foi a Federação Russa que acabou por tirar proveito de toda esta ação. Bom, e vamos às conversações. Por que eu deixei para o fim as conversações? Porque sobrou pouco destas conversações. O que sobrou com grande visibilidade foi a libertação dos prisioneiros de guerra. Isso é um sinal ótimo. As famílias, é uma alegria imensa. Alguns deles estavam retidos há muito tempo, outros nem sabiam se eles ainda estariam vivos e, portanto, cada um dos lados libertou cerca de 157 prisioneiros de guerra, alguns eram civis. Agora, não há nenhum sinal de se terem desatado os nós que têm mantido as duas partes. O único sinal positivo foi este da libertação dos prisioneiros de guerra. E o segundo sinal positivo, se o podemos ler, é que as conversações vão continuar. De resto, não parece ter havido, nos aspectos significativos, qualquer tipo de avanço.

Depois da crescente tensão entre Estados Unidos e o Irão, com ambos os países a dizer que estavam preparados para uma guerra, esta manhã estão sentados à mesa. General, o que podemos esperar destas negociações, sendo que há linhas vermelhas impostas por cada um dos lados?

Estas negociações são interessantes, porque elas já estiveram para não ocorrer.

Porque é por causa da escolha do local.

Eu estive a olhar para o mapa do Irão e fiquei impressionado quando colocamos o mapa do Irão sobre os mapas de outros países, para comparar a dimensão. Por exemplo, o Irão é metade da Índia. A Índia é uma coisa enorme. O Irão é metade da Índia. O Irão é apenas seis vezes mais pequeno do que os Estados Unidos da América. Só é seis vezes mais pequeno que os Estados Unidos da América. Mas é 80 vezes maior do que Israel. Estamos a ver aqui, eu julgo que isto é interessante para termos uma ideia das dimensões do Irão. Bom, esta reunião de hoje em Omã esteve para não se realizar. E esteve para não se realizar não é por falta de iniciativa diplomática, é porque embateu em dois aspectos. Um aspecto de natureza da organização da conferência, da negociação, e o outro sobre o conteúdo. Vamos começar pela organização Há um conjunto de países, nomeadamente aqueles países que fazem parte do Conselho do Golfo Pérsico, como Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, etc., que queria muito participar neste encontro. Achava que isto devia ser feito, uma espécie de uma conferência de segurança a nível regional, patrocinada também pelos Estados Unidos. Por quê? Queriam ter uma palavra a dizer sobre isto. Por quê? Não é indiferente para estes países se houver uma guerra entre o Irão e os Estados Unidos, porque as exportações do gás, petróleo destes países saem ali pelo Golfo Pérsico e, portanto, para eles não é indiferente encontrar-se uma solução negociada, que eles gostariam de ver encontrada, ou uma solução de natureza militar. E, portanto, o Irão começou por dizer que não aceitava outros parceiros à volta da mesa, que eram negociações entre o Irão e os Estados Unidos. Isso esteve quase a levar ao rompimento das negociações. Os Estados Unidos insistiram que gostavam de ter os outros parceiros também à volta, até porque são seus aliados também na região. E depois sobre o conteúdo. Por quê? Porque o Irão anda a ver se atira o problema para canto, isto é, se resolve isto com uma declaraçãozinha dizendo: "O Irão desiste das armas nucleares, não desiste do enriquecimento, não desiste da parte que já está enriquecida e que nós não sabemos onde é que anda, não desiste do conhecimento." Faz uma declaração e com isto resolve o problema. Ora, Marco Rubio, esta semana, por causa da ameaça de: "Então não vai haver negociações", veio explicar aqui quatro condições. Primeira condição: tem a ver com o programa nuclear iraniano, tem que ser terminado e não é uma declaração que vai terminar este programa. Segundo: tem que haver o fim do financiamento das organizações terroristas regionais. Estamos a falar do Hezbollah, do Hamas, dos Houthis no Iêmen, etc. Estamos a falar de uma coisa bastante mais ampla do que aquilo que o Irão gostava de discutir. O Irão queria deixar isto, como eu digo, só numa declaraçãozinha. Depois, discutir o alcance dos mísseis balísticos iranianos.

Que o Irão disse logo que nem pensar ia ser discutido.

O Irão vê nos mísseis balísticos a sua capacidade de dissuasão regional ali. E, portanto, não quer ter mísseis balísticos com alcance menor que não lhe permitam atingir bases norte-americanas ou atingir Israel. Ora, é exatamente isso que os Estados Unidos andam à procura, uma limitação do alcance dos mísseis balísticos que o Irão pode dispor. E depois ainda trouxe mais uma Marco Rubio, que era uma coisa que já andava adormecida desde os protestos. É que esta negociação inclui também o tratamento do seu próprio povo. Portanto, foi recuperar outra vez o início de toda esta crise que começou com os protestos no Irão e trouxe isso também como uma das quatro condições. Isto é, estão aqui quatro condições muito difíceis para o Irão, para haver cedências do lado do Irão. E nós andamos agora aqui à procura de uma narrativa que consiga salvar a face, porque em face daquilo que é o enorme dispositivo militar norte-americano que avançou para a região, uma declaração do Irão seria tido apenas como uma derrota dos Estados Unidos e a sua incapacidade de impor uma solução mais drástica. Eu continuo a achar que os Estados Unidos querem uma mudança no regime, querem forçar.

E que não têm como recuar, não é?

Exatamente, e que não têm muita maneira de recuar. É por isso que este conjunto de exigências é muito grande e se o Irão for obrigado a aceitar, vai diminuir a capacidade de resistência do governo iraniano. Vai enfraquecer perante a sua população, porque teve que ceder aqui em toda a linha. Vamos ver o que é que as negociações de hoje vão dar. Para a semana, certamente, estaremos aqui para falar sobre as negociações de Oman.

Entretanto, terminou esta semana, na quarta-feira, o último acordo de limitação nuclear estratégica entre os Estados Unidos e a Federação Russa. Sobre isto, Medvedev, que está sempre a ameaçar os europeus com as capacidades nucleares russas, veio mostrar uma aparente moderação e até preocupação com o fim do acordo New START. Que cortina de fumo é esta? Quando mete Medvedev, faz fumo.

Fumo, certamente. Primeiro, porque Medvedev tem sido aquela personalidade da Federação Russa que está sempre a ameaçar os europeus com bombas nucleares, e bombas nucleares em todo lado. Sobre Berlim, sobre Londres, sobre Paris. Quando Medvedev fala, estamos sempre sob ameaça.

Sempre na mira.

Sempre na mira da ameaça nuclear. E agora, o que Medvedev vem dizer é que: "Atenção que há aqui um perigo de natureza nuclear." Bolas, perigo de natureza nuclear nós já temos neste momento, porque ele não cessa de nos ameaçar com as suas armas e as imensas capacidades nucleares da Federação Russa. Portanto, não é por esta causa. Eu levantei aqui quatro causas possíveis para ver esta moderação por parte de Medvedev. Bom, este era efetivamente o último tratado que fazia a limitação de armas estratégicas entre os Estados Unidos e a Federação Russa. Isto é um tratado inicialmente assinado em 2010 Foi Medvedev que assinou este tratado por parte da Federação Russa, ele era o presidente na altura. E depois foi estendido por períodos de cinco anos até 2021, terminava agora em 2026. No dia 4 parece me terminava o tratado. Ontem já vivemos sem o tratado. E houve declarações em todo o mundo a pedir aos viras para isso. A Federação Russa quer muito. Donald Trump teve aqui há uns meses uma declaração sobre o assunto que diz tudo. Se caducar, caducou. Como quem diz: "Para mim, isto não é uma preocupação fundamental caducar". Sabemos que há negociações entre os Estados Unidos e a Federação Russa e que os Estados Unidos e a Rússia podem eventualmente prolongar durante alguns meses, seis meses, por exemplo, o tratado. Não é o tratado, o tratado em si expirou, são as limitações impostas pelo tratado. Ou seja, não obstante não haver tratado, nós vamos permanecer dentro dos limites que o tratado estipula, como se ele continuasse em vigor. Mas por que é importante para a Federação Russa a continuação deste tratado? Primeiro: ele é de natureza simbólica. E qual é o simbolismo? É que formaliza o papel da Federação Russa como uma superpotência que assina acordos nucleares com os Estados Unidos. Isto é, o desaparecimento do tratado retira também este simbolismo da superpotência nuclear em igualdade com os Estados Unidos, que negoceia igual para igual com os Estados Unidos sobre tudo isto.

Perde estatuto.

Perde estatuto o desaparecimento desta coisa. Segundo: é conjuntural também. Agora há aqui um conjunto de irritantes muito grande. Venezuela é um irritante entre a Federação Russa e os Estados Unidos, Cuba é um irritante entre os dois, Irão mais um irritante, Síria mais um irritante. Isto é, tem havido aqui um conjunto de soma de irritantes entre os Estados Unidos e a Federação Russa. Ora, conseguir um tratado com os Estados Unidos podia, de alguma maneira, salvar, perante a opinião interna da Federação Russa, a ideia de que a Federação Russa está em colapso, do ponto de vista da sua influência no sistema internacional. Conseguem os Estados Unidos ainda assinar um tratado entre pares, em que eles se reconhecem os dois como isto. Depois, econômica. A Federação Russa está de rastos. A queda da União Soviética resulta também em parte de uma corrida desmesurada aos armamentos, quando foi a questão da Guerra das Estrelas. A Guerra das Estrelas puxou, atirou a Federação Russa para uma corrida aos armamentos para poder responder à iniciativa norte-americana da Guerra das Estrelas, que contribuiu para que, do ponto de vista econômico e social, houvesse o colapso da União Soviética. Ora, a Federação Russa, neste momento, com a economia que tem, não está em condições de, de repente, se atirar agora para a melhoria, o incremento, a soma, a adição de novas. Nada. Portanto, para a Federação Russa, seria absolutamente inconveniente que neste momento se iniciasse uma corrida ao armamento nuclear, quando ela não está em condições de acabar a tomada de Pokrovsk ou de recuperar Kupiansk, que entretanto perdeu. Portanto, é preciso ver que do ponto de vista econômico, a não existência do tratado tem também consequências importantes. E depois há uma, que é talvez a mais importante de todas e que explica a declaração de Trump, que é de natureza estratégica. A Federação Russa, o que está a querer fazer é agarrar os Estados Unidos a um conjunto de limites e deixar liberdade a sua estratégia para a China ir construindo o seu arsenal.

Isso é que Marco Rúbio também falava da China.

Exatamente, ficam amarrados pelo tratado com a Federação Russa. E entretanto, a China fica com toda a liberdade estratégica para aumentar o seu arsenal nuclear. Portanto, o que é muito provável que venha a acontecer é que os Estados Unidos, não obstante, possam prolongar durante alguns meses esta coisa, que comecem a pensar num tratado mais geral, que envolva também limitações sobre a China, porque senão, se os Estados Unidos e a Rússia apenas olham um para o outro, estão a deixar um espaço estratégico de crescimento brutal no setor nuclear para a China.

Hoje focamos o nosso ponto de mira numa personagem discreta, mas aparentemente muito influente junto de Vladimir Putin, General Arnaut Braga, afinal quem é Yuri Ushakov?

Yuri Ushakov aparece pouco, mas quando fala, vê-se que é alguém que sabe. Vê-se que é alguém que está muito perto do círculo de Putin. E andava-me a falhar aqui um bocadinho, fui estudar o percurso dele.

O perfil.

O perfil de Ushakov e o seu percurso. Ele nasceu em 47, em Moscovo, e formou-se em Relações Internacionais numa escola de elites em Moscovo. Portanto, ele foi uma pessoa que começou por cima. Começou por ter um lugar na embaixada na Dinamarca e depois foi embaixador nos Estados Unidos. E esta é que é a parte importante. Ele é a pessoa que tem os telefones dos contactos importantes nos Estados Unidos. Foi muito tempo embaixador nos Estados Unidos. E esta sua capacidade foi reconhecida na altura em que Putin transitou de presidente para primeiro-ministro. Quando Putin transitou de presidente para primeiro-ministro, perdeu as relações externas. O que é que fez? Putin fez um rearranjo no governo e criou uma secção de política externa no seu governo, quando ele era primeiro-ministro. Quem é que foi buscar para o ajudar? Yuri Ushakov. Portanto, as relações de Yuri Ushakov neste círculo muito perto de Putin, já vêm de há muito tempo.

General Arnaut Braga, muito obrigada por mais um domingo aqui.

Foi um prazer.

Até para a semana.

Bom fim de semana para ti.

Para si também.

Muito obrigado.