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É isso que vamos saber de imediato. Já aqui está conosco Pedro Jorge Castro, diretor adjunto do Observador, para mais uma edição de "O Esplendor e Infâmia". Mas agora estou aqui a ver, Vanessa, hoje é terça-feira. Pedro, não te enganaste no dia?

É terça-feira.

É terça-feira.

É amanhã só. Então vai lá.

Não, traz embora. Não temos nada para por aqui.

Sim, é verdade. Estou aqui um dia antes por uma razão espetacular para os nossos ouvintes, que é: amanhã começam os debates das autárquicas na Rádio Observador. Arrancamos em grande com Leiria, minha terra, foi mera coincidência, mas dando assim início a um ciclo de debates que eu espero que seja nada menos do que esplendoroso e esclarecedor para os nossos ouvintes. Portanto, amanhã a esta hora.

Isto se vai prolongar em setembro ainda.

Isto se vai prolongar, claro. Vamos ter debates na maioria das capitais de distrito, maioria dos concelhos, e aguardo com muita ansiedade para ver quem é que se sai melhor, que surpresas vamos ter aqui. Acho que vai ser espetacular. Portanto, amanhã a esta hora arranca. Para a semana, já agora posso desvendar, quinta-feira, também na primeira hora da tarde política, vamos ter Évora. Évora, um debate muito importante junto a João Oliveira e Carlos Zorrinho, pelo menos estes dois PS deputados. E sexta, Santarém.

Também é importante porque o autarca de Santarém, se bem se recordam, que nós entrevistamos aliás numa feira nacional de Santarém, saiu antes do fim do mandato, portanto, está lá o vice-presidente.

Uma corrida que nos deixa muito expectantes.

Mas vamos lá, um esplendor de cada vez. Amanhã, debates autárquicos a arrancar na Rádio Observador. Leiria é o primeiro, mas hoje traz outro tema.

Trago.

Hoje no Esplendor queres falar de um dilema presidencial. Que dilema? Conta-nos tudo. Dilemas é o nosso preferido.

Pois é. Alguns candidatos à direita vão ter de decidir se preferem imitar Maria de Belém ou recorrer a uma técnica comunista. Ficam curiosos ou não?

Sim, claro, com essa frase.

Com esta chuva de candidatos à direita que tem vindo a entusiasmar todos os interessados por política e que acaba de se confirmar com este anúncio da Andre Ventura de que tem uma reunião para dia 12 de setembro para depois anunciar o candidato dia 15. Ou chega lá já com o candidato ou de certeza que não vão as pessoas todas estar a dizer que candidato é que querem. Também se estiverem todas a dizer que candidato querem, vão estar a dizer que o querem é ele, portanto, até pode ser essa manobra, digamos assim, ou a estratégia. Mas de facto é muita gente, e portanto, isto não vai dar para todos. Alguém vai sair daqui, ou como saiu Maria de Belém nas presidenciais de 2016. Maria de Belém, mulher, que era uma grande força eleitoral na altura, tinha sido presidente do PS, ministra popular, chegou ao fim dessas eleições em quarto lugar com 4%. E 4% é um resultado bastante embaraçoso e humilhante para alguns destes candidatos.

E é abaixo da subvenção.

Unicamente politicamente. Claro.

Mas tem outros problemas, porque é abaixo da subvenção.

Certo, Mário Silva acho que vou ficar entre zero. Mas sim, levanta este desafio gigantesco da subvenção. Eu acho que muita gente vai ter que estar aqui a fazer contas. Se não quiserem ser Maria de Belém, vão ter que adotar a tática comunista de sair da candidatura à última hora, como o PCP fez em 1980 com Carlos Brito, saiu para apoiar Ramalho Eanes, e em 81 e 86, em que saiu Ângelo Veloso para apoiar Salgueiro Maia. Portanto, das duas uma, alguns vão ter que escolher mesmo isto. Neste momento eu presumo que todos aqueles que estão na corrida e que anunciaram que vão entrar na corrida, e vamos ter novidades muito em breve, estejam atentos ao site do Observador e também aos noticiários aqui da rádio sobre a candidatura de Rui Moreira. Todos estes, estou convencido de que vão conseguir ter um excelente resultado, mas as sondagens podem convencê-los do contrário a dada altura e vão ter que tomar esta decisão.

Sendo que o único que não vai recorrer à tática comunista é precisamente o PC, acho que isso é mais ou menos garantido, não é?

É interessante, vamos ver. Acho que não irá fazê-lo desta vez, já não o faz há muito tempo, mas já vamos falar disso mais em detalhe.

Trazes também as metas do que pode ser um bom e um mau resultado para cada candidato. Vens com números?

Venho. Muitos números. Tudo isto é um número.

Vamos começar pelos dois últimos candidatos que se posicionaram, mas ainda não confirmaram. Qual é que seria a meta para João Cotrim de Figueiredo da Iniciativa Liberal?

Tudo isto é um número, mas as pessoas não são números, mas podem resumir-se a números. João Cotrim de Figueiredo está aqui entre duas balizas. Ele próprio verbalizou que gostaria de chegar aos dois dígitos. Ele teve, de facto, 9,7% nas europeias, em que foi o cabeça de lista, conseguiu de facto um grande resultado, muito acima daquilo que é o partido. Isto correspondeu a cerca de 350 mil votos. Nas legislativas com Rui Rocha, a Iniciativa Liberal teve mais votos, portanto, 500 mil votos, mas correspondendo apenas a 5%. Eu diria que tendo ele próprio posto esta fasquia, claro que acima dos 9% já seria um resultado bastante razoável, tendo em conta toda esta luta e toda esta concorrência que tem, inclusive no campo liberal, como se nota no candidato seguinte.

Rui Moreira.

Exatamente.

Estimativas é que tens?

Para Rui Moreira, fiz aqui umas contas básicas. Nas três vezes em que se candidatou à Câmara do Porto, ele conseguiu entre 40 mil e 50 mil votos. Isto é cerca de 40 a 45% daquele eleitorado. Se nós fizéssemos uma projeção desta percentagem para os distritos todos do Norte do país, incluindo Aveiro, Viseu, Guarda, é discutível aqui que estas pessoas revejam como sendo do Norte, mas Trás-os-Montes, claro, Viana do Castelo, teríamos aqui cerca de mais de dois milhões de eleitores, isto segundo as últimas eleições presidenciais de 2016, e 45% daria 800 a 900 mil votos. Claro que é discutível, Marques Mendes sendo do Norte Não entre muito aqui, que todos os outros candidatos também não recebam uma fatia grande. É muito difícil fazer esta extrapolação. Por outro lado, também é difícil de acreditar que ele não receba votos no resto do país, no centro e sul, haverá seguramente muita gente disposta a votar nele. Isto deixa-nos aqui com uma fesquia tramada. Isto mostra aquilo que a candidatura de Rui Moreira acredita, e que já iremos ver no artigo do Miguel Santos Capatos, que é o poder do norte, o poder simbólico do norte ser apresentado como candidato do norte. Ainda bate outras coisinhas. Ainda é independente formalmente e tem aqui vários ingredientes que podem fazer dele um candidato, de facto, que coloca desafios difíceis às outras candidaturas à direita. Tudo o que seja menos de 10%, eu creio que será um péssimo resultado para ele. Acima disso, claro que o objetivo dele é chegar à segunda volta, e isso parece-me muito mais difícil. Mas se ele ficar perto disso, já não é um resultado desonroso, digamos assim, ainda é novo, conserva capital político para próximos desafios, próximas presidenciais ou outras coisas.

Em função destas estimativas que aqui nos deixas, estás a dar um contributo para que Rui Moreira dê o passo em frente e anuncie daqui a pouco a sua candidatura.

Rui Moreira não precisa de contributos meus, seguramente, estou só a fazer um exercício de matemática política.

Se não fez estas contas, está contente com elas.

Está contente com elas.

Mas já deve ter feito.

Claro que sim. Vamos agora aos candidatos já anunciados. O que seria um bom resultado para António Filipe?

Partimos da base inicial do PCP, 3% nas últimas legislativas, e vamos até à esquerda toda, esta esquerda mais extrema, juntando o Bloco e o Livre, isto já dava 9%. Cada voto a mais que ele tenha além dos votos que o PCP teve nas legislativas é um ganho, porque está a ir seduzir alguém destes partidos, possivelmente, os outros partidos mais à esquerda, daqueles que nem sequer elegem candidatos. Está a alargar, de certa forma, a base do PCP, mantendo o PCP representado de alguma forma aqui. Isto tem um limite claro, e o limite é, imagino que ele de facto até conseguia um resultado estonteante, acima de 5%, 6%, 7%. Tenho dúvidas, mas não é impossível. Já começa a pôr em perigo as hipóteses de António José Seguro vencer. Vencer não, não irá vencer nada na primeira volta, muito dificilmente, mas de chegar ele à segunda volta. Se o resultado de António Filipe for tão estonteante que complique as contas de António José Seguro, se calhar não é um bom resultado, até respeitando a tática habitual do PCP. Eu creio que o PCP se tivesse que escolher entre ter um bom resultado para António Filipe, mas com a garantia de que tem um candidato da direita em Belém, ou de que, apesar de tudo, é António José Seguro, com todos os seus defeitos, na ótica do PCP, eu acho que eles prefeririam tapar a cara e prejudicar nos votos que fazem a diferença o seu candidato António Filipe.

E por falar em António José Seguro e também Marques Mendes.

Estão os dois aqui no mesmo patamar, são os candidatos mais empatados no terreno. Para eles, tudo o que não seja ficarem em segundo lugar, pelo menos, e terem a hipótese de ir à segunda volta com o almirante, isto partindo do princípio de que o almirante continuará em primeiro, apesar desta trajetória de perda que tem vindo a ter, e que eu fico muito curioso para ver como é que isto se vai refletir na segunda volta, sendo que terá resultados bastante diferentes, se calhar, se for contra António José Seguro ou contra Marques Mendes. Mas eu acho que muita gente que não quer um militar na presidência da República, que desconfia do almirante, porque não foi suficientemente testado, apesar daqueles momentos específicos da pandemia, dos fogos, das coisas que ele habitualmente fala, não foi suficientemente testado em termos de cultura política, que não o vê a arriscar muito e que tem medo que ele vá arriscar depois em Belém coisas que não mostrou ao longo da campanha. Para eles, tudo o que não seja ficarem em segundo é uma derrota. Se Marques Mendes, neste contexto dificílimo, com tantos adversários, os adversários foram todos até ao fim, se ele conseguir ficar em segundo, caramba, torna-se de repente uma coisa bastante heróica. Não lhe garante a vitória na segunda volta, mas isto está mesmo difícil, por muito que o spin da sua candidatura tente desvalorizar todas estas ameaças. E falta ver quanto é que vale o Chega. Mas mesmo no pior dos cenários, nas europeias, se forem 10%, mesmo com candidato desconhecido, isto vai fazer mossa a todos estes candidatos.

O Chega que quer apresentar um candidato até 15 de setembro, ficamos a saber isso mesmo.

Exatamente, e vai fazer muita diferença se for de facto André Ventura ou não, se for outra figura, mas se for André Ventura, acho que ainda complica mais as contas de toda esta gente.

Depois podes atualizar as contas noutro esplendor.

Vai tornar tudo isto muito fascinante nas tardes políticas que estão por vir.

Sim. Resta agora o almirante, ficou para o fim.

Não, o almirante eu já disse, o almirante ou ganha ou perde. Há o ponto de partida. A expectativa, tendo em conta as sondagens esmagadoras que havia, apesar da tendência de descida, é a da vitória. Vamos dizer assim, se ele for à segunda volta e perder naquele limite por 1%, não é embaraçoso e humilhante, é decepcionante para o próprio, tendo em conta o ponto de partida, mas não anula as hipóteses de estar aí como reserva da nação para o que vier também.

E agora vamos falar de coisas infames. E para ti, infame este episódio revelado pelo Correio da Manhã, que dá conta que uma mulher grávida deu à luz em plena rua, no Carregado, com a ajuda dos pais, depois de ter contactado a linha SNS 24 e ter sido aconselhada a dirigir-se a uma unidade hospitalar em viatura particular.

É uma história infame para todos. Como é que isto é possível? Toda a gente sempre a falar em salvar o SNS. Salvar o SNS é impedir Que aconteçam coisas destas. Cada vez que acontece isto é uma machadada no Serviço Nacional de Saúde e na qualidade do serviço, que é suposto assegurar mínimos para todos nós. Ninguém espera que seja esta a resposta dada a uma grávida. Deixa-me dizer-te que há muitas razões que podem levar a isto. Uma delas é a falta de pessoal, é o verão. Não há tarefeiros no verão e não há maneira de controlá-los nas calas e, portanto, depois desaparece toda a gente e ficamos com falta de pessoas. Nem sei se em concreto, se é isto que aconteceu neste caso ou não, seja como for, parece-me que isto não pode acontecer. E nisto continuamos a ter centenas de candidatos a cursos de medicina que ficam fora, apesar de terem notas altíssimas. E isto acontece há anos. Eu sei que é difícil criar condições para os formar. Já devia ter havido um programa de emergência para criar mais condições para formar mais médicos, seja para o SNS, seja para os privados. Claramente, isto não se resolve de outra maneira, por muita organização que haja.

Vamos então ao baú?

Vamos.

Quinta-feira é um dia animado, temos Festa do Pontal, é a rentrée tradicional do PSD. Fez pela primeira vez em 1976, ainda com Sá Carneiro. E tu tens histórias curiosas do percurso da Festa do Pontal, das oito torneiras?

O Pontal é que tem, eu fui buscar algumas e vou encurtá-las para não rebentarmos os tempos e não vos deixar em stress. Sim, primeiro Pontal em 1976, já é uma festa muito antiga, ainda com Sá Carneiro. A ideia era recuperar eleitorado no Algarve. Na altura, um dos deputados do PSD na Constituinte chamava-se Cristóvão Norte. Este nome diz-nos qualquer coisa, pai do atual Cristóvão Norte.

Que giro!

Muito engraçado. Mas o PSD era uma nulidade em termos eleitorais no Algarve, e isto era uma maneira de tentar ir ao encontro das pessoas, onde estavam pessoas. Era um festival de verão no pinhal cheio de pó, uma coisa sem grandes condições. Até havia uma etapa do Campeonato de Motocross. Depois disto, um percurso muito atribulado. Várias vezes o Pontal esteve em risco de não acontecer ou acontecendo com resultados pouco atraentes do ponto de vista eleitoral. Deixa só recordar, houve uma vez em que se fez uma festa em que António Guterres, no seu primeiro ano, antes de ser eleito primeiro-ministro, marcou uma rentrée socialista para 300 metros da Festa do Pontal e teve toda a gente a medir quem é que falava mais alto, se era Fernando Nogueira, que era o candidato do PSD na altura, ou António Guterres. Isto em simultâneo, é um grande espetáculo, um duelo de comícios e de rentrées mensurável desta forma. E depois houve um ano, em 96, creio eu, na liderança de Marcelo Rebelo de Sousa no PSD, em que não havia dinheiro para fazer isto. O PSD estava fora do poder. Quão rápido se esvaziam os cofres. E Marcelo Rebelo de Sousa deu 5 mil contos pessoalmente a Mendes Bota para organizar a Festa do Pontal, que lá se fez e continua a fazer-se até hoje. Vamos aguardar com muita atenção aquilo que vai sair da Festa do Pontal de quinta-feira à noite.

É a chamada rentrée, começa precisamente com o PSD e agora o "Esplendor e a Infâmia" vai de férias, não é, Pedro?

Uma semana, sim. Voltamos na outra.

Muito bem, fica combinado. O "Esplendor e a Infâmia", sempre com a assinatura do Pedro Jorge Castro.