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Em viagem, olhamos para a paisagem do sul do país e vemos quilômetros e quilômetros de oliveiras alinhadas. Nos últimos anos, o debate público apontou muitas vezes o dedo ao novo olival. Diz-se que gasta demasiada água, que altera a paisagem, que esgota o solo. Mas e se a ciência nos mostrar exatamente o oposto? E se o azeite que põe no prato, por exemplo, for uma das armas mais eficazes que temos para travar o aquecimento global? Bem-vindos ao "Lado B da Terra", o podcast em parceria com a B Rural, em que mostramos a realidade sem filtros do nosso território. Eu sou o João Costa e Silva e hoje, para nos ajudar a perceber se o olival, afinal, combate as alterações climáticas, tenho comigo um especialista, o Gonçalo Moreira, gestor na Olivum. Gonçalo, muito bem-vindo à Rádio Observador e obrigado por ter aceitado o nosso convite. Vamos direto ao assunto, porque é a pergunta que não quer calar. Este olival moderno retira mais poluição da atmosfera do que aquela que polui?

Bom dia, obrigado, João. Sim, de fato, o olival moderno, e não só o olival moderno, mas todo o tipo de olival. Nós, em Portugal, somos um país que temos diferentes formatos e tipos de olival, apesar de sermos um país pequenino, mas que tem visto, nos últimos anos, um crescimento desse olival moderno. Nós, Portugal, somos o país número um do mundo, pelo menos em termos de capacidade de produção, ou seja, nós temos olival moderno, fomos um país que importamos esta tecnologia de Espanha. Quando falo em tecnologia, estou falando do formato do olival, e passamos a fazer uma gestão completamente diferente destes olivais. Basta atravessar a fronteira para percebermos isso. Já não somos o país que tem mais olival moderno, por área, porque somos pequenos e isso nunca vamos conseguir ultrapassar, mas temos uma grande capacidade produtiva pela forma como vamos fazendo esta gestão destes olivais. E nós, para termos uma noção, em 2024, nós tivemos os olivais mais produtivos do mundo, não em quantidade, mas quantidade de azeite por hectare. Isso, de fato, orgulha-nos muito, porque ainda por cima somos o país número um do mundo a produzir com qualidade. Mas a pergunta que me faz é se contribui para aquilo que são as alterações climáticas ou, pelo menos, para mitigar e tentar combater. Sim, o olival, e principalmente o olival mais moderno, tem uma capacidade de captação e de retenção de carbono assinalável. A área toda do olival que nós temos em Portugal, estima-se que consiga reter 2,6 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Isto representa 38% daquilo que é a emissão de carbono por parte da agricultura e 4% daquilo que Portugal emite em todas as outras atividades econômicas. Portanto, não é uma coisa de somenos. E quando olhamos para os tipos de olival, nós estamos a ver uma cultura permanente, que está e passa o dia inteiro a fazer fotossíntese, o ano inteiro a fazer fotossíntese, porque é uma árvore de folha perene, portanto, tem folha o ano inteiro, e que podemos ir, quando pensamos no olival mais tradicional, de 1,5 toneladas de CO₂ por hectare por ano, até chegarmos a 15 toneladas de retenção de CO₂ por hectare por ano. Portanto, é uma capacidade de retenção de carbono muito interessante. O olival também emite, obviamente, na sua gestão, mas depois ainda temos outras questões associadas, que aí, sim, têm que ver com a forma como nós gerimos os olivais e, portanto, aquilo que dizia há bocadinho, que a forma como nós o fazemos, e fazemos diferente de outros países, e acho que de uma forma muito mais eficiente, com coberto vegetal, áreas não plantadas, com o fato de não revirarmos o solo. Portanto, é uma cultura permanente que está no solo durante muitos anos e basta vermos isto: de cada vez que reviro o solo, de cada vez que faço uma operação agrícola em que tenho que fazer o reviramento do solo, nomeadamente para a plantação ou para a instalação de culturas anuais, como é o caso dos cereais, eu de cada vez que faço isso, eu estou a perder umidade no solo, mas estou principalmente a mineralizar aquilo que é matéria orgânica no solo e, ao mesmo tempo, estou perdendo matéria orgânica. Portanto, eu cada vez que consigo manter o meu coberto vegetal, que eu consigo não revirar o solo, eu consigo manter mais umidade no solo, tenho mais matéria orgânica no solo e consigo reter mais carbono pelas áreas que não plantadas, como disse há bocadinho, pelas áreas de coberto vegetal que nós temos. O que nós temos aqui? Depois temos também uma planta, como disse há bocadinho, que o fato de estarmos a fazer fotossíntese, nós estamos constantemente a reter carbono. Onde? Na madeira da árvore. Em tudo aquilo que são as suas folhas, aquilo que são os seus frutos, mas também a incorporar nas suas raízes e a incorporar CO₂ no solo. Portanto, é de todo interessante termos aquilo que é uma barreira verde, se assim quisermos, até mesmo no combate à desertificação. Quando olhamos para o Alentejo e para o sul de Portugal, e que dizemos que é uma das regiões mais sensíveis e onde vemos o deserto avançar, são estas as frases que ouvimos muitas vezes. O fato de termos uma área de uma cultura que é permanente, que não revira o solo, que tem o coberto vegetal, que capta carbono durante 365 dias por ano, no fundo, o que nós temos é uma barreira verde, até mesmo a essa desertificação. E, por isso, sim, é uma cultura que nos ajuda naquilo que são o combate ou na mitigação às alterações climáticas e à retenção do CO₂. Só para lhe dar aqui um número que me parece a mim muito interessante, e este número é de 2020.

Mais um, não é? Já falamos aqui de números muito impressionantes.

Impressionantes, posso-lhe dar um outro. Aquilo que nós temos, só o olival, e portanto, aqui olhando só para o olival moderno, aquilo que nós temos é: o olival moderno que está instalado na região do EFMA, ou seja, a influência do Alqueva, só na área regada por Alqueva, consegue reter qualquer coisa como o mesmo daquilo que é libertado por 82 mil pessoas. E estamos a falar da mesma quantidade de população da cidade de Beja e Évora juntas. Portanto, é muito interessante percebermos.

Pensar nisso dessa forma é...

E é mais do dobro daquilo que é emitido por estas pessoas. Portanto Estamos a compensar aquilo que essas duas cidades produzem em mais do dobro. Isto é muito interessante e estes números, a mim, deixam-me sempre impressionado.

Claro. Este podcast, o "Lado B da Terra", é muito dirigido também ao público mais jovem e para os mais jovens a sustentabilidade é um valor nada negociável. Eles querem saber se estamos a secar o país para produzir azeite. E é muito importante também esta questão da gestão e o desafio da água. Como é que a Olivum e os produtores estão a responder a este desafio, que é diário?

Sim, hoje em dia, já não se rega só porque sim, ou não se rega a olho. Nós olhamos para uma cultura que é extraordinariamente bem adaptada àquilo que é o clima mediterrânico, como é o caso da oliveira. É uma planta que, não é uma questão de originalmente, é uma planta de sequeiro. Não tem que ser necessariamente regada para produzir, que isso é uma questão interessante. Nós temos outras culturas que foram instaladas em Portugal, que são tropicais e que só cá estão e só conseguem produzir porque lhes é dada água. A oliveira, não. Se eu tiver um problema e se por algum motivo não houver água, ela vai produzir. Produz menos? Sim, é um facto. Não há planta nenhuma, qualquer pessoa que tenha um vaso em casa sabe que se regar a sua planta, ela vai agradecer.

Sim, se regarmos todos os dias.

E claro que ela vai gostar, como é óbvio. E a oliveira corresponde exatamente no mesmo formato. Agora, a água tem um preço e não há agricultor nenhum, nem olivicultor nenhum, que esteja disponível para regar mais do que aquilo que é necessário naquele momento, até porque isso é contraproducente até mesmo para a vida da planta. Aquilo que nós temos hoje em dia no campo, nós já não regamos a olho, nós temos sensores, sondas de humidade. Temos que perceber muito bem qual é a quantidade de água que existe no solo a 20, a 40, a 60, a um metro, porque não queremos estar a perder água, porque não queremos estar a perder nutrientes, porque muitas das vezes é feita a fertirregua, através do sistema de rega, dou também os nutrientes à minha planta, que estão adequados e ajustados ao momento em que a planta está, de desenvolvimento, de crescimento, de produção de fruto, de floração, etc. É tudo muito ajustado, é tudo muito medido. Não é colocado a olho só porque sim, ou ponho no início do ano à espera que ela depois em abril vá absorver aquele nutriente. Isso não existe.

As novas tecnologias dão uma grande ajuda nesse sentido.

Uma grande ajuda e eu consigo ter num hectare, às vezes, mais sensores e mais medidores e uma quantidade e uma geração de dados absolutamente brutal, do que às vezes tenho em alguns escritórios, mesmo aqui em Lisboa.

Aquela visão antiga da agricultura é uma coisa do passado, que muitas pessoas ainda têm hoje em dia.

Mas referindo ainda a água, aquilo que nós temos, nós temos uma sensorização tal no solo, na planta, dentro de nós conseguimos perceber se a água está a subir pela planta, se está a chegar à folha, etc. E nós fazemos uma gestão da rega com satélites, NDVIs, com drones, com sensores, exatamente para sabermos que quantidade de água que temos que dar às plantas e damos exclusivamente na quantidade necessária em cada momento. É a cultura permanente que menos água consome em Portugal. Obviamente, nós na agricultura não podemos e não devemos estar a atacar outros, porque o agricultor, e isto é uma coisa que muitas vezes hoje dizem: "o agricultor é um gastador de água". O agricultor é um incorporador de água nos alimentos. Nós pensarmos noutros alimentos, e vou falar aqui num outro, que é o caso do tomate, 95%, 97% é água, que a pessoa compra no supermercado porque o agricultor o incorporou dentro do alimento. E na oliveira e no fruto, é a mesma coisa. Aquilo que nós fazemos, utilizamos a água para produzir alimentos, para conseguirmos ter azeite, para que a planta esteja confortável para fazer essa produção. Porque, como lhe digo, a água tem um custo, o fertirregua tem um custo e tudo é medido e ajustado na quantidade ótima e também não queremos perder um recurso, que é para nós importante, e gastar mais do que aquilo que é necessário, como também darmos água a mais vai ser contraproducente, não só para o ambiente, mas também para a própria cultura.

Claro. Há aqui outro ponto forte na vossa atividade, que é o desperdício zero. Gonçalo Moreira, o que é que sobra da produção de azeite? Ou seja, que novos produtos é que podemos ter desta forma de olhar para a vossa atividade? Ou seja, não havendo desperdício zero, o que é que sobra? O que é que se transforma?

A pergunta é muito interessante, porque é o seguinte, neste momento, posso-lhe dizer que não sai nada dentro de um olival ou de um lagar que não tenha uma segunda vida. E aquilo que antigamente, ou muitas das vezes, era olhado como sendo um resíduo, e tendo inclusive algum custo na sua gestão, neste momento temos que olhar, e olhamos, para os subprodutos ou os coprodutos, como produtos que têm valor. Um lagar hoje em dia já não produz só azeite. Produz azeite, produz caroço, produz bagaço, produz folhas. E posso-lhe dizer, o bagaço, por exemplo, hoje em dia tem uma utilização ou para extração de óleo alimentar ou para valorização energética, como é o caso da produção do biogás, e também, principalmente, para a incorporação em pilhas de compostagem, para depois retornar e devolver e poder alimentar o solo. É muito importante, nós temos até 2030, 2035, que reduzir muito aquilo que é os fertilizantes sintéticos.

É esse o grande desafio?

Este é um grande desafio, mas é um desafio que nós estamos efetivamente à frente de outros países. Nós quando olhamos para outros países produtores de azeite, muitas das vezes, se olharmos aqui para Espanha, eles têm 62 extratoras. Nós em Portugal temos cinco, sete extratoras, para tratarmos o bagaço e não temos planos para mais, nem autorizações, o que é bom Porque obrigou foi que os lagares e que o setor tivesse aqui uma segunda revolução e tivesse que olhar para aquilo que poderíamos pensar que seria um problema, como sendo uma oportunidade e passarmos a ter a compostagem. E com esta questão da compostagem, conseguimos depois responder a um outro desafio, que é como fertilizar o campo e utilizar isto como uma oportunidade. E neste momento já temos lagares, temos empresas, estamos a falar de lagares, que já têm outras empresas que produzem composto, e que está vendido. E não é que haja falta de produto, até porque a perspectiva é que Portugal vá praticamente duplicar a sua capacidade de produção de azeite e com isso também duplicar a sua produção de bagaço. Mas temos agora a questão do biogás, que é uma questão importante. Temos o caroço da azeitona, que é talvez das biomassas com maior capacidade e poder calorífico. Até que há três, quatro anos era considerado um resíduo e nós conseguimos, com grande trabalho do Olivo, junto da APA, do Ministério do Ambiente, fazer a desclassificação deste subproduto, que noutros países já era valorizado energeticamente e que nós não valorizávamos, que não tem libertação praticamente nada de carbono, que não deixa resíduos e que nós podemos utilizar, incorporar e que exportamos. Temos aqui um valor acrescentado até mesmo para a exportação do país. As folhas são utilizadas para produção de papel, para retirar biomoléculas. As águas residuais, e estamos a falar das águas russas dos lagares, utilizadas para arrefecimento das pilhas de compostagem, por sua vez, são também incorporadas na rega, utilizada também para fazer rega no olival. Reciclamo-nos a água e ainda temos a retirar algumas biomoléculas também. Aqui estamos a falar da área da cosmética e da indústria farmacêutica. Não há nada que saia hoje em dia de dentro de um lagar ou de dentro de um olival, que não tenha, de facto, uma circularidade, uma segunda vida. É isto que eu digo.

Só ótimas notícias.

Os meus associados já não produzem só azeitona e azeite, mas já produzem toda uma miríade de produtos. Posso-lhe dar um exemplo muito interessante, apesar de ser além-fronteira, os carros da Ford, em Espanha, parte dos seus plásticos são bioplásticos produzidos a partir do caroço de azeitona. Em Portugal, já temos sacos plásticos, já temos esta incorporação. Em Barcelona, vão começar a instalar macadâmia nas estradas, o alcatrão começa a incorporar, por exemplo, também caroço de azeitona e alguns biorresíduos. É interessante termos que olhar para estes produtos e, de facto, é talvez dos setores mais circulados que nós temos em Portugal e que muito nos orgulha.

Isso é muito bom.

Sim, porque olhamos e vemos os nossos produtores, primeiro, porque temos que encontrar solução para estes subprodutos, mas o mais interessante é que eles já não olham ou não se olha para estes subprodutos como sendo um problema ou como sendo um resíduo, mas sim já num formato de valorização. Como é que eu vou valorizar isto? Como é que eu vou encontrar mais soluções? E elas existem, estão a surgir. Todas as semanas aparece mais uma notícia de uma nova solução ou de uma possível solução.

Gonçalo Moreira, nós temos pedido a todos os nossos convidados para deixar uma mensagem para o público mais jovem. Já disse que o setor do azeite em Portugal passou de uma atividade mais tradicional para uma indústria de topo mundial, e temos ouvido isso ao longo deste episódio. Se um jovem engenheiro, gestor ou cientista ambiental nos estiver a ouvir neste momento, que futuro e que tipo de carreiras é que ele pode encontrar?

Nós estamos no centro olivícola e quando pensamos no olival moderno, Portugal tem, e como comecei por dizer logo, nós temos diferentes realidades no olival, mas também o olival tradicional tem se vindo a adaptar, e tem vindo a tentar modernizar-se. Isto só para dizer que é em todo o país e que temos diferentes realidades. Mas nós quando olhamos para o setor oleícola, começamos a ter desafios. Nós já não precisamos só de engenheiros agrônomos, nós já começamos a precisar de analistas de dados. Nós produzimos uma quantidade de dados imensa no campo, mas no lagar, exatamente a mesma coisa. Precisamos de gente que saiba conduzir drones, de pessoas que saibam analisar os dados, de técnicos e de sondas e de analistas, mas principalmente sensorização, que é uma questão muito importante. Precisamos muito daquilo que é qualidade, precisamos muito de gente que saiba tratar estes subprodutos, como disse há pouquinho, é todo um desafio, produção energética, tudo isto. Há muita coisa. Há uma questão muito interessante e que é muito infeliz. Começo por aqui já, que é: eu tenho três filhos e olhar para os livros da escola dos meus filhos e cada vez que se fala em agricultura, o agricultor ou é um poluidor.

Há essa visão ainda muito desatualizada.

Normalmente é o que aparece, ou então aparece um senhor com uma vara na mão a bater numa oliveira. Que continua a existir e nós temos que falar nestes formatos mais tradicionais da colheita, mas a colheita hoje em dia já não é isto. É um prazer que eu tenho de convidar as escolas. Nós temos um projeto que é a produção de azeite sustentável, em que convidamos as escolas, e não só, a virem ao campo e vir conhecer. Normalmente, as pessoas mais velhas, estou a falar dos professores, dos auxiliares e outras comitivas que nós convidamos de adultos, e que saem sempre dentro de um olival ou de um lagar a dizer: "Eu não sabia que isto era assim". Porque quando chegam, aquilo que vemos são drones a funcionar no campo, que deixa os miúdos completamente-

Claro, fascinados. Não acreditam.

É impressionante. É mostrar-lhes depois as imagens de satélite e ver até ao pormenor onde nós conseguimos chegar, de conseguir identificar a planta, a parcela onde estamos, etc. E depois ver se a planta está hidratada, se não está hidratada, com o satélite que está bem longe. A mesma coisa fazemos com os drones, fazemos tratamentos e, neste caso, incorporação de fertilizantes, por exemplo, através de drones, monitorização com drones. As máquinas de colheita são absolutamente incríveis, computadores, ecrãs, aquilo tudo lá dentro é tudo absolutamente digital e ao mesmo tempo conseguimos ter tudo isto no nosso computador, conseguimos ter isto nos nossos telemóveis, que também já são minicomputadores que temos no bolso. E é muito interessante Que as pessoas não tenham conhecimento desta realidade e depois quando chegam percebem que afinal a agricultura não é nada daquilo que encontraram nos seus livros da escola. Isso é bom, cada vez que fazemos esta experiência, é mau os livros da escola, porque depois quando se pergunta porque é que não temos alunos nos cursos de agronomia, se a imagem é aquela que passa na agricultura, infelizmente ainda é, e por isso às vezes não temos tanta procura. Começamos a ter agora em outros cursos que nada têm a ver com a agricultura.

Ia-lhe perguntar se tem sentido que há uma maior procura nesse sentido e também de perceber a vossa realidade, não é?

Começamos a ver outros cursos, outras realidades e outras formações que de repente perceberam, e para isso o Be Rural tem sido fundamental e tem tido um contacto com as universidades, com as escolas e com outros cursos que não têm necessariamente que ver com agronomia. E aquilo que nos surge hoje em dia, temos muita informática, temos muitos analistas de dados, temos muita comunicação, porque a agricultura não comunica bem, está a comunicar melhor e começou a perceber que precisa de comunicar. E as pessoas da comunicação também perceberam que está aqui um nicho de mercado interessante e que a agricultura, de facto, está tão evoluída. Nós produzimos muito bem. Nós somos um país extraordinário em termos de agricultura, que eu acho que os próprios comunicadores ou os profissionais da área da comunicação, quando se aproximam, percebem que isto tem muita coisa para contar, muita coisa para fazer. E, portanto, há tudo isto para fazer, num olival, seja num lagar, seja na produção do azeite. A promoção do azeite é uma coisa fundamental, por exemplo, que tem muito que ver com comunicação, obviamente, mas tem muito que ver com saúde. E, portanto, há todo este potencial para profissionais que não têm necessariamente que ser engenheiros agrónomos, que eu gostava muito que continuássemos e que tínhamos cada vez mais engenheiros agrónomos de grande qualidade como temos em Portugal, mas temos todas as outras áreas e profissões que são fundamentais e que são muito importantes para pôr a nossa agricultura e a nossa olivicultura a trabalhar.

Gonçalo Moreira, és gestor na Olivum. Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite e por nos trazer este lado B do olival, por demonstrar também que a sustentabilidade se faz com tecnologia e pesa 160 toneladas e sempre com muitas ideias para inovar.

A sustentabilidade é, de facto, um tema fundamental, muito importante, no qual a Olivum tem trabalhado muito e para a qual o nosso olival tem vindo a contribuir muito para aquilo que é a balança comercial, mas não só, portuguesa.

O "lado B da Terra" fica hoje por aqui. Da próxima vez que temperar a sua salada com azeite português, possivelmente vai-se lembrar que está a consumir um produto que ajudou a limpar o ar do nosso planeta. Eu sou o João Costa e Silva, siga o projeto Be Rural nas redes sociais e subscreva também este podcast no site da Rádio Observador ou na sua plataforma habitual. Além deste episódio com o Gonçalo Moreira, há muitos mais para ouvir. Até lá, até ao próximo episódio.