Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"O Lado Bom da Vida" com a regressada Catarina Santos. Não falávamos há tanto tempo, Catarina. Muito bom dia, bem-vinda.
É verdade. Bom dia, Nelson. Já tinha saudades tuas.
Eu também. Aparece mais vezes. À quinta-feira falamos de cinema no "Lado Bom da Vida" e para que nos ponhas aqui a par das novidades da semana, a editora da equipe de multimídia do Observador está de novo conosco. Catarina, o que é que nos trazes hoje? O cinema tem sido uma área tão afetada também por esta pandemia, não é?
Sim, mas tem encontrado as suas soluções. E hoje vamos voltar a falar de cinema para ver em casa, claro está, e de um cardápio que já referimos aqui há umas semanas. Isto porque a Quarentena Cinéfila da Medeia entra na segunda fase e tem mais cinco filmes gratuitos para ver online no site da distribuidora. Há duas novas obras por semana. Hoje estreia-se "Eu e Tu", de Bernardo Bertolucci.
Este que foi o último filme do realizador italiano, que morreu em 2018, não é?
Sim, acabou por ser o último e aconteceu já numa fase em que Bertolucci até achava que já não voltaria a filmar. O filme é de 2012. Tinham passado já 10 anos desde que ele tinha feito o último filme, "Os Sonhadores", e nessa altura o realizador estava debilitado, deprimido por estar dependente de uma cadeira de rodas. Bertolucci chegou a dizer que o facto de não se conseguir deslocar pelo platô seria um grande impeditivo, mas acabou a concluir que, e passo a citar: "As coisas não seriam assim tão diferentes com a minha cadeira de rodas e o seu magnífico joystick." E foi assim que voltou ao trabalho com "Eu e Tu", esta adaptação de um livro de Nicoló Ammaniti.
É, e neste caso, com uma enorme vantagem, não é? O facto de o filme se passar todo numa cave, portanto, não implicava grandes deslocações.
Exatamente. Esta é a história de um adolescente com bastantes problemas de socialização e que finalmente encontra uma forma de oásis temporário. Diz aos pais que vai participar numa visita de estudo, mas na verdade, vai passar uma semana fechado na cave do prédio onde vivem. Mas a semana não será tão solitária como desejava, porque entretanto aparece a sua meia-irmã e tudo muda. E mais não conto.
Fazemos aqui uma paragem técnica nos anti-spoilers. Diz só uma coisa que essa podes revelar, onde é que podemos ver o filme e até quando?
Está disponível de forma gratuita no site da Medeia Filmes, a partir das 12h de hoje e até às 12h de segunda-feira.
Muito bem. E que mais há nesta segunda fase da Quarentena Cinéfila?
Ao meio-dia de segunda-feira fica disponível "Uma Hora Incerta", de Carlos Saboga. O filme leva-nos para 1942, para um Portugal mergulhado no salazarismo, e acompanha dois refugiados franceses, Boris e Laura, que são presos. Um inspetor, atraído pela jovem mulher, decide escondê-los em casa até que a sua própria mulher os descobre e, cega pelo ciúme, de alguma forma vai tentar fazê-los desaparecer a todo o custo. No elenco estão nomes como Joana Ribeiro, Paulo Pires e Judith Davis.
E esse podemos ver até quinta-feira da próxima semana. Catarina, o que é que temos mais em lista?
De hoje a oito dias estreia-se "Road to Nowhere: Sem Destino", de Monte Hellman. O filme é de 2010 e ganhou o Leão de Ouro Especial no Festival de Veneza. Esta é a história de um cineasta que julga ter encontrado o argumento perfeito numa história verídica, o caso de dois amantes envolvidos num escândalo de fraude que culmina num duplo suicídio. O cineasta acha que encontrou a musa perfeita para dar corpo à história, mas o enredo vai se complicando até que não é fácil perceber onde começa a ficção e onde termina a realidade. Este "Road to Nowhere" foi o filme de regresso de Monte Hellman, depois de 21 anos sem fazer uma longa-metragem. O realizador chegou a dizer que não bastava vê-lo duas vezes. Pois bem, têm entre os dias 18 e 22 para verem as vezes que quiserem.
E falta falar de mais dois filmes para ver gratuitamente ainda este mês. Conta-nos lá tudo.
Ora, no dia 22 estreia-se o documentário "Boom for Real: A Adolescência Tardia de Jean-Michel Basquiat", de Sarah Driver, que nos dá acesso aos anos anteriores à fama do artista norte-americano, quando era um adolescente sem abrigo, e que nos permite mergulhar nesta Nova York dos anos 70 e 80. A Quarentena Cinéfila fecha com "Asas", o primeiro filme de Larisa Shepitko, nascida na Ucrânia, nos tempos da União Soviética. Ela acabaria por tornar-se uma das cineastas mais aclamadas de sempre e seria a segunda mulher a receber um Urso de Ouro pela realização, com o filme "A Ascensão", uns anos depois. Este primeiro filme, "Asas", pega na história de uma antiga piloto que teve um passado glorioso durante a Segunda Guerra Mundial e que no fim dos anos 60 lida com o tédio de ser uma simples diretora de escola e com isto vai-se refletindo sobre uma Rússia em transição e um grande fosso entre gerações. Este fica disponível entre 25 de fevereiro e 1 de março. Para já, não sabemos se haverá mais fases desta Quarentena Cinéfila. Como tudo o resto, o cinema está dependente da evolução da pandemia, portanto, aguardemos.
Muito bem, Catarina Santos, editora de multimédia do Observador, aqui às quintas-feiras com sugestões de cinema no "Lado Bom da Vida", hoje mais dedicadas a esta Quarentena Cinéfila. Catarina, obrigado por estas sugestões. Bom resto de dia.
Muito obrigada. Bom dia. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto