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Mais um sábado, mais um "O Que é Que Sucede?" na Rádio Observador com a nossa Ana Garcia Martins. Bem-vinda.

Olá.

Como estás?

Meus panadinhos com queijo.

Gosto sempre das alcunhas que a Ana traz.

São bonzinhos? Ótimo.

Panadinhos com queijo são tipo almofadinhas.

Sim, almofadinhas. É isso.

André, para que isto?

Gosto muito.

Como está a semana?

Eu gosto porque ele desenvolve o tema.

Ele não aceita só e pronto.

"Mas que tipo de panadinhos? Mas panadinhos de que marca?"

Mas porque é que és almofadinhas?

Sou fã.

Olha, folgo em saber que estão bem. Gosto de vos ver assim vivaços.

Sempre cheios de energia.

Sempre. Ao sábado, é de admirar.

Quando é para falar de panados, eu fico logo.

Logo, já logo animado. Não vamos falar de panados, mas mais à frente, mais para o final, vamos falar de comida. Portanto, guarda esse entusiasmo para mais logo. Então esta semana começou e terminou da mesma forma, com polémicas em torno do movimento cívico Ação Ética. Pronto, não sei se se lembram, a coisa arrancou logo na segunda-feira, que era para começarmos a semana com alguma agitação, com a apresentação do livro escrito por vários membros deste movimento. A obra, que tem o bonito nome de "Identidade e Família: Entre a Consciência da Tradição e as Exigências da Modernidade", que a pessoa até tem que respirar para ganhar fôlego. Só isto ocupa as páginas todas. É só o título e não tem mais nada.

Exatamente.

E o livro deu todo um falatório só pela personalidade escolhida para a apresentação, Pedro Passos Coelho. Portanto, ainda ninguém tinha lido uma página que fosse do livro e já o livro estava a dar um camadão de nervos a metade do país só pelo apresentador. Bom, para terminarmos a semana em beleza, ontem novamente o movimento Ação Ética, criado entre outros, por Bagão Félix, voltou a irritar as pessoas, porque este é o movimento que parece que só está bem a arreliar os outros. Bom, então desta vez o problema é uma proposta que o Ação Ética vai apresentar brevemente para que se crie um estatuto legal e fiscal para a mulher dona de casa. É isso?

Que divertido.

As mulheres já vêm adorar.

Um estatuto e um subsídio para a mulher dona de casa. Pronto. A medida parte de um dos membros do movimento, Paulo Otero, que considera que as mulheres são mais propensas a estar em casa, uma vez que realizam atividades insubstituíveis e que a maternidade é reservada às mulheres.

Que lindo.

Mas isto continua.

Rindo de nervoso.

Rindo de nervoso. Ele desenvolve a teoria e diz que há dois tipos de donas de casa.

Subcategorias.

Sim, dentro da dona de casa há muito. A primeira é aquela que ele diz ser o elo mais fraco da cadeia, que são mulheres que estão no desemprego, ou porque não conseguem arranjar um trabalho, ou porque então não têm dinheiro para pagar uma creche e têm de ficar em casa a tomar conta dos filhos. Para Paulo Otero, estas mulheres acabam por ficar numa situação de maior vulnerabilidade e dependência e, portanto, podem acabar sujeitas a situações de violência doméstica, daí a necessidade de um subsídio que as proteja. Já o segundo tipo de donas de casa diz respeito às mulheres que também trabalham fora de casa e que muitas vezes, que eu diria que somos todas, fazem o lido da casa e também trabalham fora, sendo que muitas delas não conseguem estudar mais e obter profissões mais qualificadas e, portanto, também essas devem receber um rendimento líquido mensal ou anual.

Eu fico triste por não falarmos dos donos de casa.

Mas eu acho que a medida não é totalmente descabida se tirarmos aqui a parte da dona de casa.

É uma pessoa que é doméstica.

É uma pessoa que é doméstica e que pode ser um homem também. Há muitas pessoas por estes motivos, ou porque não têm dinheiro para pagar creches, ou porque preferem efetivamente ficar em casa a educar os filhos. E que também é um grande trabalho. Eu pessoalmente, para mim seria um pesadelo, mas há quem faça gosto e faça questão nisso. E de facto, eu acho que até pode fazer sentido.

Mas é o rótulo que eles dão.

E subsídio também.

Acho que a escolha não é...

Um incentivo.

Já era melhorzinho.

Pronto. Olha, as redes sociais explodiram com esta ideia e não foi propriamente uma explosão assim de alegria e de entusiasmo, não.

Manda vir.

Foi assim mais uma explosão de incredulidade. E temos então comentários como: "Ainda achávamos nós que viajar no tempo era impossível. Aqui estão as propostas para viajar até o ano 1500." Temos também: "Liguem para o Museu de História Natural. Alguém precisa de ir buscar estes dinossauros."

Gosto tanto da internet.

E sobre a frase: "Há coisas que só as mulheres podem fazer, é a maneira destes dinossauros admitirem que não sabem estralar um ovo, nem coser um botão, nem trabalhar com a máquina de segar, nem ligar o aspirador, nem lembrar-se das consultas dos filhos."

Ora bem.

Não diria melhor. E a lista continuava.

Sim. E essa já era longa.

Efetivamente, tirando ter mesmo os filhos e amamentar, o que é que é absolutamente insubstituível?

Sim, e o que é que as mulheres sabem?

Eu sei que é tudo, na prática é tudo.

É, mas parece que há algo que está nos genes da mulher.

Mas efetivamente, vocês conseguem fazer tudo. Não é, André?

Não olhem para mim.

Ainda por cima és o único homem aqui, então claro que inconscientemente vamos olhar para ti, vamos vendo.

Ainda não ajudo os meus filhos porque não os tenho.

Vamos agredir-te mentalmente. Pronto.

Ai, meu Deus. Mas vamos, por favor, falar de uma coisa mais melhorzinha.

Também não é melhor. Depende. Esta aqui vai ser coisas que eu descobri nas redes. Vamos lá.

Pronto, vamos lá. Agora, se é bom, se é mau?

Depende. Quer saber? Vamos dar um salto à nossa rede social preferida, o Instagram.

Gosto tanto.

Que anunciou esta semana que vai começar a desfocar nudes nas mensagens privadas.

Nas privadas?

Sim, naquelas mensagens diretas. Vocês recebem muitos nudes?

Não.

Não?

Ainda bem.

Eu já nem vou perguntar se enviam, vou só perguntar se recebem.

Não, por acaso não.

Infelizmente.

Estou bem assim.

Eu também recebo poucos, graças a Deus, Nosso Senhor.

Não há nada pior do que uma nude indesejada.

Não há. Não há nada mais deprimente do que abrir a caixa de mensagens e bater com os olhinhos na imagem não solicitada, de alguém desnudo. A minha eterna questão é sempre: o que estas pessoas acham que conseguem com isto? A pessoa olha e diz: "Ah!"

Isso é o que eu penso dos piropos. Na estrada, por exemplo, o que a pessoa pensa? "Ah, sim, vou já largar o meu carro e vou ali."

Mas às vezes dá vontade de fazer isso. "Agora, então vou parar tudo. Então, o quê? Vamos lá. O que é que vai acontecer?" E depois já sabemos que não vai acontecer nada.

É que isto aconteceu outra vez esta semana. Estava aqui a reviver memórias, mas sim, vamos continuar.

Este é um espaço para partilhas.

Obrigada, amigos.

Partilha das mulheres.

Está. De repente parece que parecemos incapazes. Olha, eu nunca recebi nudes de pessoas que eu conheço. Até porque já era meio estranho. Mas menos ainda de pessoas que eu não conheço de lado nenhum, portanto estejam só sossegadas. Mas pronto, esta medida prende-se sobretudo com os menores de idade, porque não faltam casos de miúdas e miúdos que enviam fotos íntimas através do Instagram e depois veem essas mesmas fotos a circular por aí sem a sua autorização ou acabam mesmo vítimas de chantagem. A Meta anunciou então que vai começar a testar estas novas medidas em breve, nomeadamente um controlador de nudez que desfocará imagens de natureza sexual. Diz a Meta que desta forma o utilizador não é confrontado com a nude e poderá escolher se a quer ou não quer ver. Portanto, é uma espécie de "Agora Escolha". Vocês são novos, se não sabem o que é o "Agora Escolha".

Sou nova, mas sei.

Isso é, no fundo, como aparece nas publicações. Se calhar aparece aquele simbolozinho e diz "conteúdo chocante."

Exatamente. Queres ou não? Além deste desfoque, o Instagram ainda vai enviar uma mensagem a quem recebe o tal nude, a dizer que a pessoa não é obrigada a responder e que pode simplesmente bloquear e denunciar o autor da foto merrota. Esta ferramenta vai ser instalada e ativada automaticamente nas contas dos utilizadores menores de idade, mas os mais crescidos, como a gente, também vão receber uma notificação de incentivo para que ativem a funcionalidade. Olha, eu quero isto já para ontem.

Mas isto é só entre seguidores também é assim ou é só, por exemplo, nós não seguimos essa pessoa, essa pessoa segue-nos e pode mandar ou é para todos?

Isso não está explícito. Mas eu, por exemplo, não preciso.

É para todos. Mais vale.

Também prefiro. Vai que a minha tia-avó se engana e me manda um nude.

Isto é só no Instagram ou é em todas as redes da Meta, ou seja, WhatsApp também?

Olha, agora vocês vieram daí com perguntas técnicas daquelas.

Estamos muito curiosos.

Não sei.

Podemos só aceitar, André.

Mas acredito que o Instagram seja onde se recebe mais. O WhatsApp precisa de um número, não é?

Os miúdos já não usam Facebook. Já ninguém usa.

Nem os miúdos, nem os graúdos.

E à partida, no WhatsApp estás mais protegido, porque só quem tem mesmo o teu número, mas quer dizer, também se arranja. Os números também se arranjam.

Questões para aplicar mais à frente. Por enquanto ficamos com esta informação.

Ficamos. Exato. Bom, olha, vamos seguir. Seguimos agarrados aos telemóveis, como sempre. No fundo.

Pois, está claro.

E eu penso que nunca é demais alertar para a quantidade de maroscas a que estamos sujeitos nos tempos que correm. Não faltam burlas para nos tentar sacar dinheiro, para ter acesso aos nossos cartões de crédito, gente a tentar fazer-se passar por nós. É um sem número, sem fim de tramóias. Ora a mais recente trafulhice que anda por aí é malta, hackers neste caso, a tentar aceder aos nossos iPhones. E como é que fazem isto? Eles começam a enviar uma catrefada de notificações que parecem mesmo as notificações oficiais da Apple, do iPhone, a dizer que nós temos de mudar a password do nosso iPhone. E eles são mesmo insistentes, são dezenas de mensagens seguidas, iguais, até a pessoa achar que aquilo é real, e vai na cantiga. Quando isto não acontece, quando a pessoa não aceita, o que é que eles fazem, os malandros? Eles ligam para a pessoa, fazem-se passar por funcionários da Apple para sacar informações.

Não se cansam destas coisas.

Estamos sempre sujeitos.

Nunca podemos dizer que estamos em segurança. Não dá para confiar em ninguém. Bom, a primeira fase de envio de mensagens pode acontecer ao longo de horas seguidas ou mesmo dias, e só então passam para a fase da chamada telefónica. E os sacanas são tão bons que eles conseguem mascarar o número de telefone de onde estão a ligar para fazer parecer que é mesmo uma chamada da Apple.

Ou seja, se tu pesquisares o número no Google, se calhar aquilo vai dizer que é um número da Apple.

Sim. Durante a conversa, o hacker informará as pessoas que foi detetado um ataque e pedirá que a pessoa compartilhe um código que recebeu através de SMS.

O habitual, o clássico.

Código esse enviado por quem? Por eles, os meliantes. Quando a pessoa cede o código, está tudo lixado, perde o acesso à sua conta Apple e depois é um 31 para conseguir recuperá-la.

Eu nunca tive iPhone. Se nós perdermos o acesso à conta da Apple, deixamos de poder usar o iPhone? Ou podemos continuar?

Acho que dá para continuar a usar, mas convém ter sempre associado o ID.

Porque aquilo dá acesso a uma data de coisas. Eles conseguem entrar no teu Apple ID.

Só falta agora não podermos fazer outra coisa com o telemóvel.

Eventualmente conseguem desativar o teu telemóvel.

Meu Deus!

Péssimo, sempre péssimo. Portanto, pessoas que nos estão a ouvir, muita cautela.

Façam atenção.

Não vão na conversa. Se começarem a receber uma chuva de mensagens, cuidado, porque há pessoas que carregam. São tantas mensagens e a tantas horas do dia, que já aconteceu, e eu, pessoas que durante a noite carregam sem querer e aceitam a mensagem.

A sério?

É verdade.

Perigo.

Alerta. Não olhem, não mexam, não respirem, não nada. Esperem só.

Devia mandar o telemóvel para o castelo.

Ainda não vos aconteceu aquela do TikTok? Agora eu quase todos os dias recebo uma SMS a dizer: "Ganhe dinheiro com o TikTok, entre aqui."

Eu ando a receber é no WhatsApp a dizer: "Olá, ainda está à procura de emprego?" Não sei o quê, mas de um número não sei de onde. Eu fico do género: "Bloquear, report."

Mas o TikTok atingiu outro nível comigo. Eu recebi a mensagem, entretanto ligaram-me de um número, eu não atendi, e depois recebi uma mensagem do 200, do voicemail, e eu pensei: "Bem, se calhar era um número mesmo a sério, devia ter atendido." E quando eu vou ao 200 para ouvir, era uma voz robótica tipo Google Tradutor a dizer: "O TikTok agora dá dinheiro."

Portanto, eles andam aí.

Eles andam mesmo aí.

Não, é que qualquer dia já ninguém atende chamadas de ninguém. Vai ser uma coisa urgente.

Eu já sou um bocado assim agora, então já tenho uma desculpa.

Por fim, porque já estamos perto da hora do almoço, vamos falar de comida boa. E quem adora massa acima de todas as coisas, ponha o dedo no ar.

Eu gosto muito.

Os três põem o dedo no ar.

Depende da massa, mas gosto muito.

Esquece, eu amo massa. Eu podia comer massa a todas as refeições, incluindo pequeno-almoço.

Mas qual é a tua massa preferida? Diz uma.

Eu nem preciso de uma grande produção, é um prato de esparguete cozido e sou uma pessoa feliz. Só um pratão de esparguete, mais nada, água e sal.

Eu gosto daqueles lacinhos.

Gosto lacinhos, gosto noodles.

Toda a gente aprecia, como vocês estão a dizer, uma pratada de massa. Temo-las de todos os tamanhos e feitios, mas eu diria que poucos de nós algum dia parámos para tentar perceber por que as massas têm determinados formatos. Vocês nunca pensaram nisso, pois não?

Nunca.

É normal, porque têm vidas. Portanto, têm coisas mais interessantes em que pensar, mas eu não. Descobri um artigo precisamente sobre isto e vou partilhar. Não vamos falar sobre todos, porque são dezenas. Nós se calhar não conhecemos assim tantos, mas são dezenas. Mas vamos só aos mais famosos. Começamos pela lasanha, que é o prato preferido do Garfield e do meu filho também, mas o Garfield é mais fofo. Reza a lenda que a lasanha é um dos primeiros formatos de massa conhecidos e que remonta à Roma Antiga, onde tinha o bonito nome de laganum. No livro de receitas do gastrónomo romano Apício, ali do século IV ou V, aparece que aquela terá sido uma das primeiras receitas de lasanha, mas era ligeiramente diferente. Era molho de barriga de porca cozida, depois vinho de passas e peitos de pica-paus colocados em camadas entre panquecas finas.

Acho que estou a vomitar.

Uma barriga de porca, não?

Que é mesmo isto uma peçonha.

Ou uns peitinhos de pica-pau, também não? Em vinho de passas?

Em vinho de passas, exato.

Mas foi a primeira versão da lasanha OG. Podemos dizer que a lasanha envelheceu bem. Está bem melhor nos tempos que correm. Vamos ao macarrão. Macarrão este que aparece mencionado no título do livro de receitas de Martino da Como, um expert culinário do século XV. O livro chamava-se "A Arte Siciliana de Cozinhar Macarrão e Vermiceli." Vermiceli penso que seja outra massa. Mas há muitas dúvidas em torno da origem da palavra macarrão. Uma explicação, no entanto, parece destacar-se, apesar de eu ainda não ter percebido que raio é que isto tem a ver com a própria da massa. O Demofonte, que segundo a mitologia grega foi rei de Atenas, terá dito que teve um sonho em que alguém lhe disse que a única maneira de salvar a cidade de Atenas era sacrificar uma donzela filha de um pai nobre. O pai nobre era nada mais, nada menos do que Hércules, que tinha duas filhas, uma delas de nome Macária. Portanto, pode ser isso. E a Macária ofereceu-se como mártir. Não só conquistou uma morte gloriosa, como virou nome de massa. Macária, macarrão.

Isso sim é importante. Virar nome de massa é muito elaborado.

Vais ter uma placa aqui com uma rua com teu nome e vais ser também o nome de massa. Por fim, a massa de todas as massas, o esparguete. Esparguete significa pequenas cordas e sabe-se que já era feito na Sicília pelo menos desde o ano 1100. Uma catrefada de tempo. Porém, o esparguete só terá alcançado o seu apogeu no fim do século XIX e início do século XX, quando milhões de italianos emigraram para os Estados Unidos e o esparguete era um dos poucos ingredientes italianos que estavam disponíveis por lá. Nesta época, além do esparguete, eles também tinham acesso a carne, a tomates italianos. E foi assim que o esparguete com almôndegas se tornaram no alimento básico nas famílias e nos restaurantes ítalo-americanos.

Já lá tinha sido quando "Amigo, o Vagabundo."

E "O Vagabundo", pois. Estão a receber.

Foram eles que inovaram a técnica.

Gostaram deste momento de voltar com Deus?

Acho que isto começou de uma maneira um bocado estranha e terminámos em bom a falar de massa.

Porque nós agora, boas donas de casa que somos, vamos para casa fazer o esparguete com a porca, com a banha da porca, com a barriga da porca.

Agora fica esperto no próximo episódio é tipos de arroz.

Olha, vou procurar a origem dos arrozos.

Nós estamos feitos aqui. Há mais alguma coisinha? Beijinhos.

Não, um bocadinho de mana para vocês de bom almoço.

Façam bom almoço.