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O que é que sucede às quartas-feiras, mas também aos fins de semana aqui na Rádio Observador? Mas hoje é quarta-feira e, portanto, pode dizer-se que é a primeira edição desta semana da Ana Garcia Martins. Bem-vinda mais uma vez ao teu espaço em que podes explanar à vontade.
É verdade. Ninguém ouve também, não é?
Também há isso.
Devo dizer, isto preocupa-me: 130 episódios do "O que é que sucede?" e nunca houve uma reclamação, o que só reforça a minha tese de que ninguém me ouve.
Em princípio, também podem não saber para onde escrever, mas vamos manter isso assim.
Não, mas eu quero criar o e-mail do ouvinte indignado do "O que é que sucede?". Vai ser assim: ouvinteindignadodoquequesucede@gmail.com.
Ok, então vamos criar isso. Ouvinte indignado do "O que é que sucede?".
Do "O que é que sucede?".
Pronto, ok. Vamos pensar melhor nesse e-mail.
Vamos pensar, trabalhar esta ideia.
Antes disso, queremos saber, naturalmente, o que é que nos trazes, de que é que nos vais falar hoje.
Olha, muita coisa a acontecer no país esta semana, é verdade.
E nas redes sociais também.
E nas redes sociais, então, está a loucura. Ora pois que eis que depois do bonito e nada preconceituoso provérbio de Espanha: "Nem bons ventos, nem bons casamentos", eu sinto que estamos aqui na iminência de acrescentar mais uma expressão à nossa lista. Que expressão? Fui eu que criei, portanto vamos ter calma aí nas expectativas. Mas cá vai isto: do Brasil, nem bons pedidos de cunhas para tratamentos, nem bons relacionamentos com filhos de presidentes da República.
Não é tão orelhudo.
Não é. Sinto que é um pouco longa, talvez, mas eu acho que pode pegar. Vais ver.
Vamos insistir nos próximos episódios, quem sabe?
É verdade. Olha, como já para aí há 15 dias que não ouvimos falar do caso das gêmeas luso-brasileiras, que alegadamente terão sido favorecidas para receberem mais rapidamente um tratamento de milhões num hospital de Santa Maria, vamos ter de voltar a isto. A culpa não é nossa, mas sim dos intervenientes. Isto é uma chatice, porque eu tenho de estar sempre a relembrar a história, porque pode haver uma pessoa que viva numa gruta e não sabe o que eu estou a falar. Mas resumindo muito: o filho do Marcelo Rebelo de Sousa terá, atenção, pedido ao pai.
Alegadamente.
Alegadamente. Isto é tudo alegadamente. Aliás, isto ia ser a primeira palavra deste podcast, a partir de agora é tudo alegadamente.
Se calhar vamos gravar um "alegadamente" e cada vez que dissesses.
Alegadamente, sim, e colocamos.
Alegadamente.
Portanto, ele terá pedido ao pai que acelerasse o processo para que umas irmãs gêmeas, filhas de uns amigos, pudessem receber o tal tratamento de forma prioritária.
Alegadamente.
Alegadamente. Quando isto se descobriu, o Marcelo começou por negar. É que não foi alegadamente, ele negou.
Negou, foi efetivamente.
Que não sabia de nada, nunca tinha ouvido falar. Depois lá admitiu que se calhar, talvez tivesse recebido um e-mail, mas quantos e-mails não se perdem na correria dos dias? Talvez tivesse recebido então um e-mail do filho a referir o assunto, mas foi sempre assim sacudindo a água do capote. Pois que agora ficámos a saber que o presidente assumiu que cortou relações com o filho, Nuno Rebelo de Sousa, que vive no Brasil, que é onde também vivem as gêmeas para quem foi pedida a tal cunha. Portanto, percebes agora o meu?
Exato.
Do Brasil, nem bons pedidos de cunhas para tratamentos, nem bons relacionamentos com filhos de presidentes.
Ainda não tinha decorado, mas acho que também não foi agora.
Eu não digo as coisas à toa, meus amigos. Bom, então como é que ficámos a saber deste desaguizado entre pai e filho? Pelo próprio Marcelo, que num jantar com jornalistas estrangeiros que vivem em Portugal, terá dito: "É imperdoável, porque sabe que eu tenho um cargo público e político e pago por isso". E para reforçar que a coisa está mesmo agreste, disse ainda: "Ele tem 51 anos. Se fosse o meu neto mais velho preferido, com 20 anos, eu iria sentir-me corresponsável, mas com 51 anos é maior e vacinado". E acrescentou: "As gêmeas foram um fenómeno adicional, não me desgastou politicamente, desgastou-me pessoalmente". Olha, para já, tenho que dizer que acho chato dizer que se tem um neto preferido, não é?
Estava a pensar exatamente como é que se sentirão os outros.
Na verdade, toda a gente tem netos e filhos preferidos. Agora, guardamos essa informação para nós, não a partilhamos num jantar com jornalistas.
Imagina o professor Marcelo Rebelo de Sousa, o nosso presidente, a dizer ao neto. "Diga, avô". "Não, é o meu favorito, não és tu".
Não és tu, é o preferido. Além disto, isto também não é assim. Os filhos são para sempre, tenham nove ou 51 anos, não pode vir agora lavar as mãozinhas e dizer: "Coisa e tal, é maior e vacinado, não tenho nada a ver". Eu sinto, pensa comigo, isto poderia fazer sentido recuperarmos o "Perdoa-me". Eu acho que só Fátima Lopes pode voltar a unir este pai e filho.
Mas houve uma reedição há pouco tempo, não foi?
Houve?
Acho que sim.
Não sei se era "Perdoa-me" ou era "Declarações de Amor", já não sei.
Não, era o "All You Need Is Love", isso é cover.
Não. Imagina. "Marcel, temos aqui uma mensagem de uma pessoa que quer fazer-lhe um pedido de desculpas, aceita?" Era só épico. Pronto, olha, o tema está a animar muito as redes sociais.
E o que é que se diz?
Olha, temos comentários como: "Compreendo e faria o mesmo. Quando não se tem noção daquilo que se fez e acha que se pode pôr em xeque a vida profissional do pai, não se faz nem aos filhos e nem vice-versa". Isto serve para os dois lados. Portanto, Marcelo, que agora também não venha cá pedir favorzinhos ao filho no Brasil, para ele trazer aquele pão de queijo ou uma coisa assim. Não, meu menino.
Adoro pão de queijo.
Não ajudaste o teu filho. Eu vivia alimentada a pão de queijo.
E a paçoquinha.
Também gosto muito de paçoquinha, mas ainda assim prefiro pão de queijo. E eu posso ter ou não passado agora mesmo numa superfície comercial que fica aqui ao lado e ter comprado oito pães de queijo. Juro por Deus.
Se calhar vais chegar a casa com sete.
Pode ter acontecido. Não os estou a comer, que eu deixei no carro, que eu já sei que vocês são uns lambões. Não trago para aqui.
Pronto, mas ainda sobre esta desavença.
Temos também: "Mas o pai não tem noção? Não poderia ter dito que não? Foi coagido pelo filho? Ele fez e não viu culpa nenhuma nisso. Agora atribui as culpas ao filho. É preciso descaramento. Ele é que estava impedido de fazer o que fez, não era o filho". E por fim, o meu comentário preferido, porque eu gosto muito de pessoas que sentem necessidade de partilhar estas coisas numa caixa de comentários de Instagram, sabe Deus por quê, que diz: "Neto preferido? Bem, pelo menos assume-o. Eu nunca fui o neto favorito e isso traumatizou-me, sobretudo porque a minha avó, embora não o assumisse, deixava-o demasiado evidente na forma como me tratava a mim e à minha prima". Relevante .
Um psicólogo online, ao fim ao cabo.
Não é um psicólogo, é alguém que precisa de psicologia. Não é um psicólogo.
Não, é como ir ao psicólogo.
Ok.
A pessoa abre-se com as redes sociais. Ainda assim, acho que teria ficado melhor este último se tivéssemos uma base de violinos ou uma pianada, se calhar mais violinos.
As pessoas não param de surpreender. Vamos passar a outra coisa.
Vamos a isso.
Vamos deixar a guerra. Espero na próxima semana ou já sábado, quiçá. Entretanto, é o 25 de abril, pode ser que seja um momento para reunião familiar e que marcelo. Não sei. Espero que isto se resolva.
Ana Garcia Martins também está cá ao sábado de manhã, se ainda não sabe.
É verdade.
Ao final da manhã.
Amanhã. Também tem de gramar comigo ao sábado, mas espero sinceramente, porque eu não gosto nada de ver as pessoas zangadas umas com as outras, pais e filhos é uma coisa muito triste. Espero que isto se resolva pelo melhor. Mas vamos outro assunto que também deu aquela agitada básica nas redes sociais, que foi o anúncio de Sebastião Bugalho para cabeça de lista da AD para as eleições europeias, que vão ter lugar a 9 de junho. Tomem nota aí na agenda. Eu sei que depois vem uma semana de feriados, mas enfim. Isto foi um fartote esta semana, como eu disse. Só aqui um pequeno momento LinkedIn. Sebastião Bugalho começou a escrever crônicas para o Jornali em 2016.
Para o Jornali?
Jornal "í". Era um jornal.
Jornali.
Jornali. Não é Jornali, não é Dita em Elentiano.
Começou para o jornal "í".
Jornal "í", em 2016, tinha 21 anos ou 22. Depois foi comentador político na TVI, na CNN, mais recentemente na SIC Notícias. Pelo caminho ainda arranjou tempo para escrever umas coisas aqui para o Observador ou para o Diário de Notícias, e ainda foi candidato pelo CDS às legislativas. Muita coisa para quem ainda só conta 28 aninhos de vida, acho muito pró-ativo. É muito mexidinho.
E houve alguém que também achou a mesma coisa que nós.
Exatamente. Luís Montenegro explica esta escolha para as europeias, diz ele: "Porque Sebastião Bugalho é um jovem talentoso que o país conhece, aqui e ali, até polémico", e acrescentou: "É a expressão daquilo que nós queremos". Sebastião Bugalho não é propriamente uma figura muito consensual, é um tanto quanto controverso, pela forma veemente como defende as suas opiniões. Por isso está bom de ver que também deu azo a comentários acesa nas redes sociais. Por exemplo.
Podemos ouvi-los?
Começamos logo com o Twitter do Chega. O Chega que está bloqueado no Facebook, mas no Twitter ainda não, portanto ainda pode ir dizendo umas coisitas. Escreveram eles: "Sebastião Bugalho afirmava há dias que qualquer outro cabeça de lista às europeias que não Paulo Portas seria uma derrota flagrante para a AD. Hoje, ao encabeçar a lista da AD, assumiu a derrota flagrante que terá", e acrescentaram dois emojis a chorar, a rir. Fez uma graçola lá batinetes.
Faltava aquela cara no final. Era nos "Malucos do Riso", aquelas caras que eles faziam no final.
Temos também: "Será que Luís Montenegro, ao fim de duas semanas, já está farto de ser primeiro-ministro e arranjou esta escapatória para se ir embora? Sinceramente, não consigo encontrar outra explicação para esta escolha."
E será que esta pessoa que escreveu, será que é apoiante do PSD? Será que é alguém a tentar meter veneno? O que te parece?
Não sei. Eu acho que as pessoas para falar mal estão sempre prontas.
Ou é só porque é para falar mal e é gente.
É para elogiar e depois é sempre a conversa, é um tacho, blá-blá-blá. Eu acho que às vezes é um pouco de inveja.
A nossa velha conhecedora de cotovelo.
Velha conhecedora de cotovelo. "Por fim, o Bugalho, com o currículo que tem, vir a ser eurodeputado, só significa que com as cunhas certas consegues entrar na vaga de cirurgião apenas com um curso de unhas de gel."
É rebuscado. Sim, senhora.
É rebuscado.
E para além disso, ainda nos trazes mais qualquer coisa. Consumindo também.
Quem é que ontem voltou ao ataque? Sabes quem foi?
Não sei.
E esteve muito vivaço também nas redes sociais. Bordalo II. É verdade, voltou à carga, não com armas, mas com arte. Então do que o Bordalo se lembrou desta vez? De assinalar os 50 anos do 25 de abril com uma intervenção artística em cima da campa de Salazar. Depois que estava Salazar posto em sossego, aliás, como todos os ocupantes do Cemitério do Vimieiro em Santa Comba Dão, quando Bordalo se lembrou de cobrir a sua campa com uma caixa de cartão a simular uma embalagem de comprimidos, uma grande caixa. Comprimidos não era nada para a dor de cabeça, não era para a tosse, mas sim uma dose de liberdade, dizia ele, e estava escrito na caixa, um probiótico antifascista. Na caixa gigante vem ainda a indicação de que é composto por 50 comprimidos, um por cada ano de liberdade, e que a dosagem combate a opressão e garante uma dose diária de democracia. Ora o Bordalo partilhou esta sua iniciativa no Instagram, acompanhado de um texto onde partilha ideias como a liberdade é fundamental para cada um de nós e para o bem-estar de todos, que não nos podemos distrair e tomar a liberdade como um bem adquirido. Defender a liberdade é respeitar as diferenças, exigir direitos fundamentais universais e permitir a expressão do pensamento livre e da criatividade. E termina com: "E já agora, se não cuidarmos da nossa democracia, é enterrada que ela acaba." Esta publicação conta já com mais de 50 mil likes, centenas e centenas de comentários.
Mais a favor, mais contra?
Mais contra, tendencialmente mais contra.
Ok.
Sim. Entre os quais, é tudo assim muito deste género: "Cometes um crime e ainda tens a audácia de lhe chamar arte. Não interessa quem está debaixo dessa campa, é crime à mesma. Já tens idade para ter algum juízo e ganhares vergonha nessa cara."
E para a próxima, ficas em casa.
E para a próxima, ficas em casa. "É preciso ter um enorme déficit de dignidade para ir emporcalhar uma campa."
Emporcalhar?
Emporcalhar, o verbo é precisamente emporcalhar. "Seria mais assertivo ir medir-se com aqueles que ainda vivos lhe possam responder. Mas será que a coragem lhe falta? O que é certamente o mais óbvio." Depois também temos comentários a favor.
Ok.
Malta que diz: "Estou mais revoltados com o que o Bordalo II fez do que com aquilo que Salazar fez e representa. Repudiam Salazar, mas interessa-vos defender a sua honra? Toquem-se, a campa nem devia lá estar."
Está bem.
Fica estranho, onde é que se põe então as pessoas falecidas. E por fim, alguém que diz: "Rei disto tudo, soberbo, 25 de abril, sempre."
Ok, e acabamos assim.
E acabamos assim.
Já que amanhã se comemora também os 50 anos do 25 de Abril. De resto, há emissão especial aqui na Rádio Observador. E logo a seguir a isso, basicamente, vamos ter mais uma edição do "O Que é Que Sucede?".
É isto.
Com feriado à quinta-feira, sexta-feira não conta, portanto, é já a seguir.
É já daqui a nada.
No próximo sábado, então, mais uma edição do "O Que é Que Sucede?" com a nossa Ana Garcia Martins, a pipoca mais doce. Até lá, Ana.
Beijinho.
Até à próxima.
Bom trabalho.