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E já cá tenho comigo a Ana Garcia Martins para a edição desta semana de "O Que é Que Sucede?". Uma das, porque ela passa por cá aos sábados.

Eu passo cá a vida. A sensação que eu tenho é que passo cá a vida.

Como é que estás?

Olha, estou bem, obrigada. E tu também?

Gostas do novo aeroporto?

Vamos falar sobre ele, como é óbvio.

É um dos temas da semana.

É logo para abrir.

É o primeiro.

Pois, com certeza. Acho que não íamos falar disso. Andamos nós aqui, ia dizer, como era uma notícia que esperávamos há anos, há décadas, e que não é o Benfica campeão europeu, porque isso já só lá vai com milagres de Fátima, mas é uma coisa igualmente emocionante, que é a localização finalmente conhecida do novo aeroporto de Lisboa.

Finalmente, 50 anos depois, diz as notícias da social.

Isto merecia confetes, merecia um bolo, quiçá um fogo de artifício, mas não temos, que isto é uma rádio humilde, portanto ficamos só pela nossa alegria pessoal. Mas parece que agora é de vez, pelo menos o nosso primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou isso mesmo ontem ao final da tarde. Vem aí o novo aeroporto, vai nascer em Alcochete, que é terra de bom peixe, portanto isto só pode ser um bom sinal.

E o nome?

Vai substituir integralmente o Aeroporto Humberto Delgado e vai ter o bonito e poético nome de Luís de Camões.

Achas que Cristiano Ronaldo era melhor?

Mas Cristiano já tem um na Madeira. Agora se embarcava tudo, calma. Acho, Ana Garcia Martins, pessoalmente, pipoca, vá, acho que não ficava.

Aeroporto Pipoca mais Doce.

Não era tão bom.

Era espetacular.

Claro. Mas eu acho muito bonito.

As pessoas não têm visão para o turismo.

É gente muito, enfim. Luís Camões nasceu precisamente vai para 500 anos, portanto eu acho que é uma bonita homenagem, sobretudo se esquecermos que o senhor só tinha um olho, que eu acho que é uma coisa meio aborrecida para a indústria aeronáutica. Para a vida em geral, mas para a indústria aeronáutica em particular. Bom, adiante. Para trás deixamos então localidades como Montijo, Santarém e várias outras que já nem nos lembramos, mas também não interessam nada porque não reuniram as condições para receber.

A Ota, eu gostava da Ota.

Havia outra que eu gostava, já não me lembro do nome. Era um nome mais recôndido. Frequinhas não superaram. Ainda assim, por que Alcochete? Pergunta o mundo ansioso.

Por que Alcochete, Ana Garcia Martins?

Luís Montenegro explica: Alcochete garante margem de expansão física, acomodação da procura até praticamente o triplo da atual, salvaguarda a manutenção e até o crescimento do hub da TAP em Portugal e fomenta a capacidade intermodal de todo o sistema de transportes.

Intermodal, será algo que existe.

Portanto, se tudo falhar, Luís Montenegro pode ir trabalhar para a Remax, porque é fortíssimo a vender localidades. Só faltou dizer que escolheu Alcochete por ter imenso cachê e um pé direito incrível. Ao mesmo tempo que ficamos a saber que o novo aeroporto vem aí, ficamos também a saber que o governo vai pedir que se concluam os estudos para construirmos assim mais rapidinho uma nova ponte sobre o Tejo, a terceira.

O que é que achas disso?

Acho muito bem. Tudo o que seja para chegarmos mais depressa à praia, eu por mim acho espetacular, porque aquele Novró é uma maçada. Novró e fora o Novró. Ainda este fim de semana fui para a Costa da Caparica, ó filho, o trânsito que eu apanhei. Portanto, venham mais pontes. E além disso, o TGV também, a ligação alta velocidade entre Lisboa e Porto, Lisboa e Madrid. Portanto, isto é que é vontade de mostrar trabalho. Agora, calma, não é preciso começar já a pensar como é que se vai chegar a Alcochete para apanhar um voo às 6h30 da manhã, porque isto é coisa para só estar pronta daqui a 10, 15 anos e se tivermos em conta os habituais derrapantes nas obras nacionais, acho que podemos contar com uns 20, 25 anitos tranquilamente. Nessa altura já não viajo, já vou ser velha.

Outro tipo de derrapagens vão acontecer, quase certamente.

Sim, que isto vai ser para cima de um dinheirão. Bom, o que a malta tem a dizer sobre este novo aeroporto? Está difícil dizer. Têm a dizer coisas com fartura, ou não tivesse este tema saltado para a top.

A internet ficou contente?

Médio, mas foi um assunto muito comentado ontem. Temos então, por exemplo: "boa ideia, um aeroporto com um nome que nenhum estrangeiro consegue pronunciar."

Olha, eles têm problemas com os ões e os ães.

Eu acho mesmo que mais nenhum povo consegue dizer os ões e os ães além de nós. Não conseguem mesmo. Portanto, vamos ter um Luís de Camões.

Camões.

Mas Humberto Delgado também não era uma coisa muito fácil.

Ainda assim, se calhar para um estrangeiro.

Humberto Delgado. Eu acho que Camões é pior. Temos também quem diga: "aeroporto, TGV, terceira travessia do Tejo, com caneco parece Natal." É verdade, uma fartura. E por fim, eu gostei deste que diz: "com as escorregadelas monumentais que vão acontecer com o orçamento desta obra, mais valia darem-lhe o nome de Aeroporto Taremi."

Está engraçado.

Eu gostei. E era fácil dizer, Taremi. Parece um nome de Itália.

Fica perto da água também.

Das piscinas. Taremi, eu voto em Taremi, eu gosto.

Não é português.

Parece um nome italiano. Aeroporto Taremi.

Tem que ser um nome da história de Portugal. Esse, por acaso, é da história do Porto.

Da história do FCP. Tema seguinte, quase tão interessante e tão pertinente como o novo aeroporto, a intenção da Comissão Nacional de Eleições de que Ricardo Araújo Pereira entreviste um elemento do Chega. Isto dito assim, parece um episódio do Gato Fedorento, mas não, é mesmo verdade. A CNE sente que há ali um desequilibriozito no tratamento que a SIC dá às candidaturas eleitorais, nomeadamente nos programas humorísticos, ou sendo mais específico, no programa "Isto É Gozar com Quem Trabalha", apresentado precisamente por Ricardo Araújo Pereira. E por que a CNE se lembrou agora disto? Porque recebeu três participações, três queixinhas de cidadãos contra a SIC, por considerarem ter sido dado um tratamento jornalístico discriminatório em período eleitoral

Mas espera lá, aquilo é jornalismo ou é humor?

Pois, aí já lá vamos. Invocando que nenhum representante do partido Chega foi convidado para o programa, isto é gozar com quem trabalha, ao contrário do que sucedeu com outras candidaturas com representação parlamentar. Se isto não é a prova de que somos um país altamente eficaz, eu não sei. Porque três queixas, três singelas queixas e pumba, a CNE agiu logo. Pena que isto não se estenda também à saúde, educação e tal. Quero ver-nos a papar os países nórdicos todos no que diz respeito a desenvolvimento e coisa. Bom, o que é que a SIC tem a dizer sobre isto? Diz que as queixinhas recebidas pela CNE têm um conteúdo ofensivo da imagem da SIC e dos seus profissionais, bem como um caráter persecutório, e relembra ainda que o programa em questão é de humor, tratando-se do gênero de entretenimento e não do gênero informativo. Já Ricardo Araújo Pereira, o próprio, diz que seria absurdo que o entretenimento estivesse sujeito às mesmas regras da informação e acrescenta: "Já agora, desejo assistir a uma entrevista de Luciana Abreu a Cidália Guerreiro, do PCTP/MRPP, no Dominguão, e a uma conversa intimista de Marco Paulo com Hélvio Sousa do Juntos Pelo Povo. Acho que não sou o único." Olha, eu gostava.

Eu também. Eu via isso, na boa. Já viste alguém fazer uma queixa à CNE do teu programa, Ana?

Jamais.

Por tratamento.

Eu acho que sou bastante eclética, eu falo de todos.

Falas é porque está na notícia, não tens culpa.

Com certeza. E o Chega não se vai queixar, porque eu falo bastante do Chega. Não será pelos melhores motivos, mas falo bastante do Chega.

No fundo, foi para isso que se fez o 25 de Abril.

Mas quem é que quer saber do meu programa? Ninguém quer saber para nada, portanto ninguém se vai queixar de mim. Era darem demasiada importância, uma importância que eu não tenho. Lamento.

E a internet disse coisas?

Disse coisas. Temos, por exemplo: "A compensação já é feita por todas as televisões que voltaram a dar mais uma vez ao Ventura o maior tempo de antena de entre todos os políticos no mês de abril. Querem mesmo falar de desequilíbrio do tempo de antena?" Temos também: "O desprezo dói e o Chega não se conforma. Quer fazer-se convidado à força do programa de entretenimento do RAP. Último bastião contra a normalização de um partido de extrema-direita em Portugal." E por fim, este.

Este faz sentido.

Este aqui eu também defendo. "Eu também quero ser convidado e se pudesse ser com umas bifanas, chouriço assado, pão alentejano e já agora, e se não for pedir muito, um pêra manca." Eu também nunca fui ao programa e também quero ir e com estas condições.

Nessas condições acho que qualquer um ia.

Não é? Eu acho que sim. Olha, para terminarmos, uma boa notícia.

Finalmente.

É uma média notícia, não é assim uma notícia de "calma, vamos pôr essas expectativas já mais rasteirinhas", também não é assim isso tudo. Não sei se estás recordado, eu até falei disso aqui, e até penso que foi na edição de quarta-feira. Daquela burla do "Olá, pai. Olá, mãe"?

Sim.

Pronto. Para quem eventualmente não se lembra, é uma burla que acontece no WhatsApp, em que maleantes se fazem passar por nossos familiares, tipo filhos, irmãos, etc, para nos sacarem dinheiro. Eles mandam mensagem para o nosso WhatsApp a dizer que ficaram sem cartão Multibanco ou que estão a tentar fazer um pagamento qualquer e não conseguem.

E não roubaram pouco.

É bastante. E eles pedem então à pessoa que envie dinheiro. A pessoa, na sua inocência, achando que está realmente a falar com o filho ou com um parente próximo e de confiança.

Está em aflição.

Está em aflição e puros. Envia o dinheiro e nunca mais o vê. Já foi à vida. Pois que ontem a Polícia Judiciária anunciou que conseguiu desmantelar a rede que estava por detrás desta burla. Que no fundo não era mais do que um negócio de família, já que foi detido um homem de 38 anos e foram ainda constituídas arguidas a mulher e a filha do senhor. Eu acho isto bonito. Toda a família a trabalhar para o mesmo objetivo. Não é cada um por si. Acho isto muito bonito, ter toda uma família.

É um negócio familiar.

Claro, com certeza.

Quantas empresas, o que seria da economia.

Se fossem todos assim unidos. Segundo a PJ, foram apreendidos 49 modems, cada um deles com 32 cartões SIM, o que significava que estes pequenos trafúlhas conseguiam operar milhares de cartões ao mesmo tempo. E portanto, se uma pessoa contava lá se ver grega, imagina a trabalheira que é gerir não sei quantos ao mesmo tempo. Era através de todos estes cartões que permitiam criar milhares de contas de WhatsApp, que o sujeito procedia então às suas burlas e, ao que parece, esta era mesmo a sua única atividade, não se dedicava a mais nada, o que se percebe, porque enviar e receber milhares de mensagens.

Não brinques.

Isto é uma profissão de desgaste rápido. Uma pessoa fica maluca contando a mensagem para trás e para a frente e não se confundir.

Ele tinha 38 ou 39, estaria a acabar a carreira como um jogador de futebol.

Imagina, a um tens de dizer que és o sobrinho, a outro dizes que és o filho, a outro dizes que és a prima.

Maginaticamente não é.

Isto requer. Eu acho que este rapaz até devia ser homenageado, mais do que condenado, eu sinto.

Ou oferecer-lhe um emprego na PJ.

É um empreendedor.

Isto no Shark Tank.

Sim, tinha passado. A PJ acredita que com esta operação é interrompida a consumação, em território nacional e no estrangeiro, de milhares de burlas informáticas. Portanto, se agora a malta receber uma mensagem de um parente a dizer que precisa de dinheiro, provavelmente é mesmo verdade.

A não ser que depois há aqueles crimes de imitação.

Achas?

Isto é um carteirista dos tempos modernos.

Achas que este foi a...

É um cartoista, que é lá com cartões.

Achas que este foi o mentor e agora vêm várias cópias?

Pode acontecer. Eles pensam: "Afinal agora já é verdade, então vamos atacar." Estás a dar uma boa ideia aos maleantes.

Esqueçam tudo, porque a PJ está de olho em vocês, meus meninos. Não queiram acabar como este senhor de 38 anos que já está atrás das grades e a família. Toda uma desgraça.

A internet reagiu a isso, ou não?

Não reagiu. Deve ter reagido, porque a internet reage a tudo, como é óbvio.

Uns bons milhares de euros, disse a PJ, que conseguiram essas pessoas.

Milhares? Não chegámos a milhões?

Não me lembro. Acho que foram milhares. Um abraço então para essa família que está junta neste momento.

É difícil.

E a Ana Garcia Martins está de novo na Rádio Observador no próximo sábado, depois do meio-dia. Até lá.

Adeusinho.