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E vamos a mais um "O Que é Que Sucede" aqui na Rádio Observador, com a Ana Garcia Martins. Seja muito bem-vinda, Ana. Bem-vinda, Ana. Bom dia. Como está?

Olá, com as minhas bolinhas de Berlim sem creme. Não sejam lambões.

Opa. É com creme, por acaso. Claro que sim, com creme sempre.

Nunca.

Nunca? Sem creme é um bocadinho seco, não? É boring.

Esquece, é espetacular.

Não consigo.

E por que eu estou a falar de bolinhas de Berlim?

Vamos falar? Por quê? Estás na praia.

Não, não estou, mas assim que vos despachar, é para lá que sigo.

Ah! Leva-nos contigo.

E vocês vão? Vocês não, vocês vão continuar aí.

A gente vai trabalhar. Alguém tem de levantar a economia deste país.

Desculpem. Por falar em más pessoas, eu vou ter de falar pela terceira edição consecutiva de José Castelo Branco.

Ora, claro.

Alegadamente má pessoa.

Temos sempre de pôr o alegadamente. Mas nós não temos de pagar para o ter capa, não?

Sim. Eu pagava. Pagava mais pela Lady Beth, mas também pagava. Eu pago por qualquer pessoa.

Vai por ordem, qualquer.

Eu sei que já começaram a ver-me até à paciência, mas a verdade é que o tema continua quente, a escaldar, portanto, não há como evitar. Eu sinto que o Castelo Branco é aquilo que nós temos de mais parecido com O.J. Simpson. Uma versão mais da Wish.

Não matou ninguém, coitado. Marca branca. Caso marca branca.

Não matou ninguém. Vamos só aqui fazer um resumo muito resumido para quem andou meio desatento nos últimos dias ou para quem já se perdeu no meio de tanta atualização. Então vamos lá. Lady Beth, esposa de José Castelo Branco, senhora já dos seus 95 anos, dá entrada no Hospital CUF Cascais com algumas mazelas. Nas redes sociais, José Castelo Branco mostra-se muito preocupado com a sua Beth, pede que rezem por ela e garante que nunca sairá do seu lado. E já no hospital, Lady Beth aproveita o facto de Castelo Branco não andar por lá a obrigá-la a maquilhar-se ou a enfiar-lhe botox na testa, para se queixar aos médicos de que foi vítima de agressões físicas variadas por parte do marido. Castelo Branco mostra-se chocado, diz que é tudo mentira, que é gente maldosa que quer dar-lhe cabo do casamento. Dias depois, quase a chegar à TVI para dar uma entrevista à Cristina e ao Cláudio, José Castelo Branco é detido para interrogações. Devido à greve dos funcionários judiciais, Castelo Branco é levado para o posto da GNR de Alcobadeç, onde pernoita e janta uma salada de atum. Disse a CMTV e eu acredito.

Isto é a sério?

É o seguinte: é então apresentado a um juiz, sai com pulseira eletrónica, que é um acessório que não fica bem com nada.

Ao menos é preto, vai com tudo. Quer dizer, mais ou menos.

Mas é, não fica bem. Eu pessoalmente nunca tive nenhuma.

É um acessório que não está fora de moda.

Além da pulseira, ainda levou com uma proibição de se aproximar da Betty Grafstein. Portanto, ele não pode estar a menos de 1 km da mulher, que aquilo começa logo a apitar por todos os lados. O que é que José Castelo Branco fez perante isto? Acham que ficou em casa posto em sossego a lamentar a sua sorte? Nada disso.

Na, na, ni, na, não.

Não, deu entrevistas a torto e a direito e entre a CNN e a TVI foram três no mesmo dia e diz-se que terá recebido €7.000 pelas mesmas.

Alegadamente.

Entretanto, começaram a aparecer notícias de todos os lados, com o levantamento do cadastro de José Castelo Branco, desde alegadamente ter agredido a própria mãe, qual Afonso Henriques.

Jesus.

Até crimes de injúria e difamação, ofensa à memória da pessoa falecida e para mim, o pior de tudo, o roubo de um perfume em 2022. Ó como a pessoa chega.

Isso não se faz. Isso já é ultrapassar todos os limites.

A pessoa aceita tudo, roubar perfume, é bater no meio do lodo. No meio disto tudo, José Castelo Branco mantém o título de assunto mais comentado do Twitter e temos então comentários como:

Ai, por favor, conta.

"José Castelo Branco, ao fim de tantos anos a querer dar nas vistas, precisou de bater em alguém para virar tendência. Que incompetente."

Tenso.

Temos também: "José Castelo Branco não muda de roupa desde ontem. Já deu três entrevistas no mesmo look Balmain e Louis Vuitton." O senhor bateu mesmo. Eu não sei se vocês viram, mas ele estava com um ar muito acabado, não parece o José. O José que nós nos habituámos.

Sim, aquela pessoa fresca e saudável.

Não, está uma sombra do que foi. Por fim, isto foi um comentário, não sou eu que estou a comentar, alguém diz: "Se pudessem escolher entre ouvir a Cátia Aveiro, o José Castelo Branco ou fazer uma colonoscopia, marcavam para a CUF ou para o Hospital de Luz?"

Eu fiz uma endoscopia esta semana, portanto eu saio já dessa. Não quero fazer.

José Castelo Branco.

Sim, nunca quero fazer duas na mesma semana. Poxa, meu Deus.

Têm o som de descobertas e cenas? Já tentaram?

Eu acho que tenho. Vamos lá ver se é este. Ora aqui está. Hoje nota-se que o senhor está com os botões. Hoje é o André que está aqui nos comandos. Pois, se fosse.

André DJ.

DG. Então, o que é que descobriste?

Vamos mudar radicalmente de assunto, quer dizer, não assim tanto, porque vamos passar de uma pessoa que está a ser arrasada para uma marca que está a ser arrasada.

Pois.

E não é uma marca assim meia ranhosa, é daquelas mesmo boas. Sabem qual é? Querem adivinhar?

Não. Conta. Podes só dar assim um, sei lá. Sim, uma área. Por exemplo, marca roupa ou marca de Tu queres ver?

Isto quando eu vejo deste telefone, passa-se algo.

Isto tem próprio para pessoas com problemas.

Eu vou dizer, é a Apple. Uma das marcas mais queridinhas de sempre. De repente, está a mexer com o sistema nervoso das pessoas e nem sequer é pelo preço praticamente obsceno dos seus produtos. O motivo da irritação foi mesmo um anúncio, mais concretamente o anúncio ao novo iPad Pro. O que sucede neste anúncio que tem pouco mais de um minuto? Sucede que nós temos uma catrefada de objectos que estão dentro de uma prensa hidráulica gigante e que de repente começam a ser esmagados.

Isso aparece muitas vezes no TikTok, esses vídeos. Eu adoro esses vídeos.

Eu adoro também. Eu acho que foi por isso que eles fizeram, para as pessoas verem tão bem. A prensa começa a descer lentamente e nós vemos uma data de coisas que vão indo à vida. Temos um trompete, livros, um piano, computadores, latas de tinta, bonequinhos de emoji, máquinas fotográficas, sabe Deus mais o que é, o caos. Quando fica tudo assim bem esmagadinho e a prensa começa a levantar, o que está lá dentro?

O iPad Pro.

Muito bem.

Supercromado também.

Anunciado como o mais fino de sempre. Isto tudo ao som de "All I Ever Need Is You", do Sonny e da Cher. E é suposto ser uma espécie de metáfora poética. Portanto, os objectos esmagados representam tudo aquilo que nós podemos encontrar num iPad, de música a filmes, passando por jogos, séries, muito mais. Problema, nem toda a gente achou a coisa assim tão poética e surgiram milhares de críticas, ao ponto da Apple ter vindo pedir desculpa e ter anunciado que o anúncio não vai passar na televisão, vai só ficar nas plataformas digitais. Na conta de YouTube da Apple, em pouco mais de dois dias, o anúncio já foi visto por quase dois milhões de pessoas, mas os comentários foram desativados, precisamente porque estavam ali a gerar algum rebuliço.

Mas eu não percebi porque isso sendo ofensivo.

Já lá vamos. Na conta de Twitter do CEO da Apple, que é o Tim Cook, o anúncio foi visto até agora por 57 milhões de pessoas. Já no Instagram da Apple, que tem 32 milhões de seguidores, eles não puseram nada. É como se nunca tivesse acontecido este anúncio. Mas do que a malta se queixa mesmo? As pessoas queixam-se do facto do anúncio ser altamente destrutivo e de parecer não ter alma, porque está só a dar cabo de uma data de coisas ligadas às artes, como se não tivessem importância nenhuma e todas elas fossem facilmente substituíveis por um singelo tablet. Ora, no Twitter do CEO, do Tim Cook, temos então comentários como: "Não tenha certeza de que a destruição voluntária de todas as coisas boas e bonitas do mundo seja realmente a mensagem que vocês estejam a querer passar." Ou temos também quem diga: "É um anúncio egoísta, desconfortável e de partir o coração. Quando vejo isto, sinto vergonha de comprar produtos Apple há quase 20 anos." São milhares de comentários. As pessoas sentiram-se tristes.

Não é um pouco dramático?

Posso estar a ser-

Não, percebo que a mensagem não seja bonita, mas é um anúncio, quer dizer.

É um anúncio, é muito impactante, mas eu também achei um pouquinho perturbador ver tanta percussão. É que vocês não têm noção da dimensão da prensa e da quantidade de coisas. Vão procurar, aquilo chama-se squash.

Se calhar se virmos o anúncio, mudamos aqui a perspetiva.

Não sei, a mim fez-me assim uma-

Uma comichãozinha.

Uma comichão nos dentes. Gerou-me comichão. Também não achei assim encantador. Achei elegida, mas não sei se aquilo resultou muito bem.

Daí ser o melhor anúncio que viste nos últimos cinco anos, está longe disso, não é?

Olha, não sei. Está longe.

Está muito longe, não é?

Vamos deixar a Apple para trás, antes que nos prendem a nós também.

Que horror.

E vamos dar um saltinho até à Suécia, mais precisamente à cidade de Malmö.

Eurovision!

Malmö não é um produto qualquer do IKEA.

É bem possível.

Mas é em Malmö precisamente que está a acontecer o Festival da Eurovision e o camadão de chatices que aquilo tem sido, eu nem vos digo, nem vos conto. Esta edição está a ser particularmente contestada por causa da participação de Israel, tendo em conta tudo o que está a acontecer na Palestina. A organização diz que isto não é um evento político, tirem a ideia daí, mas a verdade é que em 2022 a Rússia foi impedida de participar no festival à conta da invasão à Ucrânia. Desta vez já tivemos manifestações nas ruas de Malmö a pedir que Israel seja convidado a abandonar o festival, que vão andando.

Vão andando.

Também já houve confusões entre os próprios dos participantes. Ora esta semana, na conferência de imprensa dos países que se qualificaram na segunda semifinal do concurso, um jornalista polaco perguntou à cantora israelita, que é a Eden Golan.

Se estás com confiança, a coisa passa.

Exato. Como é que ela se sentia por saber que tinha sido acionado o maior nível de alerta terrorista de sempre em Malmö, à conta da participação de Israel. Foi-lhe perguntado se ela não se sentia responsável por estar a pôr toda a gente em perigo e se não se importava com isso. Ora, o moderador da conferência de imprensa interrompeu, disse à cantora que ela não era obrigada a responder a questões que não tivessem a ver exclusivamente com o festival, e eis que da plateia se ouve um grito a dizer: "Mas por que não?" E quem foi?

Não sei.

Foi nada mais, nada menos do que Joost Klein, que é o representante, o cantor dos Países Baixos. Meteu-se ali ao barulho.

Certo.

A perguntar por que ela não tinha de responder à pergunta. Ora a cantora israelita disse que sim, que respondia. Disse que estavam todos ali pelo mesmo motivo, que era cantar e representar os seus países e que tinham sido tomadas todas as precauções para que fosse um evento seguro. Mas o que aconteceu? Aconteceu que o cantor dos Países Baixos foi suspenso, para já, do festival. Não se sabe se foi pelo comentário feito na conferência de imprensa, porque entretanto começaram a surgir rumores de que ele pode ter batido no jornalista.

Pois, são bocadinho piores.

Isto aqui também.

São bastante piadas.

A verdade é que ele ontem já não participou nos ensaios para a final que vai acontecer hoje. Esta noite vai ser a final. A União Europeia de Radiodifusão, que é quem organizou o evento, não explica o que aconteceu exactamente. Fala apenas de um incidente de bastidores, que eu acho que é um conceito assim um bocado vago. Deixa muito espaço.

Deixa muita desculpa.

Deixa muito espaço para a imaginação. Eu, para já, acho isto mal, deixam a pessoa assim no vazio. Ou contam tudo.

Pois.

Ou então estão caladinhos.

É verdade, agora deixar assim informação a meio, não se faz.

Eu sou pessoa que aprecia uma fofoca por inteiro. Preciso saber o que aconteceu. Mas pronto, esta noite é então a final, ainda não se sabe o que é que vai acontecer, se ele vai participar ou não vai participar. Para já está suspenso até nova ordem, porque está a decorrer uma investigação. Parece Portugal, não é? Faz-se a festinha e depois vamos fazer um inquérito, uma investigação. E aguarda-se também com expectativa a participação da cantora israelita, porque até aqui nos ensaios-

Pois, era isso que ia dizer. Até nos ensaios houve confusão, não foi?

Sido muito assediada durante as suas atuações. Olhem, filhos, isto do Festival da Canção já não é o que era.

Já não é o que era. Mas uma coisa é certa, a Irlanda vai ganhar e o resto vai ser esquecido.

Mas eu tenho saudades dos tempos em que eram todos amigos e tínhamos a Anabela a cantar "Quando cai a noite na cidade." Isso sim, eram tempos bonitos, agora são todos mal-criados, tudo dá mal.

Ana, tu vai pôr ordem naquilo.

Olha, vou daqui.

Olha a Ana.

A Ana enervou-se tanto. Vou daqui para Malmo, vou já arrancar.

Arranca para Malmo e põe ordem naquela gente.

Ou se calhar vou só ali-

A representar Portugal na Eurovisão.

Vou ali ao IKEA de Alfragide.

Já é qualquer coisa.

Já é qualquer coisa. Olha, beijinhos. Adeus.

Uma beijoca, Ana Garcia Martins, neste "O Que É Que Sucede?" Beijo. Até para a semana.

Adeus. Beijitos.