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Vamos continuar a conversa, apenas chamar aqui também o Pedro Jorge Castro, é jornalista do Observador, está em Kiev, acompanhou esta conferência de imprensa, esteve nesta sala de imprensa no Palácio Presidencial. Pedro, boa tarde. Tivemos, de facto, uma conferência de imprensa muito centrada nesta questão da União Europeia. Esta visita agora prossegue, não sabemos ainda a agenda por razões de segurança, mas vimos uma conferência de imprensa com António Costa e Zelensky lado a lado e com a discussão quase sempre centrada nesta questão da União Europeia.
Sim, mas não só. Também muito importante a questão do apoio oferecido por Portugal para a reconstrução de escolas. Eu recordo que, tal como tem acontecido com outros países, a Ucrânia tem estado a procurar que os países se interessem por patrocinar a reconstrução de zonas específicas da Ucrânia e haveria a expectativa de Portugal se associar a uma dessas regiões específicas e depois, juntamente com os seus empresários e com a sociedade civil, contribuir ativamente para a reconstrução desse pedaço. No fundo, a ideia seria haver uma espécie de pedaço de Portugal na Ucrânia. António Costa, por aquilo que percebemos nesta reunião com Zelensky, de acordo com aquilo que foi dito depois na conferência de imprensa, surgiu com uma proposta diferente: não apoiar uma região específica, mas dar um apoio específico concentrado na reconstrução de escolas, até enfocando a experiência de Portugal na reabilitação do parque escolar. Deixaria de ser um apoio circunscrito a uma região, passaria a ser uma espécie de um apoio temático para reconstruir escolas e jardins de infância com um grande efeito simbólico que tem a ver com a aposta no futuro da Ucrânia e, portanto, criar condições para que os jovens ucranianos possam rapidamente voltar a frequentar as escolas reconstruídas e com todas as condições de ensino. Zelensky voltou a falar da questão das regiões, tentou o apoio a uma região específica, também admitiu esta questão da escola e isto vai ser decidido depois noutras reuniões entre o governo português e o governo ucraniano, um modelo específico de apoio que Portugal vai dar à reconstrução da Ucrânia. Não ficou fechado, surgiu aqui uma nova ideia, uma nova proposta. Vamos ver qual vai ser o desenlace deste ponto específico. Depois também, obviamente, muito importante para a Ucrânia, o apoio militar. E na questão do apoio militar, Portugal não foi muito concreto, tanto quanto percebi. Zelensky já tinha sido muito detalhado naquilo que tinha pedido a Portugal quando fez a sua intervenção no Parlamento português. Eles estão sempre a falar dos antimísseis Harpoon navios e também dos tanques, claro. Mas já tinha havido uma grande preocupação com o detalhe nos pedidos e, ao que me parece, António Costa não veio com respostas tão concretas. Referiu que há um avião que acabou de aterrar recentemente na Polónia com equipamento militar comprado especificamente para a Ucrânia, mas percebeu-se que não é exatamente aquilo que a Ucrânia e Zelensky precisam e que estaria a contar com mais. António Costa tomou nota e diz que tem de ver as reais possibilidades, diz que se não dá mais, não é porque não queira, também não é por ter medo da Rússia, Zelensky aliás referiu isso, referiu que países podem não ajudar por ter receio da Rússia. António Costa referiu que não é porque não queira, não é por ter medo da Rússia, é mesmo porque não tem disponibilidade, mas vai ver ainda o que é que é possível. Em relação à questão da União Europeia, sim, foi uma parte significativa da conferência de imprensa. Podemos dizer que António Costa verbalizou um apoio a esta aceitação da Ucrânia como candidato à União Europeia, que deverá acontecer agora no Conselho Europeu de junho ou que deverá ser discutido agora no Conselho Europeu de junho, na sequência de um relatório da Comissão Europeia. Mas além disso, Portugal, de facto, ofereceu-se para dar apoio técnico, utilizando a sua própria experiência do processo de adesão, dar o seu apoio técnico aos ucranianos em todas as fases que ainda faltam para que isso se formalize. E aliás, na sequência disso, o chefe de gabinete adjunto do presidente Zelensky, Igor Zhovkva, que nós entrevistamos aqui na Rádio Observador, vai precisamente a junho, já enquadrado nestas reuniões de consultoria técnica, digamos assim, para receber, aprender com a experiência do governo português em tudo o que tenha a ver com estas formalidades do processo de adesão. Um momento muito especial desta conferência de imprensa, já agora, desculpa, antes de passarmos novamente ao Bruno, tem a ver com também ainda centrado nesta questão da União Europeia. António Costa referiu que independentemente da vontade de todos os países da União Europeia, dos 27, que é muito importante salvaguardar a União que os vários países têm mostrado, tanto no combate à pandemia e agora também na condenação desta invasão russa, e que importa tentar salvaguardar que essa união seja mantida agora a propósito da discussão do sexto pacote de sanções à Rússia e que tem a ver, de facto, com o bloqueio energético, com os outros países deixarem de consumir petróleo e gás russo, deixando assim de financiar o esforço de guerra russo contra a Ucrânia. Obviamente, isto é muito importante para Zelensky, Zelensky também tomou boa nota disto e é fundamental para a Ucrânia que esta decisão seja tomada. António Costa diz que vai fazer o que puder para tentar encontrar um consenso entre os vários países e tentar criar condições também para os países que estão mais dependentes, do ponto de vista energético, da Rússia. Depois, António Costa disse Que lá disse que há países que demoraram mais tempo no seu processo de adesão, deu o próprio exemplo de Portugal, que demorou nove anos até conseguir formalizar a sua adesão à União Europeia e Zelenskyy, na oportunidade seguinte que teve para usar da palavra, acabou por dizer: "Não é justo comparar a Ucrânia com os países que trataram do seu processo de adesão em tempo de paz. Na Ucrânia, não é só uma questão de tempo, não é só o tempo que importa aqui. Nós estamos também a perder vidas, estão a morrer pessoas quanto mais tempo passa enquanto estamos neste processo". E foi aqui também um momento importante desta conferência de imprensa. Deixe-me só dizer como nota lateral. A conferência durou cerca de 40 minutos. Houve primeiro um discurso inicial de Zelenskyy, depois um discurso de António Costa e depois responderam quatro perguntas dos jornalistas presentes. Os jornalistas encheram a sala. Tinha ao meu lado um jornalista da Agência de Notícias Ucraniana, que disse que esta conferência de imprensa era muito importante, que era muito importante a vinda aqui do Primeiro-Ministro de Portugal, por ser um país da União Europeia e por estarem todos expectantes sobre o que é que deveria sair daqui em termos da verbalização desse apoio. Alguns momentos mais curiosos. Tanto Zelenskyy e António Costa foram alternando entre quem dava a vez, porque as perguntas dos jornalistas eram dirigidas a ambos, e havia sempre um compasso de espera para ver quem respondia. Na primeira vez que isso aconteceu, Zelenskyy disse mesmo: "Não, você é o nosso hóspede, portanto, responde primeiro", e deu a vez a António Costa. E depois a partir daí alternaram, mas sempre com uma hesitação sorridente para ver se confirmavam que davam a vez um ao outro. No final da conferência de imprensa, deram o tradicional cumprimento caloroso e com um detalhe engraçado, que as pessoas que estavam nas primeiras filas, que são membros da delegação, tanto portuguesa como ucraniana, estava lá o nosso entrevistado, Igor Zhovkva, o chefe de gabinete adjunto do presidente Zelenskyy, que nos deu entrevista, levantaram-se e taparam os planos das câmaras que estavam atrás. Este cumprimento teve que ser repetido e fizeram isso antes de irem embora, sem nenhum problema.