Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar mais uma Operação Stop. Estamos na Rádio Observador e nos próximos minutos vamos falar do mundo automóvel, da secção Auto do Observador. Vamos falar de tudo isso com a ajuda preciosa do Alfredo Lavrador. Alfredo, bom dia.
Agora, preciosa, pensava que tinhas algum outro colaborador em mente, mas de qualquer forma, olá Miguel.
És mesmo tu, sem qualquer preciosismo. Alfredo, eu estou bem sentado, olhei para a tua sugestão e queres falar de híbridos, porque dizes que consideras que são uma nova moda. Nós já falámos imenso, já falámos várias vezes disto. São uma nova moda por quê?
Olha Miguel, tens toda a razão, para começar. E isso é sempre bom, dar a razão ao responsável pelo programa. Para começar, só para quebrar o gelo.
Muito bem.
Tenho toda a razão, mesmo sem qualquer favor. Os híbridos são uma solução já antiga. A Toyota concedeu o primeiro híbrido produzido em massa, o Toyota Prius, que foi exclusivo do mercado japonês desde 1997, mas que no ano 2000, ou seja, há 22 anos, chegou à Europa e aos Estados Unidos.
Uhum.
O carro não deslumbrava pela sua rapidez, nem capacidade de aceleração, mas impressionava, pelo menos à época, pelos reduzidos consumos. Aliás, se te lembrares, foi o carro da moda, mesmo das pessoas com uma carteira mais recheada na Califórnia.
Sim.
Andavam todos de Ferraris e Lamborghinis, não sei o quê, depois tinham uns Prius, nem que seja para ir às compras ali ao virar da esquina, porque era politicamente correto. O carro gastava pouco e poluía pouco, e era uma mensagem que tu passavas de responsabilidade social a quem te via. Outra coisa curiosa é que a Toyota, que inventou este conceito, perdeu dinheiro em todos os Prius que produziu entre 2000 e 2013. São quatro anos, praticamente, de prejuízos, mas para os japoneses era um investimento, porque, na realidade, desde então, aquilo é o que se chama um cash cow, sem desculpar as vacas, coitadas. Tanto mais que eles alargaram aquela tecnologia a praticamente toda a gama, não só na Toyota, como na Lexus, que é a marca de luxo do grupo Toyota, e aquilo tem sido uma máquina de fazer dinheiro.
Muito bem.
Logo, não é uma coisa nova. Tens toda a razão.
Sim, claro, e a minha memória não é a melhor, mas que eu me recorde, nunca foste um grande fã dos híbridos. Estás agora a apresentar esta solução como uma alternativa mesmo aos híbridos plugin, que já falámos aqui, e aos veículos elétricos. O que é que mudou para estarmos agora a falar disto?
Miguel, a tua memória não está a falhar de maneira nenhuma.
Pronto, ainda bem. Por enquanto.
Não, se o par sou eu. Para já não mudou nada. Os híbridos foram lançados no mercado, nomeadamente com o Prius, como uma alternativa aos motores a gasóleo. Ou seja, juntando um motor a gasolina pouco potente a um pequeno motor elétrico, alimentado por uma bateria com uma capacidade mínima, os híbridos conseguiam garantir custos de utilização similares aos motores diesel, com a vantagem de poluir menos e daí o seu sucesso. O que sempre aqui defendi, e tu és testemunha disso, para o bem e para o mal.
Já vou testar. Deixa-me ouvir-te e eu já vou testar.
Vais ver que tu vais dizer-me. É que sem a capacidade de percorrer distâncias entre 50 ou 500 km em modo elétrico, no primeiro caso, os 50, estou-me a referir aos híbridos plugin, no segundo caso, nos 500, aos elétricos, os motores apenas híbridos poderiam bater os diesel, mas nunca conseguiriam rivalizar em emissões e consumos com os PHEV ou com os 100% elétricos, que não só anunciavam consumos muito inferiores, tendo assim vantagens fiscais, isto no caso dos PHEV, como tinham custos de utilização muito inferiores por a eletricidade ser mais barata do que a gasolina.
Sim, confirmo. Falámos disso, disseste isso, precisamente.
Tu atestas sempre a mim.
Mas então não mudou nada. Se os híbridos não eram uma alternativa muito interessante, por que são agora?
Não se trata, Miguel, de serem uma alternativa, mas sim de um complemento. É um facto que há cada vez mais clientes à procura de veículos 100% elétricos, como também os há para modelos com mecânicas híbridas plugin. Sendo que os compradores destes PHEV, que já inclusivamente venderam mais do que os elétricos em termos de mercado europeu, e Portugal também, vão tender a desaparecer à medida que as ajudas comerciais a este tipo de mecânica sejam retiradas, o que está para breve, muito em breve. Posso-te dizer que, por exemplo, na Alemanha, já anunciou a retirada das ajudas comerciais já em 2023, já para o ano, mas entretanto a crise, a guerra e etc, acabou por fazer derrapar o prazo durante mais um ano, provavelmente dois, mas não vai passar daí. É aqui que surgem os híbridos, que têm efetivamente um potencial para gastar menos, mas se não têm um modo elétrico, na realidade custam menos, têm um preço inferior. Mas há outra vantagem: com a democratização dos automóveis com baterias recarregáveis, por exemplo, os tais elétricos ou PHEV, a indústria automóvel tem vindo a lidar com outro tipo de dificuldade crescente, uma vez que muitos condutores não têm onde recarregar as baterias dos seus carros.
Pois, garagens.
Exatamente. Para quem não tem uma vivenda onde possa montar uma wall box ou viva num prédio com garagem onde possa ligar o carro à rede elétrica, recarregar a bateria não só pode ser caro como é pouco prático. Ou seja, ninguém vai à chuva fazer um quarteirão ou dois e depois vir a pé para deixar lá o carro a carregar durante a noite. Não é assim, provavelmente, a coisa com que a gente ambiciona para fim de dia. Temos de ter presente que há muitos bairros em que não há postos de carga e, sobretudo, há muitas ruas que não têm posto de carga nenhum. Ou seja, toda aquela gente não tem grandes alternativas e ter uma bateria recarregável, às vezes, é uma chatice.
E depois entra aqui também outra coisa que é a carteira, o preço. Achas que há condutores que vão deixar de comprar estes veículos elétricos ou os PHEV, os plugin, para comprar híbridos por causa dessa questão do preço? Porque os híbridos, efetivamente, comparados com esses dois tipos de veículos, os elétricos e os plugin, acabam por ser mais baratos.
Sabes que o preço, como argumento comercial, tem uma força brutal.
Claro.
Sensibiliza mais rapidamente algumas pessoas, outras menos, mas cativa sempre muitos clientes. Não só nos carros, em qualquer tipo de produto. Mas eu se calhar te diga que mais do que o preço, é a ausência de uma rede de carga e também o facto de muita gente não gostar de estar a mexer no cabo e sujar as mãos. Imagina agora aquela chuva, a lama, a terra, as ervas e aquela coisa toda. Há muita gente que não gosta. As senhoras, por exemplo, não ficam fãs de andar agachadas à procura do cabo para ligar ao carro. E isto vai levar muita gente a optar por uma solução que é mais barata e, na prática, se tu não recarregares um híbrido plugin, esquece o elétrico, o elétrico é outra galera. Mas se não recarregares um híbrido plugin, não há grande diferença, aliás, não há mesmo nenhuma, tirando o preço, porque o híbrido plugin é mais caro, o híbrido consegue oferecer o mesmo tipo de custos de utilização, ou seja, consumo, do que um híbrido plugin, o que é uma boa aposta, tanto mais custa menos.
Sim, ou seja, se não utilizarmos bem o híbrido plugin com essa recarga, carregar e utilizar essencialmente a parte elétrica, no final de contas, se não fizermos esse tipo de utilização, é praticamente a mesma coisa do que utilizar um híbrido normal.
Exatamente.
Para terminar, há provas de que o caminho vai ser este, caminhar para os híbridos? É este o percurso que vamos ter nos próximos anos?
Começa a haver. Agora há provas evidentes. Durante muitos anos, já falámos do caso da Toyota, que anda a trabalhar nos híbridos há 22 anos no mercado internacional e 25 se considerados no mercado japonês. Mas eram só eles. Ultimamente, apareceram outras marcas sul-coreanas, a Hyundai e a Kia, com bons produtos híbridos, mas mais uma vez, tal como a Toyota, não têm grande representação na Europa. Ou seja, a Toyota vende mais do que a Hyundai e a Kia, apesar destes sul-coreanos estarem a crescer bastante, mas não são marcas líderes no mercado. A novidade é que praticamente no mesmo mês, a Renault e a Peugeot, e quando falo Peugeot é a Stellantis, ou seja, todas as outras marcas acredita-se que vão apresentar soluções similares, não será só a Peugeot, mas temos que juntar a Citroën e por aí fora, apresentaram modelos híbridos em segmentos de grande procura. E estas marcas já são marcas importantes no mercado europeu, que podem ajudar a mudar mentalidades. E daí que eu acredite que vai surgir esta moda e que tem pés para andar.
Muito bem.
Pelo menos até 2025. Depois é escrito que daí, só os elétricos é que podem ser vendidos.
Portanto, elétricos e os híbridos plugin podem estar um pouco condenados, não tanto pela ideia em si, mas quase pela rede que os alimenta não ser suficiente e pelo conforto que acabam por não gerar nessa dificuldade nas recargas. E os plugin podem ocupar esse espaço de mercado. Temos aqui boas ideias para o futuro. Alfredo, está feita esta "Operação Stop". Terminamos aqui este episódio, voltamos no próximo domingo olhar para o mundo automóvel, hoje também com um pisca para o futuro.