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Alguns nomes foram alterados para proteger as identidades dos entrevistados. Nesses casos, as vozes foram modificadas com recurso a inteligência artificial. São as primeiras horas da madrugada. À espera, em vários locais da capital romena, estão mais de 300 militares das forças especiais, armados de metralhadoras e pistolas Makarov. É o dia 18 de março de 2004 e a Operação Cristo está prestes a começar. As portas de 16 apartamentos associados a membros do MISA são arrombadas ao mesmo tempo. Há registros de dezenas de detenções. Os homens e mulheres encontrados no interior são levados para identificação e interrogatório. Entre eles, há uma rapariga menor de idade. Questionada pela polícia, revela que há dois anos que Gregorian Bivolaru mantém relações sexuais com ela. No dia seguinte, a rapariga há de retirar as declarações. Diz que foi coagida pelas autoridades. A imagem pública do movimento fica manchada. E piora quando a mãe da adolescente chega da província e revela que a filha fugiu de casa sob a influência de pessoas que praticavam yoga. Acusado de manter relações sexuais com uma menor e de perversão sexual, o guru tenta fugir pra Hungria, mas é apanhado. Dois dias depois, é posto em liberdade e nunca mais é visto. Só há de voltar a aparecer dois anos mais tarde, a quase 3 mil km de distância, e para pedir asilo político à Suécia. É um pequeno escândalo. A Romênia está em pleno processo de adesão à União Europeia e Bivolaru diz que está a ser vítima de perseguição religiosa. Meses depois, a Suécia concede ao fundador do MISA não apenas o título de residência permanente sob o estatuto de refugiado, mas também um novo nome, Magnus Aurålsen. No novo passaporte do guru pode ler-se: "Válido em todos os estados, exceto na Romênia". Estamos em 2008. Gregorian Bivolaru vai começar a ser julgado à revelia em Bucareste. Está acusado dos crimes de passagem ilegal da fronteira, perversão sexual, corrupção de menor, relações sexuais com menores e tráfico de seres humanos. Está cada vez mais isolado. As sucessivas acusações de antigos alunos e a gravidade dos processos judiciais fazem com que a Federação Internacional de Yoga e a Aliança Europeia de Yoga o expulsem. Podia ter sido o fim, mas mais uma vez Gregorian Bivolaru aproveita para recomeçar. Vai criar uma nova federação, só pra ele. Chama-lhe ATMAN, Federação Internacional de Yoga e Meditação. A partir de agora, o movimento vai crescer ainda mais e vai finalmente chegar a Portugal. A Natha, Academia de Yoga e Tantra é inaugurada em abril de 2009, no número 15 da Avenida Poeta Mistral, em Lisboa, mesmo ao lado da sede da Fundação Gulbenkian. A escola promete um conhecimento aprofundado do mundo, do amor, do corpo e da espiritualidade. Os alunos que a frequentarem vão descobrir-se a eles próprios. Vão aprender a construir relações verdadeiras e a viver a vida ao máximo. As lições são escritas por um guru romeno e há fotografias dele em todas as salas. É Gregorian Bivolaru, o fundador do MISA e da recém-criada Federação ATMAN, a que a Natha de Lisboa também pertence. As atividades nunca param. Há palestras, retiros de fim de semana, workshops, congressos e sessões de cinema. E um ashram, onde vive o Swami, o mestre dinamarquês responsável pela escola e para onde alguns alunos também podem mudar-se, se quiserem dedicar-se totalmente ao movimento. Para eles, não há tempos livres. O que nenhum destes alunos percebe é que o excesso de eventos, ensinamentos e sentimentos tem um propósito. O objetivo não é ajudá-los a alcançar a iluminação espiritual. O objetivo é fazer com que, pouco a pouco, cada um deles se torne cada vez mais dependente do grupo e que corte laços com a família e com os amigos fora da escola. Com o tempo, e sempre na ilusão de que estão a tomar decisões de livre vontade, passam de alunos a discípulos. Vão sujeitar-se a regras cada vez mais restritivas, vão deixar de fazer perguntas e vão tornar-se completamente submissos Alguns vão demorar anos a perceber que estavam a ser manipulados. Outros ainda hoje não reconhecem que é isso que lhes está a acontecer e continuam sob a influência dos ensinamentos de Gregorian Bivolaru. São a prova de que o guru romeno cumpriu todos os passos para a criação de uma seita. Um a um. "Os segredos da seita do yoga" é uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos podcast plus do Observador. É narrada por mim, Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Episódio três: Como criar uma seita.

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Kia. Movement that inspires. Luís é dos primeiros a juntar-se à Natha de Lisboa. Aliás, chega tão cedo que a escola de yoga e tantra ainda nem sequer se chama assim.

O Swami foi um dos alunos mais antigos que veio para Portugal. E ele montou uma escola, chamava-se Siddha Yoga. Siddha, que vem de siddhi, que significa capacidade paranormal. Siddha é o praticante, é aquele que alcançou esses siddhis.

Quando os responsáveis percebem o que significa siddha em português, já são alvo de chacota das outras escolas de yoga da cidade. É preciso mudar de nome imediatamente. O Swami Mahalaiananda é dinamarquês, mas estudou na Finlândia. Em 1996, fundou a escola de Helsínquia, que dirigiu até 2007. Decide que a de Lisboa vai chamar-se Natha, como as escolas que já existem nesses dois países. Luís recorda uma escola pequenina, com cinco ou seis alunos. Toda a gente se conhece, o ambiente é familiar e os membros têm uma missão: angariar mais pessoas para o grupo. Quando Vera e Lara chegam, trazidas por membros que hão de tornar-se namorados delas, a escola já cresceu e também já mudou de morada. Fica em plena Avenida António Augusta Aguiar, junto ao Marquês de Pombal.

A atmosfera era sempre de muito acolhimento e de amizade.

Encontrar um sítio onde somos bem tratadas, onde as amizades parecem verdadeiras, onde nos sentimos seguras e que existe respeito por nós.

O que eu sentia era que eu tinha encontrado um sítio, como se fosse um pequeno paraíso, um sítio superdiferente do resto dos sítios onde eu estava.

Chegarmos à escola e encontrarmos quase que um paraíso.

Eram pessoas que estavam ali para melhorar, para serem boas pessoas, para serem bons uns para os outros.

Paraíso, amizade. As discípulas de Bivolaru repetem as mesmas palavras. Vera sente que faz parte de uma espécie de irmandade, um conjunto de pessoas que entendem exatamente aquilo por que ela passou, que também sabem o que é crescer numa família disfuncional. Está confiante de que ali vai poder construir relações verdadeiras. E sente-se especial. Quase pode jurar que sempre que o Swami fala, é diretamente para ela.

Havia sempre alguma coisa que me tocava muito especificamente, muito pessoalmente. E isso era vivido e sentido também por outras pessoas.

António Madaleno é autor do livro "O Universo das Seitas Destrutivas". Explica que este sentimento de pertença e empatia não é um acaso.

Há pessoas que são mais propensas a serem aliciadas para este tipo de grupos. Por exemplo, pessoas que procuram um sentido na vida. Pessoas que são idealistas, querem mudar o mundo, querem fazer algo que marque a sua existência. As pessoas que vivem em ambientes familiares tóxicos, desestruturados, acabam por estar bastante carentes do ponto de vista afetivo. E quando se aproxima uma comunidade ou se lhe é apresentada uma comunidade que lhe vai preencher esse vazio e que vai dar-lhe aquilo que ela se calhar nunca teve, a atenção, o afeto, o carinho, a disponibilidade de tempo para estar ali com ela e Como que mostrando que eles se preocupam verdadeiramente com a pessoa e querem que a pessoa se torne a melhor versão de si própria, então isso obviamente cativa uma pessoa.

Aquilo que Vera e Lara estão a viver tem um nome: love bombing ou bombardeamento de amor.

É claro que este love bombing é feito intencionalmente com o objetivo de aliciar a pessoa e prendê-la. Ou seja, a pessoa chega ao grupo, é muito bem recebida. A pessoa é acarinhada. Ela sente que ali é diferente de tudo aquilo que ela já experimentou na vida. Aqui existe realmente amor, aqui realmente as pessoas preocupam-se umas com as outras. Aqui as pessoas querem saber umas das outras para poderem crescer juntas.

Vera e Lara têm a certeza de que nunca poderiam sentir-se tão amadas e compreendidas como ali. Não têm distanciamento suficiente para perceber que, na verdade, é sempre assim que todos os cultos começam. Foi dado o passo número um para a criação de uma seita. Na Nata, os cursos de yoga e de tantra são duas coisas separadas. Em teoria, frequentar um não obriga necessariamente a frequentar o outro. Mas, na prática, não é bem assim. E os alunos mais dedicados das aulas de yoga acabam por ser puxados para o tantra. A estrutura das aulas é semelhante. A diferença está na separação que acontece no tantra. As mulheres formam o grupo Shakti e os homens o grupo Vira.

Toda gente sabia que eles existiam, mas ambos, de certa forma, eram secretos para cada um dos grupos. Ou seja, os homens não sabiam o que se passava nos grupos das mulheres e as mulheres não sabiam o que se passava nos grupos dos homens.

Nuno chegou à escola de Lisboa há pouco tempo. Vai às aulas uma vez por semana, depois do trabalho. No grupo de homens a que pertence, não se passa nada de estranho.

Juntávamo-se e basicamente consistia na prática de yoga, pura e dura. Yoga, yoga e nada mais.

Mas tem a sensação de que nos grupos de mulheres não será exatamente assim. Elas são mais, juntam-se com mais frequência e mantêm em segredo aquilo que fazem quando as portas da sala se fecham, explica Luís.

O que acontece no grupo das Shaktis, que são as mulheres, basicamente, eles chamam a Shakti como se fosse um arquétipo divino feminino e as mulheres devem aspirar a tal, seguir por esse caminho. Têm uma série de regras, têm uma série de técnicas que só a elas diz respeito e que elas não discutem o que aprendem lá com ninguém, nem com os próprios parceiros. Eu tive relações dentro da escola e nenhuma delas se atrevia a dizer-me o que fazia, nem para onde ia. Tentei várias vezes, várias vezes. "Não, não posso dizer. Fiz um juramento, não posso. Não posso falar".

Luís apercebe-se de que entre algumas discípulas há uma intimidade excessiva. Algumas dão abraços demasiado intensos, chegam até a beijar-se na boca. Hoje sabe que os instintos que tinha não estavam errados e que os grupos de Shaktis também serviam para a iniciação de práticas sexuais. Mas por ordem superior, tudo era mantido no mais absoluto sigilo. Sobretudo para os que vivem no ashram, as regras não acabam.

Nós assim que lá entrávamos para o ashram, sabíamos que havia cinco coisas que tínhamos de deixar de fazer: comer carne e peixe, fumar, ninguém me podia fumar, café e drogas, nada disso. E ejacular, perder a energia no ato sexual. Para nós, homens, existe um paralelo, mas não é tão fácil de descrever, mais direto é os homens não podiam ejacular. Ponto final, parágrafo.

Sem darem por isso, regra a regra, Nuno, Vera, Lara e todos os outros discípulos tornam-se cada vez mais submissos e dependentes. Tudo acontece de forma subtil.

A pessoa vai começar a acreditar que apenas aquele grupo tem o conhecimento que a pode ajudar a crescer enquanto indivíduo, que lhe pode trazer a salvação, por exemplo, do ponto de vista religioso, que pode levá-la a um conhecimento que a sociedade em geral não tem. E tudo isso vai fazer com que a pessoa se envolva cada vez mais com o grupo, ao ponto de se tornar, digamos assim, dependente do líder e do grupo. O controle não passa apenas pelo controle, neste caso, psicológico, mas passa pelo controle até mesmo físico.

Está completo o processo de doutrinação e controle. O passo número dois para a criação de uma seita. À primeira vista, quem entra no terceiro esquerdo daquele prédio da Avenida Antônio Augusto Aguiar, vê uma escola como qualquer outra. Há livros expostos, uma recepção e três salas de yoga Mas para lá da porta onde se lê "não entrar", começa o ashram. Um T8 com vários quartos e uma cozinha de tamanho familiar. Vera há de mudar-se para lá três anos depois de se juntar à Nata. Mas há novas discípulas, como Beatriz, que decidem ir logo viver para o ashram.

Na medida que quem vivia no ashram evoluía muito mais rapidamente, tinha uma experiência muito mais intensa, porque os egos eram confrontados, porque vivíamos três, quatro, cinco no mesmo quarto, e então a questão dos egos era constantemente posta à prova. O que para alguém que queira evoluir espiritualmente mais rápido do que a maioria das pessoas, é um desafio. Torna-se até apelativo.

Beatriz anda há muitos anos à procura de respostas e alternativas ao guião convencional: estudar, trabalhar, casar, ter filhos. Tem 32 anos e vem lançada numa jornada de autoconhecimento e espiritualidade. Já passou pela união budista e pelo movimento Hare Krishna e também já fez ioga. Chega à Nata interessada essencialmente na vertente mais esotérica, no ioga como caminho espiritual. E gosta tanto do que lá encontra, que em poucos meses está a viver no ashram. Os dias no ashram começam invariavelmente cedo. Vera diz que, de outra forma, os alunos nunca conseguiriam fazer tudo aquilo que têm de fazer.

Haveria muitas regras. Aliás, se uma pessoa conseguir viver naquele ashram, ou em qualquer um dos ashrams, eu diria que tem a potência de ter uma vida militar, porque as regras são imensas.

Para além das duas horas de prática de ioga diárias, há escalas para tratar do trabalho doméstico e fazer compras, para estar de serviço à receção da escola e para traduzir livros ou artigos. E antes da hora de deitar, há ainda uma meditação em família. Tudo isto a juntar aos empregos que alguns mantêm fora da escola e que muitos acabam por abandonar.

A grande maioria dos casos, o que acontecia era que nós acabávamos por ir dormir à 01h, 02h, 03h, para conseguirmos fazer tudo. Para no outro dia voltarmos ao trabalho cansados, com poucas horas de sono e repromissado.

Inevitablemente, Vera, tal como todos os outros alunos, acaba por afastar-se dos amigos e da família.

Eu não tinha vida pessoal. Era impossível ter vida pessoal, mesmo a família. Não sobrava muito tempo. Aos fins de semanas havia sempre ou um retiro ou um curso, ou eu estava na receção, ou eu tinha que estar a fazer tradução de inglês para o português.

Acha que é o que faz sentido. Está a trabalhar nela, na evolução espiritual dela e ainda a contribuir para a escola que lhe está a proporcionar todo este crescimento. Na verdade, o que está a acontecer, diz António Madaleno, é outra coisa.

A pessoa é levada a afastar-se dos amigos que tinha antes, até mesmo da família. É convidada, muitas vezes, a retiros espirituais. É convidada a isolar-se da família por se afastar da própria zona onde vive e ir morar, por exemplo, com pessoas do grupo ou numa comuna. Portanto, a vida gira 24 horas em torno do próprio grupo. E claro que isso acaba por nos afastar da sociedade.

Foi dado o passo número três para a criação de uma seita. O isolamento social está completo. Poucos meses depois de Beatriz entrar na escola de Lisboa, uma das professoras de ioga pediu um nome espiritual ao guru. É por essa nova identidade que vai passar a ser conhecida na comunidade. A cerimónia de oficialização do novo nome, uma espécie de batismo em massa, aconteceu numa igreja na Roménia não muito tempo depois e foi celebrada por um padre da Igreja Ortodoxa. Pelos padrões do guru, Beatriz está a fazer tudo bem. Vive no ashram, afastou-se da família, que não a compreende, tem bons amigos na escola e dedica o tempo todo que tem à Nata. Mas falta dar este passo.

Para te agarrares àquela escola e mostrares uma certa dedicação ao teu caminho espiritual, tu acabas por pedir para mudar de nome.

Depois de Bivolaro aprovar o pedido feito por carta, Beatriz voa até Bucareste. Para além dela, há pelo menos outras 100 pessoas no salão do hotel onde tudo acontece.

E a partir desse momento, essa pessoa deixava o nome que tinha antes e pedia a toda a gente que se chamasse com o outro nome que lhe é dado. Dentro da escola era logo aceito, era logo: "Parabéns", era um passo na evolução.

De acordo com o especialista António Madaleno, o verdadeiro propósito desta mudança é só um e não tem nada a ver com elevação ou evolução do espírito. É mais um instrumento de controle.

Esse corte com a identidade da pessoa é mais uma forma de a pessoa estar a ser manipulada, porque ela ao cortar com o nome do passado, com o seu verdadeiro nome, não está a cortar apenas com o seu nome, está a cortar com a sua identidade, com o seu self. Ou seja, é como se o seu self morresse e agora passa a ser uma nova pessoa, uma nova personalidade.

Foi dado o passo número quatro para a criação de uma seita. A despersonalização dos discípulos está completa. Beatriz reconhece que aquilo que mais a atrai na Nata, além do espírito de comunidade, é a aprendizagem constante, aliada ao sexo. Diz que a ideia de conseguir evoluir gigantemente, apenas fazendo amor, torna tudo extremamente sedutor, e não consegue parar de querer saber mais.

Não, é porque, de facto, no início são dadas algumas técnicas, tu treinas, vês os efeitos, ficas maravilhado e queres mais.

De repente, percebe que tudo aquilo que faz, até os atos mais banais do dia a dia, como andar na rua ou até a forma de comer, podem ser mais intensos.

Tu vais praticando, checando e confirmando que, de facto, aqui qualquer coisa a mais que eu quero atingir e depois, para ires buscar essa qualquer coisa a mais, tu acabas por te sujeitar a fazer tudo, porque tu queres aprender mais. E aí entra a parte das iniciações.

Para evoluir é preciso aprender mais e para aprender mais é preciso passar por iniciações. A forma como o conhecimento é transmitido na escola, pelos professores ou até pelo próprio guru. Há iniciações para aprender a relaxar ou até para aprender a dar um abraço. No início, são sempre simples e feitas para atos inócuos. O problema é o precedente que ajudam a abrir. Não há iniciações sem juramentos prévios feitos sobre a Bíblia, o que faz com que logo nos primeiros dias na escola comecem os segredos.

Se eu alguma vez contasse o que se tinha passado, que eu era uma mulher larval, ignorante, tudo e mais alguma coisa, e que a minha evolução espiritual iria parar.

Depois está tudo sobre juramentos. Juramentos, tem que fazer juramentos disto, juramentos daquilo.

As consequências de quebrares um juramento eram sempre terríveis.

Com o passar do tempo e com medo do que lhes pode acontecer se quebrarem o juramento, Beatriz, Lara e a maior parte dos alunos da escola remetem-se ao silêncio. Não contam nada e também não fazem perguntas, porque não querem colocar os outros numa posição de fragilidade. Mais uma vez, não é uma técnica inédita, explica o autor do livro "O Universo das Seitas Destrutivas".

As pessoas embaixo que estão a cumprir com as regras, o rebanho, ele está crente, acredita que está a fazer algo de bom e que aquelas regras que lhes estão a ser dadas e a ajuda que lhes está a ser prestada, que aquilo vai beneficiar. Normalmente estes grupos têm estruturas hierárquicas muito rigorosas, muito bem definidas, em que cada secção do grupo tem a informação estritamente necessária que deve saber para fazer o seu trabalho. Mas à medida que se vai subindo a pirâmide, esse conhecimento vai aumentando.

Grigorian Bivolaru está no topo da pirâmide da seita. E logo abaixo, estão alguns dos discípulos mais antigos, como Advaita e Adina Stoian, o casal de romenos que foi enviado a Lisboa para resolver o escândalo das iniciações sexuais do Swami Mahalaya Nanda.

Eles mandam as pessoas de tal forma que elas acabam por obedecer a tudo aquilo que está a ser dito dentro do grupo e a todas as regras que estão a ser implementadas, de forma que o líder esteja sempre numa posição como se fosse Deus. Ele está lá, mas é como se não se visse.

Os principais instrumentos que este Deus usa para controlar os discípulos que estão na base da pirâmide são três: os juramentos, a normalização dos segredos e as iniciações.

São rituais que servem para integrar a pessoa no grupo. E muitas vezes esses rituais são tão humilhantes, que a pessoa tem que abdicar de si mesma para pôr em prática esses rituais. São rituais muitas vezes em que a pessoa tem que se anular, o seu amor próprio tem que ser anulado. Mas isso serve exatamente para testar até que ponto a pessoa quer mesmo entrar no grupo, até que ponto a pessoa quer mesmo estar dentro do grupo. Serve também como filtro, porque se a pessoa não quiser pôr em prática as coisas que o líder lhe está a dizer para fazer, essa pessoa não interessa. Eles querem pessoas obedientes, totalmente obedientes.

Foi dado o passo número cinco para a criação de uma seita. A imposição de rituais de segredo está completa. Na escola de Lisboa, há a sensação de que o guru está sempre presente e vê sempre tudo, até mesmo dentro dos quartos do ashram. Lara colou na parede em frente à cama uma espécie de pôster A3 com a cara de Gregorian Bivolaru. Bivolaru está de camisa de manga curta azul, com os braços caídos ao longo do corpo. Tem os cabelos grisalhos desalinhados, quase à altura dos ombros. E olha diretamente pra câmera. É um olhar duro, que transmite poder e controle. Os alunos ouvem repetidamente que é no guru que reside toda a sabedoria. Dizem-lhes que ele os conhece a todos até ao mais ínfimo detalhe, até mesmo àqueles que nunca tiveram a honra de o encontrar pessoalmente ou sequer de se corresponderem com ele. Sempre que alguém precisa de orientação, apoio ou conselhos, seja por que motivo for, é ao guru que deve recorrer. Os discípulos são incentivados a escrever-lhe cartas, que depois lhe são entregues através de intermediários.

É um mestre, é um guia que está ali para nos ajudar nesse nosso caminho de evolução espiritual e a relação que a maior parte das pessoas tinha com ele era de escrevermos cartas, pedir orientação para isto, para aquilo, ou o que eu devo praticar mais, o que eu devo fazer para atingir certos resultados, ou pedir, por exemplo, eu gostava de ter esta iniciação. E ele dizia sim ou não, às vezes explicava porquê, outras vezes porque não.

"É preciso a autorização do mestre espiritual para quase tudo", conta Nuno. Um aluno quer aprender uma técnica nova? Tem de pedir autorização ao guru. Quer fazer formação para dar aulas de yoga? Tem de pedir autorização ao guru. Quer namorar com alguém? Tem de pedir autorização ao guru. O guru controla tudo, até a aparência das alunas.

O ser magro estava fora de questão, porque aquilo que explicavam era que o corpo também manifesta a harmonia dos chakras. E que, por exemplo, o chakra do coração harmonioso é grandes seios. Aquilo que se dizia que era uma mulher com o corpo harmonioso, era uma mulher com curvas.

Lara conta que é pedido à mulher que irradie felicidade, que seja uma manifestação de energia positiva, que seja sensual e que se vista de forma sensual, mas que também saiba pôr-se no seu lugar.

O homem é que tem que tomar conta da situação. As mulheres podem dar sugestões e depois os homens decidem.

Para garantir que ninguém falha nas respectivas obrigações, e porque é passada a ideia de que os erros individuais afetam a chamada egrégora, a energia coletiva do grupo, os alunos controlam-se uns aos outros. Vera diz que há escalas de tarefas afixadas nas paredes do ashram e um caderno onde cada um tem de assinalar quantas horas de yoga praticou nesse dia.

Toda a gente sabia quando nós não tínhamos feito uma tarefa. Portanto, era a pressão do grupo. E muito disto vive na base de pressão do grupo. Porque se o grupo sabe que nós não fizemos uma tarefa, é: "Que yoga que tu és? Não vales". Eu acho que até mesmo o nosso valor era muito medido pela nossa prática espiritual. E todas as pessoas que não faziam as práticas, ouviam: "Ainda comes carne? Se te está a fazer tão mal. E ainda por cima estás a baixar a egrégora do grupo, não é só por ti, mas também pelas outras pessoas".

Porque ninguém quer deixar ficar mal o grupo ou ser posto de parte, toda a gente cumpre as regras.

Isto é estudado em psicologia. Nós não queremos destoar do grupo onde estamos. E o que acontece também neste tipo de situações é que o sentido crítico das pessoas começa a baixar. O pensamento crítico começa a baixar, começa a reduzir. Por quê? Porque a pessoa é ensinada que o líder tem o poder, a sabedoria, o conhecimento e que se a pessoa não cumprir com tudo aquilo que o líder diz, com tudo aquilo que o líder ensina, com todas as regras que são seguidas pelo grupo, a pessoa vai perder alguma coisa. Pode perder a salvação, pode perder o conhecimento ou a iluminação, vai começar a sentir-se posta de parte ou sofrer represálias dentro do grupo.

Os alunos sentem-se forçados a ser iguais aos outros. Com o tempo, perdem toda a individualidade e, no final, perdem até a capacidade de pensar pela própria cabeça. Foi dado o passo número seis pra criação de uma seita. A submissão aos interesses do grupo está completa. Só falta um passo. Não é por acaso que esta é a última fase. Para que um discípulo se mostre incapaz de pensar de forma autônoma e aceite passar por situações que vão contra os próprios hábitos e valores, é preciso uma coisa muito importante: tempo.

É um processo de desconstrução do indivíduo, em que ele chega a ponto em que ele já obedece sem pensar. Ele sabe que tem que obedecer. Já não interessa por que eu tenho que obedecer.

Foi o que aconteceu com Dária, quando foi levada para o Japão para trabalhar em bares de striptease. E com as alunas portuguesas que passaram meses a trabalhar em chats pornográficos. Receberam uma tarefa e executaram-na. Pior, foram levadas a crer que isso era em seu benefício, quando, na verdade, estavam a ser exploradas, diz António Madaleno. É isso que está a acontecer em Lisboa, mas neste momento, Lara é incapaz de o perceber. Já é tarde. Lara está no ashram pronta para dormir, quando vê algumas colegas a sair de casa. Estão bem arranjadas, maquiadas e com roupas sensuais. Dizem que vão trabalhar, mas não revelam o que vão fazer, nem onde. Quando regressam, Lara sente o cheiro a tabaco na roupa e nos cabelos, sendo que tem a certeza, nenhuma delas fuma. Os cigarros estão proibidos no ashram. Desconfia que as amigas passam as noites a trabalhar em bares de alterne. Não consegue confirmar, mas sabe que o Swami as incentiva a fazer isso. Lara sempre achou que não batia certo com os ensinamentos do guru, que proíbe álcool, tabaco e sexo sem amor. Mas se as amigas o fazem voluntariamente e com permissão superior, quem é ela para julgar? Hoje, vários anos depois de se desvincular da escola, percebe que, na realidade, estas mulheres nunca quiseram fazer este trabalho. Só foram levadas a acreditar que sim.

É muito complicado provar que estamos a ser forçadas a alguma coisa, quando, na verdade, nos levaram a crer que efetivamente aquilo é bom pra nossa evolução espiritual.

António Madaleno diz que, mais uma vez, este é um traço comum à grande maioria das seitas.

As pessoas estão a ser manipuladas para fazer aquilo que o líder quer, quando ele quer. Porque é uma forma dele ter trabalho gratuito, e fazer com que as pessoas vivam inteiramente para o servir. O comportamento, as emoções, o pensamento das pessoas e tudo aquilo que gira em torno da vida da pessoa, ele consegue fazer da pessoa o que ele quiser. A pessoa está totalmente nas mãos do líder.

No trabalho voluntário, conhecido também por Karma Yoga, cabe muita coisa. E isso é válido não apenas para as discípulas, mas também para os discípulos. Luís, por exemplo, ajuda a construir escolas de yoga e ashrams em vários países da Europa. Trabalha nas obras, a assentar telhas e tijolos, tudo em nome do bem comum. Nuno não sai de Lisboa, mas acaba por também se oferecer para trabalhar. Acontece tudo num apartamento insuspeito na Rua de São Sebastião da Pedreira, na zona das Avenidas Novas. O espaço só funciona por marcação e à porta fechada. Chama-se Templo Tântrico de Lisboa e, à primeira vista, não tem qualquer ligação à Natha.

No início, quando a gente entra na escola, não sabe necessariamente que aquilo está ligado. Depois, quando começamos a estar mais envolvidos, a gente lá dentro fala que existe o templo tântrico. E depois eu achei aquilo interessante e pedi lá internamente se podia participar no projeto e se podia fazer massagens e tudo mais. Aprendi a fazer as massagens e comecei.

No papel, o Templo Tântrico é uma associação sem fins lucrativos dedicada a levar a sabedoria tântrica a todos aqueles que estão preparados para receber. Na prática, é um apartamento com vários quartos onde discípulos sem nus dão massagens eróticas a homens, mulheres e casais, por preços que podem ir dos 140 aos 360 euros.

O templo tântrico aqui em Portugal não tinha uma atividade muito grande. Massagens para mulheres era muito pouco, que as mulheres não procuram tanto esse tipo de coisas. Os homens procuram mais, só que os homens procuram estas coisas à procura de sexo. E ali não havia.

Como é homem, Nuno só pode dar massagens a mulheres. Homens não podem massagear outros homens. É mais uma das regras do movimento, que desaprova as relações homossexuais masculinas. Quando está na sala de massagens, usa apenas boxers. Já a cliente está nua Antes de começar, Nuno explica-lhe o que vai acontecer. A energia erótica dela deverá ser despertada e a sensibilidade também. No final, deverá estar num estado mental de paz. A não ser que prefira tirar partido de mais uma exceção concedida apenas a mulheres. Ao contrário dos homens, elas podem solicitar uma massagem na região genital.

Não havia toque nenhum em zona íntima nenhuma, estamos a falar da vagina, se não houvesse permissão expressa. Eu explicava no início e dizia: "Olhe, a massagem tem uma hora e meia, se porventura quiser ter a massagem vaginal, se estiver a sentir que é algo que quer experimentar". Com os homens, a direção era claríssima, pelo menos quando eu lá estava. Não há massagem na pénis.

Apesar de o fazer como karma yoga, Nuno recebe pelo trabalho. Uma massagem de €140 rende-lhe 40. O resto, dizem-lhe, serve para pagar as despesas do templo e da escola. O trabalho no templo será uma das principais formas de financiamento da escola de yoga. Todos os anos há dois grandes encontros na Roménia onde se reúnem os alunos de todas as escolas do mundo associadas ao movimento de Gregorian Bivolaru. O primeiro acontece na primavera, na estância termal de Baile Herculane. O segundo é considerado o evento do ano. É em Costineşti, cidade à beira do Mar Negro, e prolonga-se durante todo o mês de agosto. Beatriz não perde um acampamento de verão em Costineşti, mas desta vez vai ser diferente. Decidiu concorrer ao título de Miss Shakti, o concurso que termina com a escolha daquela que é a mulher mais feminina e sensual do movimento. Sempre ouviu dizer que participar dá acesso a uma evolução espiritual mais rápida e sabe que se vencer, vai ascender ainda mais.

As mulheres são muito privilegiadas naquela escola, porque têm formas mais rápidas de evoluir espiritualmente. Os homens sofrem muito, têm que trabalhar muito. As mulheres participam no Miss Shakti e ganham 50 vidas de karma, avançam 50 vidas para chegar à iluminação. É tudo muito rápido.

Partilha a decisão com uma das professoras de tantra, que concorreu no ano anterior. Ela dá-lhe os parabéns, diz-lhe maravilhas sobre o processo e deixa-lhe um único conselho: "Just say yes to everything". Diz sim a tudo. Podia ter sido um sinal de alerta, mas Beatriz ou não percebe ou prefere não perceber. Vai mesmo participar no concurso e vai mesmo dizer sim a tudo. Mas essa é uma história para o próximo episódio. No próximo episódio.

É muito impactante. Se 600 pessoas acreditam neste homem, ele tem que ser genuíno.

Havia um quarto que nos diziam que era o quarto dele e que como ele tinha estado lá quando era livre, tinha uma energia mais intensa.

Porque queria evoluir e porque queria chegar mais à frente. Por todas essas questões, estava a aceitar fazer amor com pessoas que eu conheço mais ou menos, ou estar envolvida numa orgia com pessoas que eu conheço mais ou menos. O que é que eu estava a fazer? O que é que eu estava ali a fazer? Por que é que eu não levantei e não me fui embora?

Se ouviu esta história e está a passar ou conhece alguém que esteja a passar por uma situação semelhante, pode ligar para a APAV, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, através do número de telefone 116 006. O Observador contactou a Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, a Federação Atman, à qual pertencem as escolas de yoga espalhadas pelo mundo, e ainda Gregorian Bivolaru, através dos representantes legais. Foram confrontados com várias questões relacionadas com as alegações feitas ao longo deste podcast. O Observador contactou Gregorian Bivolaru através dos representantes legais. Não responderam. O Observador contactou a Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra. A direção não aceitou ser entrevistada, mas respondeu por e-mail a várias perguntas. Seguem-se as perguntas e respostas relevantes para este episódio. O Observador pergunta: o site da Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, no separador Quem Somos, faz referência a Gregorian Bivolaru como um verdadeiro mestre espiritual vivo. Qual é a ligação de Gregorian Bivolaru à Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra? A Natha responde: como pode ser verificado nos respetivos estatutos suprarreferidos, a Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, não tem qualquer ligação a Gregorian Bivolaru, sendo que o mesmo não desempenha nem nunca desempenhou qualquer função na Natha. Não é, nem nunca foi sócio ou membro dos respetivos órgãos sociais. Podemos dizer é que, como autoridade publicamente reconhecida na área, com vários livros publicados, nos seus cursos, a Natha segue alguns dos seus ensinamentos, pelo que no nosso site apresentamos Gregorian Bivolaru como o coautor do curso de Yoga Integral Esotérico, do curso de Tantra Yoga Esotérico, oferecido pela Federação de Yoga e Meditação Atman, da qual a Natha é escola membro afiliada E autor de muitos livros e publicações espirituais, sendo que o curso de yoga integral esotérico e o curso de tantra yoga esotérico são apenas dois dos variados cursos que disponibilizamos na Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra. O Observador pergunta: "E qual é a posição da Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra face à detenção de Gregorian Bivolaru por suspeitas da alegada prática de crimes de violação, tráfico de seres humanos, sequestro e abuso de fraqueza?" A Natha responde: "A Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra repudia de forma inequívoca qualquer forma de violência, exploração ou abuso, ou qualquer tipo de atividades criminosas. Não compactua com atividades ou comportamentos que possam configurar crimes dessa ou de outra natureza. A Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra pauta-se pelos valores éticos do yoga, do respeito pelo ser humano e da integridade individual. Defende que qualquer suspeita ou acusação deve ser devidamente apurada pelas autoridades competentes, no respeito pelo princípio da justiça e do Estado de Direito". O Observador pergunta: "A Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra deixou de lecionar aulas escritas por Gregorian Bivolaru?" A Natha responde: "A resposta a esta questão está clara no nosso site, aberto a todos os que quiserem ler. Gregorian Bivolaru é o autor do curso de yoga integral esotérico, coautor do curso de tantra yoga esotérico, oferecido pela Federação de Yoga e Meditação Atman, da qual a Natha é escola membro afiliada e autor de muitos livros e publicações espirituais". O Observador pergunta: "Por que motivo se mantém a referência a Gregorian Bivolaru como mestre espiritual vivo no site da Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra?" A Natha responde: "No contexto do yoga, o termo mestre espiritual designa alguém que, através da sua experiência e prática, inspira e orienta outros no caminho de autoconhecimento e do desenvolvimento interior. A referência a mestres espirituais vivos reflete uma tradição milenar presente em várias escolas de sabedoria presentes em todo o mundo, que reconhecem a importância de pessoas experientes que transmitam conhecimento de forma direta e viva. A nossa menção mestre espiritual vivo deve ser entendida nesse enquadramento filosófico e espiritual, e não como uma validação pessoal de comportamentos ou acontecimentos externos à prática e aos ensinamentos do yoga". O Observador pergunta: "E qual é a ligação da Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra ao MISA?" A Natha responde: "A Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra é uma associação com personalidade jurídica própria, com órgãos sociais próprios, que se dedica ao ensino do yoga e do tantra em Portugal, enquanto o MISA, Movement for Spiritual Integration into the Absolute, é uma organização estrangeira que promove atividades também de caráter espiritual a nível internacional, não existindo qualquer relação jurídica, administrativa, orgânica ou outra. Temos conhecimento que, a título individual, no exercício da sua liberdade pessoal e espiritual, alguns alunos e professores sócios da Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra participam em eventos internacionais organizados por essa e outras entidades". O Observador pergunta: "Quantos ashrams tem atualmente a Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra na região de Lisboa? Quantas pessoas estão atualmente a viver nesses locais em comunidade?" A Natha responde: "A Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra não possui nenhum ashram". O Observador pergunta: "Para além do ashram de Alenquer, a Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra tem mais alguma propriedade e/ou representação fora de Lisboa?" A Natha responde: "A Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra desenvolve a sua atividade em Lisboa, onde estão concentrados os cursos e eventos regulares. O foco da Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra é a transmissão dos ensinamentos do yoga através de cursos, retiros e eventos que decorrem em diferentes locais, conforme as necessidades logísticas e pedagógicas, não sendo a posse de propriedade o objetivo central da sua atividade". O Observador pergunta: "Qual é a ligação da Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra ao Templo Tântrico de Lisboa?" A Natha responde: "A Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra não tem ligação com o Templo Tântrico de Lisboa. A Natha é uma associação sem fins lucrativos, completamente independente, sem prejuízo de eventualmente haver membros comuns". O Observador pergunta: "Qual é a ligação da Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra ao Natha Yoga Center, na Dinamarca?" A Natha responde: "A Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra não tem qualquer ligação com a Natha Yoga Center. Conforme referido supra, como associação, somos pessoa jurídica de direito privado, perfeitamente autônoma e independente, com personalidade jurídica própria". O Observador pergunta: "As escolas têm uma gestão comum? Que funções desempenham ou desempenharam Mihai e Adina Stoian, professores no Natha Yoga Center na Dinamarca, na Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra?" A Natha responde: "Não há qualquer gestão comum com outras escolas, já que a Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra é uma associação com personalidade jurídica própria e, naturalmente, com órgãos próprios que fazem a sua própria gestão. Não temos qualquer conhecimento das funções que Mihai e Adina Stoian desempenham ou desempenharam na Natha Yoga Center. Os mesmos não desempenharam quaisquer funções na Natha - Escola Espiritual de Yoga e Tantra". A Federação Atman, à qual pertencem as escolas de yoga do movimento criado por Gregorian Bivolaru, não respondeu diretamente às questões enviadas pelo Observador, mas enviou um comunicado. Nesse texto, a Federação Atman garante não ter recebido, até ao momento e por parte da justiça francesa, qualquer comunicação oficial por possível envolvimento no caso. Refuta todas as acusações levantadas contra membros afiliados, professores e alunos. Recorda que a investigação ainda está em curso e que não há qualquer acusação, muito menos uma condenação. E acusa as autoridades francesas e os meios de comunicação internacionais de perseguição religiosa e de uma campanha midiática que, ao longo de anos, vem projetando a imagem da escola como um culto sexual culpado de lavagem cerebral e abuso sexual Lê-se no comunicado: "O que aconteceu em França é a continuação de uma longa série de ataques contra membros afiliados da Federação Atman e o professor de yoga Grigorian Bivolaru, por forças que consideram intolerável qualquer combinação de erotismo e espiritualidade". No mesmo texto, a federação garante ainda que não é responsável pela vida privada dos funcionários, alunos e professores das escolas afiliadas. Diz que as escolas são independentes e assumem total responsabilidade pelas respetivas decisões e atividades. Acrescenta ainda que condena categoricamente todos os tipos de abuso, incluindo o uso abusivo da força policial e detenções injustas. E por fim, assegura que ensinamentos de comportamento sexualizado nunca foram nem serão tolerados na Federação Atman. "Os Segredos da Seita do Ioga" é uma série para ouvir em seis episódios e faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Daniela Ruah, e tem banda sonora original de Benjamim. O guião e as entrevistas são de Mariana Marques Tiago e Tânia Pereirinha. A sonoplastia e desenho de som são de Pedro Oliveira. O design gráfico é Diana Moreira. A edição é de João Santos Duarte e Tânia Pereirinha. A coordenação é de Miguel Pinheiro, Filomena Martins, Pedro Jorge Castro, Ricardo Conceição e Sara Antunes de Oliveira. Se tem alguma informação para partilhar sobre este podcast, ou se conhece alguma história que acha que deve ser investigada, pode escrever-nos para podcastplus@observador.pt. Podcast Plus do Observador é mais do que um podcast. Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Kia.