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Começam agora as outras histórias do Desporto das manhãs 360, com a jornalista da rádio do jornal Observador, Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bom dia.
Olá, bom dia.
Começamos em França?
Começamos com um debate que está a marcar os dias da atualidade francesa e que pode ter um impacto real e significativo no desporto internacional. No final de janeiro, o Senado francês entrou com uma proposta de lei que quer proibir, e estou a citar, "a utilização de símbolos religiosos ostensivos, tanto em eventos como em competições desportivas organizadas pelas federações ou as associações federadas." Dentro destes símbolos religiosos considerados ostensivos, está o hijab, o véu que as mulheres muçulmanas utilizam junto de pessoas que não pertencem à própria família e que tapa a cabeça e o pescoço sem cobrir o rosto. A proposta de lei é discutida hoje, é expectável que a decisão final seja tomada no dia 24 de fevereiro, e todo o debate tem causado muita polêmica num país que tem uma comunidade muçulmana muito grande, muito enraizada na sociedade, como sabemos, e também porque em 2024 os Jogos Olímpicos são em Paris, algo que obviamente poderá causar um problema com as atletas muçulmanas que habitualmente competem com o hijab.
Claro que sim, e o Comitê Olímpico Internacional, Mariana, já disse alguma coisa?
Por agora mantém-se muito cauteloso. Não existiu nenhuma posição oficial por parte do Comitê Olímpico Internacional, mas um elemento da direção do organismo deu recentemente uma entrevista onde aceitou falar sobre o assunto, ainda que tenha dito que não queria fazer comentários especulativos porque ainda não existe uma decisão final. Este elemento do Comitê Olímpico explicou que o objetivo do organismo é garantir que não existe qualquer tipo de discriminação nos Jogos Olímpicos e que todos os atletas podem competir e viver juntos debaixo do mesmo teto na aldeia olímpica, independentemente das crenças que tenham. Ou seja, e sem adotar uma postura definitiva, o Comitê Olímpico lembrou França de que a ideia dos Jogos Olímpicos é precisamente ter atletas de todos os países, todas as culturas, religiões, credos, orientações sexuais e raças, sem qualquer tipo de discriminação.
Bom, Mariana, mas existem precedentes? Há competições em que estes símbolos são proibidos?
Mais ou menos. A verdade é que há de tudo. A FIFA, por exemplo, e no que toca ao futebol feminino, autorizou a utilização do hijab por parte das jogadoras, sendo que também deu liberdade a cada federação de cada país de decidir unilateralmente e proibir, se assim achar correto. Em França, especificamente, os casos têm dependido muito das modalidades, das federações. No caso do futebol feminino, o hijab é proibido, sendo que no andebol é permitido. Certo é que se esta proposta de lei for aprovada ainda este mês, abre-se um novo ponto de discórdia no desporto internacional, até porque centenas de atletas muçulmanas ficarão impedidas de competir nos Jogos Olímpicos de 2024, a não ser que decidam abdicar da utilização do hijab.
Mariana, e agora passamos para a Fórmula 1.
E para uma decisão que pôs fim a uma era na Fórmula 1 nos últimos 28 anos, desde que Ayrton Senna morreu, que todos os carros da Williams tinham um S, cujo design mudava todos os anos para lembrar e honrar o piloto brasileiro. Senna morreu ao volante de um Williams em 1994 no circuito de Imola, em Itália, e a equipe encontrou esta forma, ao longo dos anos, de o lembrar a cada ano que passava, a cada carro que apresentava, nunca abdicando então do tal S que normalmente aparecia num dos lados da parte posterior do veículo. Este ano, ao fim de quase três décadas em que o S de Senna esteve sempre presente, a Williams decidiu cortar com o passado e deixar de incluir a homenagem no FW44, o carro que foi apresentado nos últimos dias e que vai realizar o Campeonato do Mundo deste ano.
Mas então, por quê? Há alguma explicação para esta decisão?
A verdade é que a Williams mudou de donos nos últimos anos. A família Williams, que era fundadora, dona da equipe há mais de 40 anos, decidiu deixar por completo a Fórmula 1, vendeu tudo à Dorilton Capital, um fundo de investimento norte-americano, e em comunicado, estes novos donos disseram apenas que está na hora de seguir em frente, que não queriam que todos os pilotos que passam pela Williams tenham de ser recordados da tragédia que aconteceu com Senna sempre que entram no carro, para além de que reconheceram que também não falaram com a família do piloto brasileiro antes de tomar esta decisão. Disseram também que o museu da Williams foi remodelado para passar a contar com uma ala inteira dedicada a Ayrton Senna e que a equipe vai continuar a trabalhar de forma muito próxima com a fundação que existe em nome do brasileiro e que foi criada pela família. Ainda assim, a verdade é que Senna, pelo menos de forma representativa, vai deixar de estar presente em cada Williams que acelerar numa pista.
E agora terminamos no Brasil.
Se muita gente no Brasil anda encantada com os treinadores portugueses, até pelo sucesso de Jorge Jesus no Flamengo e de Abel Ferreira no Palmeiras, o mesmo não acontece com Lula da Silva. O Corinthians, um dos principais clubes de São Paulo e do futebol brasileiro, continua à procura de treinador depois da saída de Silvinho, e têm sido muitos os treinadores portugueses associados ao cargo, desde Jorge Jesus, Leonardo Jardim, Luís Castro, entre muitos outros. Mas Lula da Silva, confesso adepto do Corinthians, diz que não faz sentido nenhum andar atrás de um português. O antigo presidente brasileiro recorreu ao Twitter para defender que gostava de Silvinho, que o Corinthians tem de contratar os jogadores e que não é preciso procurar ninguém em Portugal, porque o Brasil está cheio de gente para trabalhar. Resta agora saber se o clube aceita o conselho de Lula ou se continua atrás dos portugueses.
Estamos para ver, não é? E assim chegamos ao fim das outras histórias do desporto para ouvir de segunda a sexta, 11h45 e a qualquer hora lá em podcast. Obrigada, Mariana Fernandes. Até amanhã.
Até amanhã.