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Começam agora as outras histórias do desporto, hoje contadas pela jornalista da editoria de desporto do Observador, a Mariana Fernandes. Olá, Mariana. Bom dia, boa semana.

Olá, bom dia.

Começamos nos Estados Unidos e na NBA.

E com uma história que até tem uma candidatura a um Nobel pelo meio. Mas começando pelo início, o nosso protagonista de hoje é Enes Kanter, jogador de basquetebol de 29 anos que tem estado na NBA na última década. Enes Kanter nasceu na Suíça, é filho de pais turcos e desde a adolescência que se tornou muito crítico ao regime de Erdogan na Turquia. Quando foi para os Estados Unidos em 2011 para jogar nos Utah Jazz, aproveitou o distanciamento geográfico, o facto de ter saído do país, para se tornar um verdadeiro ativista contra Erdogan e por aquilo que diz ser uma liberdade política e social que não existe na Turquia actualmente. Chegou a integrar a lista dos principais criminosos procurados pelo regime turco. Em 2017, renunciou à nacionalidade turca e declarou-se apátrida. E agora, sem que ninguém o esperasse, decidiu candidatar-se ao Prémio Nobel da Paz.

Então, essa candidatura foi considerada, Mariana? Ele é, de facto, um dos candidatos?

Sim, a candidatura foi considerada, é um dos candidatos ao Prémio Nobel da Paz por ser uma importante voz na luta pelas liberdades, e estou a citar. Esta luta de Enes Kanter está muito focada na Turquia e no regime de Erdogan, mas a verdade é que o jogador de basquetebol também tem sido uma voz muito activa nas críticas à China e ao presidente Xi Jinping, defendendo o boicote total, por exemplo, aos Jogos Olímpicos de Pequim, que terminaram agora, e condenando as alegadas violações dos direitos humanos na minoria uigur, na região chinesa de Xinjiang. Enes Kanter conseguiu obter a nacionalidade norte-americana no passado mês de novembro e, para comemorar, mudou oficialmente o apelido para Freedom, liberdade em inglês, para honrar este compromisso que fez com a ideia de lutar sempre pela liberdade de tudo e de todos. Pelo meio, porém, o basquetebol ficou para trás.

Então, mas por quê? A carreira na NBA não está a correr bem?

Tanto não está a correr bem que está perto de acabar. Isto porque nos últimos 10 anos, Enes Kanter jogou em cinco equipas diferentes, sem nunca ser particularmente brilhante. Nunca esteve exclusivamente preocupado com o desporto. Ele recebia ameaças de morte constantes sempre que dava uma entrevista. Nem sequer ia jogar contra os Toronto Raptors no Canadá, porque existia o risco de a Turquia conseguir pedir extradição, e até viu o pai ser preso durante sete anos por também ser muito crítico do regime de Erdogan. No início deste mês, durante o mercado de transferências da NBA, foi para os Houston Rockets, mas entretanto já foi dispensado por não ter ritmo competitivo, por não estar em forma, e fala-se que pode sair dos Estados Unidos para ir jogar para a Grécia. Pelo meio, vai saber como fica então uma das candidaturas mais inesperadas ao Prémio Nobel da Paz.

Então e dos Estados Unidos e do basquetebol, passamos para o futebol e para Inglaterra.

Inglaterra, onde a vida está a correr muito bem a Bruno Lage, treinador português do Wolverhampton, o clube mais português da Premier League. Ainda ontem o Wolverhampton venceu o Leicester, está muito perto da zona de apuramento europeu da Liga Inglesa e tem vindo a realizar uma temporada bem acima do esperado, principalmente se tivermos em conta que este é o primeiro ano com Bruno Lage e que a época passada, com Nuno Espírito Santo, não foi propriamente extraordinária. Ora Bruno Lage, que foi eleito o melhor treinador da Premier League no mês de janeiro, deu agora uma entrevista onde explicou o porquê deste sucesso do Wolverhampton ser uma questão de família. Isto porque o antigo treinador do Benfica falou pela primeira vez do irmão, Luís Nascimento, que é seu treinador adjunto e com quem nunca tinha trabalhado ao mais alto nível.

Então, o que é que ele conta?

Bem, ele diz antes de tudo o resto que está muito contente por trabalhar com o irmão. Eles estiveram sempre muito perto, mas sempre desencontrados. Treinaram no Benfica ao mesmo tempo, mas em escalões diferentes da formação. Foram ambos adjuntos de Carlos Carvalhal, mas também em períodos diferentes. E só agora, quando Bruno Lage foi para Inglaterra, é que decidiu convidar o irmão para integrar a equipa técnica. E acaba por contar uma coisa curiosa: num plantel onde existem tantos portugueses, a alcunha de Luís Nascimento é o Capitão, em alusão ao personagem Capitão Nascimento do filme brasileiro "Tropa de Elite", e num clube que é quase mais português do que inglês, começa também a formar-se uma verdadeira família portuguesa.

Grande filme esse, "Tropa de Elite". Mariana, começamos e terminamos no basquetebol.

Sim, com a certeza de que pelo menos vamos ter LeBron James na NBA durante mais dois anos. O jogador dos Lakers já não tem praticamente nada para conquistar. Já foi quatro vezes campeão, já foi MVP em quatro ocasiões, já é um dos melhores de sempre e agora revelou numa entrevista que quer passar o último ano da carreira a jogar ao lado do filho mais velho, Bronny, que está ainda nesta altura no ensino secundário. Quando Bronny for elegível para entrar no draft da NBA, em 2024, LeBron James já terá 39 anos, mas ele diz que nessa altura não vai querer saber do dinheiro, da competição ou dos títulos e vai aceitar qualquer salário e qualquer equipa em que o filho esteja para poder cumprir este sonho. E numa altura em que começamos a falar a sério do final da carreira de muitos dos melhores de sempre, como Ronaldo, Messi, Federer e Nadal, LeBron James deixa-nos a certeza de que o vamos ter pelo menos durante mais dois anos.

Ainda bem. A jornalista Mariana Fernandes e as outras histórias do desporto nas manhãs 360. Mariana, obrigada. Até amanhã.

Até amanhã.