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E começam agora as outras histórias do desporto, hoje contadas pela jornalista da editoria de desporto do Observador, a nossa Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bom dia, boa semana.
Olá, bom dia.
Bom dia. Começamos nos Jogos Olímpicos de Inverno.
E, na verdade, começamos numa história cujo primeiro capítulo aconteceu há mais de um mês, mas começamos pelo fim e pelo porquê de se ter tornado novamente relevante contar esta história, porque Erin Jackson, atleta norte-americana da patinagem no gelo e velocidade, tornou-se, nas últimas horas, a primeira mulher negra a conseguir uma medalha de ouro individual nos Jogos Olímpicos de Inverno. Erin Jackson, que é número um do ranking mundial da patinagem no gelo em velocidade no feminino, bateu a japonesa Miwa Takagi, que ficou com a prata, e a russa Angelina Golikova, que ficou com o bronze. É um resultado extraordinário pra atleta de 29 anos, até porque esta foi apenas a segunda participação olímpica que teve, e porque só começou a patinar no gelo em 2016. Antes só fazia patinagem, mas em pista. Mas a verdade, e agora voltando novamente ao início da história, é que Erin Jackson esteve quase para não ir a estes Jogos Olímpicos de Inverno.
Quase? Por quê?
Na altura, quando escrevemos esta história no Observador, escrevemos até que foi como se o Usain Bolt, Michael Phelps ou Simone Biles não se tivessem qualificado pra os Jogos Olímpicos nos seus tempos áureos. E foi um pouco isso que aconteceu, porque Erin Jackson, que é então a número um dos 500 metros da patinagem no gelo em velocidade, considerada a melhor do mundo da atualidade, falhou o apuramento para Pequim ao cair na última prova dos trials norte-americanos, e não conseguiu melhor do que um terceiro lugar, que não chegava para ir aos Jogos. E de repente, a grande candidata à medalha de ouro não ia mesmo aos Jogos Olímpicos, mas, e num autêntico golpe de teatro, a amizade falou mais alto e Erin Jackson acabou por ficar com o lugar de uma das melhores amigas.
Mas espera lá, a amiga estava qualificada e deu-lhe o lugar?
Exatamente. A Brittany Bowe, que é amiga próxima de Erin Jackson e é especialista na patinagem no gelo, mas nas distâncias mais longas, terminou surpreendentemente no primeiro lugar da qualificação pra os 500 metros, ou seja, apurou-se diretamente pra os Jogos Olímpicos também nessa distância. E quando soube que Erin Jackson não ia a Pequim por ter caído, não hesitou, abdicou dos 500 metros e deu diretamente a vaga à colega. Brittany Bowe foi medalha de bronze na perseguição nos Jogos Olímpicos em 2018. Este ano ainda vai competir nos 1000 e nos 1500 metros e acabou por ter toda a responsabilidade numa medalha histórica que só continuou o legado de Erin Jackson, que já era a primeira afro-americana a ganhar nos mundiais de patinagem de velocidade no gelo.
Mariana, continuamos nos Jogos Olímpicos, mas mudamos de modalidade, vamos pro snowboard.
A verdade é que as melhores histórias dos últimos dias estão todas centradas nos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, até porque a última semana trouxe um boom daqueles contos de fadas de atletas que nunca tinham chegado às medalhas e que agora conseguiram, ou que enfrentaram obstáculos muito complexos para lá chegar. Ora, Queralt Castellet acumulou estas duas coisas. Aos 32 anos, a atleta espanhola conquistou a medalha de prata no half pipe de snowboard, na quinta participação olímpica. Ela estreou-se em 2006, com apenas 16 anos, e desde aí não falhou nenhum Jogos. Tornou-se a quinta espanhola a ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno, a primeira mulher em 30 anos, portanto, desde 1980 que uma mulher espanhola não conseguia ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, e deu finalmente uma enorme alegria aos espanhóis, já que é uma atleta muito acarinhada no país. A história de Queralt Castellet é até curiosa, porque ela começou a praticar snowboard ainda muito nova, porque os pais o faziam, mas por lazer. Chegou a ganhar campeonatos nacionais em Espanha na ginástica, mas depressa optou pelo snowboard a tempo inteiro. Mas o dado mais importante desta conquista foi que Queralt Castellet dedicou a medalha diretamente pro céu.
Então, mas por quê?
Porque Ben Jolley, neozelandês que era treinador e namorado da atleta espanhola, tirou a própria vida há cerca de sete anos, depois de ter sido diagnosticado com tumor cerebral muito agressivo. Depois de ganhar a medalha, Queralt Castellet disse que todos temos as nossas lutas, que ela também tem a dela todos os dias, e que se sentia afortunada por tudo que tinha de Ben Jolley, por ter finalmente chegado a esta medalha olímpica que os dois ambicionavam, e explicou que sempre teve o sonho de subir um degrau do pódio e olhar diretamente pro céu pra dedicar a medalha.
E terminamos no tênis.
E com o tie break mais longo de sempre. Este fim de semana, no Open de Dallas, Riley Opelka e John Isner defrontaram-se nas meias-finais e discutiram o tie break, ou seja, a decisão sobre a vitória num set ao longo de 46 pontos, com Isner salvar 10 pontos de set. Desde 1990, portanto, quando o circuito ATP foi criado, que não existe registro de um tie break tão longo e com tantos pontos em disputa. No fim, Riley Opelka, que é norte-americano e que tem 2,11 metros, saiu por cima neste tie break por 24x22, e também no jogo, apurando-se pra final, que entretanto já ganhou a Jensen Brooksby, conquistando então o Open Dallas nos Estados Unidos.
A jornalista Mariana Fernandes e as outras histórias do desporto nas manhãs 360. Mariana, obrigada, até amanhã.
Até amanhã.