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Tudo pronto para as outras histórias do desporto. É a esta hora que se junta a nós a jornalista do Observador, Mariana Fernandes. Bom dia, Mariana.

Olá, bom dia.

Começamos num país que eu adoro: Itália. Quem não?

Começamos com a história de Francesco Flachi, antigo avançado italiano. Se recuarmos a fita do filme um bocadinho atrás e formos até 2007, Francesco Flachi tinha tudo. Aos 32 anos, continuava a ser um dos grandes talentos da Serie A, era o capitão e a estrela da Sampdoria, tinha acabado de ser convocado pela primeira vez pra seleção italiana e já levava 110 gols pelo clube de Genova. Em janeiro desse ano, porém, tudo ruiu com o controle antidoping, que deu positivo para cocaína depois de um jogo com o Inter de Milão, algo que lhe valeu uma suspensão de dois anos, mas como já vamos perceber também, Francesco Flachi não é propriamente um desistente.

Então, como assim? Voltou a jogar depois da suspensão, é isso?

Voltou, cumpriu os dois anos de suspensão e voltou aos relvados através do Empoli e do Bari, que jogavam ambos na Serie B, portanto na segunda divisão de Itália na altura. Ainda assim, não conseguiu evitar uma recaída e em 2009 voltou a dar positivo pra cocaína num controle antidoping, sendo condenado então a uma suspensão de 12 anos por ser reincidente. Ora, à partida, de forma muito lógica, parecia que a carreira de Francesco Flachi tinha acabado, porque aos 34 anos e com 12 de suspensão para cumprir, só poderia voltar aos relvados aos 46 anos, precisamente em janeiro de 2022. E como Francesco Flachi não é um desistente, como já vimos, voltou mesmo ao futebol nos últimos dias, aos 46 anos e depois de 12 afastado de toda a competição.

Bem, mas isso é uma coisa verdadeiramente impressionante, não é? Conta-nos lá como e em que equipe que ele voltou.

Bem, ele está a jogar no Cygna 1914, um clube da quinta divisão italiana, onde nos últimos anos já vinha ajudando com as camadas jovens e onde acabou por ser impulsionado e provocado até pelo presidente, que lhe disse que a data do fim da suspensão estava a terminar, mas que ele já não teria forças nem energia para voltar. Francesco Flachi reuniu essa energia e jogou meia hora este domingo, sendo que deve continuar a ser jogador até o final da temporada, para depois começar oficialmente então o curso de treinador, que agora, terminada a suspensão, já pode mesmo tirar.

E Mariana, continuamos a falar de futebol.

Continuamos no futebol e na Europa, onde a UEFA anunciou planos para recompensar os adeptos depois de praticamente um ano e meio em que os estádios estiveram fechados e os adeptos não puderam assistir aos jogos, depois dos planos para uma Superliga Europeia que fracassou, mas que era a divisão final entre os ricos e os outros, e depois de dois anos de pandemia, a UEFA vai oferecer mais de 30 mil bilhetes para as finais da Liga dos Campeões masculina e feminina, da Liga Europa e da Conference League, bilhetes esses que serão então divididos entre as duas equipes que disputarem cada uma dessas finais.

Mas então vai oferecer a quem? Como é que é o processo de seleção?

Bem, a UEFA vai oferecer estes bilhetes aos clubes. Basicamente, são 10 mil bilhetes pra final da Liga dos Campeões, 8 mil pra final da Liga Europa e 6 mil pra final da Conference League e a da Liga dos Campeões Feminina, que a UEFA vai oferecer aos clubes sem qualquer encargo, deixando então esse pedido de que eles entreguem os bilhetes aos adeptos mais leais e aquilo que se pode ler no comunicado do organismo que regula o futebol europeu. A UEFA estipulou mesmo que estes bilhetes não poderão ser oferecidos a patrocinadores, parceiros ou funcionários, e que cada clube terá então de encontrar um mecanismo, seja por concurso ou por atribuição direta, para oferecer estes bilhetes a adeptos. É uma forma que a UEFA encontrou para recompensar os adeptos por dois anos muito complexos, e também para estimular a ida de apoiantes a essas finais, em que se tivessem de pagar bilhete, viagem e estadia, muitos deles provavelmente não conseguiriam marcar presença.

Mariana, terminamos com uma sugestão.

Sim, até mesmo de ser, porque na passada sexta-feira estreou na plataforma de streaming Amazon Prime o documentário "Rooney", sobre a carreira de Wayne Rooney, antigo internacional inglês e antigo jogador do Everton e do Manchester United. É um documentário curioso e até bastante duro, por vezes, porque foca-se mais nos momentos negativos da carreira do jogador do que propriamente nos positivos. E para percebermos, a conquista da Liga dos Campeões pelo Manchester United ocupa 30 segundos neste filme e os recordes que Rooney alcançou, como o fato de ser o melhor marcador do United e da seleção inglesa, quase nem são mencionados. O filme fala muito no início da carreira do avançado, dos sacrifícios pessoais e familiares que fez e dos erros que cometeu, incluindo até o cartão vermelho que viu contra Portugal no Euro 2004. É um retrato muito fiel, muito cru, de um jogador que foi sempre um rebelde pacífico, digamos assim. E claro que vale a pena perceber o que é que ia passando pela carreira de Rooney ao longo de quase 15 anos em que o vimos jogar.

E é assim, com esta sugestão do documentário sobre Wayne Rooney, que as outras histórias do desporto chegam ao fim. Obrigada, Mariana Fernandes. Até amanhã.

Até amanhã.