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Tudo pronto para conhecermos as outras histórias do desporto. É esta hora que se junta a nós a jornalista do Observador, Mariana Fernandes. Bom dia.
Olá, bom dia.
Bom dia. Começamos no futebol e nos Países Baixos.
E com uma decisão judicial que se arrastava há cinco anos, desde 2017, e que finalmente ficou resolvida. Para contarmos esta história é preciso recuarmos precisamente para julho de 2017, quando Abdelhak Nouri caiu inanimado durante um jogo particular de pré-época do Ajax contra o Werder Bremen. Nouri tinha 20 anos, era uma das grandes promessas da formação do Ajax. Sofreu uma paragem cardiorrespiratória, foi assistido no local e as primeiras notícias indicaram que estava estável. Mais tarde, soube-se então que tinha sofrido danos cerebrais irreparáveis e que dificilmente voltaria à vida que tinha e a ser independente. Ora, esta segunda-feira, cinco anos depois, o Ajax e a família do jogador acordaram o pagamento de uma indemnização de quase oito milhões de euros, para além também do pagamento de todos os cuidados médicos de que Nouri precise, algo que o clube já vinha a suportar desde o primeiro dia.
Mas é uma indemnização por quê? O clube assume alguma responsabilidade nisto?
Assume, sim. O que o Ajax diz, em comunicado, é que acabou por concluir que os cuidados médicos que foram prestados de forma imediata, ainda no relvado, não foram adequados e acabaram por desperdiçar uma fase crítica em que as faculdades, as capacidades neurológicas de Nouri poderiam ter sido preservadas e protegidas. O clube diz que enquanto entidade empregadora assume a responsabilidade das consequências e vai então pagar esta indemnização e continuar a suportar todos os cuidados médicos de que Nouri continua a precisar. Ele esteve em coma durante dois anos, oito meses e 19 dias. Acordou em março de 2020 e foi para casa, para junto da família, mas continua a precisar de cuidados permanentes e só consegue comunicar através de expressões faciais. Para além da indemnização, o clube anunciou ainda que vai retirar a camisola 34, o número que Nouri usava. Ou seja, mais ninguém vai poder jogar no Ajax com o 34 nas costas, algo que não deixa de ser simbólico, porque foi este número, precisamente, a forma através da qual os antigos colegas do jogador sempre o homenagearam nestes cinco anos que já passaram.
Mas como é que faziam isso, Mariana?
Vários antigos colegas de Nouri, tanto nas camadas jovens como na seleção dos Países Baixos, escolheram jogar com o 34 quando chegaram a novos clubes. Os exemplos são muitos, desde Justin Kluivert, Donny van de Beek, Amrabat, Anwar El Ghazi. Nouri nunca foi esquecido por aqueles com quem partilhou o relvado, e são muitas as histórias que o recordam, desde o facto de Frenkie de Jong o ter ido visitar ao hospital onde está internado pelo Barcelona para tentar obter algum tipo de aprovação, e de Steven Bergwijn ter telefonado ao irmão de Nouri antes de se estrear pelo Tottenham para garantir que estava a fazer tudo pelo antigo colega e pela família. Nouri nunca chegou a ser tudo o que queria no futebol, mas continua a ser parte dele através do Ajax, da família e dos antigos colegas que sempre fizeram questão de o levar no número da camisola ou na memória.
E passamos para a Liga dos Campeões.
Até porque hoje é dia de oitavos de final, mas nem é sobre isso que vamos falar. E com a possibilidade de um confronto entre a Rússia e a Ucrânia a afigurar-se cada vez mais provável, a UEFA tem um problema em mãos e como a Carla dizia há pouco também no noticiário, a final da Liga dos Campeões desta temporada está marcada para São Petersburgo, na Rússia, e apesar de a cidade ficar afastada do atual foco de tensão, é óbvio que ainda ninguém sabe o que pode acontecer até maio, a altura em que se realiza a final. A imprensa internacional garante que a UEFA já está à procura de soluções alternativas, como por exemplo, Wembley, em Londres, mas a decisão de alterar o local da final pode não ser assim tão simples. A Gazprom é uma das principais parceiras da UEFA, patrocina o futebol europeu desde 2012 e o presidente do Conselho de Administração da empresa é também o presidente da Federação Russa de Futebol e membro do Comitê Executivo da UEFA.
Ou seja, as ligações entre a UEFA e a Rússia são muito próximas.
São muito próximas e principalmente desde maio do ano passado, quando a Gazprom renovou o contrato que tem com a UEFA desde 2012, aumentou o investimento no organismo, mas conquistou várias regalias, como o facto de ter patrocinado praticamente todo o Campeonato da Europa de 2020 e também quase a garantia desta final de 2022 em São Petersburgo. Alexander Dyukov, o presidente do Conselho de Administração da Gazprom, tem uma enorme influência junto da UEFA e das decisões que serão tomadas e terá sempre uma palavra a dizer na hora de equacionar tirar a final da Liga dos Campeões da Rússia. Contudo, tudo irá ainda depender do que acontecer até maio e da evolução do conflito entre os dois países.
E terminamos estas outras histórias do desporto na Argentina.
E terminamos com Sergio Agüero. O avançado argentino terminou a carreira já esta temporada devido a problemas cardíacos que lhe foram detectados no Barcelona. Já disse em entrevistas que está muito limitado fisicamente porque não consegue correr nem fazer exercício físico de forma mais intensa, mas garantiu, entretanto, que vai estar com a seleção da Argentina no Mundial do Qatar no final deste ano, e explicou que falou com o presidente da Federação do país sul-americano e que vai então integrar a equipa técnica da seleção num papel que ainda não está definido. Ainda não se percebeu se será um simples conselheiro, se vai ser treinador adjunto, mas a verdade é que vai mesmo acompanhar a equipa de Messi ao longo do Campeonato do Mundo.
E é assim que chegamos ao fim das outras histórias do desporto, sempre com a Mariana Fernandes. Mariana, obrigada. Até amanhã.
Até amanhã.
Benfica-Ajax. Os encarnados lutam pelo sonho europeu, mas pela frente têm a potência holandesa que já marcou mais de 100 gols esta época. Está feito o gol do Benfica! Esta quarta-feira, a partir das 19h15, emissão especial com relato em direto do Estádio da Luz. Gol! Benfica-Ajax. O sonho europeu joga-se esta quarta-feira na Rádio Observador.
Esta emissão especial tem o apoio de Betway.
Estamos a seis minutos das 08h00. Às 08h00 precisamente, olhamos para o mundo, logo depois conhecemos juntos o tema do Contracorrente de hoje. Até lá, tempo para a música. Esta é de Márcia, chama-se "Já Passa da Hora", começa assim.
A economia está a mudar. A tecnologia está a revolucionar todos os setores e a pandemia veio lançar o debate sobre a indústria e as cadeias de abastecimento. Num momento em que importa fazer o ponto de situação da indústria nacional, o Observador e a Cotec mostram como a inovação é fundamental para aumentar a competitividade. "O Regresso da Indústria", um programa de Paulo Ferreira. Terça-feira, às 15h40, na Rádio Observador. "O Regresso da Indústria", uma iniciativa do Observador e da Cotec Portugal.